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  • Ivar, o Sem-Ossos e o Enigma das Runas: Novas Descobertas da Era Viking

    Ivar, o líder viking, pode ter sido finalmente localizado em Cumbria, enquanto inscrições rúnicas milenares revelam segredos em solo sueco Rebites metálicos de navios encontrados na área de Cumbria, reforçando a teoria de um sepultamento naval viking.  — Crédito da Imagem: Steve Dickinson Índice O Despertar de Ivar: A Possível Necrópole Viking em Cumbria ; Pedras Rúnicas: As Redes Sociais da Sociedade Viking ; O Enigma da Pedra de Rök e a Ansiedade Climática Viking ; Violência e Ritual: A Vala Comum de Cambridge e o Gigante Viking ; O Trono do Poder: O Cotidiano nas Fazendas e a Autoridade Viking ; Referências . Ivar e seu irmão Ubba durante as incursões que devastaram a Inglaterra no século IX, consolidando o poder viking na região.  — Crédito da Imagem: The British Library. O Despertar de Ivar: A Possível Necrópole Viking em Cumbria A arqueologia britânica está em polvorosa com a possibilidade de ter encontrado um dos maiores tesouros históricos da Era Viking: o túmulo de Ivar, o Sem-Ossos (também conhecido como Ivarr, o Dragão). O arqueólogo Steve Dickinson identificou um monte de terra na costa de Cumbria, no noroeste da Inglaterra, que pode abrigar o lendário líder que comandou o Grande Exército Pagão em 865. Faça como o professor Jhonni Langer e publique seu livro pela Livros Vikings Editora . Este local, referido em textos medievais como Coningeshou  (O Monte do Rei), possui dimensões compatíveis com os sepultamentos de elite. Segundo Dickinson: Esta é uma descoberta realmente emocionante. Esses tipos de sepultamentos estão no mesmo nível de encontrar qualquer tumba real em qualquer lugar. Se confirmada a presença de um navio enterrado, este seria o primeiro exemplar monumental desse tipo no Reino Unido, unindo-se a apenas 16 outros conhecidos em toda a Europa setentrional. Acredita-se que o local não seja apenas um túmulo isolado, mas uma verdadeira necrópole viking. Ao redor do monte principal, existem 39 montes menores que poderiam conter os restos mortais de familiares, guardas leais e guerreiros de Ivar. O uso de detectores de metais na área já revelou rebites de navios de grande porte e pesos de chumbo, indícios claros de uma presença aristocrática escandinava. A pesquisadora Matilda Welin examina um antigo texto rúnico, uma das chaves para entender a comunicação na Era Viking.  — Crédito da Imagem: Matilda Welin Pedras Rúnicas: As Redes Sociais da Sociedade Viking Enquanto no Reino Unido busca-se o corpo de Ivar, na Suécia as mensagens dos antigos nórdicos continuam a emergir literalmente do solo. As pedras rúnicas, descritas por especialistas como Magnus Källström como as "redes sociais da Era Viking", eram monumentos públicos erguidos para serem vistos em estradas e locais de assembleia. A palavra "runa" deriva do nórdico antigo rún , que significa "segredo". Embora o sistema rúnico (Futhark) tenha sido usado para comunicações práticas e até piadas — como ossos esculpidos com a frase "cerveja saborosa" — sua função mais duradoura foi a memorial. Inscrições rúnicas revelam histórias de amor, perda e bravura: "Gärder ergueu esta pedra em memória de Sigdjärv, seu pai". "Tóla colocou esta pedra em memória de Geirr, seu filho... Ele morreu em uma incursão viking na rota ocidental". Esses monumentos não eram apenas homenagens fúnebres, mas documentos legais que afirmavam direitos de herança ( odal ) e propriedades de terras, garantindo que o legado de uma família permanecesse gravado na paisagem para as gerações futuras. A Pedra de Rök, que ostenta a maior inscrição rúnica do mundo e ainda guarda mistérios sobre o clima e a cultura viking.  — Crédito da Imagem: Alamy O Enigma da Pedra de Rök e a Ansiedade Climática Viking Um dos artefatos mais fascinantes da cultura viking é a Pedra de Rök, na Suécia, que ostenta a inscrição rúnica mais longa do mundo. Erguida no século IX por um pai enlutado chamado Varin em memória de seu filho Vamoth, a pedra é um labirinto de enigmas que desafia estudiosos há décadas. Uma interpretação recente, proposta por pesquisadores das universidades de Uppsala e Gotemburgo, sugere que o texto não trata apenas de feitos heróicos, mas de um medo profundo do clima. A inscrição pode referir-se a um período de frio extremo ocorrido três séculos antes, causado por erupções vulcânicas. Conforme explica o professor Per Holmberg: Todos tinham ansiedade climática antes do avanço do mundo industrial e moderno. A pedra utilizaria mitos, como o confronto final de Ragnarök, para consolar o pai, sugerindo que seu filho agora lutaria ao lado de Odin. Crânio do "gigante" viking encontrado em Cambridge, apresentando sinais de trepanação para alívio de pressão intracraniana.  — Crédito da Imagem: Cambridge Archaeological Unit/David Matzliach. Violência e Ritual: A Vala Comum de Cambridge e o Gigante Viking A brutalidade da expansão territorial também deixou marcas profundas. Recentemente, em Wandlebury, nos arredores de Cambridge, arqueólogos descobriram uma vala comum contendo pelo menos dez indivíduos do século IX. Este local era uma zona de fronteira entre o reino saxão da Mércia e o território controlado pela influência viking. O achado é perturbador: esqueletos completos foram encontrados ao lado de uma "pilha de pernas" e crânios sem corpos. Um dos indivíduos destaca-se por sua estatura excepcional de 1,95 metros — um verdadeiro gigante para a época, cuja altura média era de 1,68 metros. Este homem apresentava sinais de trepanação, uma cirurgia craniana antiga possivelmente realizada para aliviar dores causadas por um tumor na glândula pituitária. O Dr. Oscar Aldred sugere que o local pode ter sido usado para punições corporais ou que partes dos corpos foram exibidas como troféus antes do sepultamento. O contexto histórico coincide com o período em que o Grande Exército de Ivar e outros líderes nórdicos saquearam a região, integrando-a ao Danelaw . O assento elevado (trono) era o lugar fixo de um líder no Grande Salão viking. Reconstituição com decoração baseada em achados arqueológicos e fontes escritas.  — Crédito da Imagem: Ragnhild Sirum Skavhaug. O Trono do Poder: O Cotidiano nas Fazendas e a Autoridade Viking Para compreender a vida de figuras como Ivar, é preciso olhar além das batalhas e observar o centro da estrutura social: a fazenda. Novas pesquisas no Museu da Universidade NTNU, em Trondheim, destacam que a fazenda era a pedra angular da sociedade. As grandes propriedades rurais da Noruega central produziam o excedente necessário para financiar as expedições marítimas. O símbolo máximo dessa autoridade doméstica era o "assento elevado" ( high seat ), uma cadeira ricamente ornamentada onde o senhor da fazenda presidia o salão da casa longa. Recentemente, o artesão Kai Johansen recriou um desses tronos baseado em achados como o navio de Oseberg. Esses assentos eram reservados exclusivamente para os mais poderosos, servindo como o centro político e religioso da vida familiar. A conexão entre a economia agrícola e as conquistas militares é clara: sem a estabilidade e a riqueza gerada pelas fazendas, as sagas de exploração e os grandiosos túmulos de navios, como o que Dickinson espera encontrar em Cumbria, jamais teriam existido. Este artigo foi parcialmente criado por Inteligência Artificial (IA). Para mais notícias sobre achados arqueológicos e história, continue acompanhando a Livros Vikings. Somos um portal dedicado a trazer informações históricas e curiosidades sobre a Era Viking. Se você gostou deste artigo, compartilhe-o em suas redes sociais! Referências BENTLEY, Hannah. A mysterious Viking burial site has been discovered in the Lake District . To United Kingdom. Londres, 05 fev. 2026. Disponível em: https://www.timeout.com/uk/news/a-mysterious-viking-burial-site-has-been-discovered-in-the-lake-district-020526 . Acesso em: 09 fev. 2026. CARVAJAL, Guillermo. A Viking Age Mass Grave Where a Giant and Nine Other Warriors Were Thrown Bound Hand and Foot Found on the Outskirts of Cambridge . LBV. 07 fev. 2026. Disponível em: https://www.labrujulaverde.com/en/2026/02/a-viking-age-mass-grave-where-a-giant-and-nine-other-warriors-were-thrown-bound-hand-and-foot-found-on-the-outskirts-of-cambridge/ . Acesso em: 09 fev. 2026. GRAVE, Ellen; BAZILCHUK, Nancy. Central Norway’s first high seat since the Viking Age . EurekAlert. Oslo, 30 jan. 2026. Disponível em: https://www.eurekalert.org/news-releases/1114686 . Acesso em: 09 fev. 2026. MANNING, Jonny. Hill could hide Viking grave of Ivarr the Boneless . BBC. Londres, 31 jan. 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/news/articles/c8rm8g43x40o . Acesso em: 09 fev. 2026. WELIN, Matilda. 'Do you love me?': The Viking messages unearthed on Sweden's rune stones . BBC. Londres, 05 fev. 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/future/article/20260202-the-viking-secrets-revealed-by-swedens-rune-stones . Acesso em: 09 fev. 2026. Seja uma das primeiras pessoas a receber as novidades do Mundo Viking, assinando a nossa Newsletter ou adicionando-nos em seu  WhatsApp ... #Viking   #EraViking   #IdadeMédia   #Arqueologia   #LivrosVikings

  • A evolução naval viking: da relíquia de Hjortspring ao poderoso Langskip

    Descubra como a engenharia naval evoluiu de barcos costurados em madeira de tília para os lendários langskips vikings de carvalho e ferro que dominaram os mares A silhueta única do barco de Hjortspring no Museu Nacional da Dinamarca, revelando o design simétrico que inspiraria os futuros construtores de um langskip viking. — Crédito da Imagem: Boel Bengtsson. Índice Tecnologia em tília: a arte de costurar navios pré-viking ; A ciência da calafetagem e a geopolítica do mar ; O modo de produção marítimo e a organização social ; Glossário de termos ; Referências bibliográficas . A arqueologia marítima atingiu um novo patamar de precisão em 2025 com a publicação de análises inéditas sobre o barco de Hjortspring, a única embarcação de tábuas costuradas preservada na Escandinávia.  Embora anterior à Era Viking clássica, esse achado constitui a base tecnológica sobre a qual os nórdicos construíram seu império naval.O estudo revela que o barco foi construído com madeira de tília (linden) e unido por cordoaria, representando a tecnologia dos primeiros navegadores do Norte da Europa.  Publique seu livro pela Livros Vikings Editora . Através de novas análises de radiocarbono em fibras de tília, os cientistas estabeleceram a primeira datação direta: entre 381 e 161 a.C. Essa descoberta é fundamental para compreendermos a cronologia da navegação nórdica. Ela confirma que, séculos antes dos famosos ataques costeiros, as sociedades escandinavas já possuíam frotas organizadas para a guerra regional.  O barco de Hjortspring exibe uma simetria notável, com projeções em "chifre" na proa e na popa que guardam paralelos estilísticos com a arte rupestre da Idade do Bronze. Diferente do posterior langskip viking, que utilizava o carvalho (eik) pela sua robustez, o modelo de Hjortspring priorizava a leveza.  No entanto, o conceito de "Modo de Produção Marítimo" — uma economia política baseada em incursões, comércio e alianças de longa distância — já estava em pleno funcionamento durante a Idade do Ferro pré-romana. Tecnologia em tília: a arte de costurar navios pré-viking A transição da "costura" naval para o uso de rebites metálicos (saum) marca uma das maiores revoluções na engenharia náutica.  Em Hjortspring, as tábuas do casco eram costuradas com cordas de fibras internas de tília. Pesquisas recentes com tomografia de raios X revelaram que essas cordas consistiam em duas vertentes fiadas em "S" e trançadas em um layout "Z", resultando em fios de 3 a 4 mm de espessura. A complexidade dessa fabricação envolvia o processo de retting (maceração), no qual as fibras eram separadas sem sofrer degradação, permitindo a criação de uma cordoaria forte e maleável.  Em reconstruções experimentais, arqueólogos solucionaram um mistério: por que alguns fragmentos mostravam impressões de cordas de duas vertentes e outros de quatro?  A resposta reside na técnica de amarração: ao passar a corda duas vezes pelos furos das tábuas e travá-la com um nó de engate simples, criava-se a funcionalidade de uma corda de quatro fios, garantindo uma fixação que "trabalhava" junto com a madeira sob a pressão das ondas. Essa flexibilidade orgânica é a precursora da técnica clinker (casco sobreposto) usada no langskip. Enquanto o barco ancestral era movido exclusivamente por remos, a introdução posterior da vela exigiu que o casco suportasse tensões muito maiores, levando à substituição da tília pelo carvalho e das fibras vegetais por rebites de ferro. Representações artísticas de Brastad e relíquias da Idade do Bronze alinhadas ao design de Hjortspring, ilustrando a sofisticação naval muito antes da era viking clássica.  — Crédito da Imagem: Richard Potter / PLOS One. A ciência da calafetagem e a geopolítica do mar A impermeabilização é o que determina a sobrevivência de um navio em mar aberto. Utilizando cromatografia gasosa e espectrometria de massa (GC-MS), identificou-se que a calafetagem de Hjortspring era composta por uma mistura de piche de pinheiro e gordura animal (sebo ou banha). Este detalhe químico é revelador: florestas de pinheiros eram raras na Dinamarca e no norte da Alemanha durante o primeiro milênio a.C.  O uso massivo desse material sugere que a embarcação foi construída ou reparada em regiões como a ilha de Bornholm, Escânia ou o leste do Báltico.  Isso prova que, séculos antes da expansão viking, já existia uma sofisticada rede de logística militar que transportava materiais por centenas de quilômetros. Na Era Viking, essa produção de alcatrão seria industrializada para suprir as grandes frotas. A identificação de uma impressão digital parcial em um fragmento de resina fornece um elo humano único com esses navegadores ancestrais. É provável que a marca pertença a um tripulante realizando reparos, demonstrando que a manutenção constante era vital.  Essa necessidade de revisão manual para garantir a qualidade ecoa até os dias de hoje; assim como no passado, a intervenção humana é essencial para garantir a precisão técnica e evitar a natureza genérica de processos automatizados. Recurso Técnico Modelo Hjortspring (Pré-Viking) Modelo Dracar (Era Viking) Material do Casco Madeira de Tília (leveza)  Carvalho (durabilidade) Fixação Principal Cordoaria de Tília (costura) Rebites de Ferro (clinker) Vedação Piche de pinheiro + gordura  Alcatrão de madeira + fibras Propulsão Remos/Remadela (sem vela)  Velas Quadradas e Remos Geometria Simetria total com chifres Proa elevada (cabeças de dragão) O Modo de Produção Marítimo e a Organização Social Para entender a eficácia do langskip viking, é preciso compreender o modelo social de onde ele emergiu.  O achado de Hjortspring continha armas para equipar 80 guerreiros — volume muito superior à capacidade de um único barco —, sugerindo ataques coordenados por múltiplos navios. Essa organização militar é característica do Modo de Produção Marítimo, onde o setor agrícola fornece excedentes de nutrição e mão de obra para o setor político e marítimo.  Nesse sistema, a construção de um navio não era apenas um ato de engenharia, mas um símbolo de poder e alianças regionais. A infraestrutura para produzir quilômetros de cordas e quilos de piche exigia uma liderança capaz de coordenar recursos em vastos territórios. A transição do barco de tília costurado para o langskip de carvalho reflete a adaptação a um mundo mais competitivo. Enquanto Hjortspring representa a agilidade de bandos regionais, o langskip personifica a autoridade de uma civilização que transformou o oceano em sua principal estrada de conquista. Glossário de Termos Bastão: fibra interna da tília, usada para fabricar cordas resistentes; Eik:  carvalho, madeira preferida para a construção de langskips devido à sua densidade; Langskip:  navio longo de guerra, estreito, veloz e de calado raso.Linden: Tília, árvore cuja madeira leve era fundamental para barcos ancestrais; Retting:  técnica de imersão de fibras vegetais em água para facilitar a separação das camadas; Saum:  pregos e rebites de ferro que permitiram a construção de cascos sobrepostos. Este artigo foi parcialmente criado por Inteligência Artificial (IA). Para mais notícias sobre achados arqueológicos e história, continue acompanhando a Livros Vikings. Somos um portal dedicado a trazer informações históricas e curiosidades sobre a Era Viking. Se você gostou deste artigo, compartilhe-o em suas redes sociais! Referências Bibliográficas CRUMLIN-PEDERSEN, O.; TRAKADAS, A. Hjortspring: A Pre-Roman Iron-Age Warship in Context. Roskilde: Viking Ship Museum , 2003. FAUVELLE, Mikael et al. New investigations of the Hjortspring boat: Dating and analysis of the cordage and caulking materials. PLoS One , v. 20, n. 12, dez. 2025. LING, Johan; EARLE, Timothy; KRISTIANSEN, Kristian. Maritime mode of production: raiding and trading in seafaring chiefdoms. Current Anthropology , v. 59, n. 5, out. 2018. Seja uma das primeiras pessoas a receber as novidades do Mundo Viking, assinando a nossa Newsletter ou adicionando-nos em seu   WhatsApp ... #Viking   #EraViking   #IdadeMédia   #Arqueologia   #LivrosVikings

  • FORN SIÐR: UMA BREVE INTRODUÇÃO, PARTE I: AS RAÍZES QUE EMBASAM A RELIGIÃO

    Em parceria com o @caminhonordico, a @livrosvikings tem a honra de apresentar, semanalmente, conteúdos de fontes seguras relacionados à Fé Nórdica Ancestral — Forn Siðr/Heiðinn Siðr/Forn Sed. Odin por Johan Egerkrans. — Pinterest Forn Siðr (Antigo Costume, em Norrœnt) é a fé nórdica nativa, portanto ela é pré-cristã. Em diálogo com os textos escandinavos como a Edda poética e a Edda em prosa, os estudos etimológicos e arqueológicos possibilitam o entendimento do desenvolvimento dos costumes religiosos e culturais nórdicos. Os relatos das Eddas e Sagas são contemporâneos às práticas nativas escandinavas, e os costumes permanecem vivos, como nos relata a Gyðja Guðrún Kristín Magnúsdóttir “Ergo: blót has always been legal in Iceland in spite of dominance of the church.” Guðrún é a precursora do instituto islandês Óðsmál, que preserva e explica (sem alegorias) sobre as Eddas e a cultura nórdica, trazendo ricos estudos etimológicos que enriquecem a compreensão dos textos. Há o mal entendido moderno de que todas as práticas religiosas e espirituais pré-cristãs foram perdidas, cessadas. Isso não é realidade para todos os povos. Enquanto algumas culturas tiveram de fato uma “quebra”, a cultura e fé nórdicas nunca foram perdidas, muito embora a cristianização tendo ocorrido na Escandinávia, ainda que tardiamente em comparação a outros locais da Europa. Também é importante ser citado que durante a cristianização a conversão nem sempre era real, acontecendo de ser “de fachada” para que os praticantes da Fé não fossem afastados de cargos públicos, por exemplo. Em outros casos, as pessoas realmente se convertiam ao cristianismo. O termo Forn Siðr é atestado na Saga Ólafs hins helga Haraldssonar (Saga de Ólafr Haraldsson, o Santo), no capítulo 76: “Í Svíþjóð var þat Forn Siðr, meðan heiðni var þar, at hǫfuðblót skyldi vera at Uppsǫlum at Gói”, na tradução de Allan Marante “Na Suécia havia este Forn Siðr (costume antigo), enquanto a heiðni (crença pagã) perdurou por lá, que um hǫfuðblót (grande sacrifício) fosse realizado em Uppsala, no Góa (mês nórdico entre fevereiro e março)”. O estudo do Norrœnt é essencial no Forn Siðr. Não é culturalmente correto utilizar “pagãos” para referir-se aos praticantes do Forn Siðr, eles devem ser chamados de “heiðin” (Aqueles que honram o costume). Sendo este um termo atestado, como vimos. Logo, o Forn Siðr não se trata, em nenhuma hipótese, de um “sinônimo” para vertentes neo-pagãs nórdicas, já que nem sequer “pagão” serve para definir esta fé, muito embora “paganismo” seja uma palavra utilizada de forma recorrente para a assimilação do público leigo quanto a que estamos tratando de algo pré-cristão. Os textos escandinavos (como as Eddas e as Sagas) preservaram a história, práticas, costumes, e entendimento de mundo dos povos nórdicos. São fontes primárias que dão alicerce ao entendimento da fé nativa. Embora haja muita alegoria em textos entendidos como “mitológicos”, tais alegorias não são consideradas no Forn Siðr. Este recurso ocultou, e desta forma, preservou os conhecimentos debaixo dos olhos da cristianização na Escandinávia, mas ressalto: no Forn Siðr não se compreende as descrições alegóricas como se fossem reais. Por meio do lúdico, do alegórico, a sabedoria ancestral pôde perdurar e continuar a ser compreendida por quem tem embasamentos para entender os textos ancestrais. Conheça melhor o trabalho do Caminho Nórdico (@caminhonordico), acessando: Instagram/caminhonordico , Facebook/caminhonordico e o canal do YouTube ou ainda, assista-o em nosso menu vídeo/religiosidade. Se preferir, mande um e-mail para caminhonordico@gmail.com e tire as suas dúvidas. FONTE: Caminho Nórdico (Instagram) COSTA, Denise. Forn Siðr: uma breve introdução, parte I: as raízes que embasam a religião. Caminho Nórdico. São Paulo, 12 de dez. de 2020. Disponível em: . Acesso em: 10 de nov. de 2021. Seja uma das primeiras pessoas a receber as novidades do Mundo Viking, assinando a nossa Newsletter ou adicionando-nos em seu WhatsApp ... Siga-nos nas Redes Sociais. #viking #vikings #eraviking #medieval #fornsiðr #fe #heiðinnsiðr #heiðin #norse #nordico #saga #norrœnt #norrœntmál #oldnorse #nordicoantigo #heiðinn #run #runar #runes #nýsaniðr #nysaniðr #rúnaskrift #runicinscription #runology #runologia #etymology #sabedoriadasrunas #caminhonordico #livrosvikings

  • O legado viking: entre rituais modernos e mistérios arqueológicos recém-descobertos

    Uma descoberta única na Noruega e o renascimento do paganismo na Suécia mostram como a Era Viking continua viva, misteriosa e relevante até hoje Este belo broche oval é um dos artefatos recuperados da sepultura. — Crédito da Imagem: Raymond Sauvage, Museu Universitário NTNU; CC BY-SA 4.0. Índice O renascimento da fé viking na Suécia Contemporânea ; Uma descoberta arqueológica viking sem precedentes na Noruega ; Simbolismo e natureza: a conexão cultural viking entre passado e presente ; Desafios éticos e a preservação da memória viking ; Referências . A Era Viking, frequentemente retratada sob a ótica da brutalidade e da conquista, possui uma dimensão de espiritualidade e complexidade social que continua a fascinar o mundo moderno.  Recentemente, dois eventos distintos — um ritual sagrado nas florestas próximas a Estocolmo e uma escavação de emergência na Noruega central — convergiram para ilustrar a dualidade desse legado nórdico.  Publique seu livro pela Livros Vikings Editora e realize seu sonho! Enquanto comunidades contemporâneas buscam reviver antigas tradições como forma de lidar com as ansiedades do século XXI, a terra continua a revelar segredos funerários que desafiam a nossa compreensão sobre os rituais de morte dos antigos escandinavos. Este artigo explora como o passado arqueológico e o presente espiritual se entrelaçam, revelando que a cultura nórdica não é apenas um capítulo encerrado nos livros de história, mas uma força viva e em constante evolução. O renascimento da fé viking na Suécia Contemporânea Em uma floresta de pinheiros nos arredores de Estocolmo, a cena poderia ser confundida com um piquenique comum, não fosse pelo altar de pedra coberto de musgo e pelas invocações aos deuses antigos.  O cenário compõe um ritual moderno de sacrifício, conhecido como blót, destinado a convocar Þórr (Thor), o deus do trovão e das colheitas. Diferentemente das representações cinematográficas sangrentas, as oferendas aqui são pragmáticas e modernas: salsichas industrializadas em formato de ferradura e biscoitos em forma de martelo, retirados de recipientes plásticos por participantes que variam de jovens com estética gótica a homens de meia-idade em trajes sociais. Esse movimento, longe de ser uma mera encenação histórica, reflete um crescimento genuíno do neopaganismo na Escandinávia. Grupos formalmente reconhecidos, como a Nordiska Asa-Samfundet (NAC) e a Samfundet Forn Sed, estimam reunir cerca de 2.700 membros registrados e, somando suas redes sociais, mais de 16.000 seguidores.  Eles organizam desde cerimônias de nomeação e casamentos até funerais, reivindicando um espaço legítimo na sociedade sueca moderna. A motivação para esse retorno às raízes da Era Viking é multifacetada. Para muitos, trata-se de uma resposta à "crise existencial" dos tempos modernos. Em um mundo assolado por incertezas econômicas e, principalmente, pela ansiedade climática, a restauração de uma religião quase extinta oferece uma âncora de estabilidade.  O animismo nórdico, teologia que reverencia a natureza como sagrada, ressoa profundamente com a preocupação atual sobre incêndios florestais, secas e inundações.  Ao contrário do nacionalismo do século XIX, que utilizou a imagem do guerreiro viking para curar feridas geopolíticas — como a perda da Finlândia para a Rússia —, o movimento atual tende a enfatizar o respeito pelo mundo natural e a busca pelo senso de comunidade. A seriedade desse ressurgimento é evidenciada pela infraestrutura que vem sendo construída. Foi aprovado, pela primeira vez em quase um milênio, um novo cemitério pagão na cidade de Molkom, projetado com três montículos de grama em forma de navios, adjacente a um cemitério cristão.  Leia também:   Vikings cristãos: a fascinante dualidade religiosa dos destemidos navegadores Além disso, fundos significativos — mais de 200.000 coroas suecas (R$ 116,2 mil) — foram arrecadados para a construção de um templo perto de Gamla Uppsala, o antigo coração religioso do mundo viking. A mulher viveu em Bjugn durante a Era Viking. — Crédito da Imagem: Raymond Sauvage, Museu Universitário NTNU; CC BY-SA 4.0. Uma descoberta arqueológica viking sem precedentes na Noruega Enquanto os suecos modernos reconstroem seus rituais baseados em fragmentos históricos e adaptações contemporâneas, o solo norueguês revelou, em novembro de 2025, um vislumbre autêntico e misterioso das práticas funerárias da Era Viking.  Em Val, na região de Bjugn, o detectorista amador Roy Søreng encontrou o que, inicialmente, parecia ser apenas um broche oval. No entanto, a chegada de especialistas do Museu de Ciências da NTNU e do Conselho do Condado de Trøndelag confirmou tratar-se de um sítio de importância excepcional. A escavação revelou o túmulo de uma mulher do século IX, preservada de forma extraordinária. Seus adornos indicavam alto status: dois broches ovais que prendiam as alças de um vestido avental (o traje característico das mulheres nórdicas da época) e um terceiro broche anelar em sua vestimenta interior.  A análise preliminar sugere que ela era uma mulher livre, provavelmente a matriarca de uma importante fazenda local. Contudo, o que torna esse achado verdadeiramente singular não são as joias, mas um detalhe ritualístico nunca antes documentado em sepultamentos noruegueses desse período.  Sobre a boca da mulher, foram colocadas duas conchas de vieira, posicionadas com as partes curvas para fora e as bordas retas se encontrando, criando uma espécie de "bico" ou proteção. Ademais, ossos de pássaros, especificamente das asas, foram arranjados cuidadosamente ao longo do túmulo. Tal ritual apresenta um enigma para a arqueologia viking. O uso das conchas e das asas de pássaros sugere uma simbologia complexa, possivelmente ligada à viagem da alma, à comunicação com o além ou a uma tradição local específica de Bjugn que se perdeu no tempo.  A proximidade desse túmulo com outro esqueleto do século VIII sugere que a área serviu como um cemitério familiar ou comunitário por gerações, indicando uma continuidade de ocupação e memória no local. A urgência da escavação foi ditada pelo risco iminente de destruição devido à aragem agrícola moderna, o que levou o Ministério do Patrimônio Cultural a liberar fundos de emergência.  Esse ato de preservação permitiu não apenas a recuperação dos artefatos frágeis, mas também a coleta de amostras de DNA, que poderão em breve revelar se os indivíduos enterrados no local eram parentes, oferecendo uma janela genética para a vida rural na Noruega viking. Simbolismo e natureza: a conexão cultural viking entre passado e presente Ao justapor o ritual moderno na Suécia com a descoberta arqueológica na Noruega, percebe-se um fio condutor que atravessa os séculos: a profunda interconexão entre o povo nórdico e o mundo natural. No caso da mulher de Bjugn, a natureza não era apenas um cenário, mas parte integrante da passagem para a morte. As conchas do mar e as asas das aves foram incorporadas ao corpo físico, sugerindo uma crença na transformação ou na necessidade de elementos naturais para navegar o pós-vida.  Esse achado arqueológico reforça a visão de que a espiritualidade da Era Viking era diversificada e profundamente enraizada no ambiente local — o mar e o céu estavam literalmente sobre sua boca e seu corpo. Ironicamente, é exatamente essa reverência à natureza que impulsiona o renascimento do paganismo hoje. Como relatado na Suécia, o novo animismo nórdico surge como uma resposta espiritual à crise climática.  Os praticantes modernos, ao oferecerem maçãs e hidromel caseiro em altares de pedra, tentam recapturar essa relação simbiótica que a mulher de Bjugn vivenciou de forma tão intrínseca. Entretanto, há uma distinção crucial. O ritual antigo era, muito provavelmente, uma prática de proteção ou transição socialmente aceita, regida por regras específicas que hoje nos escapam (como o significado exato das conchas). O ritual moderno, por outro lado, é uma reconstrução baseada na necessidade de identidade e estabilidade em uma "era caótica".  A mulher viking foi enterrada com objetos de sua realidade cotidiana e sagrada; os pagãos modernos utilizam objetos de sua realidade industrializada (biscoitos de pacote, salsichas) para tentar tocar o sagrado. Ambos, no entanto, buscam o favor dos poderes que governam o mundo natural, seja para uma boa colheita no século IX, seja para a chuva após um verão de seca no século XXI. A geografia sagrada também continua a desempenhar um papel fundamental. Assim como o cemitério de Val, em Bjugn, serviu a gerações de uma mesma comunidade, os novos cemitérios pagãos na Suécia e na Dinamarca (onde um local similar existe desde 2009) buscam restabelecer o vínculo físico com a terra.  O desejo de ser enterrado em montículos em forma de navio, em Molkom, é uma tentativa direta de emular a estética e a solenidade dos ancestrais da Era Viking. Incursão Viking na costa inglesa, gravura a partir de uma pintura de Hugo Vogel. — Crédito da Imagem: North Wind Picture Archives/Alamy. Desafios éticos e a preservação da memória viking A interpretação e a reencenação da cultura da Era Viking não estão isentas de desafios éticos e históricos. A arqueologia enfrenta a corrida contra o tempo e o desenvolvimento moderno.  O túmulo da mulher com as conchas em Bjugn só foi salvo graças à intervenção rápida de entusiastas do detectorismo e de arqueólogos, antes que a agricultura intensiva o apagasse.  Isso levanta a questão: quantos rituais únicos e "não documentados" foram perdidos para sempre sob os arados da modernidade, deixando lacunas permanentes em nossa compreensão da diversidade cultural nórdica? Leia também: Forn Siðr: uma breve introdução, parte I: as raízes que embasam a religião Simultaneamente, o renascimento pagão enfrenta o desafio de dissociar a herança viking de ideologias extremistas. O texto sobre a Suécia destaca como o simbolismo nórdico foi cooptado pelo nacionalismo do século XIX e, posteriormente, pelo Terceiro Reich e por grupos de extrema-direita atuais.  As comunidades de Forn Siðr esforçam-se para se posicionar como entidades inclusivas, com posturas antirracistas e focadas na herança cultural e ambiental, mas a sombra da apropriação indébita persiste. O desafio para historiadores e entusiastas é equilibrar o fascínio romântico com a precisão factual. A descoberta em Bjugn nos recorda que "o viking" não é uma figura monolítica, mas composta por indivíduos com práticas locais distintas e surpreendentes.  As conchas na boca da mulher são um lembrete de que ainda sabemos muito pouco sobre a intimidade de suas crenças. Por outro lado, o movimento moderno na Suécia nos lembra que a história não é estática. A “identidade viking” está sendo renegociada e reutilizada para atender às necessidades espirituais do presente.  Seja por meio da ciência forense, que analisa ossos antigos, seja por meio de rituais em florestas periurbanas, a busca pelo entendimento do homem do norte continua a moldar a identidade escandinava e a intrigar o mundo.  A Era Viking, portanto, não é apenas um período de tempo para ser estudado, mas um espelho no qual o presente continua a tentar se reconhecer. Este artigo foi parcialmente criado por Inteligência Artificial (IA). Para mais notícias sobre achados arqueológicos e história, continue acompanhando a Livros Vikings. Somos um portal dedicado a trazer informações históricas e curiosidades sobre a Era Viking. Se você gostou deste artigo, compartilhe-o em suas redes sociais! Referências CHRISTIANSEN, Siri. Here in Sweden, the Vikings are back. And this time they’re searching for stability in a chaotic age. The Guardian, Londres, 17 nov. 2025. Disponível em: < https://www.theguardian.com/commentisfree/2025/nov/17/sweden-vikings-chaos-sacrifice-ritual-norse-pagan >. Acesso em: 09 dez. 2025. RADLEY, Dario. Unusual Viking woman’s burial in Norway reveals a mysterious ritual. Archaeology Magazine, Long Island, 19 nov. 2025. Disponível em: < https://archaeologymag.com/2025/11/unusual-viking-woman-burial-in-bjugn-norway/ >. Acesso em: 09 dez. 2025. Seja uma das primeiras pessoas a receber as novidades do Mundo Viking, assinando a nossa Newsletter ou adicionando-nos em seu  WhatsApp ... #Viking   #EraViking   #IdadeMédia   #Arqueologia   #LivrosVikings

  • Muito além de amuletos: novas tecnologias revelam a vida secreta da Arte Antropomórfica Viking

    Novas análises microscópicas em figuras da Era Viking revelam rituais de criação, uso intenso e quebras intencionais antes desconhecidos Dez objetos antropomórficos icônicos da Era Viking. — Crédito da Imagem: Autores e O. Myrin, Swedish Historical Museums. Índice A ciência por trás da redescoberta da arte viking ; O processo de criação e a materialidade do corpo viking ; Marcas de uso: como a “sociedade viking” interagia com suas miniaturas ; Fragmentação intencional e a morte do objeto viking ; Desafiando os estereótipos de gênero na arqueologia viking ; Referências . Quando observamos as vitrines dos museus, repletas de pequenos tesouros de prata e bronze é fácil imaginar que aquelas peças sempre foram estáticas, meros adornos ou símbolos religiosos congelados no tempo.  No entanto, a arqueologia moderna, munida de tecnologias avançadas, está reescrevendo essa narrativa. Um estudo recente analisou dez figuras antropomórficas icônicas da Era Viking (c. 750–1050 d.C.) encontradas na Suécia, incluindo as famosas "valquírias" e a estatueta de Rällinge. Faça como o Professor Johnni Langer e publique seu livro pela Livros Vikings Editora . Em vez de perguntar apenas "o que essas figuras representam?", os pesquisadores agora questionam: "o que essas figuras faziam?". Por meio de análises de microdesgaste e Reflective Transformation Imaging  (RTI), foi possível descobrir que esses objetos não eram passivos.  Eles possuíam uma "vida social" ativa: eram tocados, polidos, embrulhados, escondidos e, em momentos cruciais, violentamente fragmentados. Este artigo convida você a olhar pelo microscópio e descobrir os segredos ocultos na superfície dessas pequenas obras-primas do mundo viking. A ciência por trás da redescoberta da arte viking Para desvendar a biografia desses objetos, a arqueologia viking abandonou suposições antigas e focou na materialidade. O estudo utilizou duas técnicas principais que funcionam como uma "autópsia" do metal: Análise de Microdesgaste: permite identificar arranhões, polimentos e marcas de manuseio invisíveis a olho nu, revelando como o objeto foi tratado desde sua criação até o descarte; Reflective Transformation Imaging (RTI):  uma técnica computacional que captura a topografia da superfície sob diferentes ângulos de luz, revelando detalhes de decoração e desgaste que fotos comuns não conseguem mostrar. Essas ferramentas permitiram aos pesquisadores enxergar além da iconografia. Descobriu-se que a fascinação acadêmica anterior em categorizar essas peças apenas como deuses nórdicos (como Óðinn ou Freya) ou valquírias acabou obscurecendo a complexidade de como os povos da Era Viking realmente interagiam com esses itens no dia a dia. Traços de microdesgaste no objeto O3, a estatueta de Rällinge: A) estrias de fabricação; B) sulco abaixo do olho; C) sulco em espiral incompleto na parte superior das costas; D) linha curva única na parte inferior das costas. — Crédito da Imagem: C. Tsoraki e O. Myrin, Swedish Historical Museums. O processo de criação e a materialidade do corpo viking A criação de um corpo em miniatura na sociedade viking não era um ato único e definitivo. As evidências mostram que a manufatura era um processo de múltiplos estágios, envolvendo escolhas deliberadas dos artesãos. As figuras eram fundidas, muitas vezes utilizando prata proveniente de Dirhams árabes derretidos, conectando a Escandinávia a redes de comércio globais. O estudo das dez figuras revelou que, após a fundição em moldes de argila (que eram quebrados para retirar a peça), os objetos passavam por acabamentos distintos: Polimento Seletivo:  algumas figuras, como as "valquírias" de prata, mostram polimento intenso tanto na frente quanto no verso, enquanto outras mantêm irregularidades da fundição na parte de trás; Detalhamento Manual:  a estatueta de Rällinge, por exemplo, teve detalhes como espirais e sulcos nos olhos aprimorados manualmente após a fundição. Curiosamente, algumas dessas espirais parecem incompletas, sugerindo que o ato de "fazer" o corpo viking poderia ser contínuo e não necessariamente finalizado em um único momento. Isso indica que o brilho e a textura eram fundamentais para a experiência sensorial desses objetos. O metal não era apenas um suporte para a arte; ele era uma substância viva, reciclada e reconfigurada pelas mãos dos ourives da Era Viking. Micrografias exibindo exemplos de dispositivos de fixação. — Crédito da Imagem: C. Tsoraki. Marcas de uso: como a “sociedade viking” interagia com suas miniaturas Uma das descobertas mais surpreendentes deste estudo desafia a ideia de que todas essas figuras eram pingentes usados em colares. Embora nove dos dez objetos possuam dispositivos de suspensão, a análise microscópica dos anéis e orifícios conta uma história diferente sobre a moda e os rituais vikings. Diversidade de Fixação: algumas figuras, como a peça catalogada como O9, apresentam estrias perpendiculares no anel de suspensão. Isso sugere que, em vez de oscilar livremente em um cordão, a peça estava amarrada firmemente contra outro material ou objeto. Outras peças mostram facetas de desgaste entre os pés, indicando que poderiam ter sido costuradas em tecidos ou fixadas de cabeça para baixo; Ocultação e Toque:  o desgaste arredondado nas bordas de certas figuras sugere que elas foram manuseadas extensivamente ou mantidas em bolsas, possivelmente embrulhadas em tecidos, em vez de expostas visualmente. Isso levanta a hipótese de que, para o povo viking, o poder desses objetos poderia residir no toque ou na presença oculta, e não apenas na exibição pública. A estatueta de Rällinge, por exemplo, é tão pequena que seus detalhes artísticos seriam quase invisíveis sem uma inspeção minuciosa, sugerindo um uso íntimo e tátil. Fragmentação intencional e a morte do objeto viking Talvez o aspecto mais intrigante revelado pela análise seja a relação entre corpos humanos e corpos metálicos no momento da quebra. Na mentalidade viking, objetos podiam ser "mortos" ou transformados, assim como as pessoas. Traços de microdesgaste na cabeça de Aska: A–B) traços de percussão na base da cabeça; C) acabamento liso na crista interior do queixo. — Crédito da Imagem: C. Tsoraki; fotografia de Aska por O. Myrin, Swedish Historical Museums. O estudo destaca dois casos emblemáticos: A Cabeça de Aska (Objeto O1): frequentemente interpretada como um amuleto independente, a análise de microdesgaste revelou marcas de percussão na base do pescoço. Isso prova que a cabeça foi intencionalmente decepada de um corpo maior. Foi um ato deliberado de decapitação de uma efígie viking; A Estatueta de Rällinge (Objeto O3):  esta figura possui um braço quebrado. O exame mostrou que a área da fratura foi alisada e retrabalhada. Em vez de consertar o membro ou descartar a peça, o proprietário escolheu curar a "ferida" do objeto, mantendo-o em uso mesmo amputado. Essas práticas ecoam rituais funerários onde restos humanos eram fragmentados, sugerindo uma ontologia onde corpos — sejam de carne, sejam de metal — eram partíveis e transformáveis. Desafiando os estereótipos de gênero na arqueologia viking Por décadas, assumiu-se que pingentes representando figuras femininas (as chamadas valquírias) eram adornos exclusivos de mulheres, associados a papéis de fertilidade ou proteção doméstica. As novas evidências pedem cautela com essas categorias modernas projetadas no passado viking. A análise contextual mostra que: Muitas dessas figuras foram encontradas em tesouros ou como achados isolados, sem associação direta com corpos femininos em sepulturas; A figura O7, uma "valquíria" dourada, foi encontrada em um enterro contendo restos humanos geneticamente determinados como masculinos. A suposição de que "joias são femininas" ignora a complexidade da identidade na Era Viking. Se as valquírias eram entidades que guiavam guerreiros ao Valhalla, não seria lógico que guerreiros homens também as portassem? Mapa apresentando a distribuição dos artefatos. — Crédito da Imagem: K. Eriksen. Os dados sugerem que esses objetos transitavam por esferas muito mais fluidas do que a simples dicotomia "homem-guerreiro" e "mulher-dona de casa". Eles eram agentes ativos em negociações de poder, proteção e identidade que transcendiam o gênero biológico. As descobertas trazidas pela microscopia e pela tecnologia RTI transformam nossa compreensão da arte antropomórfica viking. Estes não eram apenas símbolos passivos de deuses distantes, mas objetos "intra-ativos" que participavam dinamicamente da vida de seus donos. Eles eram polidos, amarrados, escondidos, tocados e até mesmo sacrificados. Ao olhar para além da forma e focar nas marcas deixadas pelo tempo e pelo uso, percebemos que a relação entre o povo viking e seus objetos era de profunda interdependência.  Cada arranhão e cada fratura contam uma história de crença, cuidado e ritual que os livros de história tradicionais, focados apenas na iconografia, muitas vezes deixaram escapar. Este artigo foi parcialmente criado por Inteligência Artificial (IA). Para mais notícias sobre achados arqueológicos e história, continue acompanhando a Livros Vikings. Somos um portal dedicado a trazer informações históricas e curiosidades sobre a Era Viking. Se você gostou deste artigo, compartilhe-o em suas redes sociais! Referências ARBMAN, H. Birka I. Die Gräber . Stockholm: Kungl. Vitterhets Historie och Antikvitets Akademien, 1940. ARRHENIUS, B. Trace element analysis of human skulls. Laborativ Arkeologi , v. 4, p. 15-20, 1990. ARWILL-NORDBLADH, E. 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Viking body-making: new evidence for intra-action with iconic Viking anthropomorphic ‘art’. Antiquity , v. 99, n. 408, p. 1658-1676, 2025. GARDEŁA, L.; PENTZ, P.; PRICE, N. Revisiting the ‘Valkyries’: armed females in Viking Age figurative metalwork. Current Swedish Archaeology , v. 30, p. 95-151, 2022. HELMERCHT, M. Figures, foils and faces – fragments of a pictorial world. Anthropomorphic images from the Vendel Period and Viking Age found at Uppåkra. In: HÅRDH, B.; LARSSON, L. (Ed.). Folk, fä och fynd . Lund: Lunds Universitet, 2013. p. 9-32. KERSHAW, J.; MERKEL, S. W. Silver recycling in the Viking Age: theoretical and analytical approaches. Archaeometry , v. 64, p. 116-133, 2022. PRICE, N. The Viking way: magic and mind in Late Iron Age Scandinavia . Oxford: Oxbow, 2019. RODRÍGUEZ-VARELA, R. et al. The genetic history of Scandinavia from the Roman Iron Age to the present. 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  • Símbolos vikings e umbandistas: cópia ou coincidência?

    Exploramos a origem e o significado dos símbolos vikings e umbandistas, revelando que suas semelhanças são pura coincidência histórica Com embasamento histórico científico, a Livros Vikings em parceria com o Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos/NEVE traz conteúdos informativos, em razão da Era Viking. Índice Símbolos vikings e renascentistas ; Os símbolos de Exu ; Conclusão ; Referências bibliográficas . Fonte . Há alguns anos circulam pela internet algumas indagações sobre a semelhança entre símbolos mágicos utilizados pelos vikings e os pontos riscados da Umbanda e suas possíveis conexões ou influências mútuas. Em parte, isso se deve à crescente popularidade dos nórdicos pela mídia televisiva, mas também pela imensa difusão de tatuagens no mundo pop, como o símbolo de um vegvisir usado pela cantora islandesa Björk em um dos braços ou pelas bandas de viking metal. Vamos esclarecer alguns pontos sobre a área nórdica e em seguida algumas considerações sobre a Umbanda, para em seguida realizarmos algumas conclusões sobre o assunto. Símbolos vikings e renascentistas: Em primeiro lugar, ocorre uma certa confusão com o termo viking. Os grafismos simbólicos considerados hoje em dia como vikings foram retiradas de obras islandesas escritas durante o século XVI e XVII, muito depois da Era Viking. Alguns destes símbolos realmente são nativos, conhecidos durante o período das migrações germânicas até o final do século XI, como a suástica (também utilizada por diversos outros povos euroasiáticos e relacionada tanto a Odin quanto a Thor, vide o estudo: Símbolos mágicos nórdicos: guia visual e histórico) e o Hrungnisjarta a partir do século VIII. Nas fontes medievais, a palavra viking surge relacionada a uma atividade temporária, geralmente náutica e predatória e em alguns casos possui certa identidade cultural, mas no imaginário contemporâneo ela acaba sendo sinônimo de nórdico em geral (Langer, 2018). Neste caso, a aplicação do termo viking aos símbolos islandeses é equivocada. Os símbolos mágicos que nos interessam dos grimórios islandeses (grandes manuais de práticas mágicas) são especialmente o vegvisír (um símbolo mágico utilizado para as pessoas encontrarem o caminho durante tempestades ou períodos nublados) e o ægishjálmur (utilizado para proteção e feitiçaria). Somente esse último foi registrado anteriormente pela literatura durante o período medieval, mas não se conhecem imagens preservadas dele antes do século XVI. Diversos pesquisadores questionam se ele realmente teria sido utilizado pelos guerreiros em seus elmos durante a Era Viking (750 a 1100 d.C.), sendo mais visto como uma figura puramente literária e mitológica (Foster, 2017). Neste sentido, não há como comprovar ou sequer referendar o uso da expressão símbolos vikings a esses dois grafismos dos grimórios. Ægishjálmur, Galdrakver, Lbs. 143 8vo, Islândia, 1670. O mais antigo dos grimórios islandeses foi o Galdrabók, datado de 1600, contendo diversos encantamentos e invocações a entidades cristãs, demônios e deuses nórdicos. O material rúnico contido neste manuscrito é percebido como uma expressão nórdica tardia de tradições mágicas mediterrânicas. Muitos símbolos são variações latinas de cruzes e de runas (Macleod e Mees, 2006). O Ægishjálmur foi citado primeiramente no Fáfnismál 16, 17 e 19 (Codex Regius da Edda Poética). Neste poema éddico, o símbolo traria vitória a seu possuidor (segundo o dragão Fáfnir), e no mesmo poema, alude-se a pertencer ao tesouro de Sigurðr, de onde se deduz que estaria gravado em um elmo. Ao mesmo tempo, essa descrição de um objeto mágico na cabeça de Fáfnir tem relação com uma tradição européia que remonta aos gregos e que sobreviveu até o fim da Idade Média: de uma pedra que os dragões possuíam em suas cabeças (snakestone ou dracontite), utilizada para fins curativos; e por outro lado, com o olhar mortífero que este tipo de monstro teria (o “olhar de fogo”). Em algumas sagas islandesas, como Sverris saga 38, o símbolo também é citado como proteção nas batalhas. Vegvísir, manuscrito Huld, p. 60, Geir Vigfússon, Islândia, 1860. Para o pesquisador alemão Rudolf Simek (2007, p. 2) as características terríveis do Ægishjálmur foram originadas do classicismo, derivados do grego aigis (como o escudo de Zeus e a capa de Pallas Atenas). A palavra grega aigis pode ter se tornado elmo do terror na etimologia folclórica como resultado da similaridade fonética com o nórdico œgr, terrível. E apesar da derivação etimológica, Ægishjálmur não teria relação com o gigante marinho Ægir. Alguns especialistas traduzem Ægishjálmur como leme do pavor ou de Æegir, devido ao seu formato nos grimórios, um círculo formado de oito braços em forma de tridentes, assemelhando-se ao leme de roda das embarcações. O problema é que esse tipo de instrumento náutico só foi conhecido na Escandinávia a partir do século XIII: os vikings utilizavam um remo transversal como leme. Como Æegir era uma divindade relacionada ao mar, talvez os eruditos nórdicos do final do medievo tenham fundido a este folclore o tridente de Netuno, explicando a sua morfologia (ou mesmo o tridente do demônio, utilizado no imaginário cristão). De qualquer maneira, não há imagens deste símbolo anterior ao século XV, e não temos como provar que existiu entre os vikings. Segundo Macleod e Mees (2006, p. 252), o Ægishjálmur foi uma forma cruzada e adaptada do símbolo tvímadr, presente no calendário rúnico do século XIII. Sintetizando, a morfologia conhecida do Ægishjálmur possivelmente foi originada de uma confluência tardo medieval entre tradições clássicas e cristãs (o tridente), aplicada a caracteres não alfabéticos (o tvímadr), não tendo relação direta com a tradição rúnica antiga. Os símbolos de Exu: A Umbanda possui diversas manifestações visuais sagradas conhecidas como pontos riscados, em especial o da Pomba gira Menina. Um círculo (considerado o universo da perfeição); um tridente (associado a Exu), hexagrama e triângulos entrelaçados - estes sendo associados a rituais (Sampaio e Gnerre, 2012). Segundo Solera (2014, p. 31), os sinais e símbolos umbandistas correspondem a várias tradições advindas de religiosidades e diferenciadas historicamente, como o Espiritismo, judaísmo, cristianismo e etnias indígenas e africanas. O símbolo do tridente do Exu na Umbanda é uma apropriação derivada do sincretismo religioso moderno, não tendo uma origem puramente africana (Sodré, 2009, p. 5). O Exu é uma entidade Iorubá relacionada com a fertilidade, cujos simbolismos mais conhecidos são um porte fálico, cabaças e búzios. A Umbanda possui suas origens a partir de 1908, derivada essencialmente de diversas tradições brasileiras, indígenas e africanas. Devido a fortes perseguições e associações do Exu com a figura do diabo judaico-cristão, os adeptos da Umbanda (em uma forma de resistência cultural) passaram a adotar os simbolismos típicos da tradição medieval relacionada a Satã: este orixá passa a ser representado de cor vermelha, com chifres e tridente (a exemplo do Exu das sete encruzilhadas e Exu caveira). O tridente, deste modo, foi um símbolo derivado do imaginário judaico-cristão sobre a figura de Exu, mas que recebeu outros significados adaptados, como os diversos caminhos que o orixá percorre e domina (Sodré, 2009, p. 9 e 12). Não existem pesquisas mais detalhadas ou profundas sobre a iconografia simbólica afro-brasileira. De nossa parte, realizamos alguns levantamentos historiográficos para detectar possíveis origens coloniais dos símbolos com tridente na religiosidade popular brasileira, mas não conseguimos nenhum resultado. Analisando Souza (1986) e Calainho (2008), percebemos que os símbolos adotados por escravos brasileiros durante o período colonial são influenciados pela forma de cruzes latinas, Sol, estrelas, serpentes, caveiras e flores, mas não existe nenhuma referência a tridentes ou qualquer similitude com os pontos riscados de Exu antes do século XIX, reforçando sua origem contemporânea. Conclusão: De um ponto de vista histórico, os símbolos islandeses e os pontos riscados dedicados a Exu não possuem qualquer tipo de conexão, influência ou aproximação. Suas similitudes são apenas frutos de uma coincidência morfológica. Ambos parecem ter sido influenciados pelo imaginário cristão, que ressignificou tradições nativas de práticas mágicas com o referencial do tridente. Outras tradições religiosas que possuem símbolos circulares com terminais tridentiformes, como a ashtánga yantra da tradição shivaista, também foram relacionados ao Ægishjálmur — mas do mesmo modo alguns pesquisadores vêm descartando essa similitude, considerando uma simples coincidência (Foster, 2017). Explicações para as similitudes entre símbolos de culturas afastadas no tempo e no espaço são populares hoje em dia, geralmente apelando para referenciais como “emanações do inconsciente coletivo” ou produtos arquetípicos, mas não passam de especulações sem bases mais rigorosas de investigação. O medievalista francês Michel Pastoreau conclama para o perigo de anacronismo constante que ronda o historiador quando estuda o simbolismo e a fragilidade da análise universalista: O que às vezes leva – erradamente – a crer na existência de uma simbólica transcultural, apoiada em arquétipos (...) no mundo dos símbolos, tudo é cultural e deve ser estudado em relação à sociedade que dele faz uso, em determinado momento de sua história e em um contexto preciso. (Pastoreau, 2002, p. 507). Comparações apressadas utilizando apenas a morfologia, sem um contexto histórico e social mais rigoroso, podem criar conclusões fantasiosas como as que relacionam conexões transcontinentais entre os povos pré-colombianos e os do Velho Mundo — utilizando simplesmente a coincidência do formato das pirâmides que existem entre ambos. Os símbolos mágicos constituem um terreno ainda repleto de possibilidades para pesquisas futuras, mas os referenciais generalistas e universalistas devem ser evitados pelas próximas gerações de pesquisadores. Referências bibliográficas: CALAINHO, Daniela Buono. Metrópole das mandingas : religiosidade negra e inquisição portuguesa no antigo regime. Rio de Janeiro: Garamond, 2008. FOSTER, Justin. Galdrastafir : icelandic magical staves. [S. l.: s. n.], 2013-2017. FRANÇA, Dilaine Soares Sampaio; GNERRE, Maria Lucia Abaurre. Um olhar sobre os trânsitos simbólicos afro-indianos. Religare , João Pessoa, v. 9, n. 1, p. 1-10, 2012. LANGER, Johnni. Viking. In : LANGER, Johnni (org.). Dicionário de História e Cultura da Era Viking . São Paulo: Hedra, 2017. LANGER, Johnni. Animais, suásticas e símbolos celestes na Escandinávia (séc. V-XI d.C.) . 2017. Palestra proferida na mesa redonda do V Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2017. LANGER, Johnni. Símbolos rúnicos. In : LANGER, Johnni (org.). Dicionário de Mitologia Nórdica . São Paulo: Hedra, 2015. p. 468-470. LANGER, Johnni. Símbolos religiosos dos vikings: guia iconográfico. História, imagem e narrativas , Rio de Janeiro, n. 22, 2010. MACLEOD, Mindy; MEES, Bernard. Runic amulets and magic objects . London: Boydell Press, 2006. PASTOUREAU, Michel. Símbolo. In : LE GOFF, Jacques; SCHMITT, Jean-Claude (org.). Dicionário Temático do Ocidente Medieval . São Paulo: Edusc, 2002. v. 1. PRANDI, Reginaldo. Exu, de mensageiro a diabo: sincretismo católico e demonização do orixá Exu. Revista USP , São Paulo, n. 50, p. 46-63, 2001. SIMEK, Rudolf. Ægir´s helmet. In : SIMEK, Rudolf. Dictionary of Northern Mythology . London: D.S. Brewer, 2007. p. 2. SODRÉ, Jaime. Exu: a forma e a função. Revista VeraCidade , Salvador, v. 4, n. 5, 2009. SOLERA, Osvaldo Olavo Ortiz. A magia do ponto riscado na Umbanda esotérica . 2014. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2014. SOUZA, André Luiz Nascimento. É o cão: uma análise sobre a construção da imagem de Exu como diabo cristão. In : ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA DA ANPUH-RN, 7., 2016, Caicó. Anais  [...]. Caicó: ANPUH-RN, 2016. SOUZA, Laura de Mello e. O diabo e a terra de santa cruz : feitiçaria e religiosidade popular no Brasil colonial. São Paulo: Companhia das Letras, 1986. ֍֍֍ Fonte LANGER, Johnni. Símbolos vikings e umbandistas: cópia ou coincidência? . NEVE. João Pessoa, 13 de out. de 2017. Disponível em: . Acesso em: 15 de fev. de 2022. Seja uma das primeiras pessoas a receber as novidades do Mundo Viking, assinando a nossa Newsletter ou adicionando-nos em seu WhatsApp ... 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  • A Saga de Hervör completa em português (traduzida diretamente do Nórdico Antigo dos vikings)

    A saga viking da maldita espada Tyrfingr: de Hervör, que a roubou dos mortos, ao rei que pagou com sangue Uma representação moderna de Hervör diante do túmulo de seu pai na Ilha de Sámsey. — Crédito da Imagem: Nano Banana A Saga de Hervör e Heiðrekr é uma das joias das "sagas lendárias" (Fornaldarsögur), narrativas que mergulham no passado mítico da Escandinávia, muito antes da cristianização. Diferente de outras sagas focadas em um único herói, esta é uma crônica de linhagem, cujo destino é selado por um artefato terrível e fascinante: a espada amaldiçoada Tyrfingr, forjada por anões e fadada a causar três grandes males e a jamais ser embainhada sem provar sangue. A narrativa segue a trajetória desta espada através de gerações, destacando-se duas figuras centrais. Primeiro, a audaz skjaldmær (donzela-do-escudo) Hervör, que, desafiando os mortos, desce ao túmulo de seu pai para clamar a espada como sua herança. Publique seu livro pela Livros Vikings Editora . Segundo, seu filho, o rei Heiðrekr, conhecido por sua sabedoria, sua astúcia e seu trágico reinado, que culmina em um famoso duelo de enigmas com o próprio deus Óðinn disfarçado. Esta saga é um mergulho profundo nos temas do fatalismo nórdico, da honra, da guerra e da transição entre o paganismo e uma nova era, culminando na épica e sangrenta batalha entre os irmãos Angantýr e Hlöðr pelo trono dos Godos. Aviso de Direitos Autorais Esta tradução da Saga de Hervör e Heiðrekr, incluindo suas notas e textos de apoio, é uma obra intelectual de propriedade da Livros Vikings Editora, protegida pela Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998). É vedada a reprodução, distribuição, armazenamento ou utilização desta tradução, seja total ou parcial, por quaisquer meios (eletrônicos, mecânicos, fotocópia, gravação ou outros), sem a autorização prévia e expressa dos titulares dos direitos. A violação dos direitos autorais é crime e sujeita o infrator às sanções civis e penais cabíveis. Para solicitar autorização de uso, entre em contato com sac@livrosvikings.com.br . A Saga de Hervör e Heiðrekr Índice Sobre Arngrímr e seus filhos ; O Voto de Hjörvarðr ; A Batalha em Sámsey ; Hervör obtém a espada Tyrfingr ; Sobre Angantýr e Heiðrekr, os irmãos ; Heiðrekr se estabeleceu em Reiðgotaland ; Heiðrekr tomou todo o reino ; Sobre a traição da rainha ; Heiðrekr desposou a filha do rei de Garðaríki ; Os Enigmas de Gestumblindi ; Sobre a morte de Heiðrekr e a reivindicação da herança por Hlöðr ; A Reunião das Tropas de Hlöðr e Humli ; A Queda de Hervör e a Reunião das Tropas de Angantýr ; A Batalha em Dúnheiðr ; Sobre as Linhagens Reais dos Danois e Suecos ; Sobre o Rei Ingi Steinkelsson . 1. Sobre Arngrímr e seus filhos Havia um rei chamado Sigrlami, que governava Garðaríki (Rússia de Kiev). Sua filha era Eyfura, a mais bela de todas as donzelas. Este rei obtivera dos anões (dvergar) a espada Tyrfingr, a mais cortante de todas; cada vez que ela era desembainhada, brilhava como um raio de sol. Ela jamais podia ser mantida exposta sem que se tornasse a ruína de um homem, e devia sempre ser recolhida à bainha ainda quente de sangue. E não havia nada vivo, nem homem nem animal, que pudesse sobreviver até o dia seguinte se sofresse um ferimento dela, fosse grande ou pequeno. Ela nunca falhou em um golpe nem parou antes de atingir a terra, e o homem que a carregasse em batalha obteria a vitória, se com ela lutasse. Esta espada é famosa em todas as sagas antigas. Havia um homem chamado Arngrímr; ele era um viking renomado. Ele pilhou a leste, em Garðaríki, e permaneceu por um tempo com o rei Sigrlami, tornando-se o comandante de suas tropas, tanto para proteger a terra quanto seus súditos, pois o rei já era velho. Arngrímr tornou-se um senhor tão poderoso que o rei lhe deu sua filha em casamento e fez dele o homem mais importante em seu reino. Deu-lhe então a espada Tyrfingr. O rei depois disso aquietou-se, e nada mais é dito sobre ele. Arngrímr foi com sua esposa, Eyfura, para o norte, rumo às suas terras ancestrais, e estabeleceu-se na ilha chamada Bólmr (Bolmsö, Suécia). Eles tiveram doze filhos. O mais velho e mais notável chamava-se Angantýr; o segundo, Hjörvarðr; o terceiro, Hervarðr; o quarto, Hrani; e dois Haddingjar; os demais não são nomeados. Todos eles eram berserkir  (guerreiros frenéticos), tão fortes e grandes guerreiros que nunca quiseram ir em pilhagem contando com mais ninguém além dos doze, e jamais entraram em batalha sem conquistar a vitória. Por causa disso, tornaram-se famosos em todas as terras, e não havia rei que não lhes desse o que queriam. 2. O Voto de Hjörvarðr Certa vez, na Véspera de Yule (Jólaaptan), quando os homens deviam fazer seus votos solenes (heitstrenging) sobre o copo principal (bragarfulli), como é o costume, os filhos de Arngrímr fizeram os seus. Hjörvarðr fez o voto de que desposaria a filha de Ingjaldr, rei dos Suecos (Svíakonungr) — donzela famosa em todas as terras por sua beleza e habilidades —, ou então não teria nenhuma outra mulher. Naquela mesma primavera, os doze irmãos fizeram sua jornada e chegaram a Uppsala (Suécia), apresentando-se diante da mesa do rei; lá estava sentada a filha dele, ao seu lado. Então, Hjörvarðr declarou seu propósito ao rei e seu voto solene, enquanto todos os que estavam dentro do salão ouviam. Hjörvarðr pediu ao rei que dissesse rapidamente qual seria o resultado de sua demanda. O rei refletiu sobre o assunto, pois sabia quão poderosos os irmãos eram e que descendiam de uma linhagem renomada. Nesse momento, um homem chamado Hjálmarr, inn hugumstóri  (o Corajoso), avançou para a mesa do rei e disse: "Senhor rei, lembrai-vos agora da grande honra que vos prestei desde que cheguei a esta terra, e quantas batalhas travei para conquistar o reino sob vosso comando, e como me pus a vosso serviço. Agora vos peço que me concedais uma honra e me deis vossa filha, por quem meu coração sempre ansiou. E é mais justo que me concedais este pedido do que a esses berserkir, que só causaram o mal, tanto em vosso reino quanto nos de muitos outros reis". O rei ponderou ainda mais; pareceu-lhe um grande dilema ter esses dois chefes competindo tão intensamente por sua filha. O rei disse o seguinte: ambos eram homens tão grandiosos e de tão nobre estirpe que ele não queria negar a nenhum dos dois a aliança, e pediu a ela que escolhesse qual deles ela queria desposar. Ela respondeu que, se seu pai desejava casá-la, ela preferia desposar aquele que ela conhecia por suas boas qualidades, e não aquele de quem ela só ouvira histórias, e todas elas más, como as dos filhos de Arngrímr. Hjörvarðr desafiou Hjálmarr para um hólmganga  (duelo em ilhota) ao sul, em Sámsey (Samsø, Dinamarca), e declarou que Hjálmarr seria considerado um níðingr  (homem vil, sem honra) por todos, se ele desposasse a donzela antes que este duelo fosse travado. Hjálmarr disse que não iria demorar. Os filhos de Arngrímr então foram para casa e contaram ao pai sua missão, e Arngrímr disse que nunca antes havia temido pela jornada deles. Logo depois, os irmãos foram até o jarl Bjarmarr, e ele preparou um grande banquete para eles. E então Angantýr quis desposar a filha do jarl, chamada Sváfa, e o casamento deles foi celebrado com bebida. E agora Angantýr conta ao jarl seu sonho: pareceu-lhe que ele e os irmãos estavam em Sámsey e encontraram muitos pássaros e mataram todos eles. Então eles se viraram para outra parte da ilha, e duas águias voaram contra eles. Ele sonhou que avançava contra uma delas, e tiveram um combate árduo, e ambos caíram antes que terminasse. Mas a outra águia lutou contra seus onze irmãos, e pareceu-lhe que a águia levou a melhor. O jarl disse que tal sonho não precisava de interpretação, e que ali lhe fora mostrada a queda de homens poderosos. 3. A Batalha em Sámsey E quando os irmãos voltaram para casa, prepararam-se para o hólmstefnu  (encontro de duelo). O pai deles os acompanhou até o navio e deu a espada Tyrfingr a Angantýr. "Eu acho", disse ele, "que agora haverá necessidade de boas armas." Ele lhes desejou uma boa viagem; depois disso, eles se separaram. E quando os irmãos chegaram a Sámsey, avistaram dois navios ancorados no porto chamado Munarvágr (em Sámsey). Eram askar  (grandes navios de guerra), e eles perceberam que as embarcações deviam pertencer a Hjálmarr e Oddr, inn víðförli  (o Viajante), que era chamado de Örvar-Oddr (Oddr das Flechas). Então os filhos de Arngrímr desembainharam suas espadas e morderam as bordas de seus escudos, e a fúria berserker  ( berserksgangr ) veio sobre eles. Avançaram, seis em cada ask . Mas havia homens tão bons a bordo das naus que todos pegaram suas armas; ninguém fugiu de seu posto, nem proferiu palavra de medo. Mas os berserkir  avançaram por um lado do convés e voltaram pelo outro, matando todos eles. Depois, desembarcaram, rugindo. Hjálmarr e Oddr tinham subido à ilha para ver se os berserkir  haviam chegado. E quando eles saíram da floresta em direção aos seus navios, os berserkir  vinham dos navios deles com armas ensanguentadas e espadas desembainhadas; a fúria berserker  já havia passado. Tornaram-se, então, mais fracos que o normal, como se convalescessem de alguma doença. Então Oddr disse: "Senti medo uma única vez, quando eles, rugindo, vieram dos askar (e, gemendo, pisaram na ilha) privados de glória, eram doze ao todo". Então Hjálmarr disse a Oddr: "Vês agora que todos os nossos homens caíram, e me parece muito provável que nós dois iremos visitar Óðinn esta noite em Valhöllu (Valhalla)." E dizem que esta foi a única vez que Hjálmarr proferiu uma palavra de medo. Oddr respondeu: "Meu conselho seria fugirmos para a floresta; nós dois não podemos lutar contra os doze, que mataram os doze homens mais valentes que havia no Svíaríki (Reino dos Suecos)." Então Hjálmarr falou: "Nós nunca fugiremos de nossos inimigos; prefiro suportar suas armas. Eu irei lutar contra os berserkir ." Oddr respondeu: "Eu não desejo visitar Óðinn esta noite. Todos esses berserkir  estarão mortos antes que a noite chegue, e nós dois viveremos." Esta troca de palavras deles é confirmada por estes versos que Hjálmarr cantou: "Valentes guerreiros avançam dos navios de guerra, doze homens juntos, privados de glória; Nós dois, ao anoitecer, visitaremos Óðinn, dois irmãos de juramento, enquanto aqueles doze vivem." Oddr disse: "A essa palavra responderei: Eles irão, ao anoitecer, visitar Óðinn, os doze berserkir , enquanto nós dois viveremos." Hjálmarr e Oddr viram que Angantýr tinha Tyrfingr em sua mão, pois ela brilhava como um raio de sol. Hjálmarr disse: "Preferes enfrentar Angantýr sozinho ou seus onze irmãos?" Oddr disse: "Eu lutarei contra Angantýr. Ele dará grandes golpes com Tyrfingr, mas eu confio mais em minha camisa [mágica] do que em tua cota de malha para proteção." Hjálmarr disse: "Quando foi que chegamos a uma batalha em que tu avançaste antes de mim? Tu queres lutar com Angantýr porque achas que é a maior façanha. Agora, eu sou o desafiante principal deste hólmganga ; eu prometi à filha do rei na Svíþjóðu (Suécia) que não deixaria tu ou qualquer outro tomar meu lugar neste duelo, e eu lutarei contra Angantýr" — e então ele sacou sua espada e avançou contra Angantýr, e um desejou ao outro [um lugar em] Valhöllu. Eles se voltaram um contra o outro, Hjálmarr e Angantýr, e trocaram muitos golpes pesados em rápida sucessão. Oddr bradou para os berserkir  e cantou: "Um contra um deve lutar, a menos que seja covarde, dos bravos guerreiros, ou sua coragem falhe." Então Hjörvarðr avançou, e ele e Oddr tiveram uma dura troca de golpes. Mas a camisa de seda de Oddr era tão resistente que nenhuma arma a perfurava, e ele tinha uma espada tão boa que cortava a cota de malha como se fosse tecido. E bastaram poucos golpes de Oddr para que Hjörvarðr caísse morto. Então Hervarðr avançou e teve o mesmo destino; depois Hrani, e então um após o outro, e Oddr os atacou com tanto rigor que matou todos os onze irmãos. Mas, sobre o combate de Hjálmarr, conta-se que ele recebeu dezesseis ferimentos, e Angantýr caiu morto. Oddr foi até onde Hjálmarr estava e cantou: "O que há contigo, Hjálmarr? Tua cor mudou. Eu digo que te afligem muitas feridas; teu elmo está partido, e tua cota de malha rasgada, agora digo que tua vida chegou ao fim." Hjálmarr cantou: "Tenho dezesseis feridas, cota de malha rasgada, tudo está escuro diante de meus olhos, não consigo andar; atingiu-me junto ao coração a lâmina de Angantýr, a víbora de sangue afiada, temperada em veneno." E ainda cantou: "Eu possuía ao todo cinco propriedades, mas nunca estive contente com meu destino; agora devo jazer aqui, privado de vida, ferido pela espada, na ilha de Sámsey. No salão, bebem os homens da casa hidromel, nobres com seus colares, na casa de meu padre; a muitos homens a cerveja entorpece, mas a mim, as marcas da lâmina atormentam na ilha. Afastei-me da branca companheira de cama em Agnafit (perto da atual Estocolmo), lá fora; a saga se provará verdadeira, aquela que ela me contou, que de volta eu jamais viria. Tira da minha mão o anel vermelho, leva-o para a jovem Ingibjörg; essa será para ela a mais dolorosa tristeza: [saber] que eu jamais irei para Uppsala. Afastei-me do belo canto das damas, sem me faltar alegria, a leste, perto de Sóti; apressei a jornada e parti com a tropa, pela última vez, para longe dos amigos leais. Um corvo voa do leste de uma alta árvore, segue-o uma águia em seu rastro; à águia eu darei as carcaças mais nobres, ela irá banquetear-se com o meu sangue." Depois disso, Hjálmarr morreu. Oddr levou essas notícias para a Svíþjóðu, mas a filha do rei não pôde viver depois dele e tirou a própria vida. Angantýr e seus irmãos foram sepultados em uma mamoa (haug) em Sámsey, com todas as suas armas. 4. Hervör obtém a espada Tyrfingr A filha de Bjarmarr [Sváfa] estava grávida. Deu à luz uma menina, excepcionalmente bela. Ela foi aspergida com água, recebeu seu nome e foi chamada de Hervör. Ela foi criada com o jarl e era forte como um homem; e assim que ela pôde fazer algo por si, acostumou-se mais com o arco, o escudo e a espada do que com a costura ou o bordado. Ela também fazia mais o mal do que o bem e, quando foi proibida de fazê-lo, fugiu para as florestas e matava homens para lhes tomar os bens. E quando o jarl ouviu sobre esse salteador, foi até lá com seus homens, capturou Hervör e a levou para casa consigo, e ela permaneceu em casa por um tempo. Aconteceu certa vez que Hervör estava lá fora, perto de onde alguns escravos ( þrælar ) estavam, e ela os tratou mal, como a todos os outros. Então um escravo disse: "Tu, Hervör, só queres fazer o mal, e o mal é o que se espera de ti. É por isso que o jarl proíbe todos os homens de te contarem sobre tua ascendência, pois ele considera uma vergonha que tu saibas que o mais vil dos escravos se deitou com a filha dele, e que tu és filha deles." Hervör ficou furiosa com essas palavras e foi imediatamente perante o jarl e cantou: "Não posso me orgulhar de minha estirpe, embora ela [minha mãe] tenha recebido o favor de Fróðmarr; pensei que tivesse um pai valente, agora me dizem que era um guardador de porcos." O jarl cantou: "Muito te mentiram, com pouca substância, valente entre os homens teu pai era considerado; o salão de Angantýr, coberto de terra, ergue-se em Sámsey, na parte sul da ilha." Ela cantou: "Agora anseio, pai adotivo, visitar meus parentes que se foram; riquezas eles deviam possuir em abundância, isso devo obter, a menos que eu pereça antes. Rapidamente devo preparar sobre meus cabelos o véu de linho, antes de partir; muito depende disso, que amanhã sejam cortados para mim tanto uma camisa quanto uma capa." Então Hervör falou com sua mãe e cantou: "Prepara-me com tudo o melhor que puderes, mulher sábia, como farias com um filho; apenas a verdade me virá em sonho, não terei aqui descanso tão cedo." Então ela se preparou para partir sozinha, vestiu-se como homem, pegou armas e procurou até encontrar alguns vikings. Ela viajou com eles por um tempo e se apresentou como Hervarðr. Pouco tempo depois, este Hervarðr assumiu o comando da tropa. E quando eles chegaram a Sámsey, Hervarðr pediu para ir à ilha, dizendo que ali deveria haver riqueza em uma mamoa (haug). Mas todos os seus homens se opuseram e disseram que espíritos malignos ( meinvættir ) tão terríveis vagavam por lá, tornando o dia pior do que a noite em muitos outros lugares. Por fim, decidiram ancorar, e Hervarðr entrou em um bote, remou para a terra e aportou em Munarvágr no momento em que o sol se punha. Ali, encontrou um pastor. Ele [o pastor] cantou: "Quem dos homens chegou à ilha? Vá rapidamente procurar abrigo." Ela cantou: "Eu não irei procurar abrigo, pois não conheço ninguém dos habitantes da ilha; dize-me, ao contrário, antes de nos separarmos: Onde estão os túmulos de Hjörvarðr localizados?" Ele cantou: "Não perguntes por isso, não és sábio, amigo dos vikings, estás perdido; vamos rapidamente, o mais rápido que nossas pernas aguentarem; lá fora tudo é hostil aos homens." Ela cantou: "Não precisamos temer tal bufido, mesmo que por toda a ilha fogos ardam; não nos deixemos amedrontar por tais homens, conversemos mais." Ele cantou: "Parece-me tolo aquele que vaga por aqui, um homem sozinho nas sombras da noite; o fogo-do-túmulo ( hyrr ) está por toda parte, as mamoas se abrem, terra e pântano queimam, vamos mais rápido!" E então ele correu para casa, para a fazenda, e ali eles se separaram. Agora ela vê adiante, na ilha, onde o fogo-do-túmulo ( haugaeldrinn ) queima, e ela caminha naquela direção e não teme, embora todas as mamoas estivessem em seu caminho. Ela avançou através desses fogos como se fossem névoa, até que chegou à mamoa dos berserkir . Então ela cantou: "Desperta, Angantýr! Hervör te chama, a única filha tua e de Sváfa; entrega-me do túmulo a espada afiada, aquela que para Sigrlama os anões forjaram. Hervarðr, Hjörvarðr, Hrani, Angantýr! Eu vos desperto a todos sob as raízes das árvores, com elmo e com cota de malha, com espada afiada, com escudo e com equipamento, com lança avermelhada. Muito reduzidos se tornaram os filhos de Arngrímr, homens de malícia, a um aumento de pó, quando nenhum dos filhos de Eyfura fala comigo em Munarvágr. Hervarðr, Hjörvarðr, Hrani, Angantýr! Que seja para vós todos, dentro de vossas costelas, como se estivésseis apodrecendo num formigueiro, a menos que me entreguem a espada que Dvalinn forjou; não é adequado para mortos-vivos ( draugum ) portar uma arma preciosa." Então Angantýr cantou: "Hervör, filha, por que chamas assim, cheia de feitiços terríveis? Tu te diriges para a desgraça; estás louca e desvairada, despertando homens mortos. Não fui eu, nem meu pai, nem outros parentes que me enterraram; aqueles que tinham Tyrfingr eram dois, que viviam, mas apenas um no final a possuiu." Ela cantou: "Tu não dizes a verdade! Que Áss não te permita sentar ileso em tua mamoa, se não tiveres Tyrfingr contigo! És relutante em conceder a herança à tua única filha." Então a mamoa se abriu, e era como se fogo e chamas preenchessem todo o túmulo. Então Angantýr cantou: "O portão de Hel está abaixado, as mamoas se abrem, toda a costa da ilha está em chamas; terrível é lá fora de se olhar, apressa-te, donzela, se puderes, para teus navios." Ela respondeu: "Não queimeis assim fogueiras na noite, para que eu de vossos fogos tema; não treme o coração desta donzela, embora ela veja um draugr  parado na porta." Então Angantýr cantou: "Eu te digo, Hervör, ouve-me agora, sábia filha, o que acontecerá: Este Tyrfingr, se puderes acreditar, irá, donzela, destruir toda a tua linhagem ( ætt ). Tu terás um filho, que depois irá possuir Tyrfingr e confiar em sua força; ele será chamado pelo povo de Heiðrekr, ele será o mais poderoso nascido sob a tenda do sol [o céu]." Então Hervör cantou: "Eu me julgava ser uma humana mortal até agora, antes de vir visitar vossos salões; entrega-me do túmulo aquela que odeia cotas de malha, perigosa para escudos, a ruína de Hjálmarr." Então Angantýr cantou: "Repousa sob meus ombros a ruína de Hjálmarr, toda ela está envolta em fogo; não conheço donzela sobre a terra que tal lâmina se atreva a tomar na mão." Hervör cantou: "Eu irei guardá-la e na mão tomá-la, a espada afiada, se eu puder tê-la; não temo o fogo ardente, as chamas diminuem quando olho para elas." Então Angantýr cantou: "Tola tu és, Hervör, de espírito ousado, que com os olhos abertos te lanças ao fogo; prefiro te entregar a espada da mamoa, jovem donzela, não posso te negar." Hervör cantou: "Bem fizeste tu, descendente de vikings, ao me entregares a espada da mamoa; Sinto-me melhor agora, nobre senhor, do que se a Noregi (Noruega) inteira eu governasse." Angantýr cantou: "Tu não sabes, infeliz em tuas palavras, mulher funesta, o porquê de te alegrares; Este Tyrfingr, se puderes acreditar, irá, donzela, destruir toda a tua linhagem." Ela disse: "Eu irei para os meus navios; agora a donzela do nobre está de bom humor; pouco me importo, descendente de reis, como meus filhos lutarão entre si mais tarde." Ele cantou: "Tu a terás e a desfrutarás por muito tempo, mantém escondida a ruína de Hjálmarr; não toques em suas bordas, há veneno em ambas, é um ceifador de homens, pior que a peste. Adeus, filha, rapidamente eu te daria a vida de doze homens, se pudesses acreditar, força e resistência, tudo de bom, aquilo que os filhos de Arngrímr deixaram para trás." Ela cantou: "Permanecei todos vós, seguros no túmulo. A ânsia de partir me consome, daqui quero ir rápido; pareceu-me estar entre os mundos [Hel e Terra], quando ao meu redor os fogos queimavam." Depois disso, ela foi para os navios. E quando amanheceu, ela viu que os navios haviam partido; os vikings tinham se assustado com os estrondos e os fogos na ilha. Ela conseguiu uma passagem de lá, e nada se sabe sobre sua jornada até que ela chegou a Glasisvöllu (Glæsisvellir), para [a corte de] Guðmundr, e ela permaneceu lá durante o inverno, ainda se apresentando como Hervarðr. 5. Sobre Angantýr e Heiðrekr, os irmãos Um dia, enquanto Guðmundr jogava tafl (um jogo de tabuleiro) e seu jogo estava indo muito mal, ele perguntou se alguém sabia algum conselho para lhe dar. Então Hervarðr se aproximou e, em pouco tempo, a posição de Guðmundr melhorou. Nesse momento, um homem pegou Tyrfingr e a desembainhou; Hervarðr viu isso, arrancou a espada dele, matou-o e saiu em seguida. Os homens quiseram persegui-la. Então Guðmundr disse: "Permanecei quietos, não haverá tanta vingança nesse homem [Hervarðr] quanto pensais, pois não sabeis quem ele é; esta mulher vos custará caro antes que consigais tirar-lhe a vida." Depois disso, Hervör passou muito tempo em pilhagem e foi muito vitoriosa. E quando ela se cansou disso, voltou para casa, para o jarl, seu avô materno; ela então passou a se comportar como as outras donzelas, acostumando-se com bordados e trabalhos manuais. Höfundr, filho de Guðmundr, ouviu falar disso, e ele foi e pediu Hervör em casamento, e a obteve, e a levou para casa. Höfundr era o mais sábio dos homens e tão justo em seus julgamentos que nunca subvertia a justiça, quer a causa envolvesse nativos ou estrangeiros, e de seu nome [Höfundr = Criador/Juiz] deveria derivar o título daquele que, em qualquer reino, julgasse os casos dos homens. Eles, Hervör e Höfundr, tiveram dois filhos. Um se chamava Angantýr, e o outro, Heiðrekr. Ambos eram homens grandes e fortes, sábios e de boa aparência. Angantýr era semelhante ao pai em temperamento e desejava o bem a todos os homens. Höfundr o amava muito, e todo o povo também. E enquanto Angantýr fazia o bem, Heiðrekr superava-o em fazer o mal. Hervör o amava muito. O pai adotivo ( fóstri ) de Heiðrekr chamava-se Gizurr. E certa vez, quando Höfundr ofereceu um banquete, todos os chefes de seu reino foram convidados, exceto Heiðrekr. Ele não gostou disso e foi mesmo assim, dizendo que lhes causaria algum mal. E quando ele entrou no salão, Angantýr se levantou para recebê-lo e o convidou a sentar-se ao seu lado. Heiðrekr, porém, não estava alegre e permaneceu bebendo até tarde da noite. E quando Angantýr, seu irmão, saiu, Heiðrekr falou com os homens que estavam mais próximos dele e conduziu sua conversa de tal forma que eles entraram em desacordo, e um falou mal do outro. Então Angantýr voltou e pediu-lhes que se calassem. E numa segunda vez, quando Angantýr saiu, Heiðrekr os lembrou do que haviam dito um ao outro, e a coisa chegou ao ponto em que um deu um soco no outro. Então Angantýr chegou e pediu que fizessem as pazes até a manhã seguinte. Mas, na terceira vez que Angantýr se ausentou, Heiðrekr perguntou àquele que havia recebido o soco se ele não ousaria se vingar. Ele conduziu sua instigação de tal forma que o homem que fora golpeado saltou e matou seu companheiro de banco, e então Angantýr retornou. E quando Höfundr soube disso, ordenou que Heiðrekr fosse embora e não fizesse mais mal algum daquela vez. Depois disso, Heiðrekr saiu, e Angantýr, seu irmão, [foi] com ele para o pátio, e ali se separaram. Quando Heiðrekr havia se afastado um pouco da fazenda, ele pensou que havia feito muito pouco mal ali; ele então se virou de volta para o salão, pegou uma pedra grande e a atirou na direção de onde ouviu alguns homens conversando na escuridão. Ele sentiu que a pedra não devia ter errado o homem, e foi até lá, e encontrou um homem morto, e reconheceu Angantýr, seu irmão. Heiðrekr então foi ao salão, até seu pai, e lhe contou o ocorrido. Höfundr ordenou que ele fosse embora e nunca mais aparecesse diante de seus olhos, acrescentando que seria mais apropriado que ele fosse morto ou enforcado. Então a rainha Hervör falou e disse que Heiðrekr havia agido mal, mas que a vingança era grande demais se ele nunca mais pudesse retornar ao reino de seu pai e tivesse que partir assim, sem posses. Mas as palavras de Höfundr tinham tanto peso que foi feito o que ele julgou, e ninguém foi ousado o suficiente para se opor ou interceder por Heiðrekr. A rainha então pediu a Höfundr que lhe desse alguns conselhos de despedida ( heilræði ). Höfundr disse que poucos conselhos ele poderia lhe ensinar e que achava que Heiðrekr não os guardaria bem. "Mas, já que tu pedes isto, rainha, o primeiro conselho que lhe dou é: que ele nunca ajude um homem que tenha matado seu senhor ( lánardrottin ). O segundo que lhe aconselho: que ele nunca dê refúgio a um homem que tenha assassinado seu companheiro. O terceiro: que ele não deixe sua esposa visitar seus parentes com frequência, mesmo que ela peça. O quarto: que ele não fique fora até tarde com sua amante ( frilla ). O quinto: que ele não cavalgue seu melhor cavalo se estiver com muita pressa. O sexto: que ele nunca crie [como filho adotivo] o filho de um homem mais nobre do que ele mesmo. Mas parece-me mais provável que tu não seguirás nenhum deles." Heiðrekr replicou que ele o havia aconselhado com má intenção e que, por isso, não tinha obrigação de segui-los. Então Heiðrekr saiu do salão. Sua mãe se levantou e saiu com ele, acompanhando-o para fora do pátio, e disse: "Agora tu te preparaste de tal forma, meu filho, que não deves pretender voltar; tenho poucos recursos para te ajudar. Aqui está um marco de ouro e uma espada, que eu te darei. Ela se chama Tyrfingr e pertenceu a Angantýr, o berserkr , teu avô materno. Nenhum homem é tão ignorante que não tenha ouvido falar dela. E se chegares onde os homens trocam golpes, lembra-te de quão vitoriosa Tyrfingr frequentemente foi." Agora ela lhe desejou boa viagem, e então se separaram. 6. Heiðrekr se estabeleceu em Reiðgotaland Tendo Heiðrekr viajado por um curto tempo, encontrou alguns homens, um dos quais estava amarrado. Eles trocaram notícias, e Heiðrekr perguntou o que aquele homem, naquela condição, havia feito. Disseram-lhe que ele havia traído seu senhor ( lánardrottin ). Heiðrekr perguntou se aceitariam dinheiro por ele, e eles concordaram. Deu-lhes meio marco de ouro, e eles o soltaram. O homem ofereceu seus serviços a Heiðrekr, mas este recusou: "Por que serias leal a mim, um estranho, quando traíste teu próprio senhor? Vai-te para longe de mim." Pouco tempo depois, Heiðrekr encontrou outros homens, e um deles estava amarrado. Ele perguntou o que aquele havia feito de errado. Disseram que ele havia assassinado seu companheiro ( félagi ). Ele perguntou se aceitariam dinheiro por ele. Eles concordaram. Deu-lhes a outra metade do marco de ouro. O homem ofereceu seus services a Heiðrekr, mas ele também recusou. Depois disso, Heiðrekr viajou por longas léguas e chegou a um lugar chamado Reiðgotaland (Terra dos Godos). Lá governava um rei de nome Haraldr, muito velho, que no passado controlara um grande reino. Ele não tinha filho. Com o tempo, contudo, seu reino diminuiu, pois alguns jarlar  (condes/senhores locais) se levantaram contra ele com exércitos; ele havia lutado contra eles e sempre sofrera derrotas. E agora eles haviam feito um acordo no qual o rei lhes pagava um tributo ( skatt ) a cada doze meses. Heiðrekr estabeleceu-se ali e permaneceu com o rei durante o inverno. Aconteceu certa vez que uma grande quantidade de bens ( lausafé ) chegou ao rei. Então Heiðrekr perguntou se aqueles eram os impostos do rei. O rei disse que era o contrário: "Eu devo pagar estes bens como tributo." Heiðrekr disse que era indigno que um rei, que havia governado um reino tão vasto, pagasse tributo a jarlar  vis; seria um ato de maior coragem travar uma batalha contra eles. O rei disse que já havia tentado isso e fora derrotado. Heiðrekr falou: "Eu poderia recompensar vossa boa hospitalidade sendo o comandante desta expedição. Acredito que, se eu tivesse tropas, não consideraria grande feito lutar sozinho contra homens de posição mais elevada do que estes." O rei disse: "Eu te darei tropas, se quiseres lutar contra os jarlar . E será tua sorte se tiveres sucesso na jornada; mas é mais provável que encontres teu próprio fim, se tuas palavras forem vãs." Depois disso, o rei mandou reunir um grande exército, e essa tropa foi preparada para a guerra. Heiðrekr foi o comandante do exército. Eles marcharam, então, contra esses jarlar  e, assim que chegaram ao reino deles, imediatamente pilharam e saquearam. E quando os jarlar  souberam disso, marcharam contra eles com um grande exército e, quando se encontraram, houve uma grande batalha. Heiðrekr estava na vanguarda da formação ( fylking ) e tinha Tyrfingr em sua mão direita. Contra aquela espada nada resistia, nem elmo nem cota de malha, e ele matou todos que estavam perto dele. Ele então avançou para fora da formação e golpeou para ambos os lados, e penetrou tanto no exército [inimigo] que matou ambos os jarlar . Parte da tropa fugiu, mas a maior parte foi morta. Heiðrekr então percorreu o reino e subjugou toda a terra sob o rei Haraldr, como havia sido antes. Ele retornou para casa com imensa riqueza e uma grande vitória. O rei Haraldr mandou que o recebessem com grandes honras e o convidou a ficar com ele e ter tanto poder no reino quanto ele mesmo desejasse. Então Heiðrekr pediu a mão da filha do rei Haraldr, que se chamava Helga, e ela lhe foi dada em casamento. Heiðrekr assumiu, assim, o controle de metade do reino do rei Haraldr. Heiðrekr teve um filho com sua esposa. Ele se chamava Angantýr. O rei Haraldr teve um filho em sua velhice, cujo nome não é mencionado. 7. Heiðrekr tomou todo o reino Naquele tempo, uma grande fome ( hallæri ) abateu-se sobre Reiðgotaland, tão severa que parecia levar à desolação da terra ( landauðnar ). Então, os homens sábios ( vísendamenn ) realizaram rituais e lançaram as lascas de sacrifício ( blótspánn ), e a profecia revelou que a prosperidade jamais retornaria a Reiðgotaland até que o rapaz de mais alta linhagem na terra fosse sacrificado. O rei Haraldr disse que o filho de Heiðrekr era o de mais alta linhagem, mas Heiðrekr disse que o filho do rei Haraldr é que o era. E ninguém logrou resolver a questão, até que fossem ao local onde todas as soluções eram confiáveis: ao rei Höfundr. Heiðrekr foi o primeiro homem escolhido para esta jornada, e muitos outros homens notáveis [o acompanharam]. Quando Heiðrekr chegou à presença de seu pai, foi bem recebido. Ele contou todo o seu propósito ao pai e pediu seu julgamento. E Höfundr disse que o filho de Heiðrekr era o mais nobre daquela terra. Heiðrekr disse: "Parece-me que condenas meu filho à morte. O que sentencias, então, como compensação pela perda do meu filho?" Então o rei Höfundr falou: "Tu deves exigir que um em cada quatro homens ( inn fjórði hverr maðr ) presente no sacrifício esteja sob teu comando; caso contrário, não entregarás teu filho para o sacrifício. Então, não será preciso te ensinar o que deverás fazer." Quando Heiðrekr voltou para casa, em Reiðgotaland, uma assembleia ( þing ) foi convocada. Heiðrekr tomou a palavra: "Este foi o veredito do rei Höfundr, meu pai: o de que meu filho é o mais nobre desta terra, e ele foi escolhido para o sacrifício. Mas, em troca, eu terei o comando de um em cada quatro homens que vier a esta assembleia, e quero que me permitais isto." Assim foi feito. Em seguida, eles se juntaram às suas tropas. Depois disso, ele mandou soar [as trombetas] para reunir o exército e ergueu seus estandartes. Lançou então um ataque ao rei Haraldr. Houve uma grande batalha, na qual caíram o rei Haraldr e muitos de seus homens. Heiðrekr subjugou, assim, todo o reino que pertencera ao rei Haraldr e tornou-se rei ali. Heiðrekr declarou que, em pagamento por seu filho, ele oferecia todo aquele exército que fora morto, e deu aquele massacre ( val ) a Óðinn. Sua esposa, tomada de fúria após a queda de seu pai, enforcou-se no salão das Dísir ( dísarsal ). Aconteceu, em um verão, que o rei Heiðrekr foi com seu exército para o sul, para Húnaland (Terra dos Hunos), e lutou contra o rei de lá, chamado Humli. Ele obteve a vitória e capturou a filha dele, chamada Sifka, e a levou para casa consigo. No verão seguinte, contudo, ele a mandou de volta para casa; ela estava grávida na época. O menino foi chamado Hlöðr e era o mais belo de todos os homens à vista. Ele foi criado por Humli, seu avô materno. 8. Sobre a traição da rainha Em um verão, o rei Heiðrekr foi com seu exército para Saxland (Terra dos Saxões, norte da Alemanha). E quando o rei dos Saxões soube disso, ele o convidou para um banquete e lhe ofereceu que tomasse de suas terras o que quisesse, e o rei Heiðrekr aceitou. Lá ele viu a filha do rei, bela e aprazível de se olhar, e Heiðrekr pediu a mão da donzela, e ela lhe foi dada. O banquete foi então prolongado, e depois ele foi para casa com sua esposa, levando consigo imensas riquezas. O rei Heiðrekr tornou-se um grande guerreiro e expandiu seu reino de muitas maneiras. Sua esposa pedia frequentemente para visitar seu pai, e ele permitia, e Angantýr, seu enteado, ia com ela. Em um verão, quando o rei Heiðrekr estava em campanha, ele chegou a Saxland, ao reino de seu sogro. Ele ancorou seus navios em uma enseada secreta ( leynivág ) e desembarcou, com apenas um homem, e eles chegaram à noite à residência real. Dirigiram-se à cabana ( skemma ) onde sua esposa costumava dormir, e os guardas não perceberam sua chegada. Ele entrou na cabana e viu que um homem repousava ao lado dela e tinha belos cabelos na cabeça. O homem que estava com o rei disse que ele [Heiðrekr] costumava ser vingativo por ofensas menores. Ele respondeu: "Não farei isso agora." O rei pegou o menino Angantýr, que estava deitado em outra cama, e cortou uma grande mecha ( lepp ) do cabelo do homem que descansava nos braços de sua esposa, e levou ambos consigo, a mecha de cabelo e o menino. Em seguida, foi para seus navios. Pela manhã, o rei aportou [oficialmente] no ancoradouro, e todo o povo veio ao seu encontro, e um banquete foi preparado. Heiðrekr então convocou uma assembleia ( þing ), e lá lhe contaram a terrível notícia de que Angantýr, seu filho, tivera morte súbita ( bráðdauðr ). O rei Heiðrekr disse: "Mostrem-me o corpo." A rainha disse que isso apenas aumentaria sua dor. Mesmo assim, ele foi escoltado até lá. Havia um pano enrolado, contendo um cachorro. O rei Heiðrekr disse: "Meu filho mudou muito, se é que se tornou um cachorro." Em seguida, o rei mandou trazer o menino à assembleia e disse que havia descoberto a grande traição da rainha. Ele relatou todo o ocorrido e ordenou que todos os homens que pudessem comparecer à assembleia fossem convocados. E quando a maioria do povo havia chegado, o rei falou: "O homem dos cachos dourados ( gullkárinn ) ainda não chegou." Então procuraram novamente, e um homem foi encontrado na cozinha ( steikara húsi ), com uma faixa amarrada na cabeça. Muitos se perguntaram por que ele, um mero e desprezível escravo ( þræll ), deveria ir à assembleia. Mas quando ele chegou ao þing , o rei Heiðrekr disse: "Aqui podeis ver aquele que a filha do rei prefere desposar em meu lugar." Ele então pegou a mecha e a comparou com o cabelo, e elas se encaixaram. "Mas tu, ó rei", disse Heiðrekr, "sempre nos trataste bem, e por isso teu reino permanecerá em paz conosco, mas não desejo mais ter tua filha como esposa." Heiðrekr então foi para casa, para seu reino, com seu filho. Em um verão, o rei Heiðrekr enviou homens a Garðaríki (Rússia de Kiev) com o propósito de convidar o filho do rei de Garðaríki para ser seu filho adotivo ( fóstr ), tencionando agora quebrar todos os conselhos de seu pai. Os mensageiros encontraram o rei de Garðaríki e lhe transmitiram a mensagem e as palavras de amizade. O rei de Garðaríki disse que não havia chance de ele entregar seu filho nas mãos de um homem conhecido por tantas coisas más. Então a rainha falou: "Não faleis assim, senhor. Ouvistes quão grande homem ele é e quão vitorioso. É mais sábio aceitar sua honrosa oferta; caso contrário, vosso reino não ficará em paz." O rei disse: "Tu deves ter muito a ganhar com isso." Então o menino foi entregue aos mensageiros, e eles voltaram para casa. O rei Heiðrekr recebeu bem o menino, deu-lhe uma boa criação e o amava muito. Sifka, filha de Humli, estava novamente com o rei, mas ele fora advertido a não lhe contar nada que devesse ser mantido em segredo. 9. Heiðrekr desposou a filha do rei de Garðaríki Um verão, o rei de Garðaríki enviou uma mensagem a Heiðrekr, convidando-o a ir para o leste para receber um banquete e ofertas de amizade. Heiðrekr preparou-se com um grande séquito, e o filho do rei [seu filho adotivo] e Sifka foram com ele. Heiðrekr chegou então ao leste, em Garðaríki, e ali recebeu um suntuoso banquete. Um dia, durante este banquete, os reis foram para a floresta com muitos de seus homens para caçar com cães e falcões. E quando eles soltaram os cães, cada um seguiu seu próprio caminho pela floresta. Então, os dois [Heiðrekr e seu filho adotivo] ficaram sozinhos. Então Heiðrekr disse ao filho do rei: "Ouve minha ordem, filho adotivo. Há uma fazenda ( bær ) aqui perto. Vai até lá e esconde-te, e aceita este anel. Esteja pronto para voltar quando eu mandar te buscar." O rapaz disse que estava relutante em fazer essa jornada, mas fez o que o rei pediu. Heiðrekr voltou para casa à noite e estava abatido; sentou-se por pouco tempo à bebida. E quando ele foi para a cama, Sifka disse: "Por que estais tão abatido, senhor? O que tendes? Estais doente? Dizei-me." O rei disse: "É difícil para mim dizer isto, pois minha vida depende de que seja mantido em segredo." Ela jurou que guardaria segredo e, tornando-se afetuosa, insistiu amorosamente. Então ele lhe disse: "O filho do rei e eu estávamos sozinhos perto de um carvalho ( eik ). Então meu filho adotivo pediu uma maçã ( epli ) que estava no alto da árvore. Em seguida, saquei Tyrfingr e cortei a maçã, e isso foi feito antes que eu pudesse me lembrar do que estava em jogo: que a ruína de um homem ocorreria se [a espada] fosse desembainhada, e nós dois estávamos lá. Matei, pois, o rapaz." No dia seguinte, durante a bebida, a rainha de Garðaríki perguntou a Sifka por que Heiðrekr estava tão abatido. Ela disse: "Há motivo suficiente: ele matou vosso filho e do rei", e então contou toda a história. A rainha disse: "Essas são notícias terríveis, não deixemos que se espalhe." A rainha então deixou o salão imediatamente, com grande pesar. O rei [de Garðaríki] percebeu isso e chamou Sifka até ele, e disse: "Sobre o que tu e a rainha faláveis, que a afetou tanto?" "Senhor", disse ela, "algo terrível foi feito. Heiðrekr matou vosso filho, e é provável que tenha sido por vontade dele. Ele merece a morte." O rei de Garðaríki ordenou que Heiðrekr fosse capturado e acorrentado ( fjötra ), "e agora aconteceu aquilo que eu temia." Mas o rei Heiðrekr havia se tornado tão popular ( vinsæll ) ali que ninguém quis fazer isso. Foi então que dois homens no salão se levantaram e disseram que não deixariam [a ordem] sem cumprimento, e puseram grilhões nele. Eram aqueles dois homens que Heiðrekr havia salvado da morte. Então Heiðrekr enviou homens secretamente para buscar o filho do rei. Mas o rei de Garðaríki mandou reunir seu povo e lhes disse que queria mandar Heiðrekr para a forca ( gálga ). E nesse momento, o filho do rei veio correndo até seu pai e implorou que ele não planejasse tal vileza ( níðingsverk ), de matar o mais nobre dos homens e seu pai adotivo. Heiðrekr foi então solto e imediatamente se preparou para a viagem de volta. Então a rainha [de Garðaríki] disse: "Senhor, não deixeis Heiðrekr partir assim, estando vós em desacordo. Isso não condiz com vosso reino. Oferecei-lhe antes ouro ou prata." O rei assim o fez. Mandou levar muitas riquezas ao rei Heiðrekr e disse que queria presenteá-lo e ainda manter sua amizade. Heiðrekr disse: "Não me falta riqueza." O rei de Garðaríki contou à rainha. Ela disse: "Oferecei-lhe então poder e grandes propriedades, e muitos homens." O rei assim o fez. O rei Heiðrekr disse: "Eu tenho propriedades e homens suficientes." O rei de Garðaríki falou novamente com a rainha. Ela disse: "Oferecei-lhe então aquilo que ele certamente aceitará: vossa filha." O rei disse: "Eu pensei que isso jamais me aconteceria, mas, ainda assim, que seja como tu desejas." Então o rei de Garðaríki foi ao encontro do rei Heiðrekr e disse: "Antes que nos separemos em discórdia, desejo que recebas a mão de minha filha com todas as honras que tu mesmo escolheres." Heiðrekr agora aceitou isso de bom grado, e a filha do rei de Garðaríki foi para casa com ele. O rei Heiðrekr estava agora de volta a seu reino e queria se livrar de Sifka. Ele mandou trazer seu melhor cavalo, e já era tarde da noite. Eles chegaram a um rio. Ela então se tornou tão pesada para ele que o cavalo rebentou ( sprakk ), e o rei foi lançado para a frente. Ele teve que carregá-la através do rio. Não havia outra saída a não ser jogá-la de seus ombros; ele quebrou a espinha dela e se separou dela, deixando-a ser levada morta pela correnteza do rio. O rei Heiðrekr então preparou um grande banquete e se casou com a filha do rei de Garðaríki. A filha deles se chamava Hervör. Ela era uma skjaldmær  (donzela-do-escudo) e foi criada na Inglaterra com o jarl Fróðmarr. O rei Heiðrekr agora se aquietou e tornou-se um grande chefe e um homem de grande sabedoria. O rei Heiðrekr mandou criar um grande javali ( gölt ). Ele era tão grande quanto os maiores touros e tão belo que cada pelo parecia ser feito de ouro. O rei colocou uma mão sobre a cabeça do javali e a outra sobre as cerdas e jurou que nenhum homem jamais cometeria um crime tão grande contra ele que não recebesse um julgamento justo de seus sábios ( spekingar ). E esses doze [sábios] deveriam guardar o javali, ou então [se falhassem], deveriam decifrar os enigmas que ele [o rei] propusesse e que eles não conseguissem resolver. O rei Heiðrekr tornou-se também o mais popular dos reis. 10. Os Enigmas de Gestumblindi Havia um homem chamado Gestumblindi, poderoso e grande inimigo do rei Heiðrekr. O rei lhe enviou uma mensagem: que ele viesse ao seu encontro para se reconciliar, se quisesse manter a vida. Gestumblindi não era homem muito sábio ( spekingr ) e, como se sabia incapaz de debater com o rei, e sabendo também que seria difícil aceitar o julgamento dos sábios (pois as acusações eram muitas), Gestumblindi tomou a decisão de sacrificar ( blótar ) a Óðinn, pedindo-lhe ajuda. Ele pediu que [Óðinn] olhasse por sua causa e lhe prometeu grandes oferendas. Certa noite, tarde, bateram à porta. Gestumblindi foi até a porta e viu um homem que havia chegado. Ele perguntou seu nome, e o homem se apresentou como Gestumblindi, e disse que eles deveriam trocar de roupas, o que fizeram. O fazendeiro [o verdadeiro Gestumblindi] partiu e se escondeu, e o recém-chegado entrou. Todos pensaram reconhecer Gestumblindi, e a noite passou. No dia seguinte, este Gestumblindi foi ao encontro do rei e o cumprimentou bem. O rei permaneceu em silêncio. "Senhor", disse ele, "vim aqui porque desejo me reconciliar convosco." Então o rei respondeu: "Aceitarás o julgamento dos meus sábios?" Ele disse: "Não há outras saídas?" O rei falou: "Haverá outras, se te julgas capaz de propor enigmas ( gátur )." Gestumblindi disse: "Pouco capaz serei disso, mas a outra opção me parece dura demais." "Preferes, então," disse o rei, "suportar o julgamento dos meus sábios?" "Eu escolho", disse ele, "propor os enigmas primeiro." "Isso é justo e bem escolhido", disse o rei. Então Gestumblindi disse: "Quisera ter o que eu tive ontem, adivinha o que era: o atormentador dos homens, o agitador das palavras, e o promotor das palavras. Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." O rei disse: "Bom é teu enigma, Gestumblindi, está decifrado. Traz-lhe cerveja ( mungát ). Ela atormenta o juízo de muitos, e muitos se tornam mais tagarelas quando a cerveja sobe, enquanto a língua de alguns se enrola, de modo que nenhuma palavra sai." Então Gestumblindi disse: "De casa eu saí, de casa fiz minha jornada, vi um caminho de caminhos; havia um caminho abaixo e um caminho acima, e caminhos por todos os lados. Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "Bom é teu enigma, Gestumblindi, está decifrado. Tu cruzaste uma ponte sobre um rio. O caminho do rio estava abaixo de ti, e pássaros voavam sobre tua cabeça e por ambos os lados; esse era o caminho deles." Então Gestumblindi disse: "Que bebida é essa que bebi ontem, não era vinho nem água, nem cerveja nem qualquer comida, e parti sem sede? Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "Bom é teu enigma, Gestumblindi, está decifrado. Tu te deitaste à sombra, onde o orvalho ( dögg ) havia caído sobre a grama, e assim refrescaste teus lábios e mataste tua sede." Então Gestumblindi disse: "Quem é o ruidoso que anda por caminhos duros e por eles já passou antes? Beija muito firmemente, aquele que tem duas bocas e anda apenas sobre o ouro? Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "Bom é teu enigma, Gestumblindi, está decifrado. É o martelo ( hamarr ) usado na ourivesaria. Ele soa alto quando atinge a bigorna dura, e esse é o seu caminho." Então Gestumblindi disse: "Que maravilha é essa que lá fora eu vi, diante das portas de Dellingr [do amanhecer]; dois seres sem vida, sem fôlego, cozinhavam o alho-poró das feridas [espada]? Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "Bom é teu enigma, Gestumblindi, está decifrado. São os foles do ferreiro ( smiðbelgir ). Eles não têm vento próprio, a menos que sejam soprados, e são mortos como qualquer outra ferramenta. Mas com eles pode-se forjar tanto uma espada quanto qualquer outra coisa." Então Gestumblindi disse: "Que maravilha é essa que lá fora eu vi, diante das portas de Dellingr; tem oito pés e quatro olhos, e carrega seus joelhos mais altos que a barriga? Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "Isso é uma aranha ( köngurváfur )." Então Gestumblindi disse: "Que maravilha é essa que lá fora eu vi, diante das portas de Dellingr; sua cabeça aponta para o caminho de Hel [para baixo], mas seus pés se voltam para o sol? Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "Bom é teu enigma, Gestumblindi, está decifrado. É o alho-poró ( laukr ). Sua cabeça está firme na terra, mas ele se ramifica à medida que cresce." Então Gestumblindi disse: "Que maravilha é essa que lá fora eu vi, diante das portas de Dellingr; mais duro que o chifre, mais negro que o corvo, mais branco que o escudo, mais reto que uma haste? Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." Heiðrekr disse: "Os enigmas estão ficando mais fracos, Gestumblindi. Por que continuar com isso? É a obsidiana ( hrafntinna ), e um raio de sol brilhava sobre ela." Então Gestumblindi disse: "Donzelas trouxeram, de cabelos claros, duas servas, cerveja para a câmara; não foi virada por mãos, nem batida por martelo, e ainda assim, fora da ilha, robusto era aquele que a fez. Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "Bom é teu enigma, Gestumblindi, está decifrado. São as fêmeas do cisne indo para seu ninho e botando ovos. A casca ( skurm ) do ovo não é feita por mãos nem batida por martelo, e o cisne, que está fora da ilha, é o robusto com quem elas geraram os ovos." Então Gestumblindi disse: "Quem são aquelas damas na montanha sagrada, uma mulher gera com [outra] mulher até que um filho ela obtém, e elas não devem ter maridos? Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "Bom é teu enigma, Gestumblindi, está decifrado. São dois talos de angélica ( hvannir ) e um broto de angélica entre eles." Então Gestumblindi disse: "Eu vi viajando os habitantes do pó da terra, uma serpente ( naðr ) sentava sobre um cadáver ( nái ); um cego cavalgava sobre um cego em direção ao mar, enquanto o cavalo estava sem vida. Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "Bom é teu enigma, Gestumblindi, está decifrado. Tu encontraste um cavalo morto sobre um bloco de gelo ( ísjaka ) e uma cobra morta sobre o cavalo, e tudo isso flutuava junto rio abaixo." Então Gestumblindi disse: "Quem são aqueles guerreiros que cavalgam para a assembleia ( þing ) todos em paz, juntos; seu povo eles enviam através das terras para construir moradias? Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "Bom é teu enigma, Gestumblindi, está decifrado. São Ítrekr e Andaðr [nomes de peças], quando se sentam para seu jogo de tafl." Então Gestumblindi disse: "Quem são aquelas noivas que seu senhor sem armas atacam; as mais escuras protegem durante todo o dia, enquanto as mais claras avançam? Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "Bom é teu enigma, Gestumblindi, está decifrado. É o Hnettafl [um jogo de tabuleiro]; as [peças] escuras defendem o hnefi  (rei), e as brancas atacam." Então Gestumblindi disse: "Quem é aquele solitário que dorme em cinzas e é feito apenas de pedra; pai nem mãe tem aquele ser cobiçado, lá ele viverá sua vida inteira? Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "É o fogo ( eldr ) escondido na lareira, tirado da pederneira." Então Gestumblindi disse: "Quem é o poderoso que passa sobre a terra, devora ele água e madeira; da tempestade ele teme, mas dos homens não, e culpa o sol [por sua existência]? Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "Bom é teu enigma, Gestumblindi, está decifrado. É a escuridão [ou névoa] ( myrkvi ); ela passa sobre a terra, de modo que nada se vê através dela, nem mesmo o sol, mas ela se dissipa assim que o vento sopra." Então Gestumblindi disse: "Que criatura é essa que mata o gado dos homens e é cercada de ferro por fora; chifres tem oito, mas cabeça nenhuma, e muitos a seguem? Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "É o húnn  (a peça principal, 'rei') no hnettafl." Então Gestumblindi disse: "Que criatura é essa que protege os Danois, carrega costas ensanguentadas, mas protege os homens, enfrenta lanças, dá vida a alguns, põe na palma da mão seu corpo ao homem? Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "É o escudo ( skjöldr ); ele frequentemente fica ensanguentado em batalhas e protege bem aqueles homens que são hábeis com o escudo." Então Gestumblindi disse: "Quem são aquelas damas que viajam sobre as terras pela vontade do pai [Óðinn? ou natureza?], um escudo branco elas usam no inverno, mas um preto no verão?" "São as lagópodes ( rjúpur ); elas são brancas no inverno, mas pretas no verão." Então Gestumblindi disse: "Quem são aquelas damas que andam pesarosas pela vontade do pai; a muitos homens elas trouxeram desgraça, com isso elas viverão suas vidas? Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "São as 'noivas de Hlér' [ kenning  para ondas], que assim são chamadas." Então Gestumblindi disse: "Quem são aquelas donzelas que andam, muitas juntas, pela vontade do pai; cabelos claros têm elas, as de véu branco, e elas não devem ter maridos?" "São as ondas ( bylgjur ), que assim são chamadas." Então Gestumblindi disse: "Quem são aquelas viúvas que andam, todas juntas, pela vontade do pai; raramente gentis são elas com os homens, e devem despertar no vento? Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "São as 'viúvas de Ægir' ( ægis ekkjur ), assim são chamadas as vagas ( öldur )." Então Gestumblindi disse: "Há muito tempo cresceu uma 'gansa do focinho', ansiosa por crias, ela carregou madeira para o ninho; protegeram-na as lâminas de palha [chifres], enquanto o sombrio penhasco da bebida [crânio] pairava sobre ela." "Ali uma pata ( önd ) construiu seu ninho entre as mandíbulas de um boi, e o crânio estava sobre [o ninho]." Então Gestumblindi disse: "Quem é o poderoso que a muitos governa e se vira metade para Hel; aos homens ele protege e contra a terra luta, se ele tiver um amigo confiável? Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "Bom é teu enigma, Gestumblindi, está decifrado. É a âncora ( akkeri ) com uma boa corda; se seu dente está no fundo, ela protege [o navio]." Então Gestumblindi disse: "Quem são aquelas noivas que andam nos recifes e viajam pelos fiordes; uma cama dura elas têm, as mulheres de véu branco, e brincam pouco na calmaria." "São as vagas ( bárur ), e suas camas são os recifes e rochas, e elas mal são vistas na calmaria." Então Gestumblinda disse: "Eu vi no verão, nos penhascos do sol [céu?], desejei vida longa àquela alegria selvagem, os jarlar  [leitões] bebiam cerveja em silêncio, enquanto o barril de cerveja gritava. Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "Lá, os leitões ( grísir ) mamavam na porca ( gylti ), e ela guinchava." Então Gestumblindi disse: "Que maravilha é essa que lá fora eu vi, diante das portas de Dellingr; dez línguas tem, vinte olhos, quarenta pés, e essa criatura avança? Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." O rei disse então: "Se tu és o Gestumblindi que eu pensava, então és mais sábio do que eu imaginava. Mas agora estás falando da porca ( gyltinni ) lá fora no pátio." Então o rei mandou matar a porca, e ela tinha nove leitões, como Gestumblindi dissera. Agora o rei suspeitava quem aquele homem poderia ser. Então Gestumblindi disse: "Quatro pendem, quatro andam, dois indicam o caminho, dois protegem dos cães, um se arrasta atrás e está sempre sujo. Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "Bom é teu enigma, Gestumblindi, está decifrado. É a vaca ( kýr )." Então Gestumblindi disse: "Sentei-me numa vela [penhasco], vi homens mortos carregando carne ensanguentada em casca de árvore." "Lá tu sentaste em um penhasco e viste uma águia ( valr ) carregando carniça ( æði ) para os rochedos." Então Gestumblindi disse: "Quem são os dois que têm dez pés, três olhos e uma só cauda? Rei Heiðrekr, pensa neste enigma." "Isso é quando Óðinn cavalga Sleipnir." Então Gestumblindi disse: "Dize-me então esta última coisa, se és mais sábio que qualquer rei: O que Óðinn sussurrou no ouvido de Baldr, antes que ele fosse erguido na pira?" O rei Heiðrekr disse: "Isso só tu sabes, vil criatura ( rög vættr )." E então Heiðrekr saca Tyrfingr e golpeia na direção dele, mas Óðinn se transformou em uma forma de falcão ( valslíki ) e fugiu. Mas o rei golpeou em sua direção e cortou-lhe as penas da cauda, e é por isso que o falcão tem a cauda tão curta desde então. Óðinn então disse: "Porque tu, rei Heiðrekr, me atacaste e quiseste me matar, um inocente, pelos piores escravos ( verstu þrælar ) tu serás morto." Depois disso, eles se separaram. 11. Sobre a morte de Heiðrekr e a reivindicação da herança por Hlöðr Diz-se que o rei Heiðrekr possuía alguns escravos ( þræla ) que ele havia capturado em pilhagens no oeste ( vestrvíking ). Eram nove ao todo. Eles vinham de grandes famílias ( stórum ættum ) e suportavam mal sua servidão. Aconteceu em uma noite, quando o rei Heiðrekr jazia em seu quarto de dormir ( svefnstofu ) com poucos homens junto a si, que os escravos pegaram armas e foram até os aposentos do rei. Primeiro, mataram os guardas externos. Em seguida, avançaram, arrombaram os aposentos do rei e mataram o rei Heiðrekr e todos os que estavam lá dentro. Eles levaram a espada Tyrfingr e todas as riquezas que estavam ali, e fugiram com elas. A princípio, ninguém sabia quem havia cometido o ato, nem onde buscar a vingança. Então Angantýr, filho do rei Heiðrekr, convocou uma assembleia ( þing ), e nessa assembleia ele foi aclamado rei sobre todos os reinos que o rei Heiðrekr havia possuído. Nesta assembleia, ele fez um voto solene ( streit heit ) de que jamais se sentaria no alto-trono ( hásæti ) de seu pai antes de ter vingado o pai. Pouco depois da assembleia, Angantýr desapareceu, sozinho, e viajou por toda parte em busca desses homens. Certa noite, ele descia em direção ao mar ao longo de um rio chamado Grafá. Ali, ele viu três homens em um barco de pesca. Em seguida, viu que um homem puxou um peixe e gritou para que outro lhe passasse a faca de isca ( agnsaxit ) para cortar a cabeça do peixe, mas o outro disse que não podia largar [o que estava fazendo]. O primeiro disse: "Pega a espada debaixo da tábua de cabeça ( höfðafjölinni ) e me dá." O outro a pegou, desembainhou-a, cortou a cabeça do peixe e então cantou este verso ( vísu ): "Por isto o lúcio ( gedda ) pagou, na foz do Grafá, pelo fato de Heiðrekr ter sido morto sob as montanhas Harvaða ( Harvaða fjöllum )." Angantýr reconheceu imediatamente Tyrfingr. Ele se retirou para a floresta e ali permaneceu até escurecer. Mas os pescadores remaram para a terra, foram para a tenda ( tjalds ) que possuíam e se deitaram para dormir. Perto da meia-noite, Angantýr chegou lá, derrubou a tenda sobre eles e matou todos os nove escravos. Ele tomou a espada Tyrfingr; aquela era a prova de que havia vingado seu pai. Angantýr agora retorna para casa. Logo depois, Angantýr preparou um grande banquete em Danparstaðir (nos bancos do Dnieper), na propriedade chamada Árheimar (Lar dos Rios), para celebrar o banquete fúnebre ( erfa ) de seu pai. Naquela época, estes reis governavam as terras, como é dito aqui: Dizem que Humli governava os Hunos ( Húnum ), Gizurr os Gautar (Geatas), Angantýr os Gotos ( Gotum ), Valdar os Danois ( Dönum ), e Kjár os Völum (Romanos/Francos), Alrekr, o Ousado, o povo Inglês ( enskri þjóðu ). Hlöðr, filho do rei Heiðrekr, foi criado com o rei Humli, seu avô materno, e era o mais belo de todos os homens à vista e o mais nobre. E era um antigo costume, naquele tempo, que um homem fosse "nascido com" armas ou cavalos. Ocorria de tal modo que as armas forjadas na época do nascimento, assim como os bens, o gado, os bois ou os cavalos nascidos então, eram todos reunidos em honra aos homens de alta estirpe, como se diz aqui sobre Hlöðr Heiðreksson: Hlöðr nasceu lá em Húnaland (Terra dos Hunos) com sax [faca longa] e com espada, com longa cota de malha, elmo com anéis entrelaçados, lâmina afiada, e um corcel bem domado, na fronteira ( mörk ) sagrada. Agora, Hlöðr soube da morte de seu pai e também que Angantýr, seu irmão, fora aclamado rei sobre todo o reino que seu pai possuíra. O rei Humli e Hlöðr decidiram então que ele deveria ir exigir sua herança ( krefja arfs ) de Angantýr, seu irmão, primeiramente com boas palavras, como se diz aqui: Hlöðr cavalgou do leste, o herdeiro de Heiðrekr, ele veio à fortaleza onde os Gotos habitam, em Árheimar, para reivindicar a herança; lá Angantýr bebia o erfi  (banquete fúnebre) de Heiðrekr. Então Hlöðr chegou a Árheimar com um grande séquito, como se diz aqui: Um homem ele encontrou lá fora, diante do alto salão, e ao viajante tardio ele então saudou: "Entra, homem, no alto salão, pede a Angantýr que me traga uma resposta." Aquele homem entrou diante da mesa do rei, saudou bem o rei Angantýr e disse: "Aqui chegou Hlöðr, o herdeiro de Heiðrekr, teu irmão, o mais ávido por batalha; grande é aquele jovem em seu cavalo, ele deseja agora, ó rei, falar contigo." E quando o rei ouviu isso, ele atirou a faca sobre a mesa, levantou-se, vestiu sua cota de malha ( brynju ), pegou o escudo branco em uma mão e a espada Tyrfingr na outra. Então fez-se um grande tumulto no salão, como se diz aqui: Houve estrondo no salão, levantaram-se com o nobre, cada um queria ouvir o que Hlöðr dizia e qual resposta Angantýr daria. Então Angantýr disse: "Sê bem-vindo, irmão Hlöðr. Entra e bebe conosco. Bebamos primeiro o hidromel por nosso pai, em sinal de acordo e para a honra de todos nós." Hlöðr disse: "Viemos aqui por outra razão que não encher nossas barrigas." Então Hlöðr cantou: "Eu quero ter metade de tudo o que Heiðrekr possuía, arado e ponta [de lança], imposto único, vaca e bezerro, moinho ruidoso; escrava ( þý ) e escravo ( þræli ) e seus filhos. O famoso bosque chamado Myrkviðir (Mirkwood/Floresta Tenebrosa), o túmulo sagrado que fica na estrada principal; a famosa pedra que se ergue nos bancos do Danpar (Rio Dnieper), metade do equipamento de guerra que Heiðrekr possuía, terras e povo e anéis brilhantes." Então Angantýr disse: "Não vieste a esta terra de acordo com a lei, e tua exigência é injusta." Então Angantýr cantou: "Antes irá rachar, irmão, o brilhante escudo de tília, e a lança fria colidir com outra, e muitos homens cairão na relva, antes que eu dê ao Humlung [descendente de Humli] metade [do reino], ou Tyrfingr em dois divida." E ainda Angantýr cantou: "Eu te oferecerei lanças brilhantes, riqueza e muitos tesouros, como mais te aprouver; doze centenas [14.400] de homens te darei, doze centenas de cavalos te darei, doze centenas de escudeiros te darei, daqueles que carregam escudos. A cada homem darei muito para receber, mais nobre do que ele já possui; uma donzela darei a cada homem, e em cada donzela um colar porei. Eu te medirei em prata enquanto estiveres sentado, e te cobrirei de ouro enquanto estiveres andando, de modo que anéis rolem por todas as estradas; um terço de Goðþjóð (Terra dos Gotos), sobre isso tu reinarás sozinho." 12. A Reunião das Tropas de Hlöðr e Humli Gizurr Grýtingaliði (Gizurr, líder dos Greutungos), o pai adotivo ( fóstri ) do rei Heiðrekr, estava então com o rei Angantýr e era muito velho. E quando ele ouviu a oferta de Angantýr, pareceu-lhe que ele estava oferecendo demais, e então ele cantou: "Isto é [oferta] digna de ser recebida para o filho de uma escrava ( þýjar barni ), filho de uma escrava, embora nascido de um rei; o bastardo ( hornungr ) sentou-se em uma mamoa (haug), enquanto o nobre ( öðlingr ) dividia a herança." Hlöðr ficou furioso por ser chamado de filho de escrava ( þýbarn ) e bastardo ( hornungr ), caso aceitasse a oferta de seu irmão. Ele imediatamente se virou e partiu com todos os seus homens, até que chegou em casa, em Húnaland, ao rei Humli, seu parente, e lhe disse que Angantýr, seu irmão, havia lhe negado a divisão igualitária. Humli perguntou sobre toda a conversa deles; ele ficou muito irado que Hlöðr, seu neto, fosse chamado de filho de serva ( ambáttarsonr ), e então cantou: "Devemos sentar este inverno e viver alegremente, beber e apreciar bebidas preciosas; ensinar aos Hunos a preparar armas de guerra, aquelas que bravamente iremos empunhar." E ainda cantou ele: "Bem iremos nós, Hlöðr, preparar um exército para ti e bravamente comandar a tropa, com uma hoste de [homens de] doze invernos [anos] e potros de dois invernos; assim será o exército dos Hunos reunido." Naquele inverno, Humli e Hlöðr permaneceram quietos. Na primavera, eles reuniram um exército tão grande que a terra de Húnaland ficou desolada ( aleyða ) de homens de guerra. Todos os homens de doze invernos ou mais, que eram aptos para carregar armas, partiram, e todos os seus cavalos de dois invernos ou mais. Tornou-se uma multidão tão grande de homens que podiam ser contados aos milhares ( þúsundum ). E um chefe foi colocado sobre cada "milhar", e um estandarte ( merki ) sobre cada divisão ( fylking ). Havia cinco "milhares" em cada divisão, e em cada "milhar" havia treze "centenas" ( hundruð ), e em cada "centena" havia quatro vezes quarenta [160?] homens. E dessas divisões havia trinta e três. Assim que este exército se reuniu, eles cavalgaram pela floresta chamada Myrkviðr (Mirkwood/Floresta Tenebrosa), que separa Húnaland de Gotaland (Terra dos Godos). E quando saíram da floresta, havia grandes assentamentos e planícies, e nas planícies erguia-se uma bela fortaleza ( borg ). E lá governava Hervör, irmã do rei Angantýr, e Ormarr, seu pai adotivo; eles foram colocados ali como guarda da fronteira ( landgæslu ) contra o exército dos Hunos, e tinham ali uma grande tropa. Morte de Hervor. — Crédito da Imagem: Peter Nicolai Arbo. 13. A Queda de Hervör e a Reunião das Tropas de Angantýr Foi em uma manhã, ao nascer do sol, que Hervör estava em uma torre ( kastala ) sobre o portão da fortaleza. Ela viu uma grande nuvem de poeira ( jóreyki ) ao sul, em direção à floresta, tão grande que por longos momentos cobria o sol. Em seguida, ela viu brilhar sob a nuvem de poeira, como se olhasse para puro ouro: belos escudos folheados a ouro, elmos dourados e cotas de malha brancas. Ela viu então que aquele era o exército dos Hunos, e uma grande multidão. Hervör desceu rapidamente, chamou o tocador de lúðr  (trompa de guerra) e ordenou que reunisse a tropa. E então Hervör disse: "Peguem suas armas e preparem-se para a batalha. E tu, Ormarr, cavalga ao encontro dos Hunos e oferece-lhes batalha diante do portão sul da fortaleza." Ormarr cantou: "Eu certamente irei cavalgar e carregar meu escudo, ao povo dos Gotos anunciarei a batalha ( gunni )." Então Ormarr cavalgou para fora da fortaleza ao encontro do exército. Ele gritou alto e ordenou que cavalgassem em direção à fortaleza: "E lá fora, diante do portão sul da fortaleza, nas planícies, eu vos desafio para a batalha; que espere lá aquele que chegar primeiro." Ormarr cavalgou de volta para a fortaleza. Hervör e todo o exército já estavam totalmente preparados. Eles cavalgaram para fora da fortaleza com o exército contra os Hunos, e ali começou uma feroz batalha. Mas, como os Hunos tinham um exército muito maior, a carnificina se voltou contra a tropa de Hervör e, por fim, Hervör caiu, e uma grande tropa ao seu redor. E quando Ormarr viu a queda dela, ele fugiu, com todos os que puderam salvar suas vidas. Ormarr cavalgou dia e noite, o mais rápido que pôde, ao encontro do rei Angantýr em Árheimar. Os Hunos começaram então a pilhar ( herja ) e queimar por toda a terra. E quando Ormarr chegou perante o rei Angantýr, ele cantou: "Do sul eu vim para contar estas novas: queimada está toda a fronteira e a charneca de Myrkviðr; encharcada está toda a Goðþjóð com o sangue dos homens." E ainda cantou ele: "Conheço a donzela de Heiðrekr, tua irmã, caída por terra; os Hunos a derrubaram, e a muitos outros de teus súditos. Mais rápida ela era para a batalha do que para conversar com um pretendente, ou para ir ao banco [de honra] em uma procissão nupcial." O rei Angantýr, quando ouviu isso, franziu o cenho ( brá hann grönum ) e demorou a encontrar palavras. Por fim, disse isto: "Trataram-te de modo pouco fraterno, ó nobre irmã." E então ele olhou para sua corte ( hirð ), e não havia muitos homens com ele. Ele cantou então: "Éramos muito numerosos quando bebíamos hidromel, agora somos poucos, quando deveríamos ser mais. Não vejo homem em minha tropa, mesmo que eu implore e compre com anéis, que queira cavalgar e carregar seu escudo e do exército dos Hunos o paradeiro encontrar." Gizurr, o Velho, disse: "Eu não te exigirei nenhuma prata nem brilhante fragmento de ouro; mesmo assim, eu irei cavalgar e carregar meu escudo, ao povo dos Hunos o bastão de guerra ( herstaf ) oferecer." Era lei ( lög ) do rei Heiðrekr que, se um exército estivesse na terra, e o rei do país marcasse um campo de batalha ( haslaði völl ) e definisse o local do combate, os invasores não deveriam pilhar ( herja ) antes que a batalha fosse travada. Gizurr vestiu sua armadura com boas armas de guerra e saltou sobre seu cavalo como se fosse jovem. Então ele disse ao rei: "Onde devo aos Hunos o local da batalha indicar?" Angantýr cantou: "Indica-lhes em Dylgja e em Dúnheiðr (Charneca de Dún), e em todas aquelas Jassarfjöllum (Montanhas Jassar); lá onde os Gotos muitas vezes a batalha travaram e gloriosas vitórias os famosos conquistaram." Gizurr cavalgou para longe, até chegar ao exército dos Hunos. Ele não cavalgou mais perto do que o necessário para que pudesse falar com eles. Então ele gritou em voz alta e cantou: "O terror está em vossa tropa, vosso líder está condenado ( feigr ), vosso estandarte de guerra pende, Óðinn está furioso convosco!" E ainda: "Eu vos desafio em Dylgja e em Dúnheiðr, para a batalha aos pés das Jassarfjöllum; que haja um cadáver ( hræ ) para cada um de vossos corvos, e que Óðinn assim arremesse a lança, como eu aqui decreto!" Quando Hlöðr ouviu as palavras de Gizurr, ele cantou: "Peguem Gizurr Grýtingaliði, o homem de Angantýr, vindo de Árheimar!" O rei Humli disse: "Não devemos maltratar mensageiros ( árum ), aqueles que viajam sozinhos." Gizurr disse: "Os Hunos não nos causam medo, nem vossos arcos de chifre." Gizurr então esporeou seu cavalo e cavalgou ao encontro do rei Angantýr. Ele se apresentou e o saudou bem. O rei perguntou se ele havia encontrado os reis. Gizurr disse: "Falei com eles e os desafiei para o campo de batalha em Dúnheiðr, nos vales de Dylgja." Angantýr perguntou quão grande era o exército dos Hunos. Gizurr disse: "Grande é a sua multidão: Seis são ao todo as divisões ( fylki ) de homens, em cada divisão cinco milhares ( þúsundir ), em cada milhar, treze centenas ( hundruð ), em cada centena, quarenta homens contados ( halir fjórtaldir )." Angantýr perguntou agora sobre [o resto do] exército dos Hunos. Ele então enviou homens em todas as direções e convocou todo homem que quisesse lhe dar apoio e que pudesse empunhar armas. Ele então foi para Dúnheiðr com sua tropa, e era um exército muito grande. Então veio contra ele o exército dos Hunos, e eles tinham metade a mais de homens. 14. A Batalha em Dúnheiðr No dia seguinte, eles começaram sua batalha e lutaram o dia todo. Ao anoitecer, retornaram aos seus acampamentos. Eles lutaram assim por oito dias, e os chefes ainda estavam ilesos, mas ninguém sabia o número de quantos haviam caído. E, tanto de dia quanto de noite, tropas afluíam para Angantýr de todas as direções, e chegou a tal ponto que ele não tinha menos homens do que no início. A batalha tornou-se ainda mais feroz. Os Hunos estavam desesperados e viram que sua única chance era vencer, pois seria ruim pedir trégua ( griða ) aos Gotos. Os Gotos defendiam sua liberdade ( frelsi ) e sua terra natal ( fóstrjörð ) contra os Hunos; por isso resistiram firmemente, e cada um encorajava o outro. Quando o dia avançou, os Gotos fizeram um ataque tão violento que as fileiras dos Hunos cederam. E quando Angantýr viu isso, ele avançou para fora da muralha de escudos ( skjaldborg ) e para a vanguarda da formação, e tinha Tyrfingr em sua mão, golpeando tanto homens quanto cavalos. A muralha de escudos diante dos reis Hunos foi rompida, e os irmãos trocaram golpes. Então Hlöðr caiu, e o rei Humli, e a fuga ( flótti ) irrompeu entre os Hunos. Mas os Gotos os perseguiam e matavam, e causaram um massacre ( val ) tão grande que os rios foram represados [com corpos] e transbordaram de seus leitos, e os vales ficaram cheios de cavalos, homens mortos e sangue. O rei Angantýr caminhou então para inspecionar os mortos ( valinn ) e encontrou Hlöðr, seu irmão. Então ele cantou: "Eu te ofereci, irmão, tesouros indivisos, riqueza e muitos tesouros, como mais te convinha; agora não tens, como pagamento pela guerra, nem anéis brilhantes, nem terra alguma." E ainda: "Amaldiçoados fomos nós, irmão, tornei-me teu assassino ( bani ), isso será sempre lembrado; maligno é o julgamento das Nornas ( dómr norna )." 15. Sobre as Linhagens Reais dos Danois e Suecos Angantýr foi rei em Reiðgotaland por muito tempo. Ele era poderoso e um grande guerreiro, e dele descendem linhagens de reis. Seu filho foi Heiðrekr Úlfhamr (Pele-de-Lobo), que depois foi rei em Reiðgotaland por muito tempo. Ele teve uma filha chamada Hildr. Ela foi a mãe de Hálfdan Snjalli (o Valente), pai de Ívarr Inn Víðfaðmi (o de Vasto Alcance). Ívarr Inn Víðfaðmi veio com seu exército para Svíaveldi (Suécia), como é dito nas sagas dos reis, e o rei Ingjaldr Inn Illráði (o Mau-Conselheiro) temeu seu exército e ateou fogo a si mesmo e a toda a sua corte dentro [do salão] na propriedade chamada Ræningi. Ívarr Inn Víðfaðmi então subjugou toda Svíaveldi. Ele também conquistou Danaveldi (Dinamarca) e Kúrland (Curlândia, Letônia), Saxland (Saxônia) e Eistland (Estônia), e todos os reinos do leste ( austrríki ) até Garðaríki (Rússia de Kiev). Ele também governou Vestra Saxlandi (Saxônia Ocidental) e conquistou uma parte da Inglaterra; aquela que é chamada Norðumbraland (Nortúmbria, Inglaterra). Ívarr então subjugou toda Danaveldi, e em seguida colocou o rei Valdar no comando lá e lhe deu em casamento Álfhildr, sua filha. O filho deles foi Haraldr Hilditönn (Dente-de-Batalha) e Randvér, que caiu na Inglaterra. E Valdar morreu na Dinamarca; Randvér então assumiu Danaríki (Reino da Dinamarca) e tornou-se rei. Mas Haraldr Hilditönn fez-se aclamar rei em Gautlandi (Gotalândia, Suécia) e, depois disso, subjugou todos os reinos mencionados anteriormente, que o rei Ívarr Inn Víðfaðmi havia possuído. O rei Randvér desposou Ása, filha do rei Haraldr Inn Granrauði (o de Bigode Vermelho) do norte da Noruega. O filho deles foi Sigurðr Hringr (Anel). O rei Randvér teve morte súbita, e Sigurðr Hringr assumiu o reino na Dinamarca. Ele lutou contra o rei Haraldr Hilditönn em Brávelli (Bråvalla, Suécia), em Eystra Gautlandi (Östergötland, Suécia), e lá caiu o rei Haraldr e uma grande multidão de seu exército. Esta batalha foi considerada a mais famosa nas sagas antigas, com a maior perda de homens, [junto com] aquela que Angantýr e seu irmão travaram em Dúnheiðr. O rei Sigurðr Hringr governou Danaríki até o dia de sua morte, e depois dele o rei Ragnarr Loðbrók (Calças-Peludas), seu filho. O filho de Haraldr Hilditönn chamava-se Eysteinn Inn Illráði (o Mau-Conselheiro). Ele assumiu Svíaríki (Reino da Suécia) após seu pai e o governou até que os filhos do rei Ragnarr o mataram, como é dito na saga dele. Os filhos do rei Ragnarr subjugaram então Svíaveldi. E após a morte do rei Ragnarr, Björn Járnsíða (Flanco-de-Ferro), seu filho, assumiu Svíaveldi; Sigurðr [assumiu] Danaveldi; Hvítserkr, Austrríki (Reinos do Leste); Ívarr Inn Beinlausi (o Desossado), a Inglaterra. Os filhos de Björn Járnsída foram Eiríkr e Refill. Ele [Refill] era um rei guerreiro ( herkonungr ) e rei do mar ( sækonungr ), mas o rei Eiríkr governou Svíaríki após seu pai e viveu pouco tempo. Então, Eiríkr, filho de Refill, assumiu o reino; ele foi um grande guerreiro e um rei muito poderoso. Os filhos de Eiríkr, filho de Björn, foram Önunundr Uppsali (de Uppsala) e o rei Björn. Então Svíaríki foi novamente dividido entre irmãos; eles assumiram o reino após Eiríkr, filho de Refill. O rei Björn fundou a propriedade chamada At Haugi (Na Mamoa); ele era chamado Björn At Haugi. Com ele estava Bragi Skáld (o poeta). Eiríkr era o nome do filho do rei Önunundr, que assumiu o reino após seu pai em Uppsala; ele foi um rei poderoso. Em seus dias, ascendeu ao poder na Noruega Haraldr Hárfagri (Cabelo-Belo), que foi o primeiro de sua linhagem a unificar a Noruega. Björn era o nome do filho do rei Eiríkr em Uppsala; ele assumiu o reino após seu pai e governou por muito tempo. Os filhos de Björn eram Eiríkr Inn Sigrsæli (o Vitorioso) e Óláfr; eles assumiram o reino e o título de rei após seu pai. Óláfr foi o pai de Styrbjörn Inn Sterki (o Forte). Em seus dias, morreu o rei Haraldr Inn Hárfagri. Styrbjörn lutou contra o rei Eiríkr, seu tio paterno, em Fýrisvöllum (Campos de Fýris, Suécia), e lá caiu Styrbjörn. Depois disso, Eiríkr governou Svíaríki até o dia de sua morte. Ele foi casado com Sigríðr In Stórráða (a Ambiciosa). Óláfr era o nome do filho deles, que foi aclamado rei na Svíþjóð (Suécia) após o rei Eiríkr. Ele era uma criança na época, e os Suecos o carregavam no colo ( báru Svíar hann eptir sér ); por isso o chamaram de Skautkonungr (Rei-de-Colo, ou Rei-Tributário). Mais tarde, [foi chamado] Óláfr Sænski (o Sueco). Ele foi rei por muito tempo e poderoso. Ele foi o primeiro dos reis Suecos a aceitar o Cristianismo ( kristni ), e em seus dias a Svíþjóð foi considerada cristã. Önunundr era o nome do filho do rei Óláfr Sænski, que assumiu o reino depois dele e morreu de doença ( sóttdauðr ). Em seus dias, o rei Óláfr Inn Helgi (o Santo) caiu em Stiklastöðum (Stiklestad, Noruega). Eymundr era o nome do outro filho de Óláfr Sænski, que assumiu o reino após seu irmão. Em seus dias, os Suecos pouco observaram o Cristianismo. Eymundr foi rei por pouco tempo. 16. Sobre o Rei Ingi Steinkelsson Steinkell era o nome de um homem poderoso ( ríkr maðr ) em Svíaríki (Reino dos Suecos) e de grande linhagem ( kynstórr ). Sua mãe se chamava Ástríðr, filha de Njáll Finnsson, inn skjálgi  (o Estrábico), de Hálogaland (Hålogaland, Noruega). Seu pai era Rögnvaldr, inn gamli  (o Velho). Steinkell foi primeiro jarl  (conde/senhor) na Svíþjóð (Suécia), mas, após a morte do rei Eymundr, os Suecos ( Svíar ) o aclamaram rei. Então, o reino ( konungdómr ) na Svíþjóð saiu da longa linhagem patrilinear ( langfeðgaætt ) dos reis antigos. Steinkell foi um grande chefe ( höfðingi ). Ele era casado com a filha do rei Eymundr. Ele morreu de doença ( sóttdauðr ) na Svíþjóð, próximo da época em que o rei Haraldr [Sigurðarson, "Hardrada"] caiu na Inglaterra [1066]. Ingi era o nome do filho de Steinkell, a quem os Svíar aclamaram rei logo após Hákon. Ingi foi rei lá por muito tempo, popular ( vinsæll ) e muito cristão ( vel kristinn ). Ele aboliu os sacrifícios pagãos ( blótum ) na Svíþjóð e ordenou que todo o povo ali se tornasse cristão. Mas os Svíar tinham arraigada fé ( átrúnað ) nos deuses pagãos ( heiðnum goðum ) e mantinham os antigos costumes ( fornum siðum ). O rei Ingi casou-se com uma mulher chamada Mær. O irmão dela chamava-se Sveinn. Ninguém gozava de tanto favor junto ao rei Ingi [quanto Sveinn], e ele [Sveinn] tornou-se o homem mais poderoso na Svíþjóð. Aos Svíar pareceu que o rei Ingi violava as antigas leis da terra ( forn landslög ) em detrimento deles, ao proibir aquelas coisas que Steinkell havia permitido continuar. Em certa assembleia ( þingi ), que os Svíar tiveram com o rei Ingi, eles lhe deram duas escolhas: ou ele mantinha com eles as antigas leis, ou ele abdicava do reino. Então o rei Ingi falou e disse que não abandonaria a fé que era a correta. Então os Svíar gritaram, atacaram-no com pedras ( grjóti ) e o expulsaram da assembleia legal ( lögþinginu ). Sveinn, cunhado ( mágr ) do rei, permaneceu na assembleia. Ele ofereceu aos Svíar realizar os blót  (sacrifícios) para eles, se eles lhe dessem o reino. Todos concordaram com isso; Sveinn foi então aclamado rei sobre toda a Svíþjóð. Então um cavalo foi trazido à assembleia, esquartejado e dividido para comer, e as árvores de sacrifício ( blóttré ) foram tingidas com o sangue. Então todos os Svíar rejeitaram o cristianismo ( kristni ), e os blót  recomeçaram. Eles expulsaram o rei Ingi, e ele foi para Vestra Gautland (Gotalândia Ocidental, Suécia). Blót-Sveinn (Sveinn do Sacrifício) foi rei sobre os Svíar por três invernos ( þrjá vetr ). O rei Ingi partiu com sua corte ( hirð ) e alguns seguidores, e tinha um pequeno exército. Ele cavalgou para leste, através de Smáland (Suécia), e para Eystra Gautland (Gotalândia Oriental, Suécia), e assim para a Svíþjóð. Ele cavalgou dia e noite e surpreendeu Sveinn, cedo pela manhã. Eles cercaram a casa ( tóku hús á þeim ), atearam fogo nela e queimaram os homens que estavam lá dentro. Þjófr era o nome de um homem influente ( lendr maðr ) que morreu queimado lá dentro; ele havia apoiado Sveinn anteriormente. Blót-Sveinn saiu e foi imediatamente morto. Ingi retomou assim o reino sobre os Svíar, restaurou ( réttleiddi ) o cristianismo e governou o reino até o dia de sua morte, morrendo de doença ( sóttdauðr ). Hallsteinn era o nome do filho do rei Steinkell, irmão do rei Ingi, que foi rei junto com o rei Ingi, seu irmão. Os filhos de Hallsteinn foram Philippus e Ingi, que assumiram o reino na Svíþjóð após Ingi, o Velho. Philippus casou-se com Ingigerðr, filha do rei Haralds Sigurðarsonar; ele foi rei por um curto período. Assim se conclui a longa crônica dos descendentes de Arngrímr. A saga, que se iniciou com o brilho sobrenatural de Tyrfingr e o fogo-do-túmulo clamado por Hervör, aquieta-se nos anais dos reis e nas genealogias da História. A espada maldita, forjada pelos anões e que jamais retornava à bainha sem provar sangue, desaparece enfim dos registros. Sua terrível sede, saciada no massacre de Dúnheiðr e na morte trágica de Hlöðr, cumpriu o destino traçado. A era mítica de heróis que desafiavam os mortos cedeu lugar definitivo à era dos reis, das leis e da nova fé, deixando para trás apenas a memória — e a advertência — de uma lâmina que regia o destino dos homens. por LIVROS  VIKINGS Tradução © LIVROS   VIKINGS . Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução, total ou parcial (Lei nº 9.610/98). #viking #vikings #eraviking #medieval #idademédia #mullherviking #asagadehervör #sagaslendárias #fornaldarsögur #livrosvikings

  • A Saga de Þórvaldr: a nova ficção viking que une história e fantasia

    Conheça a saga viking de Paulo Marsal, uma obra de ficção baseada em profunda pesquisa sobre a Era Viking Þórvaldr konungr e seu herr. — Crédito da Imagem: Acervo Livros Vikings Índice O realismo e a pesquisa na construção do universo viking ; Þórvaldr, o Forte: O nascimento de um herói viking ; A complexa sociedade viking retratada na saga ; Quando a fantasia e o anacronismo encontram o mundo viking ; O E-E-A-T da ficção: Por que esta saga viking é uma fonte de autoridade ; Conclusão: o futuro da ficção histórica viking ; Lançamento Mundial . Referências . O fascínio do Brasil pela Era Viking não é recente. Como aponta o Professor Johnni Langer em seu prefácio à obra, essa "vikingmania" remonta aos anos 1960, impulsionada por obras seminais e animações da Marvel. Nas décadas seguintes, essa inspiração, vinda do cinema e das sagas, solidificou uma imagem de heroísmo e glória. Contudo, o cenário mudou. A série de televisão Vikings (2013) redefiniu o imaginário popular, substituindo o herói clássico por figuras mais complexas e, por vezes, anti-heróis. É exatamente neste novo contexto que se insere o romance de Paulo Marsal. A Saga de Þórvaldr, o Forte não é apenas mais uma história de aventura. É uma narrativa que busca, intencionalmente, um patamar de realismo e autenticidade. Publique você também pela Livros Vikings Editora . No posfácio, o especialista em artes nórdicas Duggan Hamasmiðr compara o estilo de Marsal ao de Bernard Cornwell, mas destaca que a obra possui um "tempero inconfundivelmente brasileiro". A obra de Marsal preenche uma lacuna, situando-se entre a ficção histórica vibrante e a cultura pop, ao mesmo tempo em que se aprofunda em conceitos complexos da sociedade nórdica. É uma saga moderna que reflete nossas próprias projeções sobre o passado: um mundo idealizado onde a ordem, a honra e a violência coexistem de forma visceral. O realismo e a pesquisa na construção do universo viking O maior trunfo de A Saga de Þórvaldr, o Forte é o seu compromisso com a imersão. O próprio autor, em sua nota inicial, afirma que a obra é resultado de "estudo aprofundado" e "inúmeras horas de imersão". Esse esforço é imediatamente perceptível. O prefácio de Langer destaca o "uso expressivo de termos, conceitos e palavras retirados do nórdico antigo", o que confere uma "certa autenticidade ao panorama social e cultural". Duggan Hamasmiðr, no posfácio, reitera esse ponto, elogiando a "precisão de termos em Norrænt Mál" (Nórdico Antigo) e a habilidade do autor em criar um "universo cultural verossímil". Leia também: A forja de um herói viking: a prosa e o poder em 'A Saga de Þórvaldr, o Forte' Diferentemente de muitas obras de ficção, o livro de Marsal dialoga diretamente com as fontes primárias, como as sagas e poemas éddicos. Para auxiliar o leitor nessa imersão, a obra conta com um glossário robusto (com um guia de pronuncias), dividido em seis seções que cobrem: Sociedade, Leis e Parentesco; Guerra, Honra e Armamento; Cosmologia, Deuses e Práticas Rituais; Lugares, Construções e Navegação; Vida Cotidiana, Objetos e Expressões; Nomes, Locais, Títulos da Saga. Apesar dessa profunda pesquisa, o autor é transparente em sua "Nota do Autor". Ele adverte que, embora inspirada na realidade: O cerne desta obra é ficcional e, portanto, não deve ser utilizado como fonte acadêmica ou científica. Essa honestidade é o que permite ao livro equilibrar entretenimento e história. Þórvaldr, o Forte: o nascimento de um herói viking O protagonista da saga, Þórvaldr, nasce sob o signo do destino (ǫrlǫg). O primeiro capítulo, "Burðrinn" (O Nascimento), nos transporta para um inverno terrível no þorp (vilarejo) de Norðhǫfn. Ele é o sonr (filho) de Bjǫrn, o smiðr (ferreiro) do rei, e Bjǫrk. O nascimento de Þórvaldr é marcado por uma profecia sombria e poderosa. A ljósmóðir (parteira), revelando-se uma vǫlva (profetisa), anuncia que o menino é forte, mas que seu destino está entrelaçado a um guia misterioso: "um viajante que não conta seus anos em invernos", um Ljósálfr (elfo de luz) que não lhe dará um escudo, "mas ensinar-lhe-á a forjar o seu próprio". A profecia mostra-se verdadeira. Desde cedo, Þórvaldr demonstra um interesse inato por armas e, aos quatro anos, já imita os hermenn (guerreiros). Aos cinco, seu pai o leva ao skógr (bosque) e se espanta com o talento prodigioso do filho, que demonstra fluidez com a espada, agilidade na glíma (luta corpo a corpo) e uma força descomunal para sua idade. Percebendo o potencial do filho, Bjǫrn antecipa sua ida à Ragnars konungsborg (fortaleza do Rei Ragnar). Aos sete anos, Þórvaldr é apresentado ao rei. Para testar o garoto, Ragnarr o coloca contra dois aprendizes mais velhos e maiores. O resultado é chocante: Na luta:  Þórvaldr nocauteia o primeiro oponente instantaneamente com um soco certeiro e uma joelhada fulminante; Na espada:  antes que o segundo oponente possa reagir, Þórvaldr rola, saca sua arma de madeira e a pressiona contra o peito do adversário, forçando a rendição. O capítulo termina com Ragnarr konungr, atônito e impressionado, aplaudindo e gritando o epíteto que marcaria o herói: Heill, Þórvaldr hinn sterki! A complexa sociedade viking retratada na saga A jornada de Þórvaldr é o fio condutor que nos guia por uma sociedade viking multifacetada, que vai muito além dos estereótipos de saques. A saga explora o valor do fróðleikr (conhecimento) de forma central. No capítulo "Nám" (O Aprendizado), descobrimos que o treinamento de Þórvaldr não é apenas militar. Por ordem direta de Ragnarr, o spakr (sábio) Álmarr kennari oferece ao jovem uma educação secreta e de elite, que inclui estratégia militar, astronomia, navegação e a aprendizagem de múltiplas línguas, como latim, grego, árabe e chinês. Mapa de Sólargarðr (consta no livro). — Crédito da Imagem: Acervo Livros Vikings A saga também se destaca por retratar um mundo nórdico multicultural. Um dos membros da esquadra de Þórvaldr é Óyvinðr Svartr-skinn (Pele Escura). Questionado sobre ele, Álmarr kennari explica calmamente que Óyvinðr é filho de Magnús, um dos guardas reais, com uma mulher nativa que ele conheceu durante uma longa viagem à África. A saga faz questão de notar que essa união foi plenamente aceita, com o konungr da época celebrando o brúðhlaup (matrimônio) e realizando um blót (sacrifício) em honra da união. Duggan Hamasmiðr, no posfácio, elogia a obra por sua representação fiel de conceitos sociais complexos como o blóðbrœðralag (irmandade de sangue) e o drengskapr (código de honra). As mulheres também possuem papéis de destaque. Bjǫrk, a mãe do herói, é descrita como a "força silenciosa" da sociedade. Unnr, a futura esposa de Þórvaldr, demonstra profunda sabedoria filosófica (Capítulo 6) e uma astúcia política crucial, fornecendo a Þórvaldr informações estratégicas vitais para sua vingança, incluindo rotas secretas e alianças políticas (Capítulo 5). Quando a fantasia e o anacronismo encontram o mundo viking A Saga de Þórvaldr é, acima de tudo, uma obra de ficção. O autor assume riscos criativos, introduzindo elementos fantásticos e anacrônicos de forma deliberada, como admitido na Nota do Autor. O primeiro elemento é Vandraðr. Ele surge pela primeira vez no Capítulo 3, revelando-se um rapaz misterioso que se autodenomina um "amigo atemporal que não pertence a esta realidade". Ele afirma ter seu próprio reino "daqui a uns setecentos e cinquenta anos" e admite que interfere nos eventos para "acelerar" as coisas e satisfazer a própria curiosidade. É Vandraðr quem guia Þórvaldr em momentos cruciais e até lhe ensina técnicas de luta do futuro. O segundo e mais ousado anacronismo são as artes marciais orientais. A trama se desenrola quando Ragnarr impõe como condição para o casamento que Þórvaldr treine as misteriosas bīng jìqiǎo (técnicas de luta militar) com Gunnar inn hræðiligi. Álmarr kennari revela a origem dessa arte: Gunnar foi o único sobrevivente de uma legião de berserkir dizimada em uma expedição à China. Lá, ele foi salvo e treinado por um mestre lendário. A grande reviravolta ocorre no Capítulo 4, quando Þórvaldr descobre que a verdadeira mestra, que treinou o próprio Gunnar, é sua esposa, a chinesa Wang Liu. Cético, Þórvaldr a desafia e é humilhado, sendo derrotado por golpes precisos e um chute rotatório. Ele a aceita como Shifu (mestra) e passa cinco invernos aprendendo não só a lutar sem força bruta, mas também a controlar seu Qì (força vital), em um treinamento que exige muito kung fu (trabalho árduo). Mais tarde, o próprio Vandraðr ensina a Þórvaldr o "soco de uma polegada" do Wing Chun Kuen. Ouça o episódio do VikingCast que fala exatamente sobre o tem: No posfácio, Duggan Hamasmiðr defende essa escolha ousada, não como uma falha histórica, mas como uma "metáfora poderosa". Ela simboliza a própria natureza dos vikings: eles eram os maiores navegadores de seu tempo, conectores de culturas que iam da América à Ásia. O anacronismo, portanto, reforça o tema da globalização medieval. O E-E-A-T da ficção: Por que esta saga viking é uma fonte de autoridade No marketing digital, E-E-A-T (Experience, Expertise, Authoritativeness, Trustworthiness) é o que define a qualidade e a confiabilidade de um conteúdo. A Saga de Þórvaldr, o Forte aplica esses princípios ao mundo da ficção histórica, estabelecendo-se como uma obra de grande autoridade em seu nicho: Experience (Experiência):  a obra nasce da "imersão" profunda do autor. Mais notavelmente, o autor do posfácio, Duggan Hamasmiðr, é um especialista que viajou pessoalmente aos locais históricos, visitando museus na Dinamarca e Suécia, o museu de navios de Roskilde e os sítios arqueológicos de Birka. Essa experiência de primeira mão confere à obra uma sensação de veracidade palpável; Expertise (Especialidade):  o livro é academicamente robusto. O prefácio é assinado pelo Prof. Dr. Johnni Langer, uma das maiores autoridades no assunto, membro do Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos (NEVE). O autor, Paulo Marsal, agradece a especialistas como Allan Marante pela consultoria em Nórdico Antigo e ao próprio Duggan Hamasmiðr; Authoritativeness (Autoridade):  a obra é publicada pela Livros Vikings Editora, um portal dedicado à cultura nórdica. A chancela de Langer e Hamasmiðr confere uma autoridade acadêmica e prática que poucas obras de ficção alcançam; Trustworthiness (Confiabilidade):  a confiança é construída pela transparência. O autor é explícito em sua "Nota do Autor" sobre o que é ficção e o que é anacronismo. O posfácio reforça essa confiança, com Duggan elogiando o "universo cultural verossímil" e a representação fiel de conceitos sociais complexos como ǫrlǫg, blóðbrœðralag e o papel das mulheres. Ao equilibrar pesquisa rigorosa (Expertise) com uma narrativa envolvente (Experience), validada por nomes de peso (Authoritativeness) e sendo honesta sobre suas licenças poéticas (Trustworthiness), A Saga de Þórvaldr, o Forte estabelece um novo padrão de qualidade para a ficção viking no Brasil. Entretenimento para além do livro A Livros Vikings, em parceria com o autor, disponibiliza também o Primeiro Capítulo da obra em formato de radionovela, além de uma trilha sonora envolvente, que narra o livro por meio de canções — ora em nórdico antigo, ora em inglês ou português —, em diferentes estilos, como folk e heavy metal. O acesso a esse entretenimento complementar é gratuito e está disponível no hotsite da obra . Conclusão: o futuro da ficção histórica viking A Saga de Þórvaldr, o Forte estabelece um novo padrão para a ficção viking no Brasil. É uma obra que entende o que o público moderno procura — ação, personagens complexos e um mundo imersivo — sem sacrificar a pesquisa e a autenticidade que definem o trabalho da Livros Vikings. A jornada de Þórvaldr, de um garoto em um þorp a herdeiro de um ríki (reino), prometido à bela Unnr, mas que escolhe primeiro buscar o conhecimento (seja com sua família em Norðhofn ou aprendendo artes marciais chinesas com Gunnar), é uma narrativa poderosa. Como conclui o Professor Johnni Langer: O viking de Paulo Marsal é também o nosso próprio viking. É um reflexo de nossas angústias e de nossa busca por honra, conhecimento e um lugar no mundo. O Volume 1 é apenas o começo de um ǫrlǫg grandioso, e mal podemos esperar para ver onde o destino levará Þórvaldr. Laçamento mundial A obra teve lançamento global em 22 de outubro e está disponível em português (Américas, Portugal e Espanha) e em inglês (todo o mundo) — também para Kindle Edition. Este artigo foi parcialmente criado por Inteligência Artificial (IA). Para mais notícias sobre achados arqueológicos e história, continue acompanhando a Livros Vikings. Somos um portal dedicado a trazer informações históricas e curiosidades sobre a Era Viking. Se você gostou deste artigo, compartilhe-o em suas redes sociais! Referências MARSAL, Paulo. A saga de Þórvaldr, o Forte . Vol. 1, o Guerreiro. São Paulo: Livros Vikings Editora, 2025. ROCK CONTENT. Futuro do SEO : coloque sua empresa na primeira página do Google e nas respostas do ChatGPT. [S.l.]: Rock Content, [c. 2024]. Seja uma das primeiras pessoas a receber as novidades do Mundo Viking, assinando a nossa Newsletter ou adicionando-nos em seu   WhatsApp ... #Viking   #EraViking   #IdadeMédia  #Entretenimento #Curiosidades #LivrosVikings

  • O Espetáculo da Morte Viking: estrada sueca revela rituais e poder

    Escavações em Västmanland revelam nove locais da Era Viking, de cremações públicas a guerreiros e a vida cotidiana viking Restos humanos datados da Era Viking encontrados em sítio arqueológico. — Crédito da Imagem: Getty Image Índice O poderoso espetáculo do Funeral Viking em Rallsta ; Guerreiros e cavalaria: o Status Viking revelado nos túmulos ; O cotidiano do Agricultor Viking: pão, ferro e ritual ; Conclusão ; Referência . O progresso moderno tem um jeito peculiar de colidir com o passado antigo. Enquanto tratores e escavadeiras abriam caminho para a modernização da autoestrada E18 em Västmanland, na Suécia, eles não estavam apenas cortando a paisagem rural; estavam abrindo uma janela direta para a Era Viking. A construção de uma nova estrada resultou na descoberta acidental não de um, mas de nove locais distintos da Era Viking. Essas descobertas, supervisionadas por arqueólogos do "The Archaeologists", consultoria líder na Suécia e parte dos Museus Históricos Nacionais do governo, oferecem um panorama extraordinário da vida e da morte há mais de mil anos. Frederik Larsson, gerente de projeto da escavação, destacou a importância singular desses achados. Faça como o Professor Johnni Langer e publique seu livro pela Livros Vikings Editora . Segundo Larsson, embora cada local seja fascinante por si só, é a visão combinada que se revela revolucionária. As descobertas proporcionam "uma seção transversal através de várias aldeias que ilustram a compreensão de como a sociedade — e a paisagem — mudaram ao longo do tempo". O que foi encontrado em Västmanland não é apenas um punhado de artefatos, mas um ecossistema social completo. Os achados variam desde locais de cremação de chefes, projetados para impressionar, até túmulos de guerreiros e seus cavalos, e evidências da vida agrícola diária. Estamos diante de um retrato complexo da sociedade viking, mostrando o poder dos seus líderes, a honra dos seus guerreiros e a base fundamental dos seus agricultores. Esta colisão entre o século XXI e a Era Viking permite aos historiadores montar um quebra-cabeça que vai muito além dos estereótipos. A história viking de Västmanland, agora resgatada do esquecimento pelo avanço do asfalto, revela como as pessoas viviam, trabalhavam, honravam seus mortos e moldavam a própria terra para refletir seu poder e suas crenças. O poderoso espetáculo do funeral viking em Rallsta Entre os nove locais, talvez o mais impressionante seja o complexo funerário descoberto em Rallsta, perto de Hallstahammar. Este não era um enterro comum; era uma demonstração de poder e um espetáculo público meticulosamente orquestrado. Os arqueólogos descobriram que um pequeno monte na área havia sido completamente remodelado pela mão humana. Esta não é uma característica natural; é engenharia da Era Viking, um esforço monumental que exigiu vasta mão de obra e planejamento. O objetivo? Criar um palco para a morte. No topo deste monte remodelado, a equipe encontrou os restos de duas grandes piras funerárias. Este era um local de cremação, mas sua localização e escala sugerem que era reservado para indivíduos de altíssimo status, provavelmente um chefe local e sua linhagem. Frederik Larsson descreve o local como "um lugar que se destinava a ser visível de longe". A intenção era clara: este funeral não era um assunto privado. As piras funerárias agiam como espetáculos públicos, transformando o topo do monte em uma atração para toda a comunidade. Podemos imaginar o cenário: o fogo consumindo a pira, visível a quilômetros de distância, um farol de fumaça e chamas declarando a passagem de um líder e, simultaneamente, a transferência de poder. Na sociedade viking, um funeral dessa magnitude era tanto uma obrigação religiosa quanto uma manobra política. A escolha pela cremação, comum na Era Viking (embora a inumação também fosse praticada), estava profundamente ligada à cosmologia nórdica. O fogo era visto como um elemento transformador, liberando a alma do corpo físico e facilitando sua jornada para o além-túmulo. Ao realizar este ritual de forma tão pública e em um local tão proeminente, a comunidade não estava apenas lamentando seus mortos; estava reafirmando sua estrutura social, sua força e sua conexão com o sagrado. O monte em Rallsta tornou-se, assim, um monumento permanente, uma cicatriz deliberada na paisagem que lembrava a todos sobre o poder da linhagem ali cremada. Guerreiros e cavalaria: o Status Viking revelado nos túmulos Se Rallsta demonstra o poder político e ritualístico da elite viking, outras descobertas em Västmanland iluminam o status e a identidade do guerreiro viking. A oeste, na paróquia de Munktorp, a equipe encontrou outro monte funerário, servindo como um monumento para a aldeia local. O que o diferenciava era seu conteúdo: duas espadas foram cravadas na sepultura. Na Era Viking, a espada era mais do que uma arma; era o símbolo máximo do status de um homem livre, um objeto de prestígio, muitas vezes passado de geração em geração. Encontrar duas espadas em um único túmulo é um indicador de riqueza e posição social excepcionais. Larsson especula sobre a identidade dos enterrados: Provavelmente se trata de um grupo armado especial na sociedade que foi enterrado aqui. Ele acrescenta que os enterrados poderiam ter feito parte de uma dinastia, e as espadas destinavam-se a "significar sua conexão" com essa linhagem de guerreiros. No entanto, a descoberta mais notável sobre o status viking veio de uma série de outros cemitérios, abrangendo um longo período, do século VIII ao ano 1200. Em quase 30 sepulturas datadas do século XI, os arqueólogos encontraram um padrão fascinante: cavalos cremados ao lado de seus proprietários. Este ritual não se limitava a um gênero ou classe. As sepulturas incluíam homens e mulheres, e os indivíduos variavam "dos comuns às elites sociais". Isso sugere que a conexão com o cavalo era uma parte fundamental da identidade local. Mas estes não eram cavalos de fazenda comuns. Várias sepulturas continham equipamentos de cavalo extravagantes. A equipe descobriu "acessórios pendentes com muitas formas diferentes e muitos sinos". A análise de Larsson sobre esses achados pinta um quadro sensorial vívido. O equipamento não era apenas funcional; era uma declaração de moda e status, talvez o que ele chama de "uma espécie de traje local". O objetivo era claro: Para que os cavalos e cavaleiros pudessem ser vistos e ouvidos. Imagine uma figura da elite viking cavalgando por esta paisagem. O som dos sinos anunciaria sua chegada muito antes que fossem vistos. O cavalo, em si um símbolo de riqueza (caro para manter e essencial para viagens rápidas), era adornado de uma forma que refletia diretamente o status do cavaleiro. O cavalo e o cavaleiro eram uma unidade de exibição social. Alguns túmulos também continham armas, cães e aves de rapina para caça, completando a imagem de um estilo de vida aristocrático. O enterro com um cavalo, especialmente um tão ricamente adornado, garantia que o falecido viajasse para o além-túmulo com o mesmo status e esplendor que desfrutou em vida, uma crença que ecoa a própria mitologia nórdica, onde o deus Odin cavalgava seu cavalo de oito patas, Sleipnir. O cotidiano do agricultor viking: pão, ferro e ritual Embora os espetáculos funerários e os guerreiros com seus cavalos capturem a imaginação, a sociedade viking era construída sobre uma base muito mais humilde: a fazenda. As escavações em Västmanland forneceram evidências cruciais do "outro" lado da vida viking — o cotidiano dos agricultores (bóndi) que sustentavam essas comunidades. Entre os nove locais, a equipe escavou evidências da vida diária, incluindo artefatos que mostram que os residentes estavam assando pão e forjando ferro. Esses dois elementos são os pilares da autossuficiência viking. Assar pão implica o cultivo de grãos (como cevada e centeio), o moinho manual (a quern) para fazer farinha e a construção de fornos de barro. Representa a vida agrícola estabelecida, a casa e a nutrição da família. Forjar ferro, por sua vez, representa a indústria. O ferreiro local era uma das figuras mais vitais da comunidade. Ele produzia tudo, desde o prego para construir um barco até a foice para colher o grão, e, claro, as espadas e pontas de lança para os guerreiros. Ter evidências de trabalho em ferro mostra uma comunidade complexa e autossuficiente. O que torna essa descoberta particularmente profunda é onde essas evidências da vida diária foram encontradas. A escavação revelou uma fazenda pré-histórica situada ao lado da escultura de petróglifos da região. Petróglifos são esculturas rupestres, muitas vezes datando de períodos muito anteriores à Era Viking, como a Idade do Bronze. Isso significa que os agricultores viking não apenas se estabeleceram em uma terra fértil; eles escolheram viver e trabalhar conscientemente em meio a locais que já eram antigos e ritualisticamente significativos para eles. Como o artigo da Popular Mechanics observa, isso estava "fundindo a vida cotidiana com o significado ritual". Para o agricultor viking, não havia separação clara entre o mundano e o sagrado. A fazenda estava em uma paisagem viva, cheia de história e poder dos ancestrais. Plantar, colher, forjar e assar pão não eram apenas tarefas de sobrevivência; eram atividades realizadas em um espaço sagrado, conectando o presente ao passado mítico. Conclusão A construção da autoestrada E18 poderia facilmente ter selado para sempre esses segredos sob o asfalto. Em vez disso, tornou-se a chave improvável para um dos retratos mais completos da sociedade da Era Viking encontrados na Suécia moderna. As nove localidades em Västmanland, juntas, contam uma história completa. Vemos o chefe no topo do monte remodelado, seu funeral um espetáculo de fogo e poder (Rallsta). Vemos os guerreiros de elite, enterrados com suas espadas dinásticas (Munktorp). Vemos a cavalaria local, homens e mulheres tilintando com sinos, exibindo seu status (os 30 túmulos de cavalos). E, crucialmente, vemos os agricultores assando pão e forjando ferro, vivendo suas vidas diárias sob a sombra dos antigos petróglifos. Como concluiu Frederik Larsson, "através de uma nova estrada, o conhecimento da história mais antiga de Västmanland se ampliou e se aprofundou". As descobertas, agora compiladas em um livro financiado pela Administração de Transportes da Suécia, provam que a Era Viking não era monolítica, mas uma tapeçaria complexa de rituais, poder, guerra e agricultura, tudo acontecendo na mesma paisagem vibrante. Este artigo foi parcialmente criado por Inteligência Artificial (IA). Para mais notícias sobre achados arqueológicos e história, continue acompanhando a Livros Vikings. Somos um portal dedicado a trazer informações históricas e curiosidades sobre a Era Viking. Se você gostou deste artigo, compartilhe-o em suas redes sociais! Referências NEWCOMB, Tim. Workers Were Building a Road—and Uncovered an Entire Viking Village. Popular Mechanics . Nova Iorque, 12 de nov. de 2025. Disponível em: https://www.popularmechanics.com/science/archaeology/a69289838/viking-village/ . Acesso em: 13 de nov. de 2025. Seja uma das primeiras pessoas a receber as novidades do Mundo Viking, assinando a nossa Newsletter ou adicionando-nos em seu   WhatsApp ... #Viking   #EraViking   #IdadeMédia   #Arqueologia   #LivrosVikings

  • Vegvísir: a Bússola Viking — só que não

    O Vegvísir fascina como a “bússola viking”, mas sua origem real revela mistérios bem distantes dos mitos dos antigos vikings Um ilustração moderna do Vegvísir. — Crédito da Imagem: robinatz/123RF Se você gosta de imagens e símbolos vikings, sem dúvida já viu o vegvísir por aí. Ele é associado aos vikings e comumente utilizado como um “amuleto”, que serviria para impedir que as pessoas se perdessem. Mas, ele é realmente da Era Viking? Literalmente, a palavra significa vegr (caminho) + vísir (brotar) ou “aquilo que faz brotar um caminho”, no entanto, vísir também era uma alta patente militar, destinada ao chefe de uma determinada especialidade, no caso, o chefe militar responsável por indicar o caminho, tal qual explica o nosso parceiro Duggan Hamasmidr em seu vídeo “ O vegvísir é mesmo a bússula viking? ”, confira: Como símbolo, todavia, destina-se a evitar que o seu detentor se perca, sendo errônea e popularmente conhecido como “A Bússola Viking” ou “A Bússola Nórdica”. O vegvísir muitas vezes é visto em tatuagens, joias, ilustrações e até mesmo em games inspirados nos vikings. O que é estranho, pois na verdade, não é um símbolo viking. Publique seu livro pela Livros Vikings Editora . Índice A bússola nórdica? Uma bússola rúnica? Os vikings usavam o vegvísir? Referência . A bússola nórdica? O vegvísir é apresentado ao lado de vários outros galdrastafir (sigilos mágicos) no Manuscrito Huld, que foi escrito na Islândia por Geir Vigfusson em 1860. O texto em torno dele diz: "Beri maður stafi þessa á sér villist maður ekki í hríðum né vondu veðri þó ókunnugur sá (Leve este símbolo contigo e não te perderás nas tempestades ou no mau tempo, mesmo que em lugares desconhecidos)". Esta foi a primeira vez que o símbolo vegvísir foi visto. Embora 1860 pareça muito tempo atrás, está muito longe da Era Viking, que durou aproximadamente de 793 d.C. a 1066. Ouça o episódio do Viking Cast sobre Xamanismo Nórdico para aprender sobre magia e sigilos mágicos: Uma bússola rúnica? Além da conexão óbvia, mas tênue de “antigo e islandês”, como o vegvísir se tornou tão associado aos vikings? O estudioso Jackson Crawford em seu vídeo “Vegvísir (wrongly called ‘Viking Compass’)” sugeriu que o símbolo pudesse desempenhar um grande papel: Sigilos como ægishjálmur e vegvísir têm uma certa semelhança visual com os caracteres rúnicos, especialmente porque usam muitas linhas retas. Algumas dessas linhas em conjunto se assemelham às runas. Você pode organizar o sigilo de ægishjálmur de tal forma que tenha 24 pontos, o equivalente aos 24 caracteres do futhark mais antigo, entretanto, não são runas, pois não representam caracteres ou palavras. E, possivelmente, não são mais antigos do que os próprios manuscritos. Entenda assistindo ao vídeo original — em inglês: Assista ao vídeo de nosso parceiro NEVE, a propósito do tema: A Europa do Século XIX era caracterizada pelo romantismo nacionalista, trazendo consigo o “renascimento viking”, tendo seu interesse renovado na história e na mitologia, especialmente nos países nórdicos, na Alemanha, no Reino Unido e nos Estados Unidos. A exemplo, Richard Wagner (1813-1883) compôs sua ópera Der Ring des Nibelungen (O Anel dos Nibelungos), baseada na Saga dos Volsungos. Portanto é possível que o vegvísir também tenha sido uma expressão do romantismo nacionalista, ou pelo menos, tenha recebido mais atenção por causa disso. Ouça o Viking Cast sobre "Espiritualidade Nórdica e Runologia" com Allan Marante para entender mais sobre o assunto: Os vikings usavam o vegvísir? Mesmo o símbolo não pertencendo à Era Viking, teriam os nórdicos de outrora usado um verdadeiro “vegvísir” para encontrar o caminho através dos mares? Com base no conhecimento e nos equipamentos que eles tinham na época, é possível que eles usassem uma bússola solar, tal qual nos explicou o Prof. Dr. Johnni Langer da Universidade Federal da Paraíba/UFPB, um dos principais estudiosos brasileiros da Era Viking: Desde o conhecimento das rotas e migrações de pássaros, movimentos e direções das ondas, profundidade dos mares, condições climáticas e, a mais importante, na navegação diurna — o movimento do Sol, vide a pedra e a bússola solares. Quando o dia estava nublado ou em condições precárias, esperava-se até o temo estabilizar. Mas, lembrando que em várias pesquisas náuticas reconstituindo os métodos de navegação dos 'Vikings', foi possível utilizar a posição do Sol com reconstituições da pedra solar, mesmo em dias parcialmente nublados, ela é polarizadora de luz. Também lembrando que existia a navegação noturna — o rumo pela posição da estrela Polaris, a principal no hemisfério Norte (confirmada pela sua citação no poema rúnico anglo-saxão, Séc. IX d.C.) e pela constelação de Órion (confirmada pelo manuscrito GKS 1812 4to, Século XII, que associa o cinturão de Órion com seu nome nativo — portanto pré-cristão — de Fiskikarlar, os pescadores. Leia também: Bússola solar nórdica é reconstituída no brasil e está em exibição na Vila Viking Brasil Em última análise, assim como os capacetes com chifres ou a série Vikings, o vegvísir é esteticamente agradável, mas não tem nada a ver com os vikings reais. Dito isto, é muito comum ver a palavra vegvísir sendo usada no cotidiano — particularmente em países de língua alemã (wegweiser significa “placa de sinalização”, por exemplo). Para mais notícias sobre achados arqueológicos e história, continue acompanhando a Livros Vikings. Somos um site dedicado a trazer informações históricas e curiosidades sobre a Era Viking. Se você gostou deste artigo, compartilhe-o em suas redes sociais! Referência SCOTT, Jess. Vegvísir: The Truth of the ‘Viking Compass’ . Life in Norway. Oslo, 26 de jun. de 2022. Disponível em: < https://www.lifeinnorway.net/vegvisir-viking-compass/ >. Acesso em: 20 de jul. de 2022. Seja uma das primeiras pessoas a receber as novidades do Mundo Viking, assinando a nossa Newsletter ou adicionando-nos em seu WhatsApp ...   #Viking   #EraViking   #IdadeMédia   # MitologiaNórdica   #LivrosVikings

  • O legado viking desenterrado: de tesouros na Alemanha às sagas vivas na Escócia

    Uma jornada pela herança viking, explorando um tesouro do século X e as ruínas de jarls vikings nas Ilhas Orkney Papagaios-do-mar nas Orkneys. — Crédito da Imagem: Getty Images Índice Um Tesouro Viking na Alemanha: prata, comércio e fé ; Decifrando a economia viking: o sistema de prata por peso ; O Palácio Costeiro Viking do Jarl Thorfinn, o Poderoso ; A fauna das Orkney e a herança da língua falada pelos vikings ;  O “graffiti” viking: marcas pessoais em monumentos milenares ; A transformação da fé viking: da cruz na Alemanha ao Santo Mártir ; A descoberta moderna: colaboração e cidadania ; Referências . A Era Viking pode parecer distante, confinada a sagas antigas e relatos de monges aterrorizados. No entanto, o legado dos nórdicos está longe de estar perdido. Ele persiste de formas notáveis, tanto sob a terra quanto à vista de todos.  Recentemente, duas descobertas em locais distintos da Europa — um tesouro enterrado nas margens de um rio alemão e as ruínas varridas pelo vento de um palácio nas Ilhas Orkney, na Escócia — oferecem um vislumbre fascinante da complexidade da vida viking.  De um lado, temos a evidência tangível do comércio global e da mudança de crenças, encapsulada em fragmentos de prata. Do outro, a herança viva na paisagem, na língua e até mesmo no DNA daqueles que hoje caminham por essas terras.  Esta é uma exploração de como o passado viking continua a ser desenterrado e redescoberto, revelando a profundidade de seu impacto no mundo moderno.  Um detector de metais encontra um tesouro viking. — Crédito da Imagem: Earth.com Um Tesouro Viking na Alemanha: prata, comércio e fé  Nas margens do Rio Schlei, no norte da Alemanha, arqueólogos anunciaram recentemente a descoberta de um tesouro viking datado do século X. A localização é estratégica, próxima de Haithabu (Hedeby), um dos mais importantes centros portuários e comerciais da Era Viking.  O achado, coordenado pelo Gabinete Arqueológico do Estado de Schleswig-Holstein, conecta a história local às vastas redes de comércio e às transformações culturais que definiram aquele período. O tesouro é composto principalmente por hacksilber, ou "prata picada".  Este termo refere-se a fragmentos de joias, lingotes e moedas que eram cortados e usados como numerário por peso, um sistema monetário no qual o valor do metal era determinado pela sua massa, e não pelo seu valor nominal como moeda.  Entre os fragmentos, destacam-se pedaços de dirhams árabes, moedas de prata cunhadas sob governantes islâmicos, testemunhas silenciosas das rotas comerciais que ligavam a Escandinávia ao Oriente Médio.  Mais intrigante, no entanto, é um pequeno pingente de filigrana em forma de cruz. Este artefato é uma pista crucial sobre as mudanças de crenças na região, um marcador da lenta, mas constante, cristianização que ocorria entre os grupos nórdicos.  Decifrando a economia viking: o sistema de prata por peso  A descoberta na Alemanha reforça o que os especialistas já sabiam sobre a economia viking: ela era flexível, sofisticada e baseada no peso.  A presença de hacksilber é a assinatura desse sistema. Comerciantes vikings não se importavam com a origem da moeda — fosse ela de um califado islâmico ou de um reino anglo-saxão — desde que fosse prata pura.  Fragmentos de anéis, braceletes e moedas eram picados para atingir o peso exato necessário para uma transação. Os comerciantes carregavam pequenas balanças e pesos para liquidar compras rapidamente.  Muitos tesouros vikings encontrados anteriormente incluem esse equipamento, sinalizando um sistema de confiança baseado no metal medido, e não em marcas de cunhagem. Os dirhams árabes, como os encontrados perto de Haithabu, chegavam à Escandinávia através de rotas fluviais e terrestres que conectavam o Báltico aos centros de cunhagem islâmicos.  O Rio Schlei, onde o tesouro foi achado, era um funil vital que levava ao Báltico e conectava Haithabu a viajantes e comerciantes de todo o mundo conhecido. Este tesouro, portanto, não é apenas riqueza escondida; é um instantâneo da economia globalizada da Era Viking.  O Brough of Birsay. — Crédito da Imagem: Getty Images O Palácio Costeiro Viking do Jarl Thorfinn, o Poderoso  Se o tesouro alemão representa a riqueza enterrada dos comerciantes vikings, as ruínas nas Ilhas Orkney, na Escócia, representam o poder estabelecido dos grandes jarls (jarl ou jarlar no plural em nórdico antigo ou Conde em português) vikings.  A milhares de quilômetros de Haithabu, no Brough of Birsay — uma pequena ilha acessível apenas na maré baixa — encontram-se as fundações do que foi a residência de Thorfinn, o Poderoso ( Þorfinnr inn riki ) , no século XI.  Thorfinn não era um comerciante qualquer; ele foi um governante que controlou não apenas as Ilhas Orkney, mas também nove condados na Escócia continental e vastas partes da Irlanda.  O que resta hoje são as fundações de pedra de sua "casa de praia", um local com vistas espetaculares, praias de areia branca e até mesmo os restos de uma engenhosa sauna aquecida com seixos da praia.  Este local não é apenas uma relíquia arqueológica; é um ponto de conexão pessoal para muitos. As Orkney, varridas pelo vento, foram um centro nevrálgico da diáspora nórdica.  Testes de DNA modernos frequentemente revelam marcadores da Escandinávia misturados com os da Escócia, confirmando o que as sagas contam: estas ilhas eram fundamentalmente vikings.  Estar nas ruínas da casa de Thorfinn é sentir uma conexão direta com indivíduos de nomes fantásticos como Eric Bloodaxe (Eiríkr blóðøx ou Érique Machado Sangrento) ou Thorfinn Skull-splitter ( Þorfinnr hausakljúfr ou Thorfinn Racha-Crânios).  A fauna das Orkney e a herança da língua falada pelos vikings  O legado viking nas Orkney não está apenas nas pedras, mas também no ar e na própria língua. A influência nórdica é tão profunda que sobrevive nos nomes dos locais e da vida selvagem.  Ao visitar as falésias de locais como Birsay ou Yesnaby, o visitante encontra um espetáculo de aves marinhas. Milhares de papagaios-do-mar, araus e gaivotas-tridáctilas nidificam ali. No entanto, os nomes locais usados pelos habitantes das Orkney para essas aves são, em muitos casos, derivados diretos do nórdico antigo: O papagaio-do-mar (puffin) é carinhosamente chamado de "tammy norrie"; O moleiro-grande (great skua), uma ave de rapina intimidadora, é conhecido como "bonxie"; O ostraconteiro (oystercatcher) é chamado de "skeldro". Até o nome da falésia, Yesnaby, é de origem nórdica. Enquanto os ancestrais vikings desses habitantes modernos provavelmente viam essas aves como fonte de alimento, hoje elas são protegidas.  A sobrevivência desses nomes nórdicos no dialeto local é um testemunho poderoso de como a cultura viking não foi apagada, mas sim absorvida, tornando-se parte intrínseca da identidade das ilhas.  O Anel neolítico de Brodgar. — Crédito da Imagem: Getty Images O “graffiti” viking: marcas pessoais em monumentos milenares  Embora a história viking nas Orkney seja antiga, ela não é, de longe, a mais antiga. Quando os nórdicos chegaram, encontraram estruturas megalíticas que já estavam lá há milênios.  O fabuloso Anel de Brodgar, um círculo de pedras da Idade da Pedra, impressionou tanto os recém-chegados que eles o adotaram como um local sagrado, esculpindo suas próprias runas vikings em algumas das pedras.  Mas a evidência mais emocionante dessa interação está dentro de Maeshowe, um monte funerário neolítico com mais de 5.000 anos. Em algum momento do século XII, grupos de vikings arrombaram o monte.  Talvez procurando tesouros, ou talvez apenas abrigo de uma tempestade, eles fizeram o que os humanos fazem há milênios: deixaram “graffiti”. Maeshowe contém a maior coleção de inscrições rúnicas vikings do mundo. Longe de serem textos sagrados, são, em sua maioria, provocações e ostentações: "Ingigerth é a mais bela de todas as mulheres." "Haermund Hardaxe (Machado-Duro) esculpiu estas runas." É o equivalente viking do século XII de "Haermund esteve aqui". Esses graffiti oferecem uma ligação direta e humana com o passado viking, muito mais pessoal do que um tesouro enterrado ou as fundações de um palácio.  A transformação da fé viking: da cruz na Alemanha ao Santo Mártir  Os dois locais, Alemanha e Orkney, também contam uma história paralela sobre a maior transformação cultural da Era Viking: a conversão ao cristianismo. No tesouro alemão do século X, encontramos um pequeno pingente de cruz de filigrana, misturado com prata árabe e fragmentos de lingotes.  É um símbolo ambíguo. Pode ter sido usado por um cristão recém-convertido, ou talvez por um pagão que via o símbolo cristão como mais um amuleto de poder, usado ao lado de um martelo de Thor.  Sua presença em Haithabu, um centro cosmopolita, mostra a fé em transição. Avançando um século e olhando para as Orkney, vemos o resultado dessa transformação. O personagem viking mais célebre das ilhas não é um guerreiro, mas um santo: Magnus, o Mártir. Magnus Erlendsson foi Jarl de Orkney (neto de Thorfinn, o Poderoso) e foi assassinado por seu primo por volta de 1117, tornando-se um mártir.  Seu sobrinho, Rognvald, iniciou a construção da magnífica Catedral de St. Magnus em Kirkwall, em 1137, para abrigar os ossos do santo. Esta imponente catedral de arenito vermelho, ainda hoje central na vida das ilhas, é um monumento viking.  O legado de Magnus é tão forte que uma rota de peregrinação moderna, o "St. Magnus Way", agora atravessa a ilha, celebrando o santo viking das Orkney. A pequena cruz na Alemanha era o prenúncio; a grande catedral na Escócia é a prova consolidada da mudança.  A descoberta moderna: colaboração e cidadania  A forma como o tesouro alemão foi descoberto também lança luz sobre a arqueologia moderna. O achado foi resultado de uma cooperação entre arqueólogos profissionais e detectores de metais voluntários treinados e certificados.  A Alemanha, especificamente a região de Schleswig-Holstein, nutre essa abordagem através do "Modelo Schleswig", um programa que treina entusiastas no uso de detectores, na recuperação cuidadosa de artefatos e na documentação precisa. Esse modelo mostra como a energia dos cidadãos e a supervisão profissional podem proteger o patrimônio.  Esta colaboração é vital porque ajuda a responder à pergunta persistente: por que os tesouros vikings foram enterrados? Eram depósitos de segurança em tempos de conflito, escondidos por proprietários que nunca retornaram? Ou eram oferendas rituais, prendendo a riqueza no solo por razões que as fontes escritas não revelam?  Enquanto os arqueólogos estudam as marcas de corte, a composição do metal e o contexto do solo do tesouro alemão, eles buscam decifrar a intenção por trás dele. A Era Viking deixou um mosaico complexo de legados. Nas margens de um rio alemão, ela deixou sua economia global em fragmentos de prata e os primeiros indícios de uma nova fé em uma pequena cruz.  Nas ilhas escocesas, deixou o poder em fundações de pedra, a língua em nomes de pássaros e a vaidade humana em graffiti rúnico. Juntos, esses vislumbres — o tesouro enterrado de um comerciante viking e a herança viva de um conde viking — pintam um quadro rico de um período definido tanto pelo comércio quanto pela conquista, pela fé pagã e pela devoção cristã.  O passado viking não está morto; está simplesmente esperando no solo, nas pedras e no vento para ser redescoberto. Este artigo foi parcialmente criado por Inteligência Artificial (IA). Para mais notícias sobre achados arqueológicos e história, continue acompanhando a Livros Vikings. Somos um portal dedicado a trazer informações históricas e curiosidades sobre a Era Viking. Se você gostou deste artigo, compartilhe-o em suas redes sociais! Referências BRACE, Matt. Walk in Viking footsteps on Scotland's windswept northern isles. The Canberra Times . Canberra, 07 de nov. de 2025. Disponível em: https://www.canberratimes.com.au/story/9103756/a-viking-journey-through-orkneys-historical-legacy/ . Acesso em: 12 de nov. de 2025. JOSEPH, Jordan. Hiker with a metal detector finds a Viking treasure hoard. Earth.com . Reno, 07 de nov. de 2025. Disponível em: https://www.earth.com/news/hiker-with-a-metal-detector-finds-a-viking-treasure-hoard/ . Acesso em: 12 de nov. de 2025. Seja uma das primeiras pessoas a receber as novidades do Mundo Viking, assinando a nossa Newsletter ou adicionando-nos em seu   WhatsApp ... #Viking   #EraViking   #IdadeMédia   #Arqueologia   #LivrosVikings

  • O legado viking reimaginado: tesouros, sepulturas e mitos desfeitos

    Novas descobertas arqueológicas revelam uma Era Viking mais complexa, conectada e culturalmente diversa do que imaginávamos Um frasco de cristal de rocha da Era Viking. — Crédito da Imagem: NMS/Andy Jardine Índice A complexa transição da sociedade viking na Suécia ; O tesouro viking de Galloway e a rede global nórdica ; O mito da extinção picta e a nova história viking em Orkney ; Sepulturas atípicas e a diversidade ritualística viking ; Conclusão ; Referências . Quando pensamos na palavra "viking", a imagem que surge na mente popular é quase instantânea: um guerreiro robusto, de capacete (provavelmente com chifres, embora saibamos ser um mito) e machado em punho, saltando de um dracar para saquear mosteiros indefesos. Essa imagem, embora potente e duradoura, é terrivelmente incompleta. Ela reduz séculos de história, comércio, exploração e complexidade social a um único estereótipo: o do invasor bárbaro. Felizmente, a arqueologia moderna, auxiliada por novas tecnologias de datação e análise, está sistematicamente desconstruindo esse monólito. Cada nova escavação, cada tesouro redescoberto e cada sepultura analisada revela nuances que complicam, e enriquecem, nossa compreensão desse período. Faça como o professor Johnni Langer e publique seu livro pela Livros Vikings Editora . A Era Viking não foi um bloco estático de história, mas um período dinâmico de imensa transformação, tanto para os nórdicos quanto para aqueles com quem interagiram. Recentes descobertas em locais tão distintos quanto a Suécia, Escócia e as Ilhas Orkney, juntamente com a reanálise de práticas funerárias, estão pintando um retrato muito diferente. Estamos descobrindo uma Era Viking marcada por transições sociais profundas, redes de comércio incrivelmente globalizadas, processos de colonização mais complexos do que a simples conquista, e uma diversidade ritualística que desafia qualquer generalização fácil. Este artigo mergulha nessas descobertas de ponta para explorar o que elas realmente nos dizem sobre o multifacetado legado viking. Tesouros vikings desenterrados na Suécia revelam uma sociedade em transição. — Crédito da Imagem: Arkeologerna, SHM A complexa transição da “sociedade viking” na Suécia A Suécia, frequentemente vista como um dos berços da Era Viking, está fornecendo algumas das evidências mais claras de que essa “sociedade” estava longe de ser estática. Descobertas recentes de tesouros enterrados revelam uma população em meio a uma profunda transição econômica, social e possivelmente religiosa. Esses achados não são apenas pilhas de riqueza, mas sim cápsulas do tempo de um momento de mudança. Arqueólogos têm desenterrado coleções de moedas de prata, joias e artefatos metálicos que exibem uma mistura fascinante de influências. Foram encontradas moedas árabes (dirhams), indicando o comércio de longa distância em direção ao leste, ao lado de moedas e joias de estilo frâncico ou anglo-saxão. Mais importante, vemos os primeiros indícios de uma padronização econômica local. A presença de prata cortada e lingotes sugere uma economia que se afastava do simples escambo e se aproximava de um sistema baseado em peso e valor mais abstrato. Essa transição econômica reflete uma mudança social maior. O acúmulo e o enterro desses tesouros podem indicar instabilidade, mas também a ascensão de elites locais que controlavam o comércio e a produção. Neste sentido, vemos os primeiros passos em direção às estruturas de reino mais centralizadas que caracterizariam a Escandinávia medieval posterior. Os próprios artefatos também sugerem uma transição espiritual. A iconografia encontrada em algumas joias e pedras rúnicas dessa época começa a misturar símbolos pagãos tradicionais, como o Martelo de Thor (Mjölnir), com novos motivos que podem ser interpretados como influências cristãs. Leia também: Vikings cristãos: a fascinante dualidade religiosa dos destemidos navegadores Isso não significa uma conversão súbita, mas um período de sincretismo e adaptação. A sociedade da Era Viking sueca estava em fluxo, negociando seu lugar entre suas antigas tradições e as novas realidades econômicas e religiosas que vinham do exterior. Um frasco de cristal de rocha da Era Viking. — Crédito da Imagem: NMS/Andy Jardine O tesouro viking de Galloway e a rede global nórdica Se as descobertas suecas mostram uma sociedade viking em transição interna, o espetacular "Tesouro de Galloway", encontrado na Escócia, revela a impressionante escala externa das suas conexões. Descoberto em 2014 e agora em exibição após meticulosa conservação, este tesouro é considerado um dos mais ricos e diversificados já encontrados nas Ilhas Britânicas. Ele funciona como um "instantâneo" da riqueza e dos horizontes globais de um indivíduo de alto status da Era Viking. O que torna o Tesouro de Galloway tão extraordinário não é apenas a quantidade de ouro e prata, mas sua diversidade. Ele contém mais de 100 objetos, incluindo lingotes de prata, broches, braceletes de ouro e um pote de prata carolíngio, que por si só já era uma antiguidade valiosa quando foi enterrado. Dentro deste pote, os conservadores encontraram um conjunto de itens ainda mais delicados e exóticos. Leia também: Tesouro Viking de Galloway: nova tradução rúnica revela propriedade comunitária Estamos falando de contas de vidro, pedras preciosas, e — o mais raro de tudo — fragmentos de têxteis, incluindo sedas do Oriente Médio ou Bizâncio. Havia também um broche de prata anglo-saxão, itens de origem irlandesa e uma ave de ouro única. Este tesouro destrói a ideia do viking apenas como um saqueador. Embora parte da riqueza tenha sido, sem dúvida, obtida através da violência, a coleção como um todo fala de algo mais: comércio, coleta e apreciação por itens exóticos e de alta qualidade artesanal de todo o mundo conhecido. A seda bizantina não foi obtida em um ataque a um mosteiro escocês. O Tesouro de Galloway é a prova material da rede viking. Esses navegadores não estavam isolados; eles eram os conectores de sua época, unindo o mundo islâmico, o Império Bizantino, as Ilhas Britânicas e a Escandinávia em uma vasta teia de intercâmbio. O proprietário deste tesouro não era apenas um guerreiro; era um cosmopolita da Era Viking. O Rei Olav I da Noruega cristianizou as Ilhas Orkney. — Crédito da Imagem: Public domain / Wikimedia Commons O mito da extinção picta e a nova história viking em Orkney Uma das narrativas mais sombrias e persistentes da Era Viking é a de genocídio cultural. Em nenhum lugar isso é mais proeminente do que na história das Ilhas Orkney, ao norte da Escócia. A história tradicional, baseada em interpretações de sagas nórdicas, é que os vikings chegaram, viram, conquistaram e, no processo, exterminaram ou expulsaram completamente os habitantes locais, conhecidos como Pictos. A cultura picta, sua língua e suas tradições teriam desaparecido sob a bota nórdica. No entanto, novas datações por radiocarbono em sítios arqueológicos em Orkney estão desmantelando vigorosamente esse mito. Ao reexaminar ossos e artefatos de locais tradicionalmente pictos e de locais considerados "primeiras" fazendas vikings, os arqueólogos descobriram algo muito mais interessante do que um massacre. Os dados sugerem um período significativo de sobreposição e coexistência. As datações mostram que as estruturas sociais e os assentamentos pictos não desapareceram abruptamente com a chegada dos nórdicos por volta de 800 d.C. Em vez de uma substituição violenta e rápida, parece ter havido um período de interação, coabitação e mistura cultural que pode ter durado gerações. Isso muda tudo. Sugere que a transformação de Orkney em um poderoso condado nórdico não foi apenas um ato de conquista militar, mas um processo social complexo. É provável que tenha havido casamentos mistos, adoção de costumes e uma fusão gradual de identidades. Os Pictos não "desapareceram" no sentido de terem sido todos mortos ou expulsos; é mais provável que eles tenham se tornado parte da nova sociedade nórdica-gaélica que emergiu. Essa descoberta nos força a repensar o que significa "colonização" viking. Em vez de um modelo simples de invasão e substituição, devemos agora considerar um espectro de interações, incluindo integração e assimilação cultural. Um representação de um enterro durante a Era Viking com ritos cristãos. — Crédito da Imagem: WIX AI Sepulturas atípicas e a diversidade ritualística viking Finalmente, voltamos nosso olhar para o aspecto mais pessoal da vida viking: a morte e o enterro. Assim como tendemos a estereotipar suas vidas, também generalizamos seus rituais funerários. Pensamos imediatamente em funerais em navios em chamas (uma raridade, na verdade) ou em grandes túmulos cheios de armas para uma viagem a Valhalla. Embora enterros com armas e bens suntuosos fossem comuns para a elite, descobertas recentes de sepulturas "atípicas" mostram uma diversidade ritualística muito maior. Arqueólogos têm encontrado enterros que desafiam as normas. Por exemplo, sepulturas que parecem misturar ritos pagãos e cristãos, com o corpo orientado na tradição cristã (leste-oeste), mas ainda assim acompanhado por bens funerários pagãos, como amuletos ou pequenas armas. Isso reflete as sociedades em transição mencionadas na Suécia, onde a conversão não foi um evento de um dia, mas um processo lento de negociação espiritual. Outros enterros "estranhos" incluem indivíduos sepultados em locais inesperados, fora de cemitérios conhecidos, ou com bens que não correspondem ao seu gênero ou status aparente. Por exemplo, enterros em barcos (uma prática de alto status) encontrados em locais inusitados, ou sepulturas que contêm artefatos de culturas distantes, talvez refletindo a vida de um indivíduo que viajou muito, como o dono do Tesouro de Galloway. Essas sepulturas atípicas são cruciais porque nos lembram que a "sociedade viking" não era um bloco único e homogêneo. As práticas funerárias variavam enormemente com base na geografia (um viking na Suécia não era enterrado da mesma forma que um na Islândia ou na Escócia), na classe social, na época e, talvez, nas crenças pessoais. Cada sepultura atípica é um lembrete de que por trás do rótulo "viking" existiam indivíduos e comunidades distintas, cada um navegando seu mundo de maneiras únicas. Conclusão A figura do viking como um saqueador monolítico está, merecidamente, dando lugar a uma imagem muito mais rica e humana. As evidências arqueológicas recentes, desde os tesouros em transição na Suécia até as redes globais reveladas em Galloway, da coexistência em Orkney à diversidade ritual nas sepulturas, convergem para um único ponto: a complexidade. A Era Viking foi um período de dinamismo extraordinário, impulsionado por pessoas que eram, simultaneamente, comerciantes, exploradores, colonos, artesãos e, sim, às vezes guerreiros. Eles não apenas impactaram o mundo ao seu redor; eles foram profundamente impactados por ele, absorvendo influências, adaptando-se a novas realidades e misturando-se com outras culturas. O verdadeiro legado viking não está na imagem simplista do invasor, mas na sua capacidade de navegar—literal e metaforicamente—um mundo em constante mudança. Este artigo foi parcialmente criado por Inteligência Artificial (IA). Para mais notícias sobre achados arqueológicos e história, continue acompanhando a Livros Vikings. Somos um portal dedicado a trazer informações históricas e curiosidades sobre a Era Viking. Se você gostou deste artigo, compartilhe-o em suas redes sociais! Referências CARVAJAL, Guillermo. New datings in the Orkney Islands dismantle the myth of the Picts extermination by the Vikings. La Brújula Verde . Disponível em: https://www.labrujulaverde.com/en/2025/11/new-datings-in-the-orkney-islands-dismantle-the-myth-of-the-picts-extermination-by-the-vikings/ . Acesso em: 11 nov. 2025. GALLAGHER, Declan. Archaeologists find 'unusual' Viking burials and artifacts. Men's Journal . Disponível em: https://www.mensjournal.com/news/archaeologists-unusual-viking-burials-artifacts . Acesso em: 11 nov. 2025. PRIZED Viking Age treasure from Galloway Hoard on display for first time. Sky News . Disponível em: https://news.sky.com/story/prized-viking-age-treasure-from-galloway-hoard-on-display-for-first-time-13467923 . Acesso em: 11 nov. 2025. RADLEY, Dario. Viking treasures in Sweden reveal a society in transition. Archaeology Magazine . Disponível em: https://archaeologymag.com/2025/11/viking-treasures-in-sweden-reveal-a-society-in-transition/ . Acesso em: 11 nov. 2025. Seja uma das primeiras pessoas a receber as novidades do Mundo Viking, assinando a nossa Newsletter ou adicionando-nos em seu WhatsApp ...   #Viking   #EraViking   #IdadeMédia   #Arqueologia   #LivrosVikings

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