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Vegvísir: a Bússola Viking — só que não

Atualizado: 16 de jan. de 2023

Se você gosta de imagens e símbolos vikings, sem dúvida já viu o vegvísir por aí. Ele é associado aos vikings e comumente utilizado como um “amuleto”, que serviria para impedir que as pessoas se perdessem. Mas, é realmente da Era Viking?


Vegvísir: a Bússola Viking — só que não
Vegvísir. — Crédito da Imagem: robinatz/123RF

Literalmente, a palavra significa vegr (caminho) + vísir (brotar) ou “aquilo que faz brotar um caminho”, no entanto, vísir também era uma alta patente militar, destinada ao chefe de uma determinada especialidade, no caso, o chefe militar responsável por indicar o caminho, tal qual explica o nosso parceiro Duggan Hamasmidr em seu vídeo “O vegvísir é mesmo a bússula viking?”, confira:



Como símbolo, todavia, destina-se a evitar que o seu detentor se perca, sendo errônea e popularmente conhecido como “A Bússola Viking” ou “A Bússola Nórdica”. O vegvísir muitas vezes é visto em tatuagens, joias, ilustrações e até mesmo em games inspirados nos vikings. O que é estranho, pois na verdade, não é um símbolo viking.


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Índice


A bússola nórdica?

O vegvísir é apresentado ao lado de vários outros galdrastafir (sigilos mágicos) no Manuscrito Huld, que foi escrito na Islândia por Geir Vigfusson em 1860. O texto em torno dele diz:


"Beri maður stafi þessa á sér villist maður ekki í hríðum né vondu veðri þó ókunnugur sá (Leve este símbolo contigo e não te perderás nas tempestades ou no mau tempo, mesmo que em lugares desconhecidos)".

Esta foi a primeira vez que o símbolo vegvísir foi visto. Embora 1860 pareça muito tempo atrás, está muito longe da Era Viking, que durou aproximadamente de 793 d.C. a 1066.


Ouça o episódio do Viking Cast sobre Xamanismo Nórdico para aprender sobre magia e sigilos mágicos:


Uma bússola rúnica?

Além da conexão óbvia, mas tênue de “antigo e islandês”, como o vegvísir se tornou tão associado aos vikings?


O estudioso Jackson Crawford em seu vídeo “Vegvísir (wrongly called ‘Viking Compass’)” sugeriu que o símbolo pudesse desempenhar um grande papel:


Sigilos como ægishjálmur e vegvísir têm uma certa semelhança visual com os caracteres rúnicos, especialmente porque usam muitas linhas retas. Algumas dessas linhas em conjunto se assemelham às runas. Você pode organizar o sigilo de ægishjálmur de tal forma que tenha 24 pontos, o equivalente aos 24 caracteres do futhark mais antigo, entretanto, não são runas, pois não representam caracteres ou palavras. E, possivelmente, não são mais antigos do que os próprios manuscritos.

Entenda assistindo ao vídeo original — em inglês:



Assista ao vídeo de nosso parceiro NEVE, a propósito do tema:



A Europa do Século XIX era caracterizada pelo romantismo nacionalista, trazendo consigo o “renascimento viking”, tendo seu interesse renovado na história e na mitologia, especialmente nos países nórdicos, na Alemanha, no Reino Unido e nos Estados Unidos.


A exemplo, Richard Wagner (1813-1883) compôs sua ópera Der Ring des Nibelungen (O Anel dos Nibelungos), baseada na Saga dos Volsungos. Portanto, é possível que o vegvísir também tenha sido uma expressão do romantismo nacionalista, ou pelo menos, tenha recebido mais atenção por causa disso.

Ouça o Viking Cast sobre "Espiritualidade Nórdica e Runologia" com Allan Marante para entender mais sobre o assunto:


Os vikings usavam o vegvísir?

Mesmo o símbolo não pertencendo à Era Viking, teriam os nórdicos de outrora usado um verdadeiro “vegvísir” para encontrar o caminho através dos mares?


Com base no conhecimento e nos equipamentos que eles tinham na época, é possível que eles usassem uma bússola solar, tal qual nos explicou o Prof. Dr. Johnni Langer da Universidade Federal da Paraíba/UFPB, um dos principais estudiosos brasileiros da Era Viking:


Desde o conhecimento das rotas e migrações de pássaros, movimentos e direções das ondas, profundidade dos mares, condições climáticas e, a mais importante, na navegação diurna — o movimento do Sol, vide a pedra e a bússola solares. Quando o dia estava nublado ou em condições precárias, esperava-se até o temo estabilizar. Mas, lembrando que em várias pesquisas náuticas reconstituindo os métodos de navegação dos 'Vikings', foi possível utilizar a posição do Sol com reconstituições da pedra solar, mesmo em dias parcialmente nublados, ela é polarizadora de luz. Também lembrando que existia a navegação noturna — o rumo pela posição da estrela Polaris, a principal no hemisfério Norte (confirmada pela sua citação no poema rúnico anglo-saxão, Séc. IX d.C.) e pela constelação de Órion (confirmada pelo manuscrito GKS 1812 4to, Século XII, que associa o cinturão de Órion com seu nome nativo — portanto pré-cristão — de Fiskikarlar, os pescadores.


Conclusão

Em última análise, assim como os capacetes com chifres ou a série Vikings, o vegvísir é esteticamente agradável, mas não tem nada a ver com os vikings reais.


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Dito isto, é muito comum ver a palavra vegvísir sendo usada no cotidiano — particularmente em países de língua alemã (wegweiser significa “placa de sinalização”, por exemplo).


FONTE: Life in Norway

SCOTT, Jess. Vegvísir: The Truth of the ‘Viking Compass’. Life in Norway. Oslo, 26 de jun. de 2022. Disponível em: <https://www.lifeinnorway.net/vegvisir-viking-compass/>. Acesso em: 20 de jul. de 2022. (Livremente traduzido e adaptado pela Livros Vikings)


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