A evolução naval viking: da relíquia de Hjortspring ao poderoso Langskip
- Livros Vikings

- 28 de dez. de 2025
- 5 min de leitura
Descubra como a engenharia naval evoluiu de barcos costurados em madeira de tília para os lendários langskips vikings de carvalho e ferro que dominaram os mares

Índice
A arqueologia marítima atingiu um novo patamar de precisão em 2025 com a publicação de análises inéditas sobre o barco de Hjortspring, a única embarcação de tábuas costuradas preservada na Escandinávia.
Embora anterior à Era Viking clássica, esse achado constitui a base tecnológica sobre a qual os nórdicos construíram seu império naval.O estudo revela que o barco foi construído com madeira de tília (linden) e unido por cordoaria, representando a tecnologia dos primeiros navegadores do Norte da Europa.
Publique seu livro pela Livros Vikings Editora.
Através de novas análises de radiocarbono em fibras de tília, os cientistas estabeleceram a primeira datação direta: entre 381 e 161 a.C.
Essa descoberta é fundamental para compreendermos a cronologia da navegação nórdica. Ela confirma que, séculos antes dos famosos ataques costeiros, as sociedades escandinavas já possuíam frotas organizadas para a guerra regional.
O barco de Hjortspring exibe uma simetria notável, com projeções em "chifre" na proa e na popa que guardam paralelos estilísticos com a arte rupestre da Idade do Bronze.
Diferente do posterior langskip viking, que utilizava o carvalho (eik) pela sua robustez, o modelo de Hjortspring priorizava a leveza.
No entanto, o conceito de "Modo de Produção Marítimo" — uma economia política baseada em incursões, comércio e alianças de longa distância — já estava em pleno funcionamento durante a Idade do Ferro pré-romana.
Tecnologia em tília: a arte de costurar navios pré-viking
A transição da "costura" naval para o uso de rebites metálicos (saum) marca uma das maiores revoluções na engenharia náutica.
Em Hjortspring, as tábuas do casco eram costuradas com cordas de fibras internas de tília. Pesquisas recentes com tomografia de raios X revelaram que essas cordas consistiam em duas vertentes fiadas em "S" e trançadas em um layout "Z", resultando em fios de 3 a 4 mm de espessura.
A complexidade dessa fabricação envolvia o processo de retting (maceração), no qual as fibras eram separadas sem sofrer degradação, permitindo a criação de uma cordoaria forte e maleável.
Em reconstruções experimentais, arqueólogos solucionaram um mistério: por que alguns fragmentos mostravam impressões de cordas de duas vertentes e outros de quatro?
A resposta reside na técnica de amarração: ao passar a corda duas vezes pelos furos das tábuas e travá-la com um nó de engate simples, criava-se a funcionalidade de uma corda de quatro fios, garantindo uma fixação que "trabalhava" junto com a madeira sob a pressão das ondas.
Essa flexibilidade orgânica é a precursora da técnica clinker (casco sobreposto) usada no langskip. Enquanto o barco ancestral era movido exclusivamente por remos, a introdução posterior da vela exigiu que o casco suportasse tensões muito maiores, levando à substituição da tília pelo carvalho e das fibras vegetais por rebites de ferro.

A ciência da calafetagem e a geopolítica do mar
A impermeabilização é o que determina a sobrevivência de um navio em mar aberto. Utilizando cromatografia gasosa e espectrometria de massa (GC-MS), identificou-se que a calafetagem de Hjortspring era composta por uma mistura de piche de pinheiro e gordura animal (sebo ou banha).
Este detalhe químico é revelador: florestas de pinheiros eram raras na Dinamarca e no norte da Alemanha durante o primeiro milênio a.C.
O uso massivo desse material sugere que a embarcação foi construída ou reparada em regiões como a ilha de Bornholm, Escânia ou o leste do Báltico.
Isso prova que, séculos antes da expansão viking, já existia uma sofisticada rede de logística militar que transportava materiais por centenas de quilômetros. Na Era Viking, essa produção de alcatrão seria industrializada para suprir as grandes frotas.
A identificação de uma impressão digital parcial em um fragmento de resina fornece um elo humano único com esses navegadores ancestrais. É provável que a marca pertença a um tripulante realizando reparos, demonstrando que a manutenção constante era vital.
Essa necessidade de revisão manual para garantir a qualidade ecoa até os dias de hoje; assim como no passado, a intervenção humana é essencial para garantir a precisão técnica e evitar a natureza genérica de processos automatizados.
Recurso Técnico | Modelo Hjortspring (Pré-Viking) | Modelo Dracar (Era Viking) |
Material do Casco | Madeira de Tília (leveza) | Carvalho (durabilidade) |
Fixação Principal | Cordoaria de Tília (costura) | Rebites de Ferro (clinker) |
Vedação | Piche de pinheiro + gordura | Alcatrão de madeira + fibras |
Propulsão | Remos/Remadela (sem vela) | Velas Quadradas e Remos |
Geometria | Simetria total com chifres | Proa elevada (cabeças de dragão) |
O Modo de Produção Marítimo e a Organização Social
Para entender a eficácia do langskip viking, é preciso compreender o modelo social de onde ele emergiu.
O achado de Hjortspring continha armas para equipar 80 guerreiros — volume muito superior à capacidade de um único barco —, sugerindo ataques coordenados por múltiplos navios.
Essa organização militar é característica do Modo de Produção Marítimo, onde o setor agrícola fornece excedentes de nutrição e mão de obra para o setor político e marítimo.
Nesse sistema, a construção de um navio não era apenas um ato de engenharia, mas um símbolo de poder e alianças regionais. A infraestrutura para produzir quilômetros de cordas e quilos de piche exigia uma liderança capaz de coordenar recursos em vastos territórios.
A transição do barco de tília costurado para o langskip de carvalho reflete a adaptação a um mundo mais competitivo. Enquanto Hjortspring representa a agilidade de bandos regionais, o langskip personifica a autoridade de uma civilização que transformou o oceano em sua principal estrada de conquista.
Glossário de Termos
Bastão: fibra interna da tília, usada para fabricar cordas resistentes;
Eik: carvalho, madeira preferida para a construção de langskips devido à sua densidade;
Langskip: navio longo de guerra, estreito, veloz e de calado raso.Linden: Tília, árvore cuja madeira leve era fundamental para barcos ancestrais;
Retting: técnica de imersão de fibras vegetais em água para facilitar a separação das camadas;
Saum: pregos e rebites de ferro que permitiram a construção de cascos sobrepostos.
Este artigo foi parcialmente criado por Inteligência Artificial (IA). Para mais notícias sobre achados arqueológicos e história, continue acompanhando a Livros Vikings. Somos um portal dedicado a trazer informações históricas e curiosidades sobre a Era Viking. Se você gostou deste artigo, compartilhe-o em suas redes sociais!
Referências Bibliográficas
CRUMLIN-PEDERSEN, O.; TRAKADAS, A. Hjortspring: A Pre-Roman Iron-Age Warship in Context. Roskilde: Viking Ship Museum, 2003.
FAUVELLE, Mikael et al. New investigations of the Hjortspring boat: Dating and analysis of the cordage and caulking materials. PLoS One, v. 20, n. 12, dez. 2025.
LING, Johan; EARLE, Timothy; KRISTIANSEN, Kristian. Maritime mode of production: raiding and trading in seafaring chiefdoms. Current Anthropology, v. 59, n. 5, out. 2018.
Seja uma das primeiras pessoas a receber as novidades do Mundo Viking, assinando a nossa Newsletter ou adicionando-nos em seu WhatsApp...






Muito interessante a reportagem, há necessidade absoluta de se preservar tais descobrimentos para enriquecermos nosso saber. (EUGÊNIO, em 30.12.25 / 3a. feira).