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O legado viking desenterrado: de tesouros na Alemanha às sagas vivas na Escócia

Uma jornada pela herança viking, explorando um tesouro do século X e as ruínas de jarls vikings nas Ilhas Orkney


Livros Vikings | O legado viking desenterrado: de tesouros na Alemanha às sagas vivas na Escócia
Papagaios-do-mar nas Orkneys. — Crédito da Imagem: Getty Images

Índice


A Era Viking pode parecer distante, confinada a sagas antigas e relatos de monges aterrorizados. No entanto, o legado dos nórdicos está longe de estar perdido. Ele persiste de formas notáveis, tanto sob a terra quanto à vista de todos. 


Recentemente, duas descobertas em locais distintos da Europa — um tesouro enterrado nas margens de um rio alemão e as ruínas varridas pelo vento de um palácio nas Ilhas Orkney, na Escócia — oferecem um vislumbre fascinante da complexidade da vida viking. 


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De um lado, temos a evidência tangível do comércio global e da mudança de crenças, encapsulada em fragmentos de prata. Do outro, a herança viva na paisagem, na língua e até mesmo no DNA daqueles que hoje caminham por essas terras. 


Esta é uma exploração de como o passado viking continua a ser desenterrado e redescoberto, revelando a profundidade de seu impacto no mundo moderno. 


Livros Vikings | Um detector de metais encontra um tesouro viking. — Crédito da Imagem: Earth.com
Um detector de metais encontra um tesouro viking. — Crédito da Imagem: Earth.com

Um Tesouro Viking na Alemanha: prata, comércio e fé 

Nas margens do Rio Schlei, no norte da Alemanha, arqueólogos anunciaram recentemente a descoberta de um tesouro viking datado do século X. A localização é estratégica, próxima de Haithabu (Hedeby), um dos mais importantes centros portuários e comerciais da Era Viking. 


O achado, coordenado pelo Gabinete Arqueológico do Estado de Schleswig-Holstein, conecta a história local às vastas redes de comércio e às transformações culturais que definiram aquele período. O tesouro é composto principalmente por hacksilber, ou "prata picada". 


Este termo refere-se a fragmentos de joias, lingotes e moedas que eram cortados e usados como numerário por peso, um sistema monetário no qual o valor do metal era determinado pela sua massa, e não pelo seu valor nominal como moeda. 


Entre os fragmentos, destacam-se pedaços de dirhams árabes, moedas de prata cunhadas sob governantes islâmicos, testemunhas silenciosas das rotas comerciais que ligavam a Escandinávia ao Oriente Médio. 


Mais intrigante, no entanto, é um pequeno pingente de filigrana em forma de cruz. Este artefato é uma pista crucial sobre as mudanças de crenças na região, um marcador da lenta, mas constante, cristianização que ocorria entre os grupos nórdicos. 


Decifrando a economia viking: o sistema de prata por peso 

A descoberta na Alemanha reforça o que os especialistas já sabiam sobre a economia viking: ela era flexível, sofisticada e baseada no peso. 


A presença de hacksilber é a assinatura desse sistema. Comerciantes vikings não se importavam com a origem da moeda — fosse ela de um califado islâmico ou de um reino anglo-saxão — desde que fosse prata pura. 


Fragmentos de anéis, braceletes e moedas eram picados para atingir o peso exato necessário para uma transação. Os comerciantes carregavam pequenas balanças e pesos para liquidar compras rapidamente. 


Muitos tesouros vikings encontrados anteriormente incluem esse equipamento, sinalizando um sistema de confiança baseado no metal medido, e não em marcas de cunhagem. Os dirhams árabes, como os encontrados perto de Haithabu, chegavam à Escandinávia através de rotas fluviais e terrestres que conectavam o Báltico aos centros de cunhagem islâmicos. 


O Rio Schlei, onde o tesouro foi achado, era um funil vital que levava ao Báltico e conectava Haithabu a viajantes e comerciantes de todo o mundo conhecido. Este tesouro, portanto, não é apenas riqueza escondida; é um instantâneo da economia globalizada da Era Viking. 


Livros Vikings | O Brough of Birsay. — Crédito da Imagem: Getty Images
O Brough of Birsay. — Crédito da Imagem: Getty Images

O Palácio Costeiro Viking do Jarl Thorfinn, o Poderoso 

Se o tesouro alemão representa a riqueza enterrada dos comerciantes vikings, as ruínas nas Ilhas Orkney, na Escócia, representam o poder estabelecido dos grandes jarls (jarl ou jarlar no plural em nórdico antigo ou Conde em português) vikings. 


A milhares de quilômetros de Haithabu, no Brough of Birsay — uma pequena ilha acessível apenas na maré baixa — encontram-se as fundações do que foi a residência de Thorfinn, o Poderoso (Þorfinnr inn riki), no século XI. 


Thorfinn não era um comerciante qualquer; ele foi um governante que controlou não apenas as Ilhas Orkney, mas também nove condados na Escócia continental e vastas partes da Irlanda. 


O que resta hoje são as fundações de pedra de sua "casa de praia", um local com vistas espetaculares, praias de areia branca e até mesmo os restos de uma engenhosa sauna aquecida com seixos da praia. 


Este local não é apenas uma relíquia arqueológica; é um ponto de conexão pessoal para muitos. As Orkney, varridas pelo vento, foram um centro nevrálgico da diáspora nórdica. 


Testes de DNA modernos frequentemente revelam marcadores da Escandinávia misturados com os da Escócia, confirmando o que as sagas contam: estas ilhas eram fundamentalmente vikings. 


Estar nas ruínas da casa de Thorfinn é sentir uma conexão direta com indivíduos de nomes fantásticos como Eric Bloodaxe (Eiríkr blóðøx ou Érique Machado Sangrento) ou Thorfinn Skull-splitter (Þorfinnr hausakljúfr ou Thorfinn Racha-Crânios). 


A fauna das Orkney e a herança da língua falada pelos vikings 

O legado viking nas Orkney não está apenas nas pedras, mas também no ar e na própria língua. A influência nórdica é tão profunda que sobrevive nos nomes dos locais e da vida selvagem. 


Ao visitar as falésias de locais como Birsay ou Yesnaby, o visitante encontra um espetáculo de aves marinhas. Milhares de papagaios-do-mar, araus e gaivotas-tridáctilas nidificam ali. No entanto, os nomes locais usados pelos habitantes das Orkney para essas aves são, em muitos casos, derivados diretos do nórdico antigo:


  • O papagaio-do-mar (puffin) é carinhosamente chamado de "tammy norrie";

  • O moleiro-grande (great skua), uma ave de rapina intimidadora, é conhecido como "bonxie";

  • O ostraconteiro (oystercatcher) é chamado de "skeldro".


Até o nome da falésia, Yesnaby, é de origem nórdica. Enquanto os ancestrais vikings desses habitantes modernos provavelmente viam essas aves como fonte de alimento, hoje elas são protegidas. 


A sobrevivência desses nomes nórdicos no dialeto local é um testemunho poderoso de como a cultura viking não foi apagada, mas sim absorvida, tornando-se parte intrínseca da identidade das ilhas. 


Livros Vikings | O Anel neolítico de Brodgar. — Crédito da Imagem: Getty Images
O Anel neolítico de Brodgar. — Crédito da Imagem: Getty Images

O “graffiti” viking: marcas pessoais em monumentos milenares 

Embora a história viking nas Orkney seja antiga, ela não é, de longe, a mais antiga. Quando os nórdicos chegaram, encontraram estruturas megalíticas que já estavam lá há milênios. 


O fabuloso Anel de Brodgar, um círculo de pedras da Idade da Pedra, impressionou tanto os recém-chegados que eles o adotaram como um local sagrado, esculpindo suas próprias runas vikings em algumas das pedras. 


Mas a evidência mais emocionante dessa interação está dentro de Maeshowe, um monte funerário neolítico com mais de 5.000 anos. Em algum momento do século XII, grupos de vikings arrombaram o monte. 


Talvez procurando tesouros, ou talvez apenas abrigo de uma tempestade, eles fizeram o que os humanos fazem há milênios: deixaram “graffiti”. Maeshowe contém a maior coleção de inscrições rúnicas vikings do mundo. Longe de serem textos sagrados, são, em sua maioria, provocações e ostentações:


  • "Ingigerth é a mais bela de todas as mulheres."

  • "Haermund Hardaxe (Machado-Duro) esculpiu estas runas."


É o equivalente viking do século XII de "Haermund esteve aqui". Esses graffiti oferecem uma ligação direta e humana com o passado viking, muito mais pessoal do que um tesouro enterrado ou as fundações de um palácio. 


A transformação da fé viking: da cruz na Alemanha ao Santo Mártir 

Os dois locais, Alemanha e Orkney, também contam uma história paralela sobre a maior transformação cultural da Era Viking: a conversão ao cristianismo. No tesouro alemão do século X, encontramos um pequeno pingente de cruz de filigrana, misturado com prata árabe e fragmentos de lingotes. 


É um símbolo ambíguo. Pode ter sido usado por um cristão recém-convertido, ou talvez por um pagão que via o símbolo cristão como mais um amuleto de poder, usado ao lado de um martelo de Thor. 


Sua presença em Haithabu, um centro cosmopolita, mostra a fé em transição. Avançando um século e olhando para as Orkney, vemos o resultado dessa transformação. O personagem viking mais célebre das ilhas não é um guerreiro, mas um santo: Magnus, o Mártir. Magnus Erlendsson foi Jarl de Orkney (neto de Thorfinn, o Poderoso) e foi assassinado por seu primo por volta de 1117, tornando-se um mártir. 


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Seu sobrinho, Rognvald, iniciou a construção da magnífica Catedral de St. Magnus em Kirkwall, em 1137, para abrigar os ossos do santo. Esta imponente catedral de arenito vermelho, ainda hoje central na vida das ilhas, é um monumento viking. 


O legado de Magnus é tão forte que uma rota de peregrinação moderna, o "St. Magnus Way", agora atravessa a ilha, celebrando o santo viking das Orkney. A pequena cruz na Alemanha era o prenúncio; a grande catedral na Escócia é a prova consolidada da mudança. 


A descoberta moderna: colaboração e cidadania 

A forma como o tesouro alemão foi descoberto também lança luz sobre a arqueologia moderna. O achado foi resultado de uma cooperação entre arqueólogos profissionais e detectores de metais voluntários treinados e certificados. 


A Alemanha, especificamente a região de Schleswig-Holstein, nutre essa abordagem através do "Modelo Schleswig", um programa que treina entusiastas no uso de detectores, na recuperação cuidadosa de artefatos e na documentação precisa. Esse modelo mostra como a energia dos cidadãos e a supervisão profissional podem proteger o patrimônio. 


Esta colaboração é vital porque ajuda a responder à pergunta persistente: por que os tesouros vikings foram enterrados? Eram depósitos de segurança em tempos de conflito, escondidos por proprietários que nunca retornaram? Ou eram oferendas rituais, prendendo a riqueza no solo por razões que as fontes escritas não revelam? 


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Enquanto os arqueólogos estudam as marcas de corte, a composição do metal e o contexto do solo do tesouro alemão, eles buscam decifrar a intenção por trás dele.


A Era Viking deixou um mosaico complexo de legados. Nas margens de um rio alemão, ela deixou sua economia global em fragmentos de prata e os primeiros indícios de uma nova fé em uma pequena cruz. 


Nas ilhas escocesas, deixou o poder em fundações de pedra, a língua em nomes de pássaros e a vaidade humana em graffiti rúnico. Juntos, esses vislumbres — o tesouro enterrado de um comerciante viking e a herança viva de um conde viking — pintam um quadro rico de um período definido tanto pelo comércio quanto pela conquista, pela fé pagã e pela devoção cristã. 


O passado viking não está morto; está simplesmente esperando no solo, nas pedras e no vento para ser redescoberto.


Este artigo foi parcialmente criado por Inteligência Artificial (IA). Para mais notícias sobre achados arqueológicos e história, continue acompanhando a Livros Vikings. Somos um portal dedicado a trazer informações históricas e curiosidades sobre a Era Viking. Se você gostou deste artigo, compartilhe-o em suas redes sociais!


Referências

BRACE, Matt. Walk in Viking footsteps on Scotland's windswept northern isles. The Canberra Times. Canberra, 07 de nov. de 2025. Disponível em: https://www.canberratimes.com.au/story/9103756/a-viking-journey-through-orkneys-historical-legacy/. Acesso em: 12 de nov. de 2025.


JOSEPH, Jordan. Hiker with a metal detector finds a Viking treasure hoard. Earth.com. Reno, 07 de nov. de 2025. Disponível em: https://www.earth.com/news/hiker-with-a-metal-detector-finds-a-viking-treasure-hoard/. Acesso em: 12 de nov. de 2025.


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Convidado:
15 de nov. de 2025
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Com tantas descobertas novas fico cada vez mais atento na leitura das informações extremamente importantes que podem atualizar mais nossos conhecimentos da extinta civilização Viking. (EUGÊNIO, em 15 nov. 2025 / sábado).

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