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Vikings cristãos: a fascinante dualidade religiosa dos destemidos navegadores

Atualizado: 30 de jun. de 2023

Os vikings são frequentemente lembrados por sua ferocidade e incursões em terras distantes — saindo do Norte da Europa e alcançando quase todo mundo conhecido —, sendo associados principalmente às suas antigas religiões nórdicas pagãs. No entanto, uma faceta menos conhecida desses destemidos navegadores é a presença de vikings cristãos.


Vikings cristãos: a fascinante dualidade religiosa dos destemidos navegadores
Ansgário de Hamburgo convertendo os vikings ao Cristianismo em 826 d.C./Título original: Ansgar, 1895 de Wenzel Tornøe — Imagem de Domínio Público
 
O termo viking é originário do nórdico antigo “vikingr”, que era utilizado para referir-se a mercenários e piratas. Contudo, essa não era uma expressão utilizada pelos vikings para referirem-se a si mesmos como povo, e seu uso em referência aos nórdicos desse período somente foi popularizado na Europa a partir do Século XVIII (LANGER, 2009).

Para compreensão, vale ressaltar que a Era Viking teve início no Século VIII, mais especificamente em 793 d.C., ano da primeira invasão registrada ao Mosteiro de Lindisfarne e culminou no Século XI, quando o Rei Haraldr harðráði (Harald Hardrada) foi derrotado na batalha de Stanford Bridge em 1066. Saiba mais sobre os vikings, ouvindo o episódio “A Era Viking” do Viking Cast, com a participação do Dr. Pablo Gomes de Miranda, integrante do NEVE:


 

Neste artigo, exploraremos a conversão gradual dos vikings ao Cristianismo, a fascinante fusão entre as tradições pagãs e cristãs, bem como o papel desempenhado pelos vikings na disseminação do cristianismo além da Escandinávia.


Indice


A conversão gradual dos vikings ao cristianismo

Durante o Século X, a Escandinávia passou por um período de mudança religiosa significativa. Enquanto as antigas crenças pagãs, com deuses como Óðinn (Odin) e Þórr (Thor) dominavam a região, o Cristianismo, como um processo genérico, começou a ganhar influência dentre os povos nórdicos, especialmente em regiões como a Dinamarca — devido sua proximidade com a Europa Continental.


A conversão dos vikings ao Cristianismo foi impulsionada por uma combinação de fatores, incluindo contatos comerciais, influência política e missões de evangelização. Diferente da percepção popular, os vikings não eram exclusivamente pagãos, e muitos adotaram o Cristianismo sem abandonar totalmente suas antigas crenças.


A fascinante fusão entre tradições pagãs e cristãs

Essa dualidade religiosa era evidente nas sagas e nos relatos históricos da época. O encontro entre as antigas tradições pagãs e o Cristianismo resultou em um fascinante sincretismo cultural.



Elementos da mitologia nórdica e da cultura pagã foram incorporados nas práticas e nas histórias cristãs e vice-versa. A rica tradição de sagas e poemas vikings serviu como uma fonte de inspiração para escritores cristãos, que frequentemente utilizavam imagens e narrativas pagãs em suas obras, tal qual o relato do Voluspá/Ragnarok que recebeu influências do apocalipse cristão.


Lagertha (série de TV Vikings) com um Mjǫllnir de pingente./Imagem Reprodução
Lagertha (série de TV Vikings) com um Mjǫllnir de pingente/Imagem Reprodução

A complexa interação entre as crenças pagãs e cristãs

Um exemplo notável é a adaptação de certos símbolos e rituais pagãos pelos vikings cristãos para se encaixarem em sua nova fé e ao contrário também, a exemplo do uso extensivo do Mjǫllnir (Martelo de Thor) como pingente individual, assim como os crucifixos — os pagãos viam tanto os cristãos usando cruzes em seu pescoço que começaram a copiar e adotar o mesmo visual, mas com “martelinhos”. Essa fusão de elementos pagãos e cristãos pode ser observada em objetos e artefatos históricos, refletindo a complexa interação entre as duas culturas.


Assista ao vídeo “Quais os simbolismos do Martelo de Thor?” do NEVE responde (ep.22), também disponível no VikingTube:



As relogiões nórdicas da Era Viking:  símbolos, ritos e deuses

É importante ressaltar que nem todos os vikings se converteram ao Cristianismo, e as religiões pagãs continuaram a serem praticadas por muitos. Além disso, as crenças pagãs variavam de região para região, com preferências por diferentes deuses e práticas religiosas, como explica o Prof. Dr. Johnni Langer da Universidade Federal da Paraíba/UFPB em seu novo livro “As Religiões Nórdicas da Era Viking: símbolos, ritos e deuses”, conheça.


A conversão dos vikings ao cristianismo não foi um processo unilateral, mas sim um intercâmbio cultural em constante evolução.


A expansão do cristianismo além da Escandinávia pelos vikings

Os vikings desempenharam um papel significativo na disseminação do Cristianismo para além da Escandinávia.



Com rotas comerciais e contatos em diferentes partes do mundo, eles levaram consigo não apenas suas habilidades marítimas, mas também sua nova fé. Participaram das Cruzadas ao lado de outras nações europeias, com o objetivo de expandir a influência cristã e proteger locais sagrados na Terra Santa. Essas campanhas militares foram motivadas por um fervor religioso semelhante ao dos pagãos, com a promessa de recompensas no paraíso após a morte.



Além disso, os vikings contribuíram para a propagação do cristianismo em regiões como as Ilhas Britânicas, a Islândia, a Groenlândia e até mesmo em assentamentos na América do Norte, como L'Anse aux Meadows, no Canadá. Essa expansão da fé cristã foi possibilitada pelo legado de líderes vikings influentes, como Harald Blátönn.


Harald Bluetooth e seu legado para o “Cristianismo Viking”

Harald Blátönn, também conhecido como Harald Bluetooth, foi um importante líder viking que governou a Dinamarca e a Noruega durante o Século X. Ele unificou diversas tribos e clãs escandinavos sob seu governo e introduziu o Cristianismo na região. Construiu igrejas, permitiu a atuação de missionários cristãos e influenciou aspectos sociais, políticos e culturais.


Sua contribuição estabeleceu relações com outros líderes cristãos e com o Sacro Império Romano-Germânico, promovendo a integração da Escandinávia com o resto da Europa e estabelecendo as bases para futuros intercâmbios culturais e comerciais.



Conclusão

A história revela a complexidade das interações culturais e religiosas durante a Era Viking. Embora sejam conhecidos por suas incursões violentas, é igualmente importante reconhecer o papel desempenhado pelos vikings na disseminação do Cristianismo e na fusão de culturas.


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Sua influência se estendeu além da Escandinávia, graças às suas rotas comerciais e contatos em diferentes partes do mundo. Os vikings cristãos deixaram um legado duradouro na história, demonstrando que a diversidade religiosa e cultural moldou o desenvolvimento dessa época fascinante.


Referências

LANGER, Johnni. A Religião Nórdica Antiga: conceitos e métodos de pesquisa, Rever 16, 2016.


LANGER, Johnni. Deuses, monstros e heróis: ensaios de mitologia e religião viking. Brasília: EdUnb, 2009, p. 169.


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LANGER, Johnni. Pagãos e cristãos na Escandinávia da Era Viking: uma análise do episódio de conversão da Njáls saga, Revista Brasileira de História das Religiões 4 (10) 2011.


OS VIKINGS não só matavam e pilhavam — também ajudaram a espalhar o cristianismo. Livros Vikings. São Paulo, 28 de dez. de 2023. Disponível em: <https://www.livrosvikings.com.br/post/os-vikings-nao-so-matavam-e-pilhavam-tambem-ajudaram-a-espalhar-o-cristianismo>. Acesso em: 23 de jun. de 2023.


por LIVROS VIKINGS


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