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A POUCO CONHECIDA CRUZADA VIKING

O primeiro Rei europeu a zarpar para a Terra Santa foi o da Noruega. No verão (Hemisfério Norte) de 1110 d.C., os cruzados que lutavam para proteger o Reino de Jerusalém estavam esgotados, pois desde o sucesso da Primeira Cruzada, poucos reforços chegaram. E no calor escaldante do verão, os defensores cristãos do Acre — uma cidade na atual Israel — tiveram uma visão terrível, as inconfundíveis cabeças de dragão dos navios vikings.


A pouco conhecida Cruzada Viking
A armada viking por Edward Moran. O Rei Sigurd zarpou para Jerusalem com 60 navios. — Fonte da Imagem: Wikimedia Commons.

Sessenta navios nórdicos apareceram na costa do Acre. Os soldados conheciam as histórias dos vikings. Os infames ataques vikings aterrorizaram os mundos cristão e islâmico durante a Idade Média. Agora os nórdicos chegavam às margens da Terra Santa. Felizmente para os cruzados, os vikings estavam do seu lado.


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Quem vem à mente quando você pensa em grandes cruzados? Provavelmente a resposta está em Ricardo Coração de Leão, Frederico Barbarossa, Raimundo de Toulouse ou Godofredo de Bouillon. Com certeza, o Rei Sigurd I não está no topo da sua lista.


Sigurd era o Rei da Noruega, que liderou a Cruzada Norueguesa, a qual não é tão conhecida quanto as outras, porém Sigurd foi o primeiro monarca europeu a liderar um exército na Terra Santa.


Embora não falemos muito sobre o Rei Sigurd hoje, durante o Século XII ele foi uma celebridade. Seu heroísmo galvanizou a cristandade. Ele inspirou outros reis a liderarem suas próprias cruzadas. Suas campanhas criaram um choque épico de civilizações que moldaram o mundo durante a Idade Média.


A viagem à Terra Santa

O Rei Sigurd era neto do lendário Harald Hardrada. O pai de Sigurd era Magnus III, o Rei da Noruega. Após a morte de Magnus, Sigurd governou a Noruega com seus meio-irmãos Olaf e Øystein.


Quando Sigurd se tornou rei, a Noruega já era cristã há cem anos. Mas isso não significa que o Papa e os vikings se devam bem. Afinal, os nórdicos continuavam invadindo as cidades europeias, mesmo depois de sua conversão ao cristianismo. O Rei Sigurd queria provar que era um bom cristão, então quando o Papa pediu ao Sigurd que fizesse uma cruzada à Terra Santa, ele concordou.


A viagem do Rei Sigurd I a Jerusalém. Em vermelho a rota de ida e em verde a de volta. — Fonte da Imagem: Wikimedia Commons.

Em 1107, Sigurd partiu a Jerusalém com 5.000 homens em sessenta navios. Ele não seguiu pela rota usual por terra através Europa, como faziam os cruzados da França, Inglaterra e da Alemanha. Ele preferiu viajar pelo mar, pelos mesmos caminhos que seus ancestrais vikings seguiram durante séculos.


A primeira parada foi na Inglaterra

Sigurd desembarcou na Inglaterra no outono de 1107 e desfrutou da hospitalidade do Rei Henrique I até a primavera de 1108.Henrique deve ter ficado aliviado, porque os vikings partiram sem destruir o seu reino.


A próxima no itinerário de Sigurd foi a cidade espanhola de Jakobsland, no norte da Espanha. Jakosbland era o nome nórdico de Santiago de Compostela. O responsável pela cidade primeiramente recebeu bem os vikings, mas durante o inverno, a cidade ficou sem comida, forçando o governante a pedir que Sigurd saísse, se recusando a fornecer suprimentos aos vikings.


Grande erro!


Sem surpresa, os nórdicos saquearam e destruiram a cidade. Sigurd então navegou a Lisboa, uma cidade à época meio cristã e meio muçulmana. Os vikings tiveram algumas escaramuças com os muçulmanos e capturaram oito naus muçulmanas. Após os confrontos, Sigurd navegou por Gibraltar até o seu próximo grande destino: as Ilhas Baleares.


As Ilhas Baleares hoje são mais conhecidas como Maiorca, Menorca e Ibiza. As ilhas são alguns dos principais destinos turísticos e de vida noturna da Europa. Mas naquela época, eles não eram “hotspots” de festa.


As ilhas governadas pelos muçulmanos eram notórias pela pirataria. Piratas das Ilhas Baleares invadiam regularmente as cidades costeiras da Europa e esses ataques provaram ser uma grande dor de cabeça para os governantes europeus.


Sigurd e seus homens sitiaram Ibiza e Menorca. Eles mataram os piratas e saquearam suas riquezas. Os vikings evitaram Mallorca, porque era bem defendida. Mais tarde Sigurd tornou-se um herói por capturar as Ilhas Baleares, controladas pelos muçulmanos. Os reinos cristãos se regozijaram. Os vikings se livraram de um grande espinho na carne dos cristãos.


As façanhas de Sigurd logo chegaram aos ouvidos do Rei de Jerusalém Balduíno I, quem esperava ansiosamente para recebê-los.


Os vikings chegam a Jerusalém

O Rei Sigurd fez um rápido “pit stop” na Sicília na primavera de 1109, onde o Rei Roger III o hospedou. Os vikings partiram à Terra Santa depois de recarregarem as suas baterias.


Finalmente, no verão de 1110, três anos depois de deixar a Noruega, Sigurd desembarcou no Acre. O Rei Balduíno deu-lhe as boas-vindas. Eles cavalgaram juntos até o Rio Jordão e depois a Jerusalém. Alguns historiadores acreditam que Sigurd foi batizado no Jordão, mas esta afirmação é discutível.


Os cruzados em Jerusalém deram ao Rei Sigurd e seus homens muitos presentes. O mais famoso deles foi uma relíquia que Balduíno disse ser um pedaço da Verdadeira Cruz, na qual os romanos crucificaram Jesus Cristo. Tendo recebido uma recepção calorosa, Sigurd estava ansioso para ajudar Balduíno.


Desde a conquista de Jerusalém na Primeira Cruzada, o Bei Balduíno tentou capturar as cidades costeiras de Levante (moderna Síria, Líbano e Israel). Mas não era uma tarefa simples. O califado fatímida, que governou do Egito, podia reforçar as cidades através do mar. Assim, quaisquer esforços para atacar as cidades por terra se mostraram inúteis.


Sigurd perguntou a Balduíno qual cidade ele mais desejava, quem respondeu a cidade de Sidon, na Síria moderna.


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Sigurd partiu de Acre com os seus navios e lançou uma invasão a Sidon. As forças de Balduíno atacaram a cidade por terra. Navios venezianos também se juntaram ao cerco, e a marinha cristã impediu os fatímidas de fornecer ajuda pelo mar.


Sidon caiu para os cristãos após 47 dias. Um novo reino conhecido como Senhorio de Sidon foi estabelecido. Conquistar cidades costeiras significava que os cruzados poderiam receber ajuda dos reinos cristãos de Gênova e Veneza através do mar. Os peregrinos agora podiam viajar à Terra Santa sem passar pelo território controlado pelos inimigos.


Adeus e a viagem para casa

O heroísmo de Sigurd fez dele um nome familiar no mundo cristão. Como sua missão estava completa, ele voltou para casa. Desta vez, ele escolheu um caminho diferente.


Ele chegou a Constantinopla, que os vikings chamavam de Miklagrad. O avô de Sigurd, Harald Hardrada, era membro da Guarda Varangiana, que era a guarda-costas do imperador romano (bizantino). Sigurd pode ter tido uma forte ligação com Constantinopla pois cresceu ouvindo as histórias de glória do seu avô.


Alexios Komnenos, o Imperador Romano, deu as boas-vindas a Sigurd. O imperador impressionou o viking, quem doou a maior parte de sua riqueza, obtida durante a cruzada, ao imperador. Muitos dos cruzados vikings ficaram em Constantinopla e se juntaram à Guarda Varangiana.


Em troca, Alexios forneceu muitos cavalos e suprimentos suficientes para uma viagem confortável à Noruega. Sigurd passou pela Bulgária, Sérvia e Baviera. Ele conheceu o Sacro Imperador Romano Lotário II, que o acolheu e garantiu passagem segura por seu reino.


O Rei Niels da Dinamarca também deu as boas-vindas ao herói Sigurd e forneceu navios para ele e seus homens fizesse uma viagem segura à Noruega. Em 1111, Sigurd retornou à Noruega após uma campanha vitoriosa em Jerusalém. Ele estava satisfeito, pois seus irmãos cuidaram dos assuntos de seu reino enquanto esteve fora.


A cruzada viking foi esquecida principalmente porque os historiadores cristãos da Idade Média tinham uma visão negativa dos vikings. Mas esta é uma maneira justa de mostrar a história?


Os vikings são apenas uma das muitas pessoas poderosas que acabaram sendo retratadas como vilões porque seus oponentes eram melhores contadores de histórias.


Referências Bibliográficas

RILEY-SMITH, Jonathan. The First Crusade and the Idea of Crusading, 1986.


ASBRIDGE, Thomas. The Crusades: The War for the Holy Land, 2010.


FRANKOPAN, Peter. The First Crusade: The Call from the East, 2013.


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FONTE: History of Yesterday

DASGUPTA, Prateek. The Lesser-Known Viking Crusade That You Probably Never Heard Of. History of Yesterday. Guildford, 10 de mai. de 2022. Disponível em: <https://historyofyesterday.com/the-lesser-known-viking-crusade-that-you-probably-never-heard-of-7a87391ff2fa>. Acesso em: 16 de mai. de 2022. (Livremente traduzido pela Livros Vikings)


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