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O TESOURO DA ERA VIKING DE DERRYNAFLAN

O tesouro da Era Viking de Derrynaflan (Derrynaflan Hoard) é um dos mais importantes achados arqueológicos da história irlandesa.


O tesouro da Era Viking de Derrynaflan
Descoberto em 1980, o Tesouro de Derrynaflan é um dos achados arqueológicos mais excitantes da história irlandesa. — Crédito da Imagem: Museu Nacional da Irlanda

A descoberta de 1980 é uma das mais emocionantes da Irlanda e foi realizada por pai e filho que usavam detectores de metais na Ilha Derrynaflan de Tipperary.


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Derrynaflan não é uma ilha típica. Este pequeno monte é uma propriedade privada de 44 acres, no maior condado do interior da Irlanda. Ela não é cercada por mar ou lago, mas, excepcionalmente, pelo pântano de Lurgoe nas vastas turfeiras marrons de Tipperary, como se fosse uma miragem vibrante. No entanto, pelos padrões do dicionário, é uma ilha categoricamente.


O que é especialmente interessante sobre Derrynaflan é o inestimável tesouro enterrado pelos monges e descoberto há apenas algumas décadas. O tesouro mudou a lei irlandesa e se tornou um dos achados arqueológicos mais emocionantes da história do país.


Controversamente, a massa de terra mística pouco conhecida ganhou fama arqueológica internacional em 1980, quando pai e filho da cidade de Clonmel, a cerca de 25 km de distância, desenterraram usando detectores de metais um copo e um prato intrincadamente decorados.


A "taça" era, na verdade, um cálice do Século IX. E o "prato", uma patena do Século VIII usada para segurar o pão durante a eucaristia, confirmou Nessa O'Connor, curadora e arqueóloga do Museu Nacional da Irlanda. "Esses são objetos de elite com um padrão muito, mas muito alto de artesanato, criado no ápice da igreja irlandesa primitiva", disse ela.


O cálice e a patena de prata são decorados com ornamentos da mitologia celta. — Crédito da Imagem: Museu Nacional da Irlanda
O cálice e a patena de prata são decorados com ornamentos da mitologia celta. — Crédito da Imagem: Museu Nacional da Irlanda

O cálice e a patena de prata são decorados com notáveis exemplos ​​da antiga ourivesaria celta, explicou O'Connor. O fino trabalho de fio de ouro entrelaçado é chamado de "filigrana", um estilo característico da Irlanda. A patena também é o único exemplar sobrevivente de seu tipo oriundo da Europa Ocidental medieval.


Um coador de vinho e um suporte (para a patena) completam um tesouro inestimável de Arte Insular (estilo de arte compartilhado entre a Irlanda e a Grã-Bretanha entre 600 e 900 d.C., fortemente influenciado pela expansão da tradição monástica irlandesa). "A combinação dos objetos é única... é um conjunto de altar completo", disse O'Connor, explicando que enterrar objetos de valor era comum durante os ataques vikings dos Séculos X ao XII. "Parece que ele foi depositado deliberadamente [pelos monges] em um momento de risco". Desde então, os arqueólogos examinam meticulosamente a ilha, contudo nada mais foi encontrado, acrescentou.


Ouça o episódio do Viking Cast em parceria com o NEVE sobre a Era Viking para entender melhor:



Hoje, o Derrynaflan Hoard pode ser admirado no Museu Nacional da Irlanda em Dublin, juntamente com outros achados excepcionais, como o Cálice Ardagh, encontrado em 1868 por um jovem que colhia batatas perto de Ardagh. O'Connor observou que sua arte e estilo são comparáveis ​​ao Livro de Kells — elaboradamente ilustrado — que é "o maior tesouro cultural da Irlanda", de acordo com o Trinity College Dublin, onde está em exibição.


A Ilha Derrynaflan é cercada pelas turfeiras do Pântano de Lurgoe. — Crédito da Imagem: Tracey Croke
A Ilha Derrynaflan é cercada pelas turfeiras do Pântano de Lurgoe. — Crédito da Imagem: Tracey Croke

As condições naturais do pântano provaram ser incrivelmente boas na preservação de artefatos antigos. A baixa temperatura, a falta de oxigênio e a alta acidez do solo significam que até a matéria orgânica pode sobreviver por milhares de anos. Um barril com manteiga de 3.000 anos foi retirado de uma turfeira irlandesa. Corpos com mais de 2.000 anos foram encontrados com cabelos e unhas intactos. No entanto, antes de qualquer pensamento de enriquecimento rápido e caça ao tesouro, a Irlanda tem uma das leis mais rigorosas da Europa em torno da detecção e escavação de metais — e foi a descoberta do tesouro de Derrynaflan que a criou, explicou Sharon Greene, arqueóloga e editora Revista Arqueologia.


Uma batalha legal de sete anos — que foi até a Suprema Corte — entre os detectoristas de Derrynaflan, o proprietário da terra e o governo, acabou determinando que o tesouro pertencia ao estado.


Isso significa que não há uma cena legal de caça ao tesouro por hobby na Irlanda como há em outros países.

No Reino Unido, operadores turísticos especializados organizam viagens de caça ao tesouro. "Isso nunca vai acontecer na Irlanda", disse Greene.


A disputa sobre a propriedade e o valor monetário do tesouro de Derrynaflan resultou em praticamente uma proibição geral de detecção de metais na Irlanda. As penalidades para busca e escavação sem licença são severas. E quaisquer objetos arqueológicos encontrados por acidente (arar, por exemplo) pertencem automaticamente ao estado. No entanto, hoje em dia, o interesse arqueológico é menos sobre o ganho financeiro pessoal e mais sobre o lugar de destaque ao encontrar aquela conexão especial com o passado.


A zona rural irlandesa tem uma das concentrações mais densas de monumentos arqueológicos sobreviventes da Europa Ocidental. "Existem outras ilhas de pântano e antigos locais monásticos espalhados por todo o lugar", disse Greene, quem acredita que os locais de patrimônio devem ser acessíveis a todos. Enquanto a grande maioria dos cerca de 150.000 monumentos arqueológicos registrados na Irlanda estão em terras privadas (precisando de permissão do proprietário para visitar), as comunidades acessam com sucesso os seus locais antigos, como túmulos megalíticos, mosteiros, castelos, círculos de pedra e campos de batalha, através de o programa Adote um Monumento do Conselho de Patrimônio.


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Os visitantes nunca estarão longe desse local de orgulho da comunidade que se liga ao passado. Como várias dessas pepitas ocultas muitas vezes estão além da capacidade de pesquisa do Google, Greene recomenda confiar na maneira mais tradicional e "inquirir localmente" os antigos sítios de interesse. Isso significa, por exemplo, perguntar “o que está acontecendo?" em um hotel, uma loja ou um pub da região.


FONTE: BBC

CROKE, Tracey. Ireland's priceless treasure hidden by monks. BBC. Londres, 01 de ago. de 2022. Disponível em: <https://www.bbc.com/travel/article/20220731-irelands-priceless-treasure-hidden-by-monks>. Acesso em: 04 de ago. de 2022. (Livremente traduzido e adaptado pela Livros Vikings).


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