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HÁVAMÁL COMPLETO EM PORTUGUÊS (TRADUZIDO DIRETAMENTE DO NÓRDICO ANTIGO)

Atualizado: Jun 2

Hávamál

(Stofnun Árna Magnússonar, ms. Codex Regius - GKS 2365 4to)



I. Os ensinamentos de Odin


1) Em todas as portas,

antes de entrar,

deve-se observar,

deve-se procurar,

pois é difícil

saber

onde os inimigos

se sentam na habitação de antemão.


2) Saudações aos anfitriões!

Um convidado está vindo:

onde ele deve procurar para se sentar?

Muito em breve

com a espada ele deve

testar sua coragem.


3) O fogo é necessário

para aquele que vem

com os joelhos gelados;

de comida e roupas

o homem precisa,

aquele que viajou pela montanha.


4) Água é necessária

para quem vêm em busca de descanso,

(assim como) secar-se e de boas-vindas;

de boa disposição,

se ele puder obter,

palavras e silêncio em retribuição.


5) Inteligência é necessária

para aquele que viaja longe,

pois tudo é fácil em casa;

torna-se motivo de riso

aquele que não sabe de nada

e senta-se entre os sábios.


6) De sua inteligência

o homem não deve se vangloriar,

mas ser cauteloso sobre os pensamentos;

quando o sábio e silencioso

vem até uma habitação,

raramente o mal recai sobre o cuidadoso,

pois melhor amigo

nenhum homem conseguirá

do que a grande sabedoria.


7) O convidado esperado

que vem em busca da refeição

mantém um cauteloso silêncio,

ouve com os ouvidos,

com os olhos observa;

assim todo homem sábio se porta frente ao perigo.


8) Dele é a sorte,

aquele que obtém para si mesmo

glória e palavras agradáveis;

isto é incerto de encontrar:

o que deve ter

no peito de outro homem.


9) Ele é afortunado,

aquele que por si mesmo possui

glória e sabedoria enquanto vive;

pois maus conselhos

frequentemente são recebidos

do peito de outro homem.


10) Melhor fardo

homem nenhum carrega no caminho

do que muito bom senso;

melhor do que riqueza

isto lhe parece em um lugar que lhe é estranho,

tal é o modo de ser do empobrecido.


11) Melhor fardo

nenhum homem carrega no caminho

do que muito bom senso;

pior provisão

para ele levar pelo caminho

é a bebedeira de cerveja.


12) Não é assim tão boa,

como dizem ser boa,

a cerveja para os filhos dos homens;

pois menos o homem sabe

– quanto mais ele bebe –

de seus pensamentos.


13) Um pássaro chamado Esquecimento:

ele paira sobre celebrações de cerveja,

ele rouba os pensamentos dos homens.

Pelas penas desse pássaro

eu fui preso

no lar de Gunnlod.


14) Eu fiquei bêbado,

fiquei muito bêbado

junto com o sábio Fjalar;

por isso que a melhor das bebedeiras

é aquela da qual posteriormente

todo homem recupera seus pensamentos.


15) Silencioso e pensativo

deve ser o filho de um líder

e ameaçador em batalha;

feliz e generoso

deve ser todo homem

até o momento de sua morte.


16) O homem tolo

acredita que viverá para sempre

se ele evitar a batalha;

mas a velhice não lhe dará

nenhuma paz,

ainda que as lanças o poupem.


17) O tolo boceja

quando vai até os parentes,

ele resmunga ou então fica em silêncio.

Tudo acontece de uma vez

se ele consegue bebida:

libertos estão os pensamentos do homem.


18) Apenas ele sabe,

aquele que vagou por diversos lugares

e tem viajado para longe,

qual é o pensamento

que impulsiona todo homem;

é inteligente aquele que sabe disso.


19) Que o homem não segure a caneca,

beba o hidromel com moderação,

fale de forma sensata ou fique em silêncio;

por sua falta de gentileza

nenhum homem irá criticá-lo

se você for buscar pela cama cedo.


20) O homem guloso,

a não ser que tenha sensatez,

come para sua própria tristeza;

frequentemente desperta risos

quando vem entre homens sábios:

a barriga do homem tolo.


21) O rebanho sabe

quando deve ir para casa,

e assim parte do pasto;

mas o homem tolo

nunca sabe

o tamanho de seu estômago.


22) O homem desprezível

e de temperamento ruim

ri de todas as coisas;

ele desconhece

aquilo que ele deveria saber:

que ele não está isento de falhas.


23) O homem tolo

fica acordado à noite toda

e pensando sobre todo tipo de coisa;

então está cansado

quando a manhã vem,

tudo ainda são problemas como eram antes.


24) O homem tolo

acredita que todos são

amigos, os que riem com ele;

ele não percebe,

mesmo que eles lhe dirijam zombarias,

quando ele se senta entre homens sábios.


25) O homem tolo

acredita que todos são

amigos, os que riem com ele;

então ele percebe,

quando vai à assembleia,

que ele possui poucos defensores.


26) O homem tolo

pensa que sabe de tudo

se ele se encontrar encurralado;

mas ele não sabe

o que ele deve dizer em resposta

se os homens o puserem à prova.


27) O homem tolo,

quando vem entre os homens,

é melhor que ele fique em silêncio.

Ninguém sabe

que ele nada sabe,

a não ser que ele fale demais;

o homem não sabe,

ele que nada sabe,

já que ele fala demais.


28) Ele parece sábio,

aquele que sabe perguntar

e do mesmo modo responder;

nada podem esconder,

os filhos dos homens,

do que se passa entre os homens.


29) Fala demais

aquele que nunca se cala.

Palavras infundadas.

A língua tagarela,

a menos que tenha quem a controle,

frequentemente canta o mal para si.


30) Um homem não

deve zombar de outro

quando ele vem visitar parentes;

muitos homens parecem sábios,

se ele não é questionado

e se mantém em silêncio, seco da viagem.


31) Parece sábio

aquele que foge,

o convidado do convidado zombador;

não sabe com certeza,

ele que zomba na refeição,

se ele fala alto em meio a inimigos.


32) Muitos homens

são muito amistosos entre si,

mas ainda lutam na refeição;

embate entre os homens

sempre haverá:

convidado hostil contra convidado.


33) O homem deve frequentemente

fazer uma refeição cedo,

a não ser que venha visitar parentes;

senta-se e procura,

olha como se estivesse faminto

e consegue falar sobre pouco.


34) É um grande caminho tortuoso

até um mau amigo,

apesar dele se encontrar no caminho;

mas até um bom amigo

conduz rotas diretas,

mesmo que ele esteja bem longe.


35) Deve ir,

o convidado não deve ficar

sempre no mesmo lugar;

os queridos se tornam detestáveis

se permanecem por muito tempo

no salão de outro.


36) O lar é o melhor,

ainda que seja pequeno;

cada homem é livre em casa;

mesmo que possua duas cabras

e um salão coberto de salgueiros,

isto ainda é melhor do que mendigar.


37) O lar é o melhor,

ainda que seja pequeno;

cada homem é livre em casa;

é um coração que sangra

aquele que deve mendigar

comida para si em todas as refeições.


38) De sua arma

um homem em campo aberto não deve

se afastar um passo;

porque não se pode ter certeza

quando, fora das estradas,

uma lança é necessária para o guerreiro.


39) Eu não encontrei um homem tão gentil

ou tão benevolente com comida

que rejeitasse um presente,

ou de seu dinheiro

tão desprendido

que uma recompensa fosse indesejada se a conseguisse


40) Com seu dinheiro,

quando ele o ganha,

um homem não deve passar por necessidade;

frequentemente poupa para os inimigos

o que pretendia para os amigos;

muito ocorre pior do que o esperado.


41) Com armas e roupas

os amigos devem agradar uns aos outros,

as quais sejam mais adequadas para eles mesmos.

Aqueles que dão e os que recebem

são amigos por muito tempo

se continuar ocorrendo tudo bem.


42) Para seu amigo

um homem deve ser um amigo

e retribuir um presente com um presente.

Um riso com um riso

os homens devem se valer

e falsidade por uma mentira.


43) Para seu amigo

um homem deve ser amigo

dele e de seu amigo;

mas de seu inimigo

nenhum homem deve

ser amigo do amigo.


44) Saiba, se você possui um amigo

no qual você realmente confia,

e que você deseja ter algo de bom dele:

com ele você deve seus pensamentos

compartilhar e trocar presentes,

ir visita-lo com frequência.


45) Se você tem outro

no qual você não confia,

mas você quer algo de bom dele,

você deve falar de forma gentil com ele,

mas pense de forma enganosa

e conceda falsidade em troca de mentira.


46) Há mais sobre aquele em quem

você não confia

e de cujo temperamento você suspeita:

você deve rir com ele

e falar ao contrário de teu pensamento.

Deve retribuir tais presentes.


47) Há muito tempo eu era jovem,

eu viajei sozinho,

então acabei me perderndo no caminho:

me considerei rico

quando eu encontrei outro,

o homem é o deleite do homem.


48) Generosos, valentes,

os homens vivem melhor,

raramente cultivam a tristeza;

mas o homem covarde

teme todo tipo de coisas,

o avarento sempre preocupa-se com presentes.


49) Minhas vestimentas

eu dei em um campo para

dois homens de madeira;

acreditaram que eram guerreiros

quando eles tinham roupas:

envergonhado é o homem nu.


50) O abeto definha,

aquele que se encontra no campo:

nem casca nem folhagem o protege.

Assim é o homem,

aquele que não é amado por ninguém:

como ele poderia viver por tanto tempo?


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51) Mais quente que o fogo

entre maus amigos queima

a afeição por cinco dias;

mas então se extingue

quando o sexto vem

e toda a amizade piora.


52) Algo grandioso

não se deve dar a um homem

que frequentemente se obtém com pouca glória:

com metade de um pão

e com um copo inclinado

eu consigo um camarada para mim.


53) Pouca areia,

pouco mar,

poucas são as mentes dos homens,

porque todos os homens

não são sábios de forma igual:

todos os homens estão divididos.


54) Moderadamente sábio

todo homem deve ser,

mas nunca muito sábio;

para aquelas pessoas

é mais prazeroso de se viver

quando se sabe o suficiente.


55) Moderadamente sábio

todo homem deve ser,

mas nunca muito sábio;

porque o coração do homem sábio

está raramente contente,

se aquele que o possui é completamente sábio.


56) Moderadamente sábio

todo homem deve ser,

mas nunca muito sábio;

de seu destino

ninguém deve saber de antemão,

sua mente fica livre de preocupação.


57) A lenha queima a partir da lenha,

até que ela esteja queimada;

a chama se acende a partir da chama;

o homem a partir do homem

se torna sábio ao falar,

mas muito tolo a partir da estupidez.


58) Deve levantar cedo,

aquele que deseja ter de outro

as posses ou a vida;

raramente um lobo preguiçoso

consegue comida

ou um homem dorminhoco a vitória.


59) Deve levantar cedo,

aquele que possui poucos trabalhadores

e vai saber de seu trabalho;

muito atrasado

está aquele que dorme durante a manhã:

metade da riqueza está na iniciativa.


60) De tábuas secas

e de telhas para o telhado,

disto o homem sabe a medida;

e disto: de lenha

o suficiente que dure

ao tempo e à estação.


61) Banhado e alimentado

o homem cavalga para a assembléia,

apesar de seus trajes não serem muito bons;

de seus sapatos e calças

nenhum homem deve se envergonhar,

nem mesmo de seu cavalo,

mesmo que ele não tenha um bom.


62) Se estica e agarra

quando vem até o oceano,

a águia ao antigo mar;

assim é o homem

que vem em meio à multidão

e possui poucos aliados.


63) Perguntar e responder

todo sábio deve,

se assim deseja ser chamado de sábio.

Apenas um sabe,

outro não deve.

O povo sabe se existem três.


64) Seu poder

os sagazes devem

manter, cada um deles, com prudência;

então ele descobre,

quando vem entre os bravos,

que nenhum é o mais astuto de todos.


65) Por aquelas palavras

que o homem disse para outro

frequentemente ele obtém pagamento.


66) Muito cedo

eu venho a muitos lugares,

mas muito tarde a alguns;

a cerveja havia sido bebida,

às vezes não estava pronta:

o indesejável raramente acerta o momento.


67) Aqui e lá

me convidariam nos lares

se eu não precisasse de comida nas refeições;

ou dois presuntos estariam pendurados

no lar de um amigo leal

onde eu tivesse comido um.


68) O fogo é melhor

entre os filhos dos homens

e a visão do sol;

sua saúde,

se o homem puder mantê-la,

e uma vida sem mácula.


69) Um homem não está totalmente infeliz,

ainda que sua saúde seja péssima;

alguns são agraciados com filhos,

alguns com parentes,

alguns com muito dinheiro,

alguns com boas obras.


70) É melhor estar vivo

do que estar morto;

o homem vivo sempre consegue uma vaca.

Eu vi o fogo queimar

perante o homem rico,

quando estava morto do lado de fora da porta.


71) O aleijado cavalga o cavalo,

o maneta conduz o rebanho,

o surdo luta e é útil;

é melhor ser cego

do que ser cremado:

um cadáver não pode ser útil a ninguém.


72) É melhor um filho,

ainda que nasça tardiamente,

depois que um homem se vai;

pedras funerárias raramente

se mantêm pelo caminho

a menos que o parente as ergua para outro.


73) Dois fazem guerra contra um:

a língua é a destruidora da cabeça;

em cada manto eu

espero por um punho.


74) Feliz durante a noite fica

aquele que confia em suas provisões;

curtas são as áreas de um barco;

mutável é a noite de outono.

Muitas são as mudanças do tempo

em cinco dias,

mas ainda mais em um mês.


75) Ele não sabe,

aquele que não sabe nada:

muitos se tornam tolos através do dinheiro;

um homem é rico,

outro pobre:

não deve se culpar por seu infortúnio.


76) O gado morre,

parentes morrem,

do mesmo modo eu mesmo morrerei;

mas o renome

nunca morre

daquele que obtém boa fama.


77) O gado morre,

parentes morrem,

do mesmo modo eu mesmo morrerei;

eu sei de uma coisa

que nunca morre:

a reputação de cada morto.


78) Os currais cheios

dos filhos de Fitjung eu vi,

agora eles portam cajados de mendigo:

assim é a riqueza,

como o piscar de um olho;

ela é a mais falsa dos amigos.


79) O homem tolo,

se consegue obter

dinheiro ou o amor de uma mulher,

o orgulho cresce nele,

mas nunca o bom senso;

ele se deixa levar pela arrogância.


80) Assim está comprovado

que você, ao consultar as runas

– de origem divina,

aquelas que os deuses fizeram

e que foram pintadas por Fimbulthul

– que é melhor fazê-lo se estiver em silêncio.


81) O dia deve ser louvado ao anoitecer,

a esposa quando ela é cremada,

a espada quando é testada,

a donzela quando ela é entregue (em casamento)

o gelo quando veio sobre (ele),

a cerveja quando é bebida.


82) A madeira deve ser cortada ao vento;

deve-se remar pelo mar com tempo bom,

e falar com damas no escuro

– muitos são os olhos do dia.

Um barco deve ser usado para navegar,

um escudo para proteger,

uma espada para golpear

e uma dama para beijar.


83) Junto ao fogo a cerveja deve ser bebida,

deve-se deslizar sobre o gelo,

comprar um cavalo magro

e uma espada suja,

engorde o cavalo em casa

e a um cão na fazenda.


84) Nas palavras de uma donzela

ninguém deve confiar;

nem no que uma mulher diz,

pois num torno de oleiro

seus corações foram moldados

de natureza volúvel dentro de seus peitos.


85) Um arco que range,

uma chama que queima,

um lobo que uiva,

um corvo que grasna,

uma porco que grunhe,

uma árvore sem raízes,

as ondas que se erguem,

a chaleira que ferve,


86) uma lança que voa,

uma onda que cai,

o gelo de uma noite,

uma serpente enrolada,

a conversa da esposa na cama

ou a espada quebrada,

o competir dos ursos

ou o filho de um rei,


87) um bezerro doente,

um escravo com vontade própria,

o bom augúrio de uma profetisa,

aquele que acabou de ser morto,


88) um campo recém semeado,

nenhum homem confia

tão prematuramente em seu filho;

o tempo governa o campo

e o raciocínio do filho;

cada um desses é perigoso.


89) No assassino de seu irmão,

ainda que o encontre pela estrada;

numa casa parcialmente queimada,

em um cavalo veloz

– um cavalo é inútil

se ele quebra uma pata –

um homem não é tão crédulo

a confiar em tudo isso.


90) Tal é o amor de uma mulher

que é de temperamento traiçoeiro:

é como guiar um cavalo sem ferradura

pelo gelo escorregadio,

– intrépido de dois anos

e mal domado –

ou numa ventania furiosa

um barco descontrolado

ou como o aleijado pegar

a rena no degelo.


91) Agora eu falarei abertamente,

pois eu conheço ambos:

volúvel são os corações dos homens pelas mulheres;

quando nós falamos de forma mais gentil

então nós pensamos de forma mais falsa.

Isto engana a mente até da mais sábia.


92) De forma agradável deve falar

e oferecer presentes

aquele que deseja ganhar o amor de uma mulher;

reverencie a aparência

da bela dama:

ganha aquele que a cortejar.


93) Nenhum homem

deve criticar o amor

de outro, nunca.

Frequentemente captura o sábio

quando não captura o tolo:

uma belíssima aparência.


94) De forma alguma

um homem deve criticar o outro,

pelo que acontece com muitos homens;

do sábio um tolo

faz dos filhos dos homens:

este é o poder do coração.


95) Apenas a mente sabe

o que está junto ao coração;

o homem está só consigo mesmo.

Não há pior enfermidade

para qualquer homem sábio

do que não estar satisfeito com nada.


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II. Odin e a filha de Billingr


96) Isto eu então experimentei

quando eu sentei entre os juncos

e esperei por meu amor;

corpo e alma

para mim era a sábia dama,

embora eu ainda não a tivesse.


97) A filha de Billing,

eu a encontrei na cama,

branca como o sol, adormecida;

os prazeres de um nobre

não eram nada para mim,

a não ser que eu pudesse viver com aquele corpo.


98) “Assim durante a noite,

Odin, deve vir,

se você quiser ganhar a dama para si;

tudo está perdido,

a não ser que apenas nós saibamos

de tal vergonha”.


99) Eu então voltei

e pensei no amor,

guiado pelo desejo;

eu então pensei

que eu poderia ter

todo seu coração e seu prazer.


100) Quando eu me aproximei

estavam os hábeis

guerreiros todos despertos;

com luzes incandescentes

e pedaços de madeira erguidos,

assim estava marcado meu malfadado caminho.


101) E próximo da manhã,

quando eu novamente retornei,

os habitantes do salão estavam adormecidos.

Então eu encontrei apenas o cão

da boa mulher

preso à sua cama.


102) Em muito uma boa donzela é,

se olhar com atenção,

imprevisível em relação aos homens;

eu então aprendi isso

quando a sábia

mulher para a devassidão eu tentei seduzir;

todo desprezo

sobre mim a engenhosa dama buscou trazer,

e eu nada consegui dessa mulher.


103) O homem em casa, alegre

e amistoso com os convidados

deve ser, sagaz consigo,

de boa memória e fluente,

se ele quiser estar bem instruído;

frequentemente ele deve falar de coisas boas.

Será chamado de um grande tolo

aquele que não sabe falar de nada:

este é o caráter do estúpido.


III. Odin e Gunnlod


104) Eu busquei o velho gigante,

e agora eu voltei novamente.

Pouco consegui permanecendo lá calado.

Muitas palavras

eu usei em meu proveito

no salão de Suttung.


105) Gunnlod me deu

de beber de um precioso hidromel

em seu trono dourado;

uma má recompensa

eu lhe dei mais tarde

em troca de todo o seu coração,

em troca de seu espírito amargurado.


106) A ponta da verruma

deixei que abrisse espaço

e perfurasse através da pedra;

sobre e sob

mim se encontrava o caminho dos gigantes:

assim arrisquei minha cabeça.


107) Da boa aparência adquirida

eu fiz bom uso;

pouco falta para o sábio,

pois assim Odrerir

agora veio para

o local sagrado do senhor dos homens.


108) É-me pouco provável

que eu pudesse ter saído de novo

da corte do gigante

se eu não tivesse utilizado de Gunnlod,

a boa mulher,

sobre a qual deitei meu braço.


109) . No dia seguinte

os gigantes de gelo foram

buscar pelo conselho de Hár

no salão de Hár:

eles perguntaram sobre Bolverk,

se ele havia retornado para junto dos deuses

ou se Suttung o havia sacrificado.


110) Sobre o anel sagrado Odin,

creio eu, fez um juramento

– quem poderia acreditar em sua palavra?

Enganou Suttung,

então tomou sua bebida

e fez Gunnlod sofrer.


IV. Loddfáfnismál


111) É hora de cantar,

do trono do sábio

na fonte de Urd!

Eu vi e fiquei em silêncio.

Eu vi e refleti.

Eu ouvi os dizeres dos homens.

Eu ouvi e aprendi sobre as runas.

Não se calaram

no salão de Hár,

dentro do salão de Hár,

assim como ouvi dizer.


112) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

não se levante à noite,

a menos que você esteja de guarda

ou esteja procurando por um lugar lá fora para si.


113) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

com uma mulher versada em magia

você não deve dormir em seu abraço,

pois assim ela o aprisiona nos braços dela:


114) Assim ela garantirá

que você não dê importância

tanto ao discurso na assembleia quanto ao do rei;

você não desejará comida

nem o prazer dos homens;

você irá entristecido dormir.


115) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

a mulher de outro

você nunca seduza

como sua amante.


116) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

pela montanha ou fiorde,

se for fazer uma viagem longa

esteja certo de que tenha comida o bastante.


117) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

a um homem mau

nunca permita

saber de teu infortúnio,

pois de um homem mau

você nunca obtém

uma boa recompensa por tua boa vontade.


118) Profundamente atingido

eu vi um homem,

pela palavra de uma mulher má;

sua língua trapaceira

foi a morte para ele,

e apesar da acusação ser falsa.


119) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

saiba disso – se você tem um amigo

em quem você realmente confia,

vá visita-lo frequentemente,

pois cresce arbustos

e grama alta

no caminho que ninguém percorre.


120) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

um bom homem

encontre para si com palavras agradáveis

e aprenda encantamentos de cura enquanto viver.


121) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

com seu amigo

nunca seja você

o primeiro a romper.

A mágoa devora o coração

se você não puder contar

a alguém todos os seus pensamentos.


122) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

trocar palavras

você nunca deve

com um tolo estúpido:


123) Pois de um homem mau

nunca se pode

obter uma boa recompensa,

mas um homem bom

pode fazê-lo

querido exaltando-o.


124) Confiança é então trocada

quando alguém pode dizer

para outro todos os seus pensamentos.

Tudo é melhor

do que ser enganado:

não é amigo de outro

aquele que diz apenas o que o outro quer.


125) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

mesmo três palavras

você não deve trocar com um homem inferior:

frequentemente o melhor é derrotado

quando o pior ataca.


126) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

não seja sapateiro

nem armeiro,

a não ser para você mesmo;

se o sapato é mal feito

ou a lança falhar,

então infortúnios reacaem sobre você.


127) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

toda vez que você souber sobre o mal

fale sobre tais infortúnios

e não dê paz a seus inimigos.


128) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

contente com o mal

nunca fique,

mas que você se satisfaça com o bem.


129) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

olhar para cima

você não deve em batalha

– como tomados de terror

ficam os filhos dos homens–

para que não lancem feitiços sobre você.


130) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

se você quiser a boa mulher

atrair com uma conversa agradável

e se deleitar com ela,

deve fazer uma bela promessa

e se mantenha firme a ela;

ninguém se cansa do que é bom se o consegue.


131) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

eu ordeno que você seja cauteloso,

mas não tão cauteloso;

seja mais cauteloso com a cerveja

e com a mulher dos outros

e com uma terceira coisa,

que ladrões não o trapaceiem.


132) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

com zombaria ou riso

nunca receba

nem um convidado nem um viajante.


133) Às vezes não se sabe ao certo

aqueles que se sentam primeiro no interior (da casa),

de quem são os parentes daqueles que chegam:

nenhum homem é tão bom

que falhas não o acompanhem,

nem tão mau que não sirva para nada.


134) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

de um sábio grisalho

nunca ria.

Frequentemente o que o homem velho diz é bom,

frequentemente de uma pele enrugada

vêm palavras de sabedoria,

aquela que se dependura entre o couro

e balança entre a pele curtida

e se move entre as entranhas.


135) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

não insulte um convidado

nem o expulse de seus portões;

trate o desafortunado bem.


136) Poderosa é aquela trava

que deve se mover

para abrir para todos;

lhe dê um anel

ou ele lembrará de orar

para paralisar cada um de seus membros.


137) Eu lhe recomendo Loddfafnir,

para seguir o conselho;

você irá se beneficiar se você segui-lo,

o bem virá a você se você aceitá-lo:

quando você bebe cerveja,

busque para si a força da terra,

pois a terra luta contra a cerveja,

e fogo contra doença,

carvalho contra desinteria,

a espiga contra feitiçaria,

sabugueiro contra conflito doméstico,

para atos de ira deve invocar a lua,

pasto contra picadas,

e runas contra maldições;

a terra deve resistir contra o mar.


V. Rúnatal


138) Eu sei que eu pendi

numa árvore balançada pelo vento

por nove noites inteiras,

ferido por uma lança,

e dedicado a Odin,

eu mesmo a mim mesmo;

naquela árvore

que não sei

de onde suas raízes vêm.


139) Eles não me consagraram com pão

nem com qualquer chifre;

eu contemplei lá embaixo,

eu peguei as runas,

gritando as peguei

e de lá eu cai.


140) Nove poderosas canções

eu aprendi do famoso filho

de Bolthor, o pai de Bestla,

e eu também bebi

do precioso hidromel,

servido de Odrerir.


141) Então eu comecei a entender

e fiquei sábio

e cresci e prosperei muito bem,

minhas palavras a partir de palavras

e palavras encontrei,

minhas proezas a partir de proezas

e proezas encontrei.


142) Runas você pode encontrar

e letras auxiliadoras,

letras muito poderosas,

letras muito fortes,

as quais o sábio poderoso pintou

e os deuses fizeram

e que Hroptr dos deuses gravou.


143) Odin entre os deuses,

e Dainn diante dos elfos

e Dvalinn diante dos anões,

Asvid diante dos gigantes:

eu mesmo gravei algumas.


144) Você sabe como deve entalhar?

Você sabe como deve interpretar?

Você sabe como deve pintar?

Você sabe como deve testar?

Você sabe como deve perguntar?

Você sabe como deve sacrificar?

Você sabe como deve enviar?

Você sabe como deve cessar?


145) Melhor não pedir

do que sacrificar em demasia,

a dádiva sempre busca pelo pagamento;

melhor não enviar

do que desperdiçar em demasia.

Assim Thundr gravou

antes da história dos povos;

de lá ele se ergueu

e voltou de onde veio.


VI. Ljóðatal


146) Eu conheço tais canções

que esposa de rei não conhece

e nem os filho dos homens:

a primeira se chama “Ajuda”,

e ela o ajudará

contra disputas e mágoas

e todo tipo de infortúnio.


147) Eu conheço uma segunda

da qual os filhos dos homens precisam,

aqueles que desejam viver como curandeiros.


148) Eu conheço uma terceira:

se uma grande necessidade recair sobre mim

de deter meu inimigo,

eu emboto as lâminas

de meu inimigo,

suas armas nem seus bastões irão ferir.


149) Eu conheço uma quarta:

se o inimigo me impor

grilhões em meus membros,

então eu canto

e eu posso ir;

as correntes se soltam de meus pés

e os grilhões de minhas mãos.


150) Eu conheço uma quinta:

se eu vir atirada com malignidade

uma lança passar em meio à hoste,

ela não voa tão forte

que eu não possa pará-la,

se eu vir sinal dela.


151) Eu conheço uma sexta:

se um guerreiro me ferir

com a raiz de uma árvore forte

e esse homem

proferir o mal a mim,

este devora o homem ao invés de mim.


152) Eu conheço uma sétima:

se eu vejo em chamas um altivo

salão ao redor de meus campanheiros de banco,

ele não queima tão intenso

que eu não possa apagá-lo

quando eu posso cantar o encantamento.


153) Eu conheço uma oitava:

que para todos é

útil em aprender;

onde quer que cresça o ódio

entre os filhos dos heróis

eu posso logo apaziguá-lo.


154) Eu conheço uma nona:

se me encontrar em dificuldade

para salvar meu barco à deriva,

eu acalmo o vento

nas ondas

e aquieto todo o mar.


155) Eu conheço uma décima:

se eu vir bruxas

divertindo-se no céu,

eu então posso fazer

com que elas se percam

de suas formas originais

e de seus próprios pensamentos.


156) Eu conheço uma décima primeira:

se eu dever para a batalha

liderar amigos de longa data

eu canto sob o escudo

e eles vão vitoriosos;

seguros para a batalha,

salvos da batalha,

eles vêm salvos de qualquer lugar.


157) Eu conheço uma décima segunda:

se eu vejo em cima de uma árvore

um cadáver enforcado balançando

então eu gravo

e pinto uma runa

de modo que o homem se mova

e fale comigo.


158) Eu conheço uma décima terceira:

se eu em um jovem guerreiro tiver

aspergido água

ele não poderá cair;

ainda que ele venha à batalha,

o homem não cairá frente as espadas.


159) Eu conheço uma décima quarta:

se diante de uma tropa de homens eu tiver

de reconhecer os deuses,

os aesires e os elfos,

eu posso distinguir todos;

o tolo pouco sabe disso.


160) Eu conheço uma décima quinta:

a qual Thjodreyrir cantou,

o anão, diante das portas de Delling;

ele cantou poder para os deuses,

coragem para os elfos,

entendimento para Hroptatyr.


161) Eu conheço uma décima sexta:

se de uma donzela astuta eu quiser

ter todo o seu carinho e prazer

eu transformo os sentimentos

da mulher de braços brancos,

e eu mudo todos os seus pensamentos.


162) Eu conheço uma décima sétima:

nunca irá me evitar

a jovem donzela;

esses encamentos

você se lembrará, Loddfafnir;

que por longo tempo lhe faltaram,

uma vez que são bons para você se você os tiver,

úteis se você os obtiver,

úteis se você os receber.


163) Eu conheço uma décima oitava:

a qual eu nunca ensino

para donzelas ou esposas de homens

– tudo é melhor

quando apenas uma pessoa entende;

ela pertence ao término dos encamentos –

a ninguém a não ser apenas

àquela que está em meus braços

ou que é minha irmã.


164) Agora os dizeres de Har estão

ditos no salão de Har,

muito úteis aos filhos dos homens,

inúteis aos filhos dos gigantes.

Saudações àquele que falou!

Saudações àquele que entende!

Aproveite aquele que compreendeu!

Saudações àqueles que ouviram!


Leia o Hávamál original e/ou traduzido com comentários, clicando aqui...


FONTE: Academia

MEDEIROS, Elton. Hávamál: tradução comentada do Nórdico Antigo para o Português. Mirabilia 17, 2013. Disponível em: <https://www.academia.edu/25171397/O_Hávamál_As_Palavras_do_Altíssimo_-_Hávamál_tradução_comentada_do_Nórdico_Antigo_para_o_Português_-_Trabalho_de_Elton_O._S._MEDEIROS>. Acesso em: 02 de mar. de 2020.


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