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HÁVAMÁL COMPLETO EM PORTUGUÊS (TRADUZIDO DIRETAMENTE DO NÓRDICO ANTIGO)

Atualizado: 2 de Jun de 2020

Hávamál

(Stofnun Árna Magnússonar, ms. Codex Regius - GKS 2365 4to)



I. Os ensinamentos de Odin


1) Em todas as portas,

antes de entrar,

deve-se observar,

deve-se procurar,

pois é difícil

saber

onde os inimigos

se sentam na habitação de antemão.


2) Saudações aos anfitriões!

Um convidado está vindo:

onde ele deve procurar para se sentar?

Muito em breve

com a espada ele deve

testar sua coragem.


3) O fogo é necessário

para aquele que vem

com os joelhos gelados;

de comida e roupas

o homem precisa,

aquele que viajou pela montanha.


4) Água é necessária

para quem vêm em busca de descanso,

(assim como) secar-se e de boas-vindas;

de boa disposição,

se ele puder obter,

palavras e silêncio em retribuição.


5) Inteligência é necessária

para aquele que viaja longe,

pois tudo é fácil em casa;

torna-se motivo de riso

aquele que não sabe de nada

e senta-se entre os sábios.


6) De sua inteligência

o homem não deve se vangloriar,

mas ser cauteloso sobre os pensamentos;

quando o sábio e silencioso

vem até uma habitação,

raramente o mal recai sobre o cuidadoso,

pois melhor amigo

nenhum homem conseguirá

do que a grande sabedoria.


7) O convidado esperado

que vem em busca da refeição

mantém um cauteloso silêncio,

ouve com os ouvidos,

com os olhos observa;

assim todo homem sábio se porta frente ao perigo.


8) Dele é a sorte,

aquele que obtém para si mesmo

glória e palavras agradáveis;

isto é incerto de encontrar:

o que deve ter

no peito de outro homem.


9) Ele é afortunado,

aquele que por si mesmo possui

glória e sabedoria enquanto vive;

pois maus conselhos

frequentemente são recebidos

do peito de outro homem.


10) Melhor fardo

homem nenhum carrega no caminho

do que muito bom senso;

melhor do que riqueza

isto lhe parece em um lugar que lhe é estranho,

tal é o modo de ser do empobrecido.


11) Melhor fardo

nenhum homem carrega no caminho

do que muito bom senso;

pior provisão

para ele levar pelo caminho

é a bebedeira de cerveja.


12) Não é assim tão boa,

como dizem ser boa,

a cerveja para os filhos dos homens;

pois menos o homem sabe

– quanto mais ele bebe –

de seus pensamentos.


13) Um pássaro chamado Esquecimento:

ele paira sobre celebrações de cerveja,

ele rouba os pensamentos dos homens.

Pelas penas desse pássaro

eu fui preso

no lar de Gunnlod.


14) Eu fiquei bêbado,

fiquei muito bêbado

junto com o sábio Fjalar;

por isso que a melhor das bebedeiras

é aquela da qual posteriormente

todo homem recupera seus pensamentos.


15) Silencioso e pensativo

deve ser o filho de um líder

e ameaçador em batalha;

feliz e generoso

deve ser todo homem

até o momento de sua morte.


16) O homem tolo

acredita que viverá para sempre

se ele evitar a batalha;

mas a velhice não lhe dará

nenhuma paz,

ainda que as lanças o poupem.


17) O tolo boceja

quando vai até os parentes,

ele resmunga ou então fica em silêncio.

Tudo acontece de uma vez

se ele consegue bebida:

libertos estão os pensamentos do homem.


18) Apenas ele sabe,

aquele que vagou por diversos lugares

e tem viajado para longe,

qual é o pensamento

que impulsiona todo homem;

é inteligente aquele que sabe disso.


19) Que o homem não segure a caneca,

beba o hidromel com moderação,

fale de forma sensata ou fique em silêncio;

por sua falta de gentileza

nenhum homem irá criticá-lo

se você for buscar pela cama cedo.


20) O homem guloso,

a não ser que tenha sensatez,

come para sua própria tristeza;

frequentemente desperta risos

quando vem entre homens sábios:

a barriga do homem tolo.


21) O rebanho sabe

quando deve ir para casa,

e assim parte do pasto;

mas o homem tolo

nunca sabe

o tamanho de seu estômago.


22) O homem desprezível

e de temperamento ruim

ri de todas as coisas;

ele desconhece

aquilo que ele deveria saber:

que ele não está isento de falhas.


23) O homem tolo

fica acordado à noite toda

e pensando sobre todo tipo de coisa;

então está cansado

quando a manhã vem,

tudo ainda são problemas como eram antes.


24) O homem tolo

acredita que todos são

amigos, os que riem com ele;

ele não percebe,

mesmo que eles lhe dirijam zombarias,

quando ele se senta entre homens sábios.


25) O homem tolo

acredita que todos são

amigos, os que riem com ele;

então ele percebe,

quando vai à assembleia,

que ele possui poucos defensores.


26) O homem tolo

pensa que sabe de tudo

se ele se encontrar encurralado;

mas ele não sabe

o que ele deve dizer em resposta

se os homens o puserem à prova.


27) O homem tolo,

quando vem entre os homens,

é melhor que ele fique em silêncio.

Ninguém sabe

que ele nada sabe,

a não ser que ele fale demais;

o homem não sabe,

ele que nada sabe,

já que ele fala demais.


28) Ele parece sábio,

aquele que sabe perguntar

e do mesmo modo responder;

nada podem esconder,

os filhos dos homens,

do que se passa entre os homens.


29) Fala demais

aquele que nunca se cala.

Palavras infundadas.

A língua tagarela,

a menos que tenha quem a controle,

frequentemente canta o mal para si.


30) Um homem não

deve zombar de outro

quando ele vem visitar parentes;

muitos homens parecem sábios,

se ele não é questionado

e se mantém em silêncio, seco da viagem.


31) Parece sábio

aquele que foge,

o convidado do convidado zombador;

não sabe com certeza,

ele que zomba na refeição,

se ele fala alto em meio a inimigos.


32) Muitos homens

são muito amistosos entre si,

mas ainda lutam na refeição;

embate entre os homens

sempre haverá:

convidado hostil contra convidado.


33) O homem deve frequentemente

fazer uma refeição cedo,

a não ser que venha visitar parentes;

senta-se e procura,

olha como se estivesse faminto

e consegue falar sobre pouco.


34) É um grande caminho tortuoso

até um mau amigo,

apesar dele se encontrar no caminho;

mas até um bom amigo

conduz rotas diretas,

mesmo que ele esteja bem longe.


35) Deve ir,

o convidado não deve ficar

sempre no mesmo lugar;

os queridos se tornam detestáveis

se permanecem por muito tempo

no salão de outro.


36) O lar é o melhor,

ainda que seja pequeno;

cada homem é livre em casa;

mesmo que possua duas cabras

e um salão coberto de salgueiros,

isto ainda é melhor do que mendigar.


37) O lar é o melhor,

ainda que seja pequeno;

cada homem é livre em casa;

é um coração que sangra

aquele que deve mendigar

comida para si em todas as refeições.


38) De sua arma

um homem em campo aberto não deve

se afastar um passo;

porque não se pode ter certeza

quando, fora das estradas,

uma lança é necessária para o guerreiro.


39) Eu não encontrei um homem tão gentil

ou tão benevolente com comida

que rejeitasse um presente,

ou de seu dinheiro

tão desprendido

que uma recompensa fosse indesejada se a conseguisse


40) Com seu dinheiro,

quando ele o ganha,

um homem não deve passar por necessidade;

frequentemente poupa para os inimigos

o que pretendia para os amigos;

muito ocorre pior do que o esperado.


41) Com armas e roupas

os amigos devem agradar uns aos outros,

as quais sejam mais adequadas para eles mesmos.

Aqueles que dão e os que recebem

são amigos por muito tempo

se continuar ocorrendo tudo bem.


42) Para seu amigo

um homem deve ser um amigo

e retribuir um presente com um presente.

Um riso com um riso

os homens devem se valer

e falsidade por uma mentira.


43) Para seu amigo

um homem deve ser amigo

dele e de seu amigo;

mas de seu inimigo

nenhum homem deve

ser amigo do amigo.


44) Saiba, se você possui um amigo

no qual você realmente confia,

e que você deseja ter algo de bom dele:

com ele você deve seus pensamentos

compartilhar e trocar presentes,

ir visita-lo com frequência.


45) Se você tem outro

no qual você não confia,

mas você quer algo de bom dele,

você deve falar de forma gentil com ele,

mas pense de forma enganosa

e conceda falsidade em troca de mentira.


46) Há mais sobre aquele em quem

você não confia

e de cujo temperamento você suspeita:

você deve rir com ele

e falar ao contrário de teu pensamento.

Deve retribuir tais presentes.


47) Há muito tempo eu era jovem,

eu viajei sozinho,

então acabei me perderndo no caminho:

me considerei rico

quando eu encontrei outro,

o homem é o deleite do homem.


48) Generosos, valentes,

os homens vivem melhor,

raramente cultivam a tristeza;

mas o homem covarde

teme todo tipo de coisas,

o avarento sempre preocupa-se com presentes.


49) Minhas vestimentas

eu dei em um campo para

dois homens de madeira;

acreditaram que eram guerreiros

quando eles tinham roupas:

envergonhado é o homem nu.


50) O abeto definha,

aquele que se encontra no campo:

nem casca nem folhagem o protege.

Assim é o homem,

aquele que não é amado por ninguém:

como ele poderia viver por tanto tempo?


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51) Mais quente que o fogo

entre maus amigos queima

a afeição por cinco dias;

mas então se extingue

quando o sexto vem

e toda a amizade piora.


52) Algo grandioso

não se deve dar a um homem

que frequentemente se obtém com pouca glória:

com metade de um pão

e com um copo inclinado

eu consigo um camarada para mim.


53) Pouca areia,

pouco mar,

poucas são as mentes dos homens,

porque todos os homens

não são sábios de forma igual:

todos os homens estão divididos.


54) Moderadamente sábio

todo homem deve ser,

mas nunca muito sábio;

para aquelas pessoas

é mais prazeroso de se viver

quando se sabe o suficiente.


55) Moderadamente sábio

todo homem deve ser,

mas nunca muito sábio;

porque o coração do homem sábio

está raramente contente,

se aquele que o possui é completamente sábio.


56) Moderadamente sábio

todo homem deve ser,

mas nunca muito sábio;

de seu destino

ninguém deve saber de antemão,

sua mente fica livre de preocupação.


57) A lenha queima a partir da lenha,

até que ela esteja queimada;

a chama se acende a partir da chama;

o homem a partir do homem <