Tesouros Inesperados: Da Suécia Medieval à Noruega Viking, Moedas Revelam o Passado
- Livros Vikings

- 4 de nov. de 2025
- 8 min de leitura
Descobertas na Suécia e Noruega, terras de herança viking, revelam desafios do patrimônio e ecos de economias antigas

Índice
Quando pensamos na Escandinávia, a imagem mental imediata remete aos exploradores e guerreiros da Era Viking, seus dracares e seus vastos tesouros de prata.
No entanto, o solo da Suécia e da Noruega modernas continua a revelar capítulos da história que vão muito além desse período fascinante, apresentando narrativas complexas que alcançam tanto a Idade Média consolidada quanto a Antiguidade Clássica.
Faça como o renomado professor Johnni Langer e publique seu livro pela Livros Vikings Editora.
Recentemente, duas ocorrências distintas, mas igualmente notáveis, trouxeram à luz a complexidade do patrimônio histórico encontrado em terras de legado viking. Na Suécia, uma descoberta acidental por um pescador revelou um dos maiores tesouros de prata da Idade Média do país, oferecendo um vislumbre da economia e do poder real após o auge das incursões nórdicas.
Simultaneamente, na Noruega, uma tentativa de tráfico ilícito foi frustrada, trazendo a público moedas de bronze cartaginesas com mais de dois milênios — artefatos que antecedem os próprios vikings em mil anos.
Estes dois eventos, embora separados por séculos e contextos — um sendo um tesouro local escondido e o outro um item de comércio ilícito internacional —, convergem em território escandinavo.
Eles nos forçam a olhar além da mitologia viking e a confrontar os desafios modernos da preservação, da ética e da cooperação internacional na proteção de artefatos que contam a longa e multifacetada história da humanidade.
1. O Tesouro Sueco: Uma Fortuna Além da Era Viking
O que parecia ser uma rotina comum de preparação para a pesca transformou-se em um momento digno de crônica. Um pescador, enquanto buscava minhocas nas proximidades de sua casa de verão na Suécia, deparou-se com um achado extraordinário: um caldeirão metálico enterrado.
Embora o recipiente estivesse severamente degradado pelo tempo, seu conteúdo estava em excelente estado de conservação, revelando um tesouro que ecoa muito além da Era Viking.
O Conselho Administrativo do Condado de Estocolmo foi notificado e rapidamente compreendeu a magnitude da descoberta. Trata-se de um dos maiores e mais bem preservados tesouros de prata do início da Idade Média já localizados na Suécia. O conjunto é vasto, com um peso total estimado em seis quilos, composto por milhares de moedas ornamentadas e diversas peças de joalheria.
Sofia Andersson, antiquária do Conselho Administrativo, destacou o volume do achado, classificando-o como uma descoberta monumental. Embora a contagem exata ainda esteja em andamento, as estimativas iniciais sugerem que o caldeirão pode conter mais de 20 mil moedas.
Este tesouro não pertence ao período viking, mas sim à era imediatamente posterior, um tempo de consolidação de reinos e da crescente influência da Igreja. A análise inicial das moedas oferece pistas cruciais sobre a Suécia medieval:
Moedas Reais: Algumas das moedas trazem inscrições claras do rei Knut Eriksson. Este monarca, que governou a Suécia entre 1173 e 1195, foi uma figura central na organização do sistema monetário nacional. Sua cunhagem representa um passo crucial para longe da economia baseada no peso da prata (tão comum na Era Viking) e em direção a uma economia monetária controlada pelo Estado. Knut Eriksson também é creditado por erguer a fortaleza inicial onde hoje se situa a capital, Estocolmo.
Moedas Episcopais: Outras peças apresentam iconografia religiosa, como imagens de igrejas e de um bispo portando um báculo. Estas são as chamadas "moedas episcopais", cunhadas sob encomenda de autoridades da Igreja. Sua presença no tesouro demonstra o poder significativo que as instituições religiosas detinham na sociedade sueca do século XII, atuando paralelamente ao poder real.
O tesouro, escondido há mais de oito séculos, oferece uma rara janela para a vida e, principalmente, para a complexa economia da Suécia medieval, um período onde o poder real e o eclesiástico moldavam a nova estrutura do país.

2. Moedas Púnicas na Noruega: Um Contraste à Herança Viking
Se o tesouro sueco expande nossa compreensão do período pós-viking, uma ocorrência na Noruega moderna nos transporta para um passado muito mais distante, servindo como um forte contraste à herança viking local. Em 2022, autoridades norueguesas interceptaram um lote de 30 moedas de bronze púnicas, artefatos que datam da Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.).
Este caso não foi uma descoberta arqueológica, mas um incidente de tráfico de patrimônio cultural. Um cidadão tunisiano tentou comercializar as moedas com um comerciante de antiguidades em Oslo. O vendedor alegou que as peças provinham de um tesouro subaquático maior, com peso estimado em 200 quilos, localizado na costa da Tunísia.
Felizmente, o comerciante de Oslo suspeitou da origem duvidosa dos artefatos e, agindo com responsabilidade ética, notificou as autoridades norueguesas. A polícia iniciou uma investigação internacional, interceptou o suspeito, apreendeu as moedas e efetuou a prisão.
A análise subsequente, conduzida pelo Museu de História Cultural da Universidade de Oslo, confirmou a autenticidade e a origem das moedas:
Origem: Cartago (atual Tunísia).
Datação: Período final da Segunda Guerra Púnica.
Descrição: As moedas apresentavam a corrosão esperada de imersão prolongada em água. Exibiam a deusa Tanit em uma face e um cavalo diante de uma palmeira no verso.
Produção: Estilisticamente, as peças parecem ter sido cunhadas em uma única casa da moeda, provavelmente na própria Cartago.
Este achado é significativo por várias razões. Primeiro, a numismática em bronze de Cartago é consideravelmente menos documentada do que suas séries em prata ou ouro.
Mesmo sem um contexto arqueológico específico, o conjunto oferece uma visão valiosa sobre a economia de guerra cartaginesa. Segundo, sua suposta origem subaquática — seja de um naufrágio ou de um depósito submerso — levanta questões sobre o comércio marítimo e a logística militar no Mediterrâneo ocidental durante o conflito com Roma.
O fato de essas moedas, mil anos mais velhas que os primeiros dracares vikings, terem aparecido na Noruega apenas ressalta o alcance global do comércio ilícito de antiguidades no século XXI.
3. O Desafio do Patrimônio nas Nações Viking Modernas
Ambos os casos, o tesouro sueco e as moedas púnicas, colocam as nações viking modernas — Suécia e Noruega — no centro das discussões sobre a proteção do patrimônio cultural. As duas situações, no entanto, ilustram facetas muito diferentes desse desafio.
No caso da Suécia, trata-se de uma questão de patrimônio nacional. O pescador que encontrou o tesouro medieval agiu de forma exemplar ao notificar imediatamente as instituições competentes. Sua ação reforça a importância vital da colaboração entre cidadãos e órgãos de preservação.
A legislação sueca de proteção ao patrimônio cultural é clara: qualquer pessoa que encontre objetos antigos feitos de prata ou ouro é obrigada a entregá-los às autoridades. Em contrapartida, a lei garante uma recompensa financeira.
O caso agora está nas mãos do Conselho Nacional do Patrimônio Sueco. Este órgão será responsável por determinar o destino do achado, decidindo se o tesouro será "resgatado" — ou seja, se ficará sob guarda pública — e qual será a compensação devida ao pescador.
O incidente na Noruega, por outro lado, é um exemplo de cooperação internacional contra o tráfico. A restituição das moedas púnicas à Tunísia só foi possível graças a uma cadeia de colaboração exemplar:
Ação Ética: O comerciante de antiguidades que recusou a compra e denunciou.
Ação Policial: As autoridades norueguesas que investigaram e apreenderam os bens.
Ação Acadêmica: Os especialistas do Museu de História Cultural que analisaram e confirmaram a origem.
Ação Diplomática: Os diálogos entre Noruega e Tunísia que resultaram na repatriação das moedas (as acusações contra o suspeito foram arquivadas em favor da devolução).
Este caso expõe os desafios sistêmicos na proteção do patrimônio global. Moedas são alvos frequentes de tráfico devido à sua alta demanda e portabilidade, circulando facilmente em "áreas cinzentas" legais.
O Archaeology News aponta que o incidente ressalta problemas graves, como a aplicação inconsistente de convenções internacionais, leis nacionais fragmentadas e o papel crescente dos mercados online, que facilitam o comércio anônimo.
Ambos os eventos demonstram a necessidade urgente de responsabilidade ética na promoção do patrimônio cultural e no respeito aos direitos das comunidades de origem desses artefatos.
5. O Valor Histórico Além do Contexto Viking
Embora nenhum desses achados seja do período viking, seu valor histórico é incalculável. Eles nos lembram que a história é feita de camadas e que as terras escandinavas guardam mais do que apenas relíquias de seus mais famosos navegadores.
O tesouro sueco de Knut Eriksson agora passará por uma análise detalhada. Arqueólogos irão se debruçar sobre as mais de 20 mil peças para determinar com maior precisão a origem, a datação exata e o contexto histórico do conjunto. Como descrito pela fonte de O Globo, oito séculos após terem sido escondidos, esses objetos oferecem uma rara e brilhante janela para a vida e a economia de uma Suécia que emergia da Era Viking e se consolidava como um reino medieval cristão.
As moedas cartaginesas, por sua vez, carregam um tipo diferente de valor. Como destaca o estudo na revista Libyan Studies, mesmo estando desprovidas de seu contexto arqueológico original, elas oferecem informações históricas cruciais. Elas iluminam o comércio cartaginês e as atividades bélicas de uma era distante.
Este pequeno conjunto de 30 moedas prova como até mesmo artefatos isolados pelo tráfico podem contribuir significativamente para a pesquisa acadêmica.
Mais do que isso, elas se tornaram um instrumento de diplomacia do patrimônio, fomentando a cooperação entre a Noruega e a Tunísia e incentivando esforços globais mais robustos contra o comércio ilícito de bens culturais.
As descobertas recentes na Suécia e na Noruega demonstram que as terras frequentemente associadas aos vikings são, na verdade, palcos contínuos de revelações históricas que abrangem milênios.
De um lado, um pescador sueco revela um vislumbre da economia medieval que substituiu o sistema viking. Do outro, um comerciante norueguês ajuda a interceptar artefatos de uma guerra travada mil anos antes dos primeiros exploradores nórdicos zarparem.
O tesouro de Knut Eriksson e as moedas de Cartago nos ensinam sobre a consolidação do poder real, a influência da Igreja medieval e as complexas redes de logística militar da Antiguidade.
Acima de tudo, ambos os casos destacam a importância fundamental da vigilância e da ética — seja do cidadão comum que encontra um tesouro, seja do profissional que recusa participar de um crime — para garantir que esses ecos do passado possam ser preservados e compreendidos pelas futuras gerações.
Este artigo foi parcialmente criado por Inteligência Artificial (IA). Para mais notícias sobre achados arqueológicos e história, continue acompanhando a Livros Vikings. Somos um portal dedicado a trazer informações históricas e curiosidades sobre a Era Viking. Se você gostou deste artigo, compartilhe-o em suas redes sociais!
Referências
MOREIRA, Éric. Moedas de bronze apreendidas na Noruega revelam desafios do comércio antigo. Aventuras na História. São Paulo, 01 de nov. de 2025. Disponível em: https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/historia-hoje/moedas-de-bronze-apreendidas-na-noruega-revelam-desafios-do-comercio-antigo.phtml. Acesso em: 04 de nov. de 2025.
PESCADOR encontra tesouro medieval com 20 mil moedas de prata na Suécia; veja vídeo. O Globo. Rio de Janeiro, 31 de out de 2025. Disponível em: https://oglobo.globo.com/mundo/epoca/noticia/2025/10/31/pescador-encontra-tesouro-medieval-com-20-mil-moedas-de-prata-na-suecia-veja-video.ghtml. Acesso em: 04 de nov. de 2025.
Seja uma das primeiras pessoas a receber as novidades do Mundo Viking, assinando a nossa Newsletter ou adicionando-nos em seu WhatsApp…






Parabéns ao pescador pelas providências legais tomadas. Este achado poderá trazer informações muito importantes para a história. Que os estudiosos / especialistas sejam muito bem sucedidos nos trabalhos. Vamos aguardar pacientemente a publicação das conclusões. (Eugênio, em 04 novembro 2025 / 3a. feira).