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Desvendando os mistérios dos cães da Era Viking irlandesa

Em um esforço colaborativo e empolgante, um grupo de especialistas está mergulhando nas profundezas da história para desvendar os segredos dos cães que viveram há mais de 1000 anos.


Desvendando os mistérios dos cães da Era Viking irlandesa
O Viking Dublin Dogs é um projeto de pesquisa de base, iniciado pela Dra. Ruth Carden, envolvendo mais de 30 especialistas e cientistas renomados tanto do setor de arqueologia comercial quanto acadêmica de seis países diferentes.

Os nórdicos de outrora são conhecidos por suas explorações audaciosas e cultura distinta, mas também nos apresentam um intrigante quebra-cabeça sobre o papel que os cães desempenhavam na sociedade durante a Era Viking.


A Dra. Ruth Carden, fundadora do Viking Dublin Dogs Project e principal pesquisadora desse grupo, com base na Escola de Arqueologia da UCD, em Dublin, concedeu uma entrevista à Irish Examiner, que foi traduzida com exclusividade para o português pela Livros Vikings.


Durante a conversa, ela esclareceu diversos aspectos sobre o projeto, a arqueologia e muito mais, confira:


O que é o Viking Dublin Dogs Project?

O Viking Dublin Dogs Project é uma iniciativa de pesquisa que reúne mais de 30 especialistas líderes e cientistas dos setores de arqueologia comercial e acadêmica de seis países diferentes, que se uniram voluntariamente por conta de seu amor por cães, cavalos e arqueologia.


Acreditamos firmemente em envolver e conectar nossas comunidades, mas também aspiramos a inspirar a próxima geração de cientistas e arqueólogos, que atualmente estão nas escolas secundárias da Irlanda, por meio do nosso dedicado programa de divulgação e engajamento, os "Pacotes Caninos".


Nosso objetivo é explorar as relações e os papéis desempenhados pelos cães e cavalos ao lado dos seres humanos em suas sociedades vikings e medievais na Irlanda e na Grã-Bretanha. Queremos "viajar no tempo" e entender a essência das vidas animais e a importância que tinham para os humanos há mais de mil anos.


Mandíbula inferior de um cachorro XL, na Chancery Lane, Dublin. Imagem: Ruth Carden
Mandíbula inferior de um cachorro XL, na Chancery Lane, Dublin. Imagem: Ruth Carden

Os cães mudaram tanto assim nesse tempo?

Durante a Era Viking e Idade Média (cerca de 700-1400 d.C.), não tínhamos as "raças" de cães como as conhecemos hoje. Existiam cães pequenos, médios e grandes, cada um com funções ou papéis específicos nas sociedades humanas.


Os cães de pequeno porte eram associados a animais de colo, literalmente sentados no colo de damas de posição social elevada. Os cães de porte médio e grande tinham funções mais práticas, como o controle de pragas (caçadores de ratos), cães de guarda ou pastoreio.


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Segundo registros antigos, havia quatro tipos básicos de cães na Era Viking — cães de estimação pequenos, cães de pastoreio, cães de caça e cães de guarda.


Não sabemos como esses cães da Era Viking ou da Idade Média se relacionam com os cães modernos, e essa é uma das lacunas de conhecimento que esperamos preencher com nosso projeto.


Por exemplo, o que hoje chamamos de "Irish Wolfhound" é completamente diferente do "wolfhound" da Idade Média — um cão de porte médio, de pelos lisos e aparência ágil, talvez mais parecido com um galgo ou borzoi de hoje.


Os vikings levaram cães para a Irlanda?

Essa é uma pergunta para a qual ainda não temos resposta... caso seja verdade, isso será revelado nos resultados de DNA, juntamente com análises de isótopos estáveis, datação e medições ósseas.


Pode ser possível que os vikings tenham treinado lobos na Escandinávia?

Certamente é uma possibilidade. Eles podem até ter cruzado lobos com cães para criar híbridos gigantes de lobo e cão. Nossos resultados de DNA mostrarão se há alguma presença de DNA de lobo entre os cães. Isso seria extremamente interessante!


Obra em progresso de Viking Dublin Dogs por John Flynn
Obra em progresso de Viking Dublin Dogs por John Flynn

Que tipos de cães existiam antes da chegada dos vikings na Irlanda?

Sobre os cães antes do período estudado, não temos muita informação além dos diferentes tipos de porte.


Em meu projeto financiado pelo IRC — " Irish Cave Bones (Ossos de Cavernas Irlandesas)" — estamos investigando cães do Neolítico até o início da Idade Média, encontrados em cavernas irlandesas. Teremos mais resultados sobre esses cães em breve.


Qual era o papel dos cães vikings?

Os cães pequenos, com menos de 30 cm de altura estimada no ombro, eram cães de colo devido aos seus ossos curvados, decorrentes de seus corpos pequenos e crescimento anormal.


Esses cães também eram associados à criação e importação pelos romanos, destinados a membros de alta posição social, em particular às damas abastadas.


Como o próprio nome sugere, o "lapdog" (cão de colo) ficaria no colo delas, mimado com restos de comida e muitos carinhos!


Cães maiores, de guarda e combate, teriam sido associados aos vikings e aos Clãs/Tribos da Irlanda naquela época, acompanhando-os em batalhas e em viagens de navio. Os guerreiros vikings até eram enterrados com seus cães e cavalos.


Cavalos e cães eram vistos como companheiros na próxima vida, e esses animais eram sacrificados e enterrados parcial ou completamente com o guerreiro viking. Relações poderosas e ritualísticas existiam entre os vikings e seus animais.


Osso distal do fêmur lesionado da pata traseira, na região do joelho. Cão da Era Viking da Chancery Lane
Osso distal do fêmur lesionado da pata traseira, na região do joelho. Cão da Era Viking da Chancery Lane

Os cães vikings eram treinados ou selvagens?

Considerando nosso comportamento humano natural e nossos laços próximos com nossos companheiros caninos, independentemente de suas funções, podemos presumir que os cães vikings teriam conhecido uma série de comandos dados por seus donos.


Esses cães talvez não fossem tão amigáveis quanto um golden retriever que vai até qualquer pessoa abanando o rabo (incluindo o ladrão que entra em sua casa), mas os cães da Era Viking e os Medievais que viviam dentro dos muros da cidade, provavelmente desempenhavam suas funções e eram alimentados e cuidados por seus donos.


Sabemos que os cães eram cuidados com base nas evidências encontradas em seus ossos — pernas quebradas que teriam impedido os cães de andar ou correr, mas que foram curados.



Durante o período de recuperação, os cães eram alimentados, abrigados e cuidados para sobreviver a uma lesão tão grave. Embora talvez caminhassem com uma manqueira pelo resto da vida, não eram jovens quando morreram, o que podemos inferir pelos dentes desgastados em suas mandíbulas.


Consigo imaginar as crianças das ruas e becos da cidade há de mil anos brincando com os filhotes (temos ossos de filhotes da cidade de Dublin da Era Viking) e cães jovens enquanto eram treinados pelos adultos ou pelos pais.


Por outro lado, alguns crânios de cães que eram do tipo de cães de guarda, da cidade de Waterford da Era Viking, tinham ferimentos no focinho e ossos do focinho que haviam se recuperado. Talvez tenham sido atingidos por latirem repetidamente? Não temos certeza.


A observação cuidadosa e o registro de todas as lesões e anormalidades ósseas, juntamente com outros dados, proporcionarão insights sobre a vida dos cães.


O que eles comiam?

Ainda não sabemos o que os cães ou cavalos comiam, mas é seguro presumir que os cães recebiam alguma forma de carne e restos das refeições de seus donos, além do que encontravam nas ruas. E feno para os cavalos. Nossos resultados de isótopos estáveis fornecerão algumas respostas para essa pergunta.


Vocês encontraram esqueletos integrais de cães vikings?

Encontramos esqueletos de cães quase completos e parciais oriundos da Era Viking ou Medievais em vários locais, mas para ter certeza de quando eles vieram, precisamos datá-los com radiocarbono para garantir que sejam do período viking (daí a campanha de financiamento coletivo e a busca de patrocínio comercial junto a empresas).


Esses cães receberam enterros especiais?

Por exemplo, nos sítios arqueológicos das ruas Aungier e Chancery, em Dublin, foram encontrados esqueletos de cães quase completos em poços ou camadas.


Eles não parecem ter recebido enterros especiais propriamente ditos, mas é preciso examinar toda a interpretação do local junto aos diretores para compreender melhor.


Aqueles encontrados em poços foram colocados como um cão inteiro, curvado sobre si mesmo, então talvez algum tipo de enterro.


Vocês também examinaram cães de locais vikings fora de Dublin?

Estamos tentando encontrar os conjuntos de ossos de animais de outras cidades, já que foram estudados há algum tempo.


Há alguma dificuldade em rastrear a localização dos conjuntos. Mas esperamos incluí-los, caso sejam encontrados, embora já tenhamos outros sítios. Temos um cão de uma escavação recente na cidade medieval de Cork.


Por que a datação por radiocarbono é necessária?

A datação por radiocarbono é a base a partir da qual todos os nossos outros resultados se apoiam.


Sem saber a data em que esses cães e cavalos morreram (com base nos ossos e dentes encontrados durante as escavações arqueológicas), não podemos investigar as tendências ao longo do tempo, mudanças em suas populações, variações em suas dietas entre diferentes lugares/países e as mudanças no tamanho/formato dos ossos conforme a adaptação ao papel dos animais nas sociedades humanas.


Precisamos saber o momento para interpretar os outros resultados que obtemos com a genética antiga (relações populacionais dentro e entre países e localidades, e de onde vieram. Por exemplo, se os cães e cavalos foram importados para a Irlanda?), resultados de isótopos estáveis (todos somos compostos de átomos e ingerimos átomos dos alimentos e bebidas, podemos examinar diferentes perfis atômicos (isótopos) para determinar padrões nos dados e o que os cães e cavalos comiam e de onde vieram), análise de medidas e anatomia de ossos (mudanças ou padrões em localidades, tendências ao longo do tempo, diferenças entre machos/fêmeas, diferenças/mudanças de papéis, adaptações nos ossos devido ao papel do animal nas sociedades – tal qual cavalo de carga versus um cavalo montado).


Mas, sem saber quando esses animais viveram entre 700-1400 d.C., não podemos analisar as mudanças ou padrões que observamos nos restos esqueléticos dos cães ou dos cavalos.


Como essa pesquisa é financiada?

Estamos realizando uma campanha de financiamento coletivo para arrecadar fundos para pelo menos 80 datas de radiocarbono — a Fase II irá até 31 de agosto de 2023, com um novo nível especial de recompensa para cavalos arqueológicos, parte dos quais será doada para a My Lovely Horse Rescue.


Atualmente, estamos buscando apoio de empresas irlandesas para engajar e apoiar nossa pesquisa. Recebemos com gratidão financiamento da Dublin City Council e do National Monuments Service, além de outros patrocinadores, incluindo do setor de arqueologia comercial, como a IAC Archaeology e o Red River Archaeology Group. Somos muito gratos a todos os nossos apoiadores até o momento.


E, como amamos os cavalos modernos tanto quanto os arqueológicos, doaremos €10 (R$ 52,57) por cada "direito de nomeação de cavalo de apoiador" para a instituição de caridade My Lovely Horse Rescue. Os apoiadores podem nomear um cavalo (ou um cão), que usaremos para identificar a amostra ao longo do projeto.


Se alguém quiser fazer uma doação separada para nosso financiamento coletivo, entre em contato com ruth.carden@ucd.ie para ajudar nos custos de datação por radiocarbono.


Para mais notícias sobre achados arqueológicos e história, continue acompanhando a Livros Vikings. Somos um site dedicado a trazer informações históricas e curiosidades sobre a Era Viking. Se você gostou deste artigo, compartilhe-o em suas redes sociais!


Fonte: Irish Examiner

DELANEY, Caroline. What were dogs here like 1,000 years ago? Were they pets or working dogs... or wild? Irish Examiner. Dublin, 25 de ago. de 2023. Disponível em: <https://www.irishexaminer.com/lifestyle/outdoors/arid-41212453.html>. Acesso em: 25 de ago. de 2023. (Livremente adaptado pela Livros Vikings)


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