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A língua islandesa seria um código nórdico viking ou um legado dos colonos celtas?

As origens gaélicas das palavras e marcos islandeses desafiam a visão ortodoxa da herança viking.


A língua islandesa seria um código nórdico viking ou um legado dos colonos celtas?
O livro Keltar de Thorvaldur Fridriksson afirma que a língua, a paisagem e a literatura da Islândia foram fortemente influenciadas pelos colonos celtas. — Imagem: Birdigol/Getty Images
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De acordo com o folclore, uma rainha guerreira de língua gaélica chamada Aud estava entre os primeiros colonos da Islândia. Sua história é central para a teoria emergente de que os celtas (escoceses e irlandeses) desempenharam um papel muito maior na história da Islândia do que se imaginava.


Um livro de Thorvaldur Fridriksson, um arqueólogo e jornalista islandês, argumenta que os colonos celtas de língua gaélica oriundos da Irlanda e do oeste da Escócia tiveram um profundo impacto na língua, paisagem e na literatura antiga da Islândia.


Aud era Rainha da Dublin Viking do Século IX, antes de levar a sua família e tripulantes (escoceses e irlandeses) à Islândia. Fridriksson acredita que, por meio de colonos como Aud, a língua e a cultura gaélica foram parte integrante da história da Islândia.


Ele compilou uma lista de palavras islandesas comuns e, com outros acadêmicos, identificou marcos islandeses que têm raízes gaélicas. A poesia skáldica da Islândia, as tradições poéticas, a edda e as sagas nas quais a história da Islândia se baseia foram fortemente influenciadas pela cultura gaélica e por seus imigrantes, e argumentou:


Todo islandês que vive há muito tempo em outro país escandinavo – que aprendeu a falar norueguês, dinamarquês ou sueco muito bem – volta para casa na Islândia e ouve palavras em islandês nunca faladas nessas línguas. [...] Eu comecei a olhar para essas palavras e as encontrei em dicionários gaélicos, então comecei a procurar por nomes de lugares, e muitos nomes de lugares, montanhas, espaços islandeses – nomes de lugares muito importantes – são muito difíceis de explicar em um idioma escandinavo.

A teoria, que é controversa, desafia a visão ortodoxa de que a Islândia é um lugar totalmente viking, fundado há 1.100 anos como parte das conquistas vikings e da expansão ao longo da costa nordeste do Atlântico.


Ele conseguiu apoio crescente entre os acadêmicos depois que as pesquisas inovadoras de DNA dos últimos 20 anos descobriram que 63% das primeiras mulheres da Islândia eram de origem irlandesa e escocesa, assim como 20% dos primeiros colonos homens.


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Supõe-se que muitas mulheres tenham sido escravizadas pelos vikings durante a conquista das Hébridas de língua gaélica e da Irlanda oriental em torno de Dublin, fundada pelos vikings no Século IX. Antes de os vikings chegarem à Islândia, os primeiros eremitas cristãos irlandeses, conhecidos como papar, fundaram pequenos assentamentos lá.


A evidência de DNA derrubou uma crença de longa data de que os islandeses eram quase inteiramente de herança norueguesa, uma postura central para a busca da Islândia pela independência da Dinamarca em 1918. Os nacionalistas islandeses minimizaram muito as evidências de que os celtas escravizados ajudaram a povoar a ilha.


Em um artigo recente sobre as ligações irlandesas da Islândia, chamado Gaelic Whispers, o professor Gísli Sigurðsson, do Instituto Árni Magnússon, em Reykjavik, mostrou que muitos dos argumentos de Fridriksson estão ganhando aceitação. Mas Sigurðsson disse que nem todas as suas reivindicações foram fundamentadas. Mais trabalho de linguistas, particularmente especialistas em gaélico antigo, é necessário e acrescenta:


Agora está bem estabelecido que a primeira população da Islândia era muito mais misturada do que anteriormente se aceitava e, portanto, a questão da influência linguística do gaélico precisa ser abordada com mais seriedade do que os estudiosos estão dispostos a fazer até agora.

Fridriksson acredita que as diferenças de status social significam que, em alguns casos, a influência gaélica foi sutil ou perdida; em outros casos, era clara.


A história de Aud mostra que mulheres de alto status de língua gaélica, que se casaram voluntariamente com homens vikings, estavam entre os colonos. No início do período medieval, Shetland, Orkney e as Hébridas Exteriores eram reinos vikings. Diz-se que Aud, conhecida como Auður djúpúðga na Islândia, libertou os celtas escravizados que navegaram sob seu comando da Escócia e se estabelecendo no oeste da Islândia.


O vulcão Bárðarbunga da Islândia, cujo nome por ser derivado do gaélico bàrd. —Imagem: Arctic-Images/Corbis
O vulcão Bárðarbunga da Islândia, cujo nome por ser derivado do gaélico bàrd. —Imagem: Arctic-Images/Corbis

Ele disse que os nomes de muitos dos maiores vulcões da Islândia têm raízes gaélicas claras, como Bárðarbunga (do gaélico para guardião, “bàrd”) e Hekla (do gaélico para aterrorizante, “eagal”). Isso significava que eles foram nomeados por pessoas de alto status, assim como outros pontos de referência.


Fridriksson espera que seu livro, Keltar, que ainda não foi traduzido para o inglês, provoque debates e investigações acadêmicas.


As influências gaélicas em nossa cultura são muito mais profundas e maiores do que as pessoas acreditavam.

Essa mistura de culturas com os vikings enriqueceu a Islândia, acrescentou, assim como a forte exposição ao cristianismo celta entre os vikings convertidos do assentamento monástico na ilha hebridiana de Iona, que desempenhou um papel fundamental na disseminação do cristianismo primitivo no norte da Grã-Bretanha.


O melhor da chamada cultura viking vem das áreas gaélicas; é a poesia e a música.

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Palavras islandesas que podem ser derivadas do antigo gaélico (irlandês e escocês).


  • Lyf – islandês para medicina, do gaélico “luibh”, para ervas

  • Glíma – luta livre islandesa, do antigo gaélico “gliad”, que significa batalha

  • Ljómi – islandês para brilho, do gaélico “laom”, que significa fogo

  • Hrútur - islandês para ram, do gaélico "ram"

  • Strákur – islandês para menino, derivado do gaélico “strácair”


Fonte: Keltar por Thorvaldur Fridriksson


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FONTE: The Guardian

CARRELL, Severin. Is Iceland’s language a Norse code – or legacy of Celtic settlers?. The Guardian. Edimburgo, 04 de jan. de 2023. Disponível em: <https://www.theguardian.com/world/2023/jan/04/iceland-language-culture-inspired-gaelic-settlers-says-author>. Acesso em: 04 de jan. de 2023. (Livremente traduzido e adaptado pela Livros Vikings)


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