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Remada Viking da Noruega na Copa de 2026: Fato ou Fake?

  • Foto do escritor: Paulo Marsal
    Paulo Marsal
  • 30 de jun.
  • 13 min de leitura

Conheça a verdadeira origem da remada viking que viralizou nos estádios e descubra o que os escandinavos medievais realmente cantavam


Livros Vikings | Remada Viking da Noruega na Copa de 2026: Fato ou Fake?
A remada viking da torcida da Noruega. — Crédito da Imagem: Timothy A. CLARY / AFP

Neste artigo, você verá:


O fenômeno global da remada viking protagonizado pelos torcedores e pela própria seleção nacional de futebol da Noruega durante a Copa do Mundo da FIFA de 2026™ estabeleceu-se como uma das manifestações mais marcantes de espetacularização desportiva da contemporaneidade.


Esta coreografia possui uma dinâmica muito específica: centenas de pessoas sentam-se em fila e simulam o ato rítmico de remar ao som de tambores, acompanhados pelo grito uníssono de "Ro!" (Reme!).


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A prática ganhou imensa tração nas plataformas digitais e nos meios de comunicação de massas, frequentemente promovida como uma homenagem direta e intemporal à Era Viking.


Muitos acreditam que o rito evoca a preparação dos guerreiros antes de desembarcarem para a batalha.  


Contudo, sob a perspetiva da historiografia crítica, da sociologia do desporto e da filologia nórdica, o veredito científico é implacável: a ideia de que este rito possui raízes medievais é fake.


O ritual revela-se uma "tradição inventada", ou seja, um construto de marketing contemporâneo desenvolvido para recontextualizar o passado nórdico sob uma ótica pacificada e comunitária.


O exame minucioso das fontes primárias medievais — que incluem as sagas de reis (konungasögur), a poesia éddica e os tratados de Saxo Grammaticus — demonstra que os verdadeiros rituais acústicos e físicos da Era Viking possuíam funções e naturezas substancialmente distintas deste simulacro lúdico da modernidade.


Os gritos de guerra históricos (heróp), o uivo dos berserkers, os encantamentos mágicos (galdrar) e os cantos de trabalho de remada (róðrarsöngvar) operavam em esferas totalmente diferentes.  


O time da Noruega garantiu a vitória e comemorou com a tradicional remada viking no fim do jogo. Essa comemoração já virou marca registrada e viralizou nas redes sociais pela energia e união do elenco norueguês.

Evidências: a verdadeira origem da coreografia viking nos estádios

O aparecimento da remada viking como um ritual de arquibancada de proporções virais não remonta a mil anos, mas sim a uma criação recente de marketing desportivo concebida pelo professor de ensino básico norueguês Ole Frøystad, conhecido publicamente como "Senhor Row Row".


Frøystad buscou inspiração na estrutura silábica dos cânticos do clube norueguês Rosenborg Ballklub, especificamente na divisão rítmica da palavra "Ro-sen-borg", cuja primeira sílaba ("Ro") exercia uma forte pressão acústica nos estádios.


Ao associar o termo homófono "Ro!" — que em norueguês significa "reme" — ao movimento físico de tração de um remo imaginário, Frøystad propôs a ideia aos torcedores da seleção nacional da Noruega, o grupo Oljeberget (fundado em 1994), que lançou a canção de apoio "Vikingblood" para o torneio de 2026.  


A campanha da Noruega no Campeonato do Mundo de 2026, que marcou o regresso da seleção à fase final do torneio após uma ausência de 28 anos (desde a participação em 1998), serviu de catalisador para a expansão do ritual.


Sob a liderança tática do treinador Ståle Solbakken e impulsionada em campo por estrelas mundiais como Martin Ødegaard e Erling Haaland, a seleção norueguesa assegurou a qualificação antecipada para a fase desesseis avos de final.


Haaland teve um papel crucial ao marcar dois golos na vitória por 3-2 sobre o Senegal, o que elevou o seu registo individual para 59 gols em 52 convocações. A equipe também venceu a seleção do Iraque por 4-1.


Após o apito final em Nova Iorque, a seleção norueguesa, encabeçada por Ødegaard munido de um instrumento de percussão, juntou-se formalmente aos torcedores no gramado para executar a coreografia da remada, o que solidificou a sua dimensão institucional.  


A rápida viralização digital da remada viking gerou manifestações em múltiplos pontos geográficos e esferas sociais, conforme detalhado na tabela abaixo:  

Espaço Físico / Instituição

Descrição da Manifestação

Significado Social e Repercussão

Times Square, Nova Iorque

Centenas de torcedores noruegueses reuniram-se para sentar-se e remar no asfalto da praça antes das partidas.   

Considerado o pico de exposição mediática e a "cereja no bolo" da viralização internacional.   

Boston South Station (Escadas Rolantes)

Torcedores sentaram-se em fila nos degraus de uma escada rolante em movimento, o que gerou a ilusão de um barco a subir o terminal.   

Capturado pelo repórter Jeremy Siegel (GBH), o vídeo tornou-se um dos principais motores do fenómeno nas redes sociais.   

Karl Johan, Oslo

Concentração de mais de 15 000 pessoas no centro da capital norueguesa, em frente ao palácio real.   

Sob a liderança do atleta Petter Northug, demonstrou a escala nacional e a apropriação comunitária do rito em solo pátrio.   

Parlamento Norueguês (Storting)

Sessão plenária interrompida onde o presidente do parlamento, Masud Gharahkhani, liderou os deputados no gesto de remar.   

Demonstração de apoio político uníssono à seleção, com a promoção da remada como símbolo de união, paz e amor.   

Sagastad (Navio Myklebust)

Torcedores e funcionários preencheram o convés da reconstrução do navio viking Myklebust para realizar o rito.   

Recontextualização direta do património arqueológico através de práticas de lazer desportivo contemporâneo.   

Hospitais Noruegueses

Pacientes e profissionais de saúde reproduziram a coreografia nas enfermarias e corredores.   

Integração do ritual no quotidiano institucional norueguês como expressão de solidariedade social.   

Apesar da aceitação quase unânime do ritual pela população e pelas instituições estatais, o fenômeno também encontrou resistências.


O torcedor norueguês Stein Lappen viralizou nas transmissões da emissora nacional NRK ao recusar-se ostensivamente a participar na remada no meio das arquibancadas de camisas vermelhas.


Lappen classificou a comemoração pública como uma "ideia estúpida", o que evidenciou que a padronização do comportamento dos torcedores através de narrativas de herança mítica encontra oposição em setores que rejeitam a espetacularização desportiva artificial.  


Viking Thunder Clap é um cântico de futebol executado com um grito alto e uma palma. O cântico já foi executado por torcedores de diversos clubes, mas ganhou destaque durante a Eurocopa de 2016, quando os torcedores da seleção islandesa introduziram seu "viking clap" com um cântico "huh".

O contraste com os rituais reais da Era Viking

O fenômeno da remada viking não pode ser analisado isoladamente; ele segue a genealogia do Viking Thunder Clap (ou Viking Clap), o cântico de palmas sincronizadas acompanhado pelo grito gutural "Huh!" que celebrizou os torcedores da Islândia durante a UEFA EURO de 2016.


À época, expectadores internacionais assumiram que o clamor islandês era um grito de guerra tradicional preservado desde a colonização da ilha.


Contudo, o próprio tesoureiro do grupo de torcedores islandeses Tólfan, Kristinn Hallur Jonsson, desmistificou a origem do cântico, ao confirmar que este fora importado dos torcedores do clube escocês Motherwell F.C. durante um jogo da UEFA Europa League contra o Stjarnan em 2014.


Os escoceses, por sua vez, haviam-no adaptado de uma cena do filme de Hollywood 300 (2006), onde o ator Gerard Butler, no papel do rei espartano Leónidas, questiona os seus soldados sobre a sua vocação, ao que estes respondem com um grito uníssono de "Huh!".


Outros analistas apontam precedentes semelhantes em rituais do clube francês Lens nos anos 90 e do clube grego PAOK.  


A eficácia deste tipo de ritual como motor de coesão comunitária e marketing desportivo levou à sua rápida globalização e à sua adoção por diversas federações e franquias desportivas, como demonstrado na tabela seguinte:  

Entidade Desportiva

Nome do Ritual Adaptado

Característica e Modificação do Rito

Função de Identidade Cultural

Seleção de Futebol da Islândia

Viking Clap / Thunderclap

Palmas coordenadas acima da cabeça acompanhadas pelo grito uníssono "Huh!".   

Afirmação da identidade nórdica e união entre a equipa e a população da ilha.   

Canberra Raiders (NRL - Austrália)

Viking Clap

Introduzido em 2016, executado antes dos jogos da liga de rugby.   

Símbolo de intimidação desportiva e espetáculo de entretenimento familiar.   

Carolina Hurricanes (NHL - Hóquei)

The Storm Surge

Celebração pós-jogo onde os jogadores realizam palmas sincronizadas no gelo.   

Criação de uma forte ligação comunitária e espetacularização do hóquei norte-americano.   

Minnesota Vikings (NFL - EUA)

Skol Viking Clap

Substituição do grito "Huh!" pela palavra "Skol", executada num estádio fechado com uso de tambor gigante.   

Conexão com o hino da equipa e exploração da herança dos imigrantes escandinavos no Minnesota.   

Seleção de Futebol da Índia (Blue Pilgrims)

Viking Clap

Adaptado pelas claques organizadas do futebol indiano a partir de 2018.   

Demonstração de modernidade nas claques e apoio incondicional à seleção nacional.   

Seleção de Rugby da Irlanda

Viking Clap

Adotado na preparação e celebrações do Campeonato do Mundo de Rugby de 2023.   

Expressão de unidade da equipa liderada pelos jogadores no relvado.   

A incorporação do termo "Skol" pela franquia de Minnesota elucida a apropriação semântica moderna: o vocábulo deriva das línguas escandinavas modernas (Skål em sueco, dinamarquês e norueguês), que designava originalmente uma malga ou taça de cerveja partilhada entre amigos, o que se transformou num brinde sinônimo de "Saúde!".


No contexto desportivo, o termo foi despido da sua função de sociabilização tabernária para se tornar um grito de guerra militarizado de estádio.  


Outrossim, esta espetacularização desportiva contemporânea ancora-se no legado do Romantismo Nacionalista do Século XIX, período no qual as nações escandinavas procuraram reconstruir e higienizar o seu passado medieval para fundamentar projetos de identidade coletiva e coesão estatal.


O movimento do Escandinavismo (Scandinavism), ativo sobretudo entre as décadas de 1840 e 1870, promoveu a ideia de que dinamarqueses, suecos e noruegueses partilhavam uma única raiz cultural, linguística e histórica de natureza mítica, cujo ponto álgido residia na Era Viking.


Através de reuniões de estudantes pan-escandinavos e de uma vasta produção literária, historiadores e poetas reinterpretaram a figura do guerreiro nórdico: o outrora temido "bárbaro pagão" descrito pelos cronistas monásticos ingleses e francos foi transformado num herói civilizador, amante da liberdade, da navegação e dotado de elevados padrões morais.  


A instrumentalização deste passado místico estendeu-se para além das fronteiras da Escandinávia, alcançando os Estados Unidos.


A publicação em 1837 da obra Antiquitates Americanae pelo filólogo dinamarquês Carl Cristian Rafn apresentou as sagas de Vínland (Grænlendinga saga e Eiríks saga rauða), propondo que navegadores nórdicos haviam colonizado partes da América do Norte por volta do ano 1000.


No ambiente cultural do Século XIX, as elites de Nova Inglaterra adotaram a tese de Rafn. A exaltação do pioneiro nórdico "branco e protestante" serviu para neutralizar as reivindicações territoriais e históricas das populações nativas americanas e para marginalizar o legado do católico genovês Cristóvão Colombo.


Deste modo, a figura do guerreiro que navega e rema rumo a novas costas constitui uma projeção maleável e politizada que serve a diferentes propósitos ideológicos, seja o nacionalismo excludente do Século XIX ou o multiculturalismo unificador e pacífico promovido pelo parlamento norueguês em 2026.  


Desafios Arqueológicos e Literários: o silêncio das fontes sobre rituais lúdicos na Era Viking

O confronto entre os rituais modernos e os dados históricos revela que a vocalização pré-combate na Era Viking não possuía o caráter de coordenação física ou a tônica lúdica do desporto contemporâneo.


As fontes historiográficas escandinavas atestam a existência do heróp, o grito de guerra 'oficial' das forças militares estruturadas.


No entanto, longe de ser um clamor abstrato ou monossilábico, o heróp funcionava como uma declaração de aliança política, filiação religiosa e coesão militar sob o comando de um líder dinástico.


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A descrição mais pormenorizada de um grito de guerra formal surge na Saga de Santo Olavo (Ólafs saga helga), preservada na Heimskringla de Snorri Sturluson, que relata os acontecimentos que antecederam a Batalha de Stiklestad em 1030.


O Rei Olavo Haraldsson (Óláfr Haraldsson) ordenou que as suas hostes adotassem um brado comum para evitar o fogo amigo na confusão do combate:  


Fram, fram, kristmenn, krossmenn, konungsmenn! (Avante, avante, homens de Cristo, homens da cruz, homens do rei!)   

Em oposição, a hoste camponesa adversária marchou vocalizando o seu próprio grito de combate, o que demarcava a sua identidade social e oposição à centralização monárquica:  


Fram, fram, búandmenn! (Avante, avante, camponeses livres!)   

Fora deste contexto estruturado, a vocalização de guerra possuía contornos muito mais primitivos e associados ao êxtase pagão do transe militar.


Os berserkers (berserkir), descritos na Saga dos Ynglingos (Ynglinga saga), representavam a personificação do guerreiro sagrado de Odin (Óðinn), cuja preparação para o combate se caracterizava pela perda total do controlo consciente.


Snorri Sturluson escreve que estes guerreiros "uivavam como cães selvagens ou lobos" (grenjaðu sem hundar) e "mordiam as bordas dos seus escudos" (bitu í skjaldarrendur) antes de avançarem despidos de armadura formal.


Essa fúria selvagem indômita impedia qualquer coordenação rítmica ou coreográfica de grupo.


Esta ausência de disciplina foi precisamente o fator que causou o desastre militar na batalha de Stiklestad, onde os berserkers colocados na vanguarda do exército romperam a linha tática de defesa para atacar de forma desorganizada, o que precipitou a derrota e a morte do próprio monarca.


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A fúria extática dos berserkers pertencia ao domínio do transe individual e religioso, incompatível com a sincronia mecânica da remada.  


Outro exemplo notável de cântico pré-combate preservado na literatura nórdica é o Darraðarljóð (O Cântico de Dörruð), inserido no capítulo 157 da Saga de Njál.


A narrativa situa o poema na manhã da Sexta-Feira Santa de 1014, o que coincidia temporalmente com a Batalha de Clontarf, travada perto de Dublim.


Um homem chamado Dörruð avistou doze mulheres cavalgando juntas em direção a uma cabana isolada. Ao espreitar por uma fresta, testemunhou uma visão aterradora: doze valquírias haviam montado um enorme tear para tecer o destino da batalha iminente.


Os componentes do tear são descritos com detalhe macabro: a urdidura e a trama eram feitas de intestinos humanos esticados; os pesos eram cabeças humanas decepadas; lanças ensanguentadas serviam de varas de liço; espadas de ferro batiam a trama e as bobinas eram flechas afiadas .


Enquanto operavam este tear grotesco e teciam o chamado "tecido da vitória" (sigrvef), as valquírias entoavam em uníssono o cântico que profetizava a queda de reis:  


Vindum, vindum vef Darraðar, þars vé vaða vígra manna; látum eigi líf hans farask, eígu valkyrjur vals of kosti.  (Tecemos, tecemos a teia de lanças, onde flutuam os estandartes dos homens de armas; não deixemos que a sua vida se perca; as valquírias detêm a escolha dos caídos.)   

O Darraðarljóð ilustra com precisão a mentalidade nórdica face à guerra: a canção não visava divertir ou criar laços de fraternidade mundana, mas sim realizar um ato de magia simpática e coerciva para manipular as correntes do destino no campo de batalha.

  

Além dos gritos de combate e das profecias, a cultura nórdica possuía o galdr, um sistema estruturado de magia puramente vocal e acústica.


O galdr consistia na declamação ou canto de encantamentos rítmicos com o intuito de dobrar a realidade física, curar enfermos ou enfraquecer oponentes.


A prática mágica dividia-se em dois ramos: o Seiðr (prática de cariz xamânico associada maioritariamente a figuras femininas como as volvas (vǫlvur), que envolvia estados alterados de consciência e cuja prática por homens era considerada ergi, ou seja, tabu social) e o Galdr (magia vocal ativa baseada no som, praticada tanto por homens como por mulheres e socialmente aceitável para chefes, guerreiros e poetas).  


O galdr era executado utilizando uma técnica de expressão vocal específica, caracterizada por um registo extremamente agudo, por vezes descrito como um canto em falsete penetrante ou emulação do grito de aves de rapina.


O Deus Odin, mestre absoluto do galdr, enumera dezoito encantamentos rituais na secção Ljóðatal do poema éddica Hávamál, vários dos quais destinados especificamente ao combate, como feitiços para embotar o ferro das espadas dos inimigos ou gerar uma muralha acústica invisível de proteção.  


FAQ: Perguntas Frequentes sobre a tradição viking — cânticos nórdicos

1) A remada viking executada pela torcida da Noruega na Copa de 2026 tem base histórica?

Não. É uma invenção de marketing desportivo concebida recentemente pelo professor Ole Frøystad para engajar os torcedores do grupo Oljeberget. As fontes históricas medievais não registram qualquer tipo de coreografia lúdica ou simulação de remada coletiva como preparação para combates militares.  


2) Qual era a verdadeira função dos cantos de remada (róðrarsöngvar) na Idade Média?

Os cantos de remada possuíam uma função estritamente laboral e prática. Em navios de grandes dimensões, o ritmo síncrono mantinha as dezenas de marinheiros em perfeita coordenação mecânica, o que impedia a colisão dos remos e otimizava a hidrodinâmica do vaso de guerra.  


3) Como os remos dos barcos medievais influenciaram a poesia escrita pelos poetas áulicos?

De acordo com a tese do filólogo Richard Perkins, o metro poético mais complexo da Escandinávia medieval, o dróttkvætt, teve a sua origem biológica e mecânica nos cantos de trabalho dos marinheiros. A terminação trocaica fixa de cada linha de seis sílabas reproduzia com precisão o ciclo físico da remada: a sílaba longa marcava o esforço máximo ao puxar o cabo contra a água, e a sílaba breve correspondia ao retorno passivo do remo através do ar.  


Conclusão: o verdadeiro ritmo dos remos na história medieval

A análise exaustiva da remada viking utilizada pela seleção norueguesa de futebol e pelos seus torcedores na Copa do Mundo de 2026 elucida a mecânica de criação e popularização das chamadas "tradições inventadas".


Concebido como uma estratégia de marketing desportivo para potenciar o envolvimento digital, o ritual carece de historicidade como brado militar medieval.


À semelhança do Viking Clap da Islândia, a remada moderna projeta anseios românticos de um coletivismo pacífico e divertido sobre um passado historicamente marcado por tensões.


Contudo, a desmistificação do ritual contemporâneo não desvaloriza a riqueza cultural do passado escandinavo; pelo contrário, permite resgatar a extraordinária ligação acústica e rítmica que de fato existia na Era Viking.


Longe do entretenimento dos estádios modernos, os guerreiros nórdicos marchavam ao som de brados ideológicos articulados como o heróp. Utilizavam também o poder penetrante do galdr e a solenidade fúnebre do Darraðarljóð para invocar a proteção divina e tentar dobrar a teia do destino no campo de batalha.  


Finalmente, no plano cotidiano da navegação, o ranger dos remos e a fadiga muscular dos marinheiros nos fiordes geraram um ritmo de esforço trocaico que moldou a génese do dróttkvætt, a métrica mais complexa da poesia escandinava medieval.


É nesta ligação profunda entre o esforço físico marítimo e a expressão literária que reside a verdadeira herança da remada na Escandinávia medieval, onde o ritmo das águas e a voz humana se fundiram.  


Este artigo foi parcialmente criado por Inteligência Artificial (IA). Para mais notícias sobre achados arqueológicos e história, continue acompanhando a Livros Vikings. Somos um portal dedicado a trazer informações históricas e curiosidades sobre a Era Viking. Se você gostou deste artigo, compartilhe-o em suas redes sociais!


Referências

BJARNAR saga Hítdælakappa. [S. l.]: Snerpa.is, [s. d.]. Disponível em: https://www.snerpa.is/net/isl/bjarnar.htm. Acesso em: 30 jun. 2026.


BJARNAR saga Hítdælakappa. Guðni Jónsson bjó til prentunar. [S. l.]: Heimskringla.no, [s. d.]. Disponível em: https://heimskringla.no/wiki/Bjarnar_saga_H%C3%ADtd%C3%A6lakappa. Acesso em: 30 jun. 2026.


CAMPEÕES de torcida da Copa? Remada viking da Noruega vira sensação nas redes sociais. Terra, 2026. Disponível em: https://www.terra.com.br/esportes/futebol/copa-2026/videos/campeoes-de-torcida-da-copa-remada-viking-da-noruega-vira-sensacao-nas-redes-sociais,b6805b649e4cf3a95c8d5a3a0aa73ac293xxv69m.html. Acesso em: 29 jun. 2026.


FIGUEIREDO, Annie. Copa do Mundo 2026: conheça como a remada viking surgiu na Noruega. CNN Brasil, 2026. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/esportes/futebol/copa-do-mundo/copa-do-mundo-2026-conheca-como-a-remada-viking-surgiu-na-noruega/. Acesso em: 29 jun. 2026.


HJARDAR, Kim. The truth about Viking berserkers. HistoryExtra, 19 mar. 2020. Disponível em: https://www.historyextra.com/period/viking/the-truth-about-viking-berserkers/. Acesso em: 30 jun. 2026.


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PERKINS, Richard. Rowing chants, the first "Kings' Sagas"? (summary). In: INTERNATIONAL SAGA CONFERENCE, 11., 2003, Elsinore. Proceedings [...]. Elsinore: [s. n.], 2003. Disponível em: http://sagaconference.org/SC03/SC03_Perkins.pdf. Acesso em: 29 jun. 2026.


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Sobre o Editor:

Paulo Marsal é jornalista (MTb nº 0091859/SP) e fundador da Livros Vikings, o principal portal em língua portuguesa dedicado à cultura nórdica. Como palestrante e especialista em comunicação, atua na curadoria e direção editorial do site, dedicado à difusão de informações precisas, pesquisas e descobertas sobre a história e a mitologia escandinava para o público brasileiro.

✉️ Contato: paulomarsal@livrosvikings.com.br

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