6 Descobertas Arqueológicas Recentes que Redesenham o Mapa do Mundo Viking

Igrejas na Groenlândia, salões na Irlanda e túmulos no Leste Europeu revelam a real dimensão das redes comerciais e militares da Era Viking

Neste artigo, você verá
O que as novas descobertas arqueológicas revelam sobre a expansão viking?
A "prova definitiva" na Groenlândia: como uma igreja viking explica o poder no Ártico?
Woodstown e Dublin: por que a Irlanda foi um polo estratégico na Era Viking?
Fronteiras do Leste Europeu: onde os costumes eslavos, bálticos e vikings se cruzaram?
Identidade, política e comércio: o que os artefatos da fronteira viking realmente provam?
FAQ: Perguntas Frequentes sobre as Fronteiras da Era Viking;
As descobertas arqueológicas recentes fora da Escandinávia comprovam que o mundo viking funcionava como uma vasta rede transcontinental de comércio, assentamento permanente, disputa política e troca cultural, estendida das geleiras da Groenlândia às bacias fluviais da Polônia, Letônia, República Tcheca e Rússia.
Longe da imagem restrita a invasores sazonais, os vestígios materiais analisados por arqueólogos em 2026 revelam fazendeiros nórdicos na disputa por prestígio religioso no Ártico, artesãos em grandes salões na Irlanda e rotas fluviais no Leste Europeu onde tradições funerárias escandinavas, bálticas e eslavas se entrelaçaram.
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Imagine o mapa medieval europeu e norte-atlântico não como um conjunto de fronteiras fechadas, mas como uma malha rodoviária feita de rios e mares.
Por essas hidrovias circulavam prata, pedra-sabão, espadas, crenças cristãs e rituais de cremação. Quando escavações modernas abrem o solo de antigos assentamentos na periferia da Escandinávia, elas expõem como essas conexões transformaram tanto os navegadores nórdicos quanto as sociedades locais que interagiam com eles.
O que as novas descobertas arqueológicas revelam sobre a expansão viking?
Os estudos divulgados por universidades, museus nacionais e institutos de pesquisa europeus demonstram que a presença e a influência escandinava assumiram formas distintas em cada território.
Enquanto no Atlântico Norte a arqueologia documenta a consolidação de estruturas permanentes de habitação e fé, no Báltico e na Europa Central os vestígios refletem um cenário complexo de conflitos armados, assimilação de rituais e identidades híbridas.
A tabela abaixo sintetiza os seis sítios e contextos arqueológicos que redefinem a compreensão atual sobre as fronteiras do mundo viking e suas conexões medievais:
Localidade e Sítio | Datação Estimada | Descoberta Principal | Instituição Responsável | Significado Histórico |
|---|---|---|---|---|
Narsarsuaq (Groenlândia) | c. 1100–1300 d.C. | Esqueleto cristão e fundações de pedra da primeira igreja nórdica descoberta na ilha em mais de 60 anos. | Museu Nacional da Dinamarca e Museu Universitário de Bergen | Evidencia a transição ao cristianismo e a disputa por poder político entre fazendeiros perto de Brattahlíð. |
Woodstown, Waterford (Irlanda) | Séculos IX e X d.C. | Fundação de um grande salão (longhouse) de 127 m², pedra-sabão norueguesa, hacksilver e montaria insular. | Abarta Heritage, Discovery Programme e Universidade de Stavanger | Confirma que o local não era apenas um acampamento temporário, mas um assentamento estável ligado a Rogaland (Noruega). |
Chodlik, Lublin (Polônia) | Séculos VIII a X d.C. | Sepultura de cremação em formato de barco (4,5 metros) com joias de prata e dente de cavalo. | Academia Polonesa de Ciências (IAE PAN) | Primeiro achado do tipo na Pequena Polônia; levanta debates sobre trocas funerárias entre grupos eslavos e o mundo viking. |
Chunkani-Drengeri (Letônia) | Segunda metade do século IX d.C. | Sepultura múltipla de seis indivíduos semigalianos com traumas letais de lâminas. | Universidade da Letônia | Registra um evento violento no início da Era Viking próximo ao Golfo de Riga, possivelmente ligado a incursões marítimas ou conflitos locais. |
Castelo de Praga (República Tcheca) | Século X d.C. | Guerreiro sepultado em 1928 com espada, machado e pederneira de estilo viking ao lado de itens eslavos. | Universidade de Bristol (estudo historiográfico de Antiquity) | Demonstra a fluidez cultural nas rotas da Europa Central e o perigo da manipulação ideológica de achados arqueológicos. |
Veliky Novgorod (Rússia) | Séculos XIV e XV d.C. (Sítio Troitsky XVII) | Três apliques de cinto em bronze com motivos de dragões e alto teor de níquel. | Museu-Reserva Estatal de Novgorod | Ilustra a continuidade histórica da antiga Holmgard como polo comercial internacional até o período da Horda Dourada. |
A "prova definitiva" na Groenlândia: como uma igreja viking explica o poder no Ártico?
A confirmação arqueológica de uma igreja nórdica próxima à cidade moderna de Narsarsuaq, no sul da Groenlândia, representa a primeira descoberta confirmada de um templo cristão da Era Viking e da Idade Média nórdica na ilha em mais de 60 anos.
O sítio fica a aproximadamente 4,8 quilômetros (três milhas) de Brattahlíð, a antiga propriedade de Erik, o Vermelho, que liderou a colonização islandesa da região por volta de 985 d.C.
Embora pesquisadores tivessem identificado no início dos anos 2000 um muro retangular de pedra com vestígios de uma construção central, faltava a evidência funerária indispensável para comprovar a função sagrada do recinto.
Em 2025, no último dia de escavação, a equipe localizou fragmentos de carvão e um osso humano decomposto.
O retorno dos pesquisadores em agosto de 2026 revelou um esqueleto humano completo, sepultado com os braços alinhados ao lado do corpo e a cabeça orientada para o leste, padrão característico dos sepultamentos cristãos nórdicos no início da Idade Média.

Christian Edelfelt Koch Madsen, arqueólogo do Museu Nacional da Dinamarca e colíder da escavação, destacou a relevância imediata do achado:
Esta é a 'prova definitiva'. Agora não há dúvida de que se trata de uma igreja.
A competição entre fazendeiros nórdicos perto de Brattahlíð e o mistério do Século XV
Com base nas dimensões do edifício e no uso de pedras talhadas, os especialistas estimam que a igreja foi erguida entre 1100 e 1300 d.C. época em que os colonos da Groenlândia consolidavam a conversão ao cristianismo.
A localização do templo coincide com as descrições da "Igreja Sob as Montanhas Ensolaradas", mencionada no manuscrito medieval islandês Flateyjarbók (Livro de Flatey), situada diante de uma cadeia montanhosa na borda do manto de gelo onde o clima costuma ser ensolarado.
Mais do que locais de devoção, os templos funcionavam como instrumentos de autoridade econômica.
Ao todo, os arqueólogos já mapearam seis igrejas ao redor de Brattahlíð, centro de uma colônia que atingiu cerca de 3.000 habitantes em seu auge.
Segundo Christian Edelfelt Koch Madsen, em declaração publicada pela Smithsonian Magazine:
As igrejas eram vitais na sociedade nórdica, o que as torna fundamentais para compreender como essa sociedade, especialmente as estruturas de poder, se desenvolveu.
Essas seis estruturas próximas indicam que fazendeiros ricos e proprietários de terras locais construíam templos próprios para disputar influência política e as receitas financeiras ligadas à administração eclesiástica. Como resumiu Madsen ao The Viking Herald:
Essas igrejas parecem demonstrar que, no início da Idade Média, [os colonos nórdicos] começaram a competir sobre quem comandaria o espetáculo.
Os colonos nórdicos prosperaram na Groenlândia por mais de quatro séculos: ergueram centenas de fazendas e mansões, importaram vitrais, criaram ovelhas, cabras e gado, e exportaram marfim de morsa, peles e ursos polares vivos para a Europa, até desaparecerem no início do século XV.
Para Konrad Smiarowski, arqueólogo ambiental do Museu Universitário de Bergen e colíder do projeto, a descoberta:
É mais uma peça do quebra-cabeça que pode nos aproximar de entender o que aconteceu com a colônia nórdica na Groenlândia e o mistério de seu desaparecimento.
Woodstown e Dublin: por que a Irlanda foi um polo estratégico na Era Viking?
Do outro lado do Atlântico Norte, na Irlanda, novas escavações no assentamento viking de Woodstown, às margens do Rio Suir (a oeste da cidade de Waterford), revelaram a maior edificação já encontrada no sítio.
O trabalho conjunto de arqueólogos irlandeses e noruegueses reforça que o local, ocupado nos séculos IX e X d.C., não operava apenas como uma base temporária para saques e trocas, mas como um núcleo urbano planejado com até 61 estruturas.
Identificado originalmente em 2003 durante obras rodoviárias da via N25 Waterford City Bypass — ocasião em que apenas 5% da área foi escavada, revelando mais de 750 estruturas arqueológicas, milhares de artefatos e o famoso túmulo do "Guerreiro de Woodstown" (sepultado com espada, escudo, ponta de lança, machado, faca e pedra de amolar) —, Woodstown possui uma vantagem rara para a ciência.
Diferente de Dublin ou Waterford, o assentamento nunca foi coberto por uma cidade moderna, preservando um retrato intacto da vida cotidiana na Era Viking.

O grande salão de 127 m² em Woodstown e a conexão direta com a Noruega
Durante a temporada de escavações de verão, especialistas da Abarta Heritage, do Discovery Programme e do Museu Arqueológico da Universidade de Stavanger (Noruega), financiados pela Royal Irish Academy e pelo Conselho da Cidade e Condado de Waterford, investigaram uma anomalia detectada por levantamentos geofísicos.
A equipe desenterrou valas de fundação com buracos de poste e sinais de um incêndio severo em parte do edifício.
Com uma área interna de 127 m² — quase o dobro do tamanho da maioria das construções mapeadas em Woodstown —, a estrutura corresponde a um grande salão (hall ou longhouse) e figura como forte candidata à maior edificação viking já descoberta na Irlanda.
No interior de seu perímetro, os arqueólogos recolheram um conjunto expressivo de artefatos:
Comércio e metalurgia: fragmentos de prata cortada (hacksilver), pesos de chumbo, moedas, cadinhos, ferramentas para ourivesaria fina, metal bruto e escória, que provam a produção artesanal e comercial dentro do salão;
Importação doméstica da Noruega: fragmentos de dois grandes recipientes de pedra-sabão (soapstone), matéria-prima escassa na Irlanda, mas abundante na Noruega, trazida em navios escandinavos;
Evidência de incursões e laços familiares: um fragmento de aplique metálico decorado com uma cruz e arte insular irlandesa, provavelmente retirado de um arreio ou objeto eclesiástico. Peças idênticas aparecem com frequência em Rogaland (região ao redor da atual Stavanger, no sudoeste da Noruega), reutilizadas como joias em túmulos femininos de alto status para simbolizar conexões familiares com assentamentos na Irlanda.
O Seminário Internacional Viking de Dublin 2026 e o avanço da arqueologia colaborativa
Essas descobertas em Woodstown ganharam destaque nas discussões do International Viking Seminar 2026: Viking Ireland and the Wider World, realizado em 9 de outubro de 2026 no Wood Quay Venue, como parte do Dublin Festival of History.
Organizado pelo Conselho Municipal de Dublin (Dublin City Council), pela Universidade Nacional da Irlanda (NUI) e pela Real Embaixada da Noruega na Irlanda, em parceria com a Dublinia e a organização Friends of Medieval Dublin, o evento reuniu pesquisadores dos dois países para debater redes marítimas do Mar do Norte e paisagens de assentamento.
Segundo o comunicado oficial do Dublin City Council, a Dra. Ruth Johnson, Arqueóloga da Cidade de Dublin, ressaltou o valor do encontro realizado exatamente sobre os vestígios arqueológicos da antiga muralha escandinava:
Sediar o seminário no Wood Quay Venue, com vista para os vestígios da muralha da cidade da Era Viking de Dublin, proporciona um cenário único para explorar a história da Irlanda Viking e suas conexões mais amplas.
O embaixador da Noruega na Irlanda, Aslak Brun, e o chanceler da NUI, Professor Micheál B. Murphy, também destacaram no comunicado que a cooperação científica entre instituições irlandesas e norueguesas tem transformado o conhecimento sobre o impacto duradouro da presença nórdica na ilha.
Fronteiras do Leste Europeu: onde os costumes eslavos, bálticos e vikings se cruzaram?
Se no Ocidente os escandinavos ergueram salões e igrejas, nas rotas fluviais e costeiras do Leste Europeu o contato com comunidades eslavas e bálticas deixou marcas profundas nos rituais de morte e nos registros de violência armada.
Duas pesquisas divulgadas em outubro de 2026, na Polônia e na Letônia, expõem a complexidade dessas fronteiras.
O raro sepultamento em barco em Chodlik (Polônia) e os ecos funerários escandinavos
Em Chodlik, na Floresta de Chodel (sudeste da Polônia), arqueólogos do Instituto de Arqueologia e Etnologia da Academia Polonesa de Ciências, liderados pelo Dr. Łukasz Miechowicz, descobriram um sepultamento em formato de barco datado entre os séculos VIII e X.
A estrutura mede cerca de 4,5 metros de comprimento por 1 a 1,2 metro de largura, formato idêntico ao de uma canoa escavada em um único tronco de árvore (dugout canoe), situada entre outros dois monumentos funerários: uma sepultura em formato de "casa dos mortos" e um túmulo de montículo (burial mound).

Dentro da estrutura em formato de embarcação, a equipe recuperou restos humanos cremados, fragmentos de cerâmica, carvão, mais de uma dúzia de fragmentos de joias de prata — parte deles derretida pelo fogo da pira funerária —, um anel temporal de prata (temple ring) trabalhado com contas ocas e granulação fina, e um dente de cavalo.
Embora raros em cemitérios eslavos, sepultamentos em barcos são uma das marcas mais conhecidas da Era Viking na Escandinávia e já haviam sido registrados na costa báltica (como em Wolin, na Pomerânia e em Mecklenburg) e em Myszęcin, no oeste polonês.
O achado de Chodlik, porém, é o primeiro do tipo na região histórica da Pequena Polônia, localizada muito mais para o interior do continente.
Próximo ao Rio Vístula e centrado em uma fortaleza de mais de oito hectares, o complexo de Chodlik mantinha redes comerciais que alcançavam os territórios da Rus', a Renânia e a Grande Morávia.
A equipe realiza agora análises de flotação de sedimentos, datação por radiocarbono, modelagem 3D e exames de isótopos nos dentes humanos preservados para determinar a origem do indivíduo e confirmar se o barco funerário reflete influência direta do mundo viking ou uma adaptação simbólica local da viagem para a vida após a morte.
A sepultura múltipla de Chunkani-Drengeri (Letônia): vítimas de um ataque viking no século IX?
Mais ao norte, próximo ao Golfo de Riga, na Letônia, a interação nas águas bálticas revelou sua face violenta. Arqueólogos analisaram uma sepultura múltipla no cemitério de Chunkani-Drengeri, datada por radiocarbono na segunda metade do século IX — período inicial da Era Viking.
Com base em dados da Live Science, o túmulo continha seis pessoas: quatro homens adultos, um menino e uma menina.
Análises de DNA antigo revelaram que todos pertenciam aos Semigalianos (Semigallians), comunidade báltica da Idade do Ferro que habitava as planícies férteis da região.
O menino era filho de um dos homens e parente de terceiro grau (provavelmente primo ou tio-avô) de outro adulto; outros dois homens não possuíam parentesco biológico direto com esse núcleo familiar, o que sugere que faziam parte da mesma propriedade ou comunidade doméstica.
Os ossos de três dos homens apresentavam traumas fatais provocados por lâminas afiadas:
O primeiro indivíduo possuía ferimentos de defesa no antebraço e na mão;
O segundo teve a mandíbula destroçada por um golpe direto;
O terceiro foi quase decapitado.
Apesar da morte violenta, os corpos não foram jogados às pressas em uma vala comum.
Os sobreviventes realizaram um sepultamento múltiplo cuidadoso segundo a tradição local, com bens funerários tradicionais: a menina foi posicionada com a cabeça para o noroeste, enquanto os cinco indivíduos do sexo masculino foram alinhados ao seu lado com as cabeças voltadas para o sudeste.
Segundo Elina Petersone-Gordina, arqueóloga da Universidade da Letônia e coautora do estudo, embora não seja possível identificar os agressores com certeza absoluta, a cronologia do século IX, a localização costeira estratégica no Golfo de Riga e a brutalidade dos ferimentos por lâmina colocam um ataque viking entre as principais hipóteses, ao lado de conflitos internos ou disputas entre grupos vizinhos.
Identidade, política e comércio: o que os artefatos da fronteira viking realmente provam?
Quando objetos escandinavos aparecem fora de sua região de origem, surge uma questão central para a ciência histórica: uma espada ou um adorno definem a etnia de quem os portava?
Dois estudos em importantes centros históricos da Europa Central e Oriental — Praga e Veliky Novgorod — demonstram como a arqueologia moderna interpreta a circulação de armas e mercadorias sem cair em rótulos simplistas.

O guerreiro do Castelo de Praga: entre a apropriação política e a identidade viking ou eslava
Em julho de 1928, o arqueólogo nascido na Ucrânia Ivan Borkovský abriu uma sepultura do século X nas áreas mais antigas do Castelo de Praga, na atual República Tcheca.
O esqueleto masculino estava acompanhado por uma espada — o único exemplar do tipo entre cerca de 1.500 sepulturas medievais identificadas no castelo na época —, um machado e um feridor de fogo (pederneira), itens diretamente associados ao equipamento militar viking, depositados ao lado de facas e um balde de tradição eslava local.
O estudo "Zeitgeist archaeology: conflict, identity and ideology at Prague Castle, 1918–2018" publicado na revista Antiquity pelos pesquisadores Nicholas Saunders (Universidade de Bristol), Jan Frolík e Volker Heyd, o esqueleto tornou-se refém das disputas geopolíticas do século XX:
Ocupação Nazista (1939–1945): após a invasão da Tchecoslováquia em 1939, o regime nazista acusou Borkovský de ocultar provas de uma suposta herança germânica na região e o obrigou, sob ameaça de envio a um campo de concentração, a retirar de circulação um livro sobre cerâmica eslava. Em 1941, seu estudo sobre o túmulo foi publicado sob viés nórdico e teve o título alterado sem sua consulta para "Um Túmulo Viking do Castelo de Praga";
Período Soviético (Pós-1945): com a mudança de regime sob influência soviética no pós-guerra, a leitura pró-nórdica tornou-se politicamente perigosa. Em 1946, Borkovský reinterpretou o morto como um nobre guerreiro eslavo ligado à dinastia Přemyslida.
Para a arqueologia contemporânea, a mistura de armamento viking e utensílios locais no Castelo de Praga comprova que objetos revelam redes de comércio, tecnologia e mobilidade, mas não determinam sozinhos a identidade nacional moderna de um indivíduo.
O homem sepultado em Praga podia ser um guerreiro eslavo que falava nórdico antigo e portava armas escandinavas, um mercenário do norte integrado à elite local ou alguém cuja identidade cultural combinava ambos os mundos.
Os ornamentos de dragão em Veliky Novgorod: do entreposto comercial da Era Viking à Horda Dourada
A mesma cautela metodológica guia as descobertas em Veliky Novgorod, na Rússia. Conhecida nas sagas nórdicas como Holmgard, a cidade consolidou-se durante a Era Viking como um dos principais entrepostos comerciais da rota que ligava o Mar Báltico ao Império Bizantino e ao Oriente.
Séculos após o fim das incursões escandinavas, Novgorod manteve essa vocação de encruzilhada comercial internacional, fato comprovado pela análise recente de três raros ornamentos de bronze anunciados pelo Museu-Reserva Estatal de Novgorod (Novgorod State Museum-Reserve).

As três peças foram escavadas em 2023 no sítio Troitsky XVII por uma equipe liderada por Olga Tarabardina, chefe do Centro de Pesquisa Arqueológica do museu, em camadas arqueológicas dos séculos XIV e XV.
Fundidos em bronze de estanho e chumbo, os apliques exibem três criaturas fantásticas distintas:
Um dragão de corpo curvo e patas dianteiras erguidas, produzido a partir de molde de argila com paralelos no Istmo da Carélia e na Crimeia;
Uma criatura alada com cauda serpentina enrolada e um anel metálico inferior, comum nas regiões do Médio e Baixo Volga;
Um animal de pescoço longo, olhos amendoados, orelhas arredondadas e língua curvada, com marcas de reparo no verso.
A análise química revelou níveis de níquel atipicamente elevados, diferentes da metalurgia local de Novgorod. Esse dado indica que os adornos foram fabricados na região do Volga e pertenciam à tradição militar da Horda Dourada (estado sucessor do Império Mongol estabelecido no século XIII sob a dinastia de Jochi e Batu Khan, com capital em Sarai).
Assim como ocorria com as espadas e joias da Era Viking séculos antes, os ornamentos de dragão mostram como objetos de prestígio militar viajavam centenas de quilômetros através das redes comerciais e tributárias do Leste Europeu.
FAQ: Perguntas Frequentes sobre as fronteiras da Era Viking
1. Onde foi encontrada a nova igreja viking na Groenlândia?
A igreja foi confirmada próxima à cidade atual de Narsarsuaq, no sul da Groenlândia, a cerca de 4,8 km de Brattahlíð (antiga propriedade de Erik, o Vermelho). O local data entre 1100 e 1300 d.C. e teve sua função comprovada pela descoberta de um esqueleto em posição cristã com a cabeça voltada para o leste.
2. Qual a importância do grande salão descoberto em Woodstown, na Irlanda?
O edifício de 127 m² encontrado em Woodstown (Condado de Waterford) é candidato à maior construção viking já descoberta na Irlanda. A presença de pedra-sabão norueguesa, hacksilver e ferramentas de metalurgia em seu interior prova que o sítio era um assentamento permanente dos séculos IX e X, fortemente conectado à região de Rogaland, na Noruega.
3. O sepultamento em barco descoberto em Chodlik, na Polônia, pertence a um viking?
Ainda não é possível afirmar a origem exata do indivíduo cremado. A sepultura de 4,5 metros em formato de canoa, datada entre os séculos VIII e X, fica em um cemitério eslavo na Pequena Polônia e continha joias de prata e um dente de cavalo. Análises de isótopos nos dentes humanos indicarão se o morto tinha origem externa ou se o túmulo representa uma adaptação eslava de tradições funerárias conhecidas no mundo viking.
4. Por que o esqueleto do século X no Castelo de Praga gerou tanta controvérsia política?
Descoberto em 1928 por Ivan Borkovský, o guerreiro foi enterrado com uma espada, machado e pederneira de estilo viking ao lado de utensílios eslavos locais. Durante a ocupação nazista (1939), o achado foi usado como propaganda nórdica/germânica; no pós-guerra sob influência soviética (1946), foi reclassificado como um guerreiro eslavo. Hoje, os arqueólogos entendem que os objetos refletem contato multicultural sem definir uma identidade nacional moderna.
Conclusão: O legado das conexões globais da Era Viking
Olhar para as descobertas de 2026 na Groenlândia, Irlanda, Polônia, Letônia, República Tcheca e Rússia transforma nossa percepção sobre o passado escandinavo.
A Era Viking não foi um fenômeno isolado nos fiordes do norte, mas um catalisador de conexões que integrou o Atlântico Norte ao coração da Eurásia.
Cada parede de pedra erguida perto de Brattahlíð, cada vaso de pedra-sabão levado da Noruega para Woodstown e cada sepultura escavada nas bacias do Vístula, do Golfo de Riga e de Praga mostram sociedades em intenso movimento, capazes de negociar, guerrear e trocar símbolos religiosos a milhares de quilômetros de distância.
Acompanhar o trabalho de universidades e museus internacionais permite enxergar a história sem os filtros ideológicos que distorceram achados no passado.
Este artigo foi parcialmente criado por Inteligência Artificial (IA). Para mais notícias sobre achados arqueológicos e história, continue acompanhando a Livros Vikings. Somos um portal dedicado a trazer informações históricas e curiosidades sobre a Era Viking. Se você gostou deste artigo, compartilhe-o em suas redes sociais!
Referências
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ALTUNTAŞ, Leman. Rare Medieval Dragon-Decorated Bronze Ornaments Discovered. Arkeonews, 1 nov. 2026. Disponível em: https://arkeonews.net/rare-medieval-dragon-decorated-bronze-ornaments-discovered/. Acesso em: 4 nov. 2026.
DUBLIN CITY COUNCIL. Dublin Festival of History International Viking Seminar 2026 explores Ireland's Viking connections. Dublin: Dublin City Council, 5 out. 2026. Disponível em: https://www.dublincity.ie/news/dublin-festival-history-international-viking-seminar-2026-explores-irelands-viking-connections. Acesso em: 4 nov. 2026.
KRAKOWKA, Kathryn. Woodstown Viking settlement reveals more secrets. The Past / Current Archaeology, Londres, ed. 441, 31 out. 2026. Disponível em: https://the-past.com/current-archaeology/441/news/woodstown-viking-settlement-reveals-more-secrets/. Acesso em: 4 nov. 2026.
KUTA, Sarah. Archaeologists Searching for Evidence of a Norse Church in Greenland Have Found 'the Smoking Gun' Near Erik the Red's Settlement. Smithsonian Magazine, Washington, D.C., 20 out. 2026. Disponível em: https://www.smithsonianmag.com/smart-news/archaeologists-searching-for-evidence-of-a-norse-church-in-greenland-have-found-the-smoking-gu-near-erik-the-reds-settlement-180989716/. Acesso em: 4 nov. 2026.
THE ECONOMIC TIMES. A skeleton was found beneath Prague Castle. The Nazis called him a Viking; later it became a Slavonic warrior. The Economic Times, Mumbai, 4 nov. 2026. Disponível em: https://economictimes.indiatimes.com/news/new-updates/a-skeleton-was-found-beneath-prague-castle-the-nazis-called-him-a-viking-later-it-became-a-slavonic-warrior/articleshow/135536663.cms. Acesso em: 4 nov. 2026.
UA.NEWS. In Latvia, grave of six possible victims of a Viking attack examined — Live Science. UA.News, Kiev, 13 out. 2026. Disponível em: https://ua.news/en/world/u-latviyi-doslidili-mogilu-shesti-mozhlivikh-zhertv-napadu-vikingiv-live-science. Acesso em: 4 nov. 2026.
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