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UMA BREVE INTRODUÇÃO SOBRE AS RUNAS: PARTE 2

Em parceria com o @caminhonordico, a @livrosvikings tem a honra de apresentar, semanalmente, conteúdos de fontes seguras relacionados à Fé Nórdica Ancestral — Forn Siðr/Heiðinn Siðr/Forn Sed.


Uma breve introdução sobre as runas: parte 2
A pedra rúnica U 152 em Täby. — Direitos de uso: Creative Commons

O que é runologia?

Ao observamos que algumas pessoas acreditam que a Edda, as sagas e demais fontes históricas escandinavas foram escritas com as rúnar, precisamos esclarecer um ponto crucial.


Nenhum texto da Edda foi escrito com nenhum sistema rúnico, como pode ser observado nesta foto do próprio manuscrito original:

Uma das páginas originais do Hávamál

Inclusive há um instituto de preservação e tradução dos manuscritos escandinavos, que é o Stofnun Árna Magnússonar í íslenskum fræðum (Instituto Árni Magnússon para estudos islandeses), com atuação desde o século XVII.


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O estudo rúnico é denominado Runologia, e é um estudo acadêmico e linguístico, que faz parte dos estudos das línguas escandinavas, desde sua fundação por Johannes Bureus, no século XVI, quando o mesmo estava estudando a língua nórdica antiga.


Os poemas rúnicos não foram feitos para o Elder Fuþark, e isso é atestado na obra Runer Seu Danica Literatura Anqvissima, Vulgò Gothica dicta (1636), de Ole Worm, também runologista e pesquisador da língua nórdica antiga.


A discussão sobre o uso de cada sistema rúnico para seu respectivo idioma, como o Elder Fuþark para o Urnordisk (Protonórdico) e o Younger Fuþark para o Norrœnt Mál (nórdico antigo) é abordada em trabalhos como os feitos por Runólfur Jónsson,

em sua obra Lingvæ Septentrionalis Elementa Tribus Assertionibus, publicada em 1651, e desde então está presente em todas as discussões técnicas sobre os caracteres rúnicos.


Em 1986 foi desenvolvido o Samnordisk runtextdatabas (Database de Inscrições Rúnicas Escandinavas), pela Uppsala universitet (Universidade de Uppsala), com o objetivo de catalogar os diferentes tipos de inscrições rúnicas por época, estilo, idioma e local. Este instituto trabalha arduamente para preservar os monumentos e manter viva a arte das inscrições rúnicas, provendo conteúdo acadêmico necessário para os atuais runologistas.


Ón Ólafsson of Grunnavík, em sua obra Runologia, de 1732, também nota a diferença clara entre os sistemas rúnicos usados para os idiomas nórdicos, e como a influência do latim havia modificado diversos fonemas e palavras, quando era feita a transcrição de uma palavra que estava grafada em rúnico para as letras latinas.


Os fonemas dos idiomas escandinavos são totalmente diferentes dos fonemas presentes no português, e isso é observado pela existência de sons únicos, como o Ch, Lh, Nh, Ç, além de um sistema de acentuação que não existe nos idiomas nórdicos, como por exemplo ô; ã. Apenas isso já faz com que transcrições de textos em português para o Elder Fuþark sejam impossíveis, pois os fonemas do Urnordisk são totalmente diferentes, e nem é necessário entrar em detalhes sobre regras gramaticais.


O kanji (漢字), por exemplo, utilizado na língua japonesa, não é capaz de reproduzir os sons da língua portuguesa. O alfabeto cirílico, usado na língua russa, não reproduz adequadamente os sons da língua portuguesa. A escrita sânscrita não reproduz os fonemas da língua portuguesa. Isso acontece porque cada sistema fonético é pensado nos sons existentes de cada língua.


Estes fatos não são dogmas, nem mesmo trata-se de uma abordagem moderna. O uso adequado de cada sistema rúnico também é notado em autores recentes como Jackson Crawford, Lars Magnar Enoksen e R.I. Page, e é exatamente por isso que citamos no texto dois principais sistemas rúnicos que são erroneamente utilizados, que é o Elder Fuþark, este, inclusive, extinto ANTES do começo da Era Viking, e o Younger Fuþark, o sistema rúnico que foi utilizado por mais tempo na Escandinávia, e é a base de conhecimento para tradução de pedras rúnicas.


Runologia não discute religião, e sim fatos da linguística. No Forn Siðr, a ciência tem papel crucial, e jamais deve ser negada ou ignorada. Existem dezenas de sistemas rúnicos autênticos, cada um com o seu devido uso, evolução, gramática, técnica, formato, nome e época.


Para aqueles que acreditam que os sistemas rúnicos não estão atrelados a língua, façam um exercício, tentem ler o texto que desta pedra rúnica: https://img.guidebook-sweden.com/trel.../tullstorpstenen.jpg


Georg von Rosen - Oden som vandringsman (Odin, o Viajante), 1886

Não se escreve palavras latinas com as rúnar

Cada sistema rúnico foi desenvolvido para atender às necessidades de um determinado contexto. Utilizar um sistema de escrita que não corresponde aos fonemas específicos de uma Língua é inadequado e totalmente incorreto. Embora seja algo óbvio, infelizmente é recorrente ver isto ocorrer - nas redes sociais, por exemplo, abundam estes casos.


Que tal ler um livro vikings?

Livros esotéricos e neo-pagãos brasileiros e estado-unidenses constantemente estimulam essa prática com trechos que dizem algo como “marque seus instrumentos mágicos com as runas”, desconsiderando o estudo da Runologia e utilizando os caracteres rúnicos de forma leviana. Para a escrita de palavras latinas há o alfabeto latino.


O Elder Fuþark atende aos idiomas Ugermanisch (protogermânico) e Urnordisk (protonórdico), já o Younger Fuþark ao Norrœnt (nórdico antigo). Mas recorrentemente vemos o público brasileiro utilizando estes sistemas em tentativas frustradas de transcrever palavras em português, que como sabemos é um idioma latino, portanto, inadequado para a utilização do Elder Fuþark e Younger Fuþark.


Talvez algumas pessoas se perguntem “Faz algum mal?”. Sim. Além de inadequado e incoerente com a história rúnica, é desrespeitoso utilizar as Rúnar de forma errada. Quem quer que já tenha lid