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GATOS, OS ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO PREFERIDOS DOS VIKINGS

Guerreiros formidáveis que protegem ferozmente o seu território e que amplamente exploram para conquistar novas terras. Não, não estamos falando dos vikings desta vez. Bem, nós estamos, mas de um subconjunto específico... Gatos Vikings!



Para colocar mais um prego no caixão da história sobre o quanto os vikings eram bárbaros e implacáveis, sem parar de matar e pilhar, sabemos, agora, que eles tinham gatos de estimação.


Então, o que sabemos sobre a predileção dos nórdicos de outrora pelos felinos peludos? Vamos examinar:


Gatos na mitologia nórdica

Começaremos examinando a mitologia. Existem várias histórias de gatos mencionadas no folclore escandinavo. A Deusa Freya (Freyja), por exemplo, dirigia uma carruagem puxada por dois gatos.


Eles são referidos na Edda em Prosa como 'gib-cats' e são descritos na cor cinza ou azul. Os gatos foram um presente de Thor, e ela os usou para viajar ao funeral de Baldur, seu amante. O gato era o animal sagrado de Freya e ela abençoa todos aqueles que são gentis com eles. Muitas vezes, se um casamento coincidisse com o bom tempo, dizia-se que a noiva "alimentou bem o gato".


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Há também um conto popular escandinavo, no qual uma gata ajuda um homem pobre. A gata ganha um castelo de prata e ouro, após enganar um troll — para isso, ela o manteve falando até o nascer do sol, quando o troll se transformou em pedra. Então, a gata pede a um pobre homem para cortar a sua cabeça. Relutantemente, depois de muita persuasão, ele o faz, momento em que a gata se transforma em uma princesa. Ela havia sido transformada em uma gata pelo troll. Os dois então se casam e vivem felizes para sempre.



Em outro lugar, o feroz lobo Fenrir é contido por uma corrente chamada Gleipnir, feita de seis ingredientes mágicos, incluindo "o som de um gato caminhando".


E, finalmente, a história do Gigante de Gelo que enganou Thor, ao desafiá-lo a levantar um enorme gato. Quando Thor conseguiu apenas levantar uma das patas, o gato se revelou Jormungandr — a poderosa serpente que circunda Midgard.


Estudar gatos

Os historiadores ainda tentam descobrir exatamente como os gatos conquistaram o globo desde os seus primórdios no Oriente Médio. Muito se sabe sobre a domesticação dos cães e como eles se espalharam pelo mundo, mas pouquíssimo sobre os gatos. É sabido que os vikings tiveram um papel importante na disseminação de nossos felinos fofinhos pelo mundo.


Um importante estudo concluído em 2016 foi apresentado no 7º Simpósio Internacional de Arqueologia Biomolecular de Oxford, Reino Unido, por Eva-Maria Geigl, pesquisadora do Institut Jacques Monod de Paris. O estudo analisou os restos mortais de mais de 200 gatos de 30 sítios arqueológicos diferentes em toda a África e Eurásia, que vão desde o período mesolítico, quando os humanos ainda eram caçadores-coletores, até os primeiros dias da colonização humana, da agricultura, doravante até o Século XVIII.


Os primeiros gatos domesticados

Todos os gatos domesticados modernos pertencem à espécie Felis catus. Estes, por sua vez, descendem de uma única subespécie, o gato selvagem do Oriente médio, Felis sylvestris lybica. Este pequeno membro de cor fulva da família dos gatos selvagens ainda vive nas áreas desérticas do Oriente Médio — até hoje.


Os gatos selvagens são muito diferentes dos gatos que mantemos como animais de estimação. Eles são solitários, mal-humorados e muito reclusos. Mas em termos genéticos, eles não são tão diferentes. Então, como esses caçadores ferozes, mas tímidos, se tornaram as amadas bolas de pelo que conhecemos hoje?



A teoria prevalecente é que os humanos não domesticaram gatos, pelo menos inicialmente, como fizerem com os cães. Em vez disso, os gatos se domesticaram. Não os pegamos e os colocamos em gaiolas e os reproduzimos até que se comportassem. Ao contrário, desenvolvemos um relacionamento mutuamente benéfico.


Conforme os primeiros humanos se espalharam pelo globo e começaram a plantar, suas lavouras atrairiam vermes como camundongos e ratos. Esses vermes então atraíram gatos, que protegiam as preciosas colheitas de serem comidas.


Efetivamente, os gatos têm o duplo benefício de serem fofos e úteis — uma combinação vencedora para atrair humanos. Por sua vez, a humanidade criou ou atraiu comida mais do que suficiente para manter os gatos por perto.


Duas migrações

Então, temos gatos e humanos relaxando juntos no Crescente Fértil do Oriente Médio. Como eles fizeram seu caminho até a Escandinávia? Os gatos gostam de explorar, mas têm o alcance bastante limitado! É aqui que esse grande estudo realmente se destaca.


A evidência de DNA aponta para duas migrações distintas ocorrendo do Oriente. A primeira migração do Oriente Médio ocorreu cerca de 8.000 anos atrás e alcançou um caminho justo para a Europa, através da África. Sabemos que os antigos egípcios amavam e reverenciavam os gatos, e vemos muita iconografia felina na mitologia egípcia.


A segunda migração começou do Egito, muito auxiliada por uma nova tecnologia chamada barco. Isso começou por volta de 1.700 a.C., mas realmente acelerou entre os Séculos V a XIII. Esta é a migração que deu aos vikings os seus gatos.


Gatos chegam ao norte

Não sabemos exatamente quando os gatos chegaram à Escandinávia. Há uma pequena quantidade de evidências que sugerem que estão na área desde a idade do ferro, por volta de 200 a.C., contudo é no início da Era Viking que as evidências se tornam muito mais fortes.


Ao contrário das áreas do Oriente Médio, onde os gatos chegaram aos humanos por meio de comunidades agrícolas, na Escandinávia eles começaram a aparecer em assentamentos urbanos. Isso sugere que os gatos foram trazidos por visitantes do exterior ou pelos vikings que voltavam de suas viagens.


Os restos encontrados em um porto comercial viking no Mar Báltico, ao norte da Alemanha, sugerem que, na idade média, os gatos forneciam seus valiosos serviços de controle de roedores a bordo dos navios vikings. Das áreas urbanas, os gatos se espalharam para as comunidades rurais, onde também podiam encontrar muitas maneiras de serem úteis ao povo nórdico.


O lado negro de manter gatos de estimação

Ser um bom caçador é uma forma de ser útil aos humanos. Infelizmente para os gatos, ser fofo dá outro uso. Uma coisa que sabemos sobre os vikings é que eles adoravam peles. Quando você mora no extremo Norte, a pele é de vital importância para se aquecer.


Os vikings comercializavam com as pessoas que viviam mais ao sul, peles de uma grande variedade de animais, especialmente focas. Mesmo em países com altas temperaturas, a pele macia e natural era bem valorizada. É possível que os vikings esperassem até que os gatos atingissem o fim de sua vida útil e então, após um belo final humano, os esfolassem para usar ou vender as suas peles. As evidências, no entanto, sugerem que os vikings também criavam gatos para obter as suas peles.


A fortaleza Viking de Nonnebakken, em Odense, é bem conhecida na mitologia nórdica. Na área, os restos mortais de 68 gatos foram encontrados em um poço. A análise mostra que esses gatos definitivamente não morreram de causas naturais. A maioria tinha o pescoço quebrado e havia marcas de cortes em alguns dos ossos, consistentes com esfolamento de pele.


Gatos Vikings

Portanto, sabemos que os vikings tinham gatos em suas cidades, em suas áreas rurais e, principalmente, em seus navios. Isso faz muito sentido, porque muito mais do que em terra, era importante manter os seus suprimentos de comida intactos, enquanto estivessem navegando.


A relação natural entre humanos e gatos ainda era um arranjo de benefício mútuo. Os gatos podiam obter comida mais facilmente, matando ratos e camundongos. Suas necessidades de energia não são tão grandes, então eles não eram um fardo à tribo, mesmo quando não havia muitos roedores por perto. Ao navegar com gatos, os vikings podiam ter certeza de que o seu suprimento de comida permaneceria intacto e sem contaminação por vermes transmissores de doenças.



A principal evidência que temos de gatos navegando com vikings vem da Groenlândia e do Canadá. Os restos de gatos na Groenlândia mostram que eles estariam com os vikings desde o início de seu assentamento ali. Enquanto isso, os gatos domésticos na América do Norte parecem ter surgido nessa época também. Talvez Leif Erikson tenha sido o primeiro a apresentar o Felis catus à América do Norte.


Hoje em dia, os gatos perdem apenas para os cães como o animal de estimação mais popular dos Estados Unidos. E como os donos de gatos tendem a ter mais gatos do que cachorros, há mais gatos domésticos do que cachorros no país!


Tamanho é tudo

Uma das descobertas mais surpreendentes sobre os gatos, é de um estudo diferente da Universidade de Copenhagen, o qual aponta que eles cresceram em tamanho desde que os humanos os encontraram pela primeira vez. Embora tenhamos os ‘grandes felinos’, a maioria dos gatos selvagens são bem pequenos e o gato selvagem do Oriente Médio, de onde descendem o nosso, é uma dessas espécies minúsculas.


Ao vasculhar dezenas de sacos de vestígios arqueológicos em locais por toda a Dinamarca, a pesquisadora Julie Bitz-Thorsen descobriu que os gatos domésticos modernos da Dinamarca são em média 16% maiores do que seus homólogos da Era Viking. É possível que isso seja exclusivo da Dinamarca — talvez os gatos dinamarqueses sejam especialmente grandes! Mas, descobertas em outras áreas sugerem que isso é recorrente.


Todavia, isso exatamente o oposto do que os cientistas esperavam, já que, em todos os outros casos, a domesticação tornou os animais menores. Embora tenhamos alguns cães bem grandes, como nosso favorito, o Elkhound norueguês, o cão médio é cerca de 25% menor do que os seus primos selvagens, os lobos cinzentos.


Pode haver algumas razões diferentes para isso. Os gatos eram muito pequenos para começar, então não havia razão para diminuírem o seu tamanho e se tornarem mais gerenciáveis. Além disso, como os gatos se “auto” domesticaram, os humanos não estiveram envolvidos com a maneira pela qual a evolução acontecia.


Entretanto, é provável que o contato com os humanos permitiu que os gatos crescessem, pois a comida era muito menos escassa, eliminando a necessidade de gastar energia para caçar.


Domesticação final

Como mencionado antes, os gatos se domesticaram. As diferenças genéticas entre gatos domésticos e selvagens são muito pequenas. Foi somente na Era Viking que tivemos evidências reais de humanos influenciando direta e deliberadamente o desenvolvimento do gato.


O principal culpado é o gene tabby. Além das exceções óbvias, a maioria dos gatos selvagens tem um padrão listrado sutil, permitindo que eles se misturem ao ambiente. Os gatos do deserto, normalmente, têm cores mais claras e arenosas, enquanto que os gatos da floresta, têm cores mais escuras.


A coloração não uniforme do gato malhado, incluindo pontos, manchas brancas, redemoinhos e outras manchas é, provavelmente, o resultado da ação humana. O gene existia em gatos desde os primeiros dias do Império Otomano, mas não era expressivo até a Idade Média.


Não sabemos, é claro, por que isso aconteceu. Quer tenha sido a seleção humana para torná-los mais bonitos, ou seus pelos, ou simplesmente, os genes passaram a ser mais expressivos, a fim que os gatos fossem capazes de evitar predadores.


Porém, sabemos que a domesticação final dos gatos começou nos dias em que os vikings vagavam pela Terra. Hoje em dia, o descendente moderno desses gatos vikings é o adorável Gato da Floresta Norueguês.


FONTE: Life in Norway

MCKAY, Andrew. Viking Cats: The Preferred Pets of the Northmen. Life in Norway. Oslo, 29 de set. de 2020. Disponível em: <https://www.lifeinnorway.net/viking-cats/>. Acesso em: 29 de set. de 2020. (Livremente traduzido pela Livros Vikings)


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