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A VIKING GUDRID REALMENTE VIAJOU À AMÉRICA EM 1000 D.C.?

As sagas sugerem que ela se estabeleceu em Newfoundland e, eventualmente, fez oito travessias pelo Mar do Atlântico Norte.


A viking Gudrid realmente viajou à América em 1000 d.C.?
Ilustração de Meilan Solly/Fotos via Echo Images/Alamy Stock Photo, Gérald Tapp via Wikimedia Commons sob CC BY-SA 3.0 e domínio público

Mais de 1.000 anos atrás, uma mulher chamada Gudrid navegou além das fronteiras estabelecidas pelos mapas, levando consigo o seu marido e uma pequena tripulação, atracando no que os vikings chamavam de Vínland, possivelmente o Canadá de hoje. Ela viveu em Newfoundland e explorou os arredores por três anos, tendo um filho antes de voltar à Islândia. No final das contas, ela fez oito travessias pelo Mar do Atlântico Norte e viajou mais longe que qualquer outro viking, da América do Norte à Escandinávia e depois a Roma — ou assim afirmam as sagas.


Mas, Gudrid Thorbjarnardóttir, a “Viajante Distante”, realmente existiu? Se for verdade, ela de fato pôs os pés nas Américas 500 anos antes de Cristóvão Colombo?


Respostas definitivas a estas perguntas permanecerão fora do alcance, a menos que evidências físicas ou que documentações mais confiáveis surjam — cenários altamente improváveis. Ainda assim, disse Nancy Marie Brown, autora de sua biografia “The Far Traveller: Voyages of a Viking Woman (A Viajante Distante: as viagens de uma mulher viking)” de 2007, “a história de Gudrid sugere que as mulheres vikings eram tão corajosas e aventureiras quanto os homens e, que havia muito menos limitações na vida de uma mulher naqueles tempos do que podemos imaginar”.


O que as sagas dizem sobre Gudrid

O nome de Gudrid aparece em duas sagas vikings: especificamente, a Saga dos Groenlandeses e a Saga de Eirik, o Vermelho, conhecidas coletivamente como as Sagas de Vínland. Sua história difere ligeiramente entre os dois relatos. Na Groenlandesa, Gudrid é pobre e acaba naufragando em seu caminho para a Groenlândia. Na de Erik, o Vermelho, ela é rica e sobrevive ao inverno rigoroso da Groenlândia antes de viajar para Vínland. Cada saga é como um gigantesco “telefone sem fio” centenário. Às vezes é um inverno rigoroso. Às vezes é um naufrágio. Mas, independentemente da saga, certos elementos da história de Gudrid permanecem os mesmos.


Em ambas as crônicas, Gudrid nasceu na Islândia no final do Século X. Quando ela tinha cerca de 15 anos, viajou com o seu pai, Thorbjorn, para a Groenlândia, onde Erik, amigo criador de problemas de Thorbjorn, estabelecia um novo assentamento viking. Enquanto estava lá, Gudrid se casou com o filho mais novo de Erik, Thorstein. (Você deve conhecer o irmão mais velho de Thorstein, Leif Erikson, visto como o primeiro europeu a colocar os pés na América.) Seguindo os passos de Leif, Thorstein também embarcou para este estranho Novo Mundo, talvez com a sua jovem noiva a reboque, como os groenlandeses acreditavam. Em ambas as sagas, Thorstein não consegue chegar a Vínland — literalmente “Terra Do Vinho”, o nome viking das penínsulas perenes que encontraram na América do Norte. Ele e Gudrid, se ela estava mesmo com ele, conseguiram retornar à Groenlândia pouco antes do início do inverno.


Uma ilustração do Século XIX de Thorfin e Gudrid nas margens de Vinland (foto do coletor de impressão/Getty Images)

Aquele inverno foi rigoroso e, uma por uma, as pessoas ao redor de Gudrid começaram a morrer. Thorstein estava entre os falecidos, mas seu fantasma — um dos muitos a visitar os vivos em ambas as sagas — perdurou o suficiente para sugerir "que o destino dela [seria] grande". Viúva, ela retornou ao assentamento principal da Groenlândia.


Como uma viúva de 17 anos, Gudrid poderia escolher onde morar e com quem se casaria. Ambas as sagas relatam que ela decidiu se casar com o comerciante islandês Thorfinn Karlsefni, cuja a alcunha significa "a constituição de um homem".


Gudrid navegou ao Novo Mundo com Thorfinn. Lá, eles tiveram um filho, Snorri, e depois de três anos, voltam para casa. Embora uma saga tenha a jovem família fazendo um desvio para a Noruega, ambos os relatos acabam com Gudrid de volta à Islândia em uma fazenda chamada Glaumbaer.


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Só na Saga dos Groenlandeses vemos o que acontece com Gudrid

Uma mulher muito mais velha, com cerca de 40 ou 50 anos, embarca em uma peregrinação a Roma, fazendo a jornada quase inteiramente a pé, antes de retornar à sua fazenda para viver os seus dias como uma “freira e reclusa”. (Os estudiosos não têm certeza de como era ser uma freira viking no início do Século XI, como apontou Brown na biografia de Gudrid).


A Gudrid apresentada em ambas as sagas é digna e sensata. Na Saga de Erik, o Vermelho, ela é a “mais bela das mulheres” e tem uma bela voz para cantar. Na dos Groenlandeses, ela é descrita como alguém que “sabe bem como se comportar entre estranhos” — uma referência a cena posterior em que ela fala com uma mulher indígena norte-americana.