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A HISTÓRIA POR TRÁS DE UM BRUTAL MASSACRE VIKING EM DERRY, IRLANDA

O historiador e genealogista de Derry, Brian Mitchell, escreveu sobre o período em que os vikings deixaram a sua marca brutal na cidade.

Os vikings nunca se interessaram em se estabelecer em Derry, mas saquearam a área em várias ocasiões. Foto: Gary Chambers — Fonte da Imagem: Pixabay

Uma das características mais marcantes do cristianismo irlandês primitivo era o amor por vagar em solidão, como forma de passar a vida. Como consequência, os irlandeses se tornaram grandes missionários. Em 563, Colum Cille partiu de Derry para fundar um novo mosteiro. Assim, Conall, o sexto rei de Dalriada, concedeu-lhe Iona, uma pequena ilha na costa oeste de Mull. Essa se tornaria a casa mãe de uma confederação de mosteiros columbanos em toda a Irlanda, Escócia e Inglaterra. No século seguinte à morte de Colum Cille, em 597, novos mosteiros foram fundados em Lindisfarne na Nortúmbria, na ilha de Rathlin, em Innisboffin (condado de Galway) e nas terras dos pictos na Escócia. Além das próprias fundações de Colum Cille em Derry e Durrow, todos esses outros mosteiros encaravam Iona como uma matriz, ou seja, aderiram às tradições da igreja irlandesa. Esses mosteiros columbanos desempenharam um papel de liderança na expansão do cristianismo; eles converteram os pictos e restauraram o cristianismo na Nortúmbria anglo-saxônica no Século VII. Na segunda metade do Século VIII, Iona estava no auge de seu prestígio — as leis de Colum Cille dominavam a Irlanda, com os abades de Iona viajando frequentemente pelo país. Esse período de expansão columbana deu origem a duas formas de arte nos mosteiros irlandeses; ou seja, cruzes altas e manuscritos iluminados. A fusão das técnicas irlandesas de construção em madeira e as habilidades da Nortúmbria na escultura em pedra, resultou no aparecimento de cruzes altamente decoradas nos mosteiros irlandeses a partir da segunda metade do Século VIII. Essas elaboradas cruzes altas possuíam desenhos, os quais circundavam um círculo no ponto de interseção da cruz. Essas cruzes se desenvolveram a partir de simples pilares de pedra do Século VI, nos quais as cruzes eram incisadas. No mosteiro de Derry, apareceram intrincadas cruzes altas nas quais as cenas da Bíblia eram esculpidas. O propósito das cruzes variava; alguns eram marcações para enterro, outros algum tipo de limite, enquanto alguns agiam como focos de oração. Manuscritos distintos em pergaminho eram produzidos nos mosteiros columbanos. Em algum momento entre 760 e 820, foi escrito o Livro de Kells, uma cópia brilhantemente iluminada dos quatro evangelhos com texto em latim, conhecido como “o Grande Evangelho de Columkille”. Sua origem precisa é desconhecida; nem todo mosteiro podia produzir cópias tão decoradas e, ao mesmo tempo legíveis e corretas dos evangelhos escritos em latim. Sem dúvida, foi escrito em um mosteiro columbano, pois eram famosos por seus ensinamentos de latim e pelas habilidades de seus artesãos e artistas. Era improvável que tivesse sido escrito em Derry, pois a equipe de escribas e artistas necessários para produzir uma obra-prima daquela, provavelmente só existiria no centro monástico da confederação columbana que foi em Iona e, posteriormente, Kells na Irlanda central. O conteúdo da biblioteca e do scriptorium do Século VIII em Derry não sobreviveu. Colum Cille, de acordo com os Annals of Clonmacnoise, escreveu 300 livros, todos os exemplares do Novo Testamento. Foram deixadas cópias com cada uma de suas igrejas, que, é claro, incluíam Derry. O manuscrito irlandês decorado mais antigo sobrevivente é o Cathach ou Battle Book, uma cópia dos salmos, que segundo a tradição foi escrita por Colum Cille no final do Século VI, que foi entregue à família de Conall Gulban, ou seja, parentes de Colum Cille, e sempre era transportado três vezes ao redor de seu exército para garantir a vitória antes de uma batalha. A iluminação deste manuscrito estava confinada às grandes letras maiúsculas no início de cada salmo. Com o Livro de Durrow, uma cópia dos quatro evangelhos escritos em meados do Século VII, surgiu um estilo irlandês no qual, no início de cada evangelho, havia à esquerda uma página inteira ornamentada, brilhantemente colorida, com desenhos intrincados de espirais, animais e plantas entrelaçados; enquanto à direita havia uma página introdutória começando com uma letra maiúscula grande e lindamente proporcionada. Além disso, retratos ou símbolos foram usados para representar cada um dos quatro evangelistas. O Livro de Kells marcou o auge da conquista irlandesa na produção de manuscritos, com sua profusão de ilustração, cor e ornamentação, e seu uso repetido dos mesmos símbolos para os quatro evangelistas; um homem para Mateus, um leão para Marcos, um bezerro para Lucas e uma águia para João. No final do Século VIII, o assentamento monástico em Derry havia mudado pouco. O complexo monástico ainda era feito de madeira. A única nova característica física eram possivelmente algumas cruzes altas de pedra. O scriptorium pode ter começado a produzir alguns manuscritos iluminados básicos, semelhantes ao Cathach. Obviamente, continuaria a fazer cópias diretas dos salmos e dos evangelhos. Em 812, uma frota de navios, como nunca vista antes, navegou pelo Lough Foyle. Esses navios construídos em carvalho, com mais de 70 pés (21,33 metros) de comprimento e 20 pés (6,09m) de largura, eram guiados por um leme e movidos a remo e vela. De mastros de pinheiro de 40 pés (12,18m), flutuavam velas quadradas com tiras de dupla espessura de tecido vermelho e branco. Por trás de fileiras de escudos pendurados do lado de fora, até 32 homens por barco puxavam os remos de abeto e manobravam às águas protegidas do Rio Foyle. Eles atracaram seus barcos, que puxavam apenas um metro de água, na praia sob o mosteiro. Dos barcos, os homens correram morro acima, os líderes usavam capas protetoras de malha e capacetes com um pedaço de proteção sobre o nariz, que se projetava sobre o rosto; o resto, logo atrás, em casacos grossos de lã que chegavam até a metade das coxas. Todos eles carregavam um escudo redondo de madeira, muitos dos quais eram pintados de amarelo ou preto. A longa e larga espada de ferro de dois gumes e o machado de batalha com cabo longo e gume eram as principais armas que carregavam. Apoie a Livros Vikings, saiba como... Alguns estavam armados com lanças, outros com arco e flechas. A maioria tinha uma faca de ferro, com cabo de madeira ou osso, enfiada nos cintos. Os vikings localizaram o assentamento monástico de Derry e, como em outras partes da Irlanda e da Grã-Bretanha, não encontraram resistência organizada. Queimaram a abadia e massacraram o clero e os seus alunos. O mosteiro não era apenas um alvo fácil de atacar por causa de sua localização isolada, mas muito acessível, era também muito recompensador. Derry era um centro de riqueza, rico em terras e gado. Os vikings estavam interessados em provisões alimentares, para sustentar outras viagens, bem como nos ornamentos de metais preciosos associados a um mosteiro. Eles também queriam fazer prisioneiros, especialmente meninas, pois as comercializavam como escravas na Europa central. Os vikings nunca tentaram se estabelecer em Derry. Em 832 eles atacaram novamente, mas desta vez foram repelidos, com grandes perdas, por Niall Caille, Rei da Irlanda e Murchadh, Príncipe de Aileach. Derry continuou a ser atraente para os invasores vikings durante o Século X. Em 983, o santuário de Colum Cille foi levado pelos vikings. Em 989 e 997, Derry foi novamente saqueada. O crescimento a longo prazo de Derry não sofreu por causa dos ataques viking, se é que aumentou. Com os ataques vikings a Iona em 795, 802 e 806, os monges adquiriram um local em Kells, no centro da Irlanda e, carregando as relíquias de Colum Cille, mudaram-se para lá e fundaram um novo mosteiro. Houve aumento constante no status e na importância de Derry de 900, quando ela sucedeu Iona e depois Kells como o centro de todas as fundações columbanas na Irlanda e na Escócia. No final do Século X, Derry era conhecida como Doire Columcille, em oposição a Doire Calgach. Esse período viking resultou em duas novas adições ao mosteiro de Derry: sua primeira igreja de pedra e uma torre redonda. Algum tempo depois do primeiro ataque em 812, a igreja de madeira, que os vikings queimaram, foi substituída por uma de pedra. Era um edifício simples, de forma semelhante aos antecessores de madeira.

Essa igreja de câmara única de pedra, mais tarde conhecida como igreja de Dubh Regles ou Black Abbey, talvez não tivesse mais de 6 metros. Provavelmente tinha uma fenda estreita para uma janela e era coberta de pedra para simular telhas sobrepostas. A habitação para os monges e seus agricultores arrendatários ainda era feita da combinação tradicional de madeira e acácia. Entre o final do Século X e o início do Século XII, uma torre redonda de pedra foi construída ao lado da igreja da Abadia Negra para servir a uma variedade de propósitos, como um campanário, uma torre de vigia e um local de refúgio. Talvez 100 pés (30,48m) de altura e 15 pés (4,57m) de diâmetro, com cinco andares, cada um iluminado por uma janela, exceto a parte superior que tinha quatro. A entrada ficava a 10 pés (3,04m) acima do nível do solo — acessível por uma escada móvel. No interior, cada piso de madeira estava ligado por uma escada de madeira. Se incendiada, a torre seria uma armadilha mortal, pois o fogo em toda aquela madeira, criaria um inferno. Na virada do Século XII, Derry estava começando a ver o renascimento de sua fortuna, e fama como uma importante cidade monástica. Apesar das adições de elaboradas cruzes de pedra, uma pequena igreja de pedra seca e uma torre redonda, Derry ainda era muito semelhante ao assentamento fundado em 545.

FONTE: Derry Now MITCHELL, Brian. Local History: The story behind a brutal Viking massacre in Derry. Derry Now. Derry, 31 de mar. de 2020. Disponível em: <https://www.derrynow.com/news/features/530504/local-history-the-story-behind-a-brutal-viking-massacre-in-derry.html>. Acesso em 31 de mar. de 2020. (Livremente traduzido pela Livros Vikings

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