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A DESCOBERTA VIKING DA ISLÂNDIA

A descoberta e a colonização da Islândia foram dois dos eventos mais bem documentados da Era Viking. Os islandeses medievais eram fascinados pela genealogia, não apenas porque, como emigrantes, queriam saber de onde vinham suas famílias, mas porque esse conhecimento era essencial para o estabelecimento de direitos de propriedade.


A descoberta viking da Islândia

Para começar, as tradições familiares sobre o período de colonização foram transmitidas oralmente de uma geração para a outra, mas no início do Século XII, elas passaram a serem escritas, surgindo as duas primeiras obras da história da Islândia, Landnámabók e Íslendingabók, ambas escritas em nórdico antigo. Íslendingabók (‘O Livro dos Islandeses’), é uma breve crônica da história da Islândia, a qual retrata desde a sua descoberta até 1118 d.C., sendo escrita entre 1122 e 1132 d.C. por Ari Thorgilsson, um sacerdote de Snæfellsness.


Ari confiou nas tradições orais e, para eventos mais recentes, em testemunhas oculares, mas teve o cuidado de estabelecer a confiabilidade de seus informantes, nomeando muitos deles e evitando o preconceito cristão e as explicações sobrenaturais dos eventos. Embora não provado, geralmente se pensa que Ari também foi o autor de Landnámabók ("O Livro dos Assentamentos"), que dá detalhes sobre os nomes, genealogias e reivindicações de terras de centenas de colonos originais.


Página original do manuscrito de Landnámabók.

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O primeiro viking a visitar a Islândia foi Gardar, o Sueco, que em 860 d.C. partiu em uma viagem da Dinamarca, onde ele havia feito sua casa, para as Hébridas, a fim de reivindicar algumas terras que sua esposa havia herdado. Ao passar por Pentland Firth, o estreito que separa as Ilhas Orkney do continente escocês, o navio de Gardar foi pego por uma tempestade e fora lançado longe no Atlântico. Gardar finalmente avistou a costa montanhosa de uma terra desconhecida.


O que Gardar viu não foi nada convidativo, foi o acidentado Chifre Oriental na ameaçadora costa sudeste da Islândia, guardado por altos penhascos e enormes encostas de cascalho que caem no mar. Implacável, Gardar começou a seguir a costa oeste, eventualmente circunavegando a Islândia e estabelecendo que era uma ilha.


Gardar passou quase um ano explorando sua terra recém-descoberta, passando o inverno em Husavik, na costa norte da Islândia. Quando ele partiu na primavera, Gardar foi forçado a abandonar um homem chamado Nattfari, junto com um escravo e uma escrava, quando o pequeno barco em que estavam ficou à deriva. Esses três sobreviveram, tornando-se inadvertidamente os primeiros habitantes permanentes da Islândia. Batizando sua descoberta de Gardarsholm (a ilha de Gardar) em homenagem a si mesmo, Gardar navegou para o leste até a Noruega, onde começou a louvá-la.


Outro visitante acidental da Islândia nessa época foi Naddod, o viking. Ele estava navegando da Noruega para as Ilhas Faroé quando perdeu o curso e atracou nos fiordes orientais da Islândia.


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Naddod escalou uma montanha para procurar sinais de habitação e, como não viu nenhum, saiu no meio de uma forte tempestade de neve. Naddod também deu relatórios favoráveis sobre a ilha, que ele decidiu chamar de Snæland (Snowland). Pouco depois do retorno de Naddod, o norueguês Floki Vilgerdarson partiu de Rogaland com a intenção de se estabelecer em Snæland. Floki tinha a reputação de grande guerreiro viking, mas era um colono sem esperanças. Floki passou seu verão caçando focas em Vatnesfjörður em Breiðarfjörður no noroeste da Islândia, mas ele se esqueceu de armazenar feno, o que fez com que todo o gado que levou consigo morresse de fome no inverno. Isso condenou a sua tentativa de colonização, mas o gelo do fiorde o impediu de voltar para casa. Quando a camada de gelo finalmente se quebrou, já era tarde demais para arriscar tentar retornar à Noruega, então Floki foi forçado a ficar mais um inverno, desta vez em Borgarfjör furtherur, mais ao sul. Completamente desiludido com as suas experiências, Floki decidiu renomear Snæland como "Ísland". O nome de Floki foi o que pegou, embora os seus homens dessem relatórios mais favoráveis sobre a ilha: o mais entusiasmado deles, Thorolf, jurou que manteiga pingava de cada folha de grama. Por esta razão, ela ficou conhecido desde então como Manteiga de Thorolf.


Thorolf deve ter sido um otimista inato. A Islândia é uma grande ilha vulcânica situada exatamente na crista meso-atlântica, onde o magma que jorra do manto está gradualmente separando a Europa da América. Apesar de se situar apenas ao sul do Círculo Polar Ártico, a influência da corrente quente do Golfo mantém o clima ameno para a latitude. As geleiras e mantos de gelo nas montanhas cobrem cerca de 14% da Islândia, mas o resto da ilha está livre de permafrost.


A combinação de gelo e fogo da Islândia deve ter lembrado aos colonos do mito da criação viking, no qual o mundo emerge do vazio entre o reino do fogo de Muspel e o reino congelado de Niflheim.


Hoje, menos de 1/4 da Islândia possui vegetação, o restante da área sem glaciação é composto principalmente de campos de lava estéreis e desertos de cinzas. No entanto, quando foi descoberta pelos vikings, cerca de 40% da era coberto por bosques baixos e arbustos, de bétulas e salgueiros, por isso teria parecido consideravelmente menos desolado do que hoje. Mesmo assim, a Islândia acabou sendo um ambiente distintamente marginal para a colonização europeia e os colonos eram muito vulneráveis aos caprichos do clima e das erupções vulcânicas.